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Após uma pesquisa centrada nos estudos de investigação sobre atitudes para com as

pessoas idosas, verificámos que, com frequência, estes eram realizados com o uso da Escala

AKPI (Astle, 1999; Hellbusch et al., 1994; Hilt e Lipschult, 1999; Lookinland e Anson, 1995;

McCracken et al., 1995; MacNeil, 1991; Thorson e Powell, 1991; Reed et al., 1992; Taylor e

Hamed, 1978). Tal facto contribuiu para que escolhessemos esta escala para avaliar as

atitudes para com pessoas idosas. Além disso, partilhamos a opinião de Astle (1999), segundo

a qual a escala é fácil de aplicar e de cotar. De referir ainda que a consistência interna, com

valores aceitáveis, permite considerá-la um instrumento adequado para medir atitudes.

Esta escala tem sido extensivamente usada em estudos com estudantes do ensino

superior, nomeadamente de Psicologia, de Enfermagem, de Medicina e com enfermeiros e

técnicos de reabilitação entre outros (Astle, 1999).

Ao optarmos por esta escala, necessitámos fazer uma adaptação da mesma para

Portugal. Procedemos ao pedido de autorização para a utilização da escala ao seu autor, o

Professor Nathan Kogan, a qual foi concedida a 13 de Janeiro de 2000. (ver anexo 1)

3.2.1 CARACTERIZAÇÃO DO INSTRUMENTO

Kogan construiu a escala de Atitudes para com pessoas idosas a partir de trabalhos

sobre minorias étnicas (substituindo o grupo de referência pelo de pessoas idosas) e de

trabalhos sobre estereótipos e sentimentos para com idosos.

A escala AKPI avalia a percepção dos sujeitos em sete áreas relativas aos idosos:

1- segregação através do espaço habitacional (onde e como os idosos devem viver);

2- sentimentos provocados pela convivência com idosos;

3- relações interpessoais entre gerações;

4- homogeneidade dos idosos enquanto grupo;

5- dependência;

6- capacidades cognitivas;

7- aparência pessoal e personalidade.

Estas áreas são avaliadas através das respostas dos sujeitos a pares de itens, específicos

para cada área.

• Assim para avaliar a área 1 (segregação através do espaço habitacional) temos:

par cinco (item negativo - provavelmente seria melhor se a maioria das pessoas idosas

vivesse nos mesmos prédios que outras pessoas da sua idade);

r

- par dezasseis (item negativo - a maioria das pessoas idosas tende a deixar as suas

casas tomarem-se desleixadas e pouco atractivas).

• Para avaliar a área 2 (sentimentos provocados pela convivência com idosos) temos:

par oito (item negativo - a maioria das pessoas idosas provoca mal-estar nos outros);

par onze (item negativo - existe uma característica particular nas pessoas idosas: é

difícil perceber o que as incentiva);

• Para avaliar a área 3 (relações interpessoais entre gerações) temos:

- par nove (item negativo - a maioria das pessoas idosas aborrece os outros quando

insiste em falar sobre os bons velhos tempos);

- par doze (item negativo - a maioria das pessoas idosas queixam -se constantemente do

comportamento das gerações mais novas); 1

- par quinze (item negativo - a maioria das pessoas idosas gasta bastante tempo a

intrometer-se nos assuntos dos outros, dando conselhos sem serem solicitadas).

• Para avaliar a área 4 (homogeneidade dos idosos enquanto grupo) temos:

- par três (item negativo - se as pessoas idosas querem que gostem delas, o primeiro

passo a darem é tentarem libertar-se dos seus defeitos irritantes);

par sete (item negativo - a maioria das pessoas idosas são bastante parecidas umas

com as outras com excepção de alguns casos). .

• Para avaliar a área 5 (dependência) temos:

- par dois (item negativo - a maioria das pessoas idosas prefere deixar de trabalhar logo

que o montante da reforma seja suficiente para aguentar as despesas que têm);

par catorze (item negativo - a maioria das pessoas idosas exigem excessivamente que

sejam amadas e encorajadas).

® Para avaliar a área 6 (capacidades cognitivas) temos:

- par treze (item negativo - a maioria das pessoas idosas instala-se nos seus hábitos e

são incapazes de mudar);

- par quatro (item negativo - é disparatado pensar que a sabedoria vem com a idade).

• Para avaliar a área 7 (aparência pessoal e personalidade) temos:

- par seis (item negativo - a maioria das pessoas idosas deveria preocupar-se mais com a

sua aparência pessoal. Habitualmente têm um aspecto desleixado).

par dez (item negativo - a maioria das pessoas idosas são irritantes, inconvenientes e

desagradáveis).

Cada par de itens está emparelhado, ou seja, a atitude é formulada na negativa (item

negativo) e na positiva (item positivo). Por exemplo: o item 13 negativo - A maioria das

pessoas idosas instalam-se nos seus hábitos e são incapazes de mudar; o item 13 positivo - A

maioria das pessoas idosas são capazes de se adaptarem de novo quando a situação o exige.

Existem 6 possibilidades de resposta para cada item. É pedido ao sujeito que registe o seu

grau de concordância para cada um dos itens numa escala do tipo Likert com 6 pontos: 1:

discordo completamente; 2: discordo em grande parte; 3: discordo parcialmente; 5: concordo

parcialmente; 6: concordo em grande parte; 7: concordo completamente. Obtém-se assim uma

possibilidade de resposta desde muito positiva (1) até muito negativa (7). A ausência de

resposta é cotada com o valor 4.

Os itens negativos e positivos estão distribuídos aleatoriamente, apresentando o

instrumento duas escalas: a escala negativa (constituída pelos itens negativos) e a escala

positiva (constituída pelos itens positivos).

Para poder comparar entre si os resultados obtidos com cada uma das escalas, as

pontuações atribuídas aos itens da escala positiva são revertidas, ou seja, o valor atribuído

pelo sujeito a cada afirmação positiva é subtraído de 8. Deste modo, quer para a escala

negativa quer para a escala positiva, pontuações totais baixas indicam atitudes mais

favoráveis para com os idosos enquanto que valores elevados indicam atitudes mais

desfavoráveis.

O valor 3.5 foi estabelecido por Kogan (1961) como o ponto teoricamente neutro.

Para o estudo do instrumento, Kogan usou 3 grupos de estudantes de Psicologia. Grupo 1

formado por 128 sujeitos do sexo masculino e grupo 2 por 186 sujeitos também do sexo

masculino. O grupo 1 e 2 frequentavam a Universidade de Northeastem. O grupo 3 formado

por 87 sujeitos do sexo masculino e 81 do sexo feminino (total= 168) frequentava a

Universidade de Boston.

Em relação aos testes de consistência, Kogan efectuou alguns procedimentos

nomeadamente: correlação entre cada item e o total da escala correspondente (negativa e

positiva) e correlação entre os^ itens de cada par. Calculou igualmente as médias e desvios

padrão para cada item. A consistência interna da escala negativa e da positiva revelaram-se

um valores aceitáveis, assim como a correlação entre escalas. O coeficiente de consistência

interna para a escala negativa foi de .73, .83 e .76, respectivamente para os grupos de

Northeastem (n= 128 e n=186) e para o grupo de Boston (n=168). Para a escala positiva foi

de 0.66 (n=128); 0.73 (n=186) e 0.77 (n=168) para os já referidos grupos.

3.3 PROCEDIM ENTOS NA ADAPTAÇÃO DA ESCALA PARA A VERSÃO