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Salmonella from human clinical specimens

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Gomes (2008) em seu artigo “A mediação da informação, comunicação e educação na construção do conhecimento”, publicado na revista Datagramazero, situa a mediação no cerne dos processos comunicacionais e educacionais que propõem a construção do conhecimento. O enfoque dado pela autora coloca em destaque o papel das tecnologias aliado aos agentes sociais envolvidos na transmissão de informações. Esta abordagem apresenta a mediação da informação como um elemento-chave do processo de transferência da informação, sendo aquela, etapa primeira da construção de conhecimentos que se efetiva a partir do acionamento de estruturas cognitivas e de acervos de conhecimentos prévios dos sujeitos em contato com o conteúdo da informação e em interação entre si. Indica, portanto, que:

nas atividades de acesso ao conhecimento estabelecido, ao conhecimento registrado, os educadores, os espaços informacionais e seus agentes são os mediadores que transmitem as informações disponíveis, realizando assim, as práticas informacionais (GOMES, 2008, p.2).

O processo de construção do conhecimento associa-se ao conteúdo simbólico da informação que é “mediado” pelos suportes de registro com os quais os indivíduos, dotados de repertórios culturais e experiências próprias, interagem.

A mediação, termo para o qual não há definição, alia-se à transmissão de informações que, a partir de instrumentos de registros e de processos interativos, operam na construção do conhecimento pelos sujeitos.

A mediação posicionada no processo de construção de saberes é também explorada por Bufrem e Sorribas (2008) no artigo “Mediação e convergência em bibliotecas acadêmicas: saberes e práticas culturais”, publicado na revista Encontros Bibli.

173 Neles são investigadas as possibilidades de construção de uma cultura informacional nas bibliotecas universitárias brasileiras para a construção de um ambiente propício à formação de saberes, a partir de cinco categorias: o contexto; os fenômenos da mediação e da convergência relacionados às bibliotecas acadêmicas; os sujeitos no processo; as relações de força e a articulação entre esses fatores.

O contexto das bibliotecas acadêmicas é marcado por condições sócio- econômicas diversas e contrastes latentes revelados, por exemplo, pelo alto índice de “excluídos digitais”. Neste cenário, as autoras destacam o papel das redes ou estruturas que reúnem conservam, disseminam e fornecem informações, indicando que seu potencial consiste em oferecer condições para a ampliação de oportunidades dos cidadãos.

No contexto em que se situam essas estruturas de informação são consideradas a infra-estrutura eletrônica e de telecomunicações, bem como as comunidades que assumem papéis sociais historicamente constituídos dos quais resultam a formação de grupos coletivos que compartilham modos de vida e significados que são transmitidos.

Os fenômenos da mediação e convergência estão localizados na tríplice cultura (acadêmica, informacional e telemática) relacionada às redes de informação.

As autoras entendem a mediação como o termo que designa “o fluxo de eventos entre a geração da informação por uma fonte emissora e a aceitação da informação pela entidade receptora” (BUFREM; SORRIBAS, 2008, p.73). Ponderam, contudo que:

mesmo considerando-se esse sentido mais genérico dado ao termo mediação, ele enseja duas interpretações, a primeira, cuja ênfase recai no processo de aprendizagem e a segunda, com enfoque nos processos tecnológicos de suporte ao fenômeno (BUFREM; SORRIBAS, 2008, p.73).

Desse modo, a mediação pode ser lida também como o “processo de divulgação científica mediante recursos educativos” (BARROS, 2005, p. 53 apud BUFREM; SORRIBAS, 2008, p.73) e sua prática evidencia que a capacidade de buscar informação e de interferir na construção de saberes estimula a criatividade e as transformações.

Partindo dessa ênfase, as autoras ressaltam que “o processo de mediação aproxima-se, do ponto de vista de sua funcionalidade, a uma ativação da consciência” (BUFREM; SORRIBAS, 2008, p.73).

174 trabalho analítico que consiste na distinção, na seleção e no julgamento, ou seja, em um discurso processual que nega as determinações imediatas e busca ativar o campo do sujeito, pois é nas relações intersubjetivas que a categoria de mediação se explica com mais clareza e contribui para a criação de processos de compreensão intersubjetiva das representações sociais através da argumentação e da manipulação cognitiva [...] (BRAGA, 2004, p. 1 apud BUFREM; SORRIBAS, 2008, p.73).

Para as autoras o conceito de mediação na Ciência da Informação e Biblioteconomia coaduna-se ao de redes de acesso à informação, sendo a Internet decisiva para o processo decorrente do conjunto de modalidades de apoio ao uso da Tecnologia da Informação (BUFREM; SORRIBAS, 2008).

O processo de mediação contribui, assim para: a) a solução de problemas; b) o processo de identidade cultural; c) a formação da cidadania; d) a formação de usuários críticos, produtores e não simplesmente consumidores de conteúdos disponíveis pelas tecnologias de informação e comunicação (SUAIDEN, 2006 apud BUFREM; SORRIBAS, 2008).

As autoras ressalvam, contudo, que tal contribuição limita-se por problemas como a parca intimidade das pessoas com bases e redes de informação, a dificuldade na manipulação das tecnologias, a confiança na busca realizada por pessoas especializadas- como o bibliotecário- e a carência de tempo para buscas ou a ausência de infra-estrutura apropriada. Estas limitações demonstram, assim, “a existência de zonas de conflito introduzidas pela mediação das tecnologias de informação e comunicação nas bibliotecas universitárias, comuns no jogo da sociabilidade” (MORIGI; PAVAN, 2004, p. 117 apud BUFREM; SORRIBAS, 2008, p.74).

Das ponderações acerca da extensão das práticas de mediação, deduz-se a combinação decorrente dos avanços alcançados no processo de convergência de várias tecnologias. O conceito de convergência é entendido na sua dimensão de conjugação das mídias, infra-estrutura e serviços; de formas de organização da informação e de aprendizado, sendo esta última à qual mais a autoras se detêm.

Com este enfoque específico, a convergência define-se como a conciliação de métodos e instrumentos nas práticas bibliotecárias, ou seja, ao resultado de aplicação de diversas mídias no ambiente acadêmico de produção, organização e tratamento para recuperação e disseminação de informações, especialmente voltado aos misteres do ensino superior, com apoio no desenvolvimento de redes de informação e cooperação entre bibliotecas acadêmicas (BUFREM; SORRIBAS, 2008, p.75).

175 A convergência favorece a proliferação de informação digital, estabelece uma base comum para o manuseio de diversos tipos de informação, suscita a disseminação da conectividade entre as pessoas, possibilita a reunião de informações dispersas e o alargamento do seu valor, contribuindo, assim, para os avanços da tecnologia.

Para as autoras o compartilhamento da informação, fortalecido pelos fenômenos de mediação e convergência, verifica-se em contextos em que as bibliotecas, ao extraírem saberes e cultura da sociedade, transformam-se e transformam os sujeitos, relacionando-os numa “espécie de jogo dialético entre o instituído e o instituinte” (BUFREM; SORRIBAS, 2008, p.80).

A mediação, entendida tanto como processo quanto fenômeno está dimensionada na natureza dos aparatos tecnológicos da informação e nos meandros dos processos de aprendizagem. As autoras utilizam o trabalho de Morigi e Pavan (2005) discutido anteriormente.

A construção do conhecimento, do ponto de vista cognitivo, e o papel das bibliotecas são temas abordados por Varela e Barbosa (2009) no artigo “A multirreferencialidade de saberes nos atos de mediação e conhecimento: o aporte das ciências cognitivas à ação pedagógica das bibliotecas”, publicado na revista Perspectivas em Ciência da Informação.

Nele as autoras analisam as exigências dos “novos tempos” para o acesso ao conhecimento, a partir de perspectivas teóricas e metodológicas das ciências cognitivas a da função da Educação e da Biblioteconomia no processo de aprendizagem.

Partem do princípio de que:

para se chegar ao conhecimento, não basta o acesso físico às tecnologias, mas sobretudo, é preciso estimular os múltiplos processos cognitivos, a mediação e a contextualização que se constituem pré- requisitos para apreender e compreender conteúdos formativos e informativos (VARELA; BABROSA, 2009, p.189).

Resgatando o papel educativo das bibliotecas, entendidas como espaço em que os alunos encontram material para complementarem sua aprendizagem e desenvolverem sua criatividade, imaginação e senso crítico as autoras ressaltam a importância de estudos teóricos sobre o campo da aprendizagem com foco na cognição humana, como subsídios importantes para a formação de professores e bibliotecários.

Assim, recuperam a concepção de Vygótsky e Freire acerca da mediação. Para o primeiro, o conhecimento constitui-se em uma produção cultural, diretamente relacionada à linguagem e a interação social. No processo de construção do

176 conhecimento, o pensador russo ressalta as relações culturais de mediação das estruturas psicológicas.

O fator decisivo no desenvolvimento não recai sobre o indivíduo, sujeito dos processos de construção intelectual, mas sobre os processos de mediação das estruturas cognitivas e lingüísticas. A mediação é a ação que se interpõe entre o sujeito e objeto de aprendizagem, sendo a palavra de fundamental importância (VARELA; BARBOSA, 2009, p.196)

Já para Freire (1979 apud VARELA e BARBOSA 2009) a mediação é a ação por meio da qual o homem chega a ser sujeito por uma reflexão sobre sua situação, sobre seu ambiente concreto .

As teorias da Modificabilidade Aplicada e da Experiência de Aprendizagem Mediada, desenvolvidas pelo psicólogo israelense Feuerstein, são também situadas para entender o processo de mediação na construção do conhecimento.

Para Feuerstein a aprendizagem humana é decorrente de uma relação indivíduo-meio, mediatizada por outro indivíduo mais experiente, cujas práticas e crenças culturais são transmitidas, promovendo zonas mais amplas de desenvolvimento crítico e criativo, rumo à autonomia cognitiva, conseqüente de uma aprendizagem mediada (FEURESTEIN, 1980 apud VARELA; BARBOSA, 2009).

A função do mediador, elemento regulador deste processo, pode ser exercida tanto pelo professor quanto pelo bibliotecário conforme assinalam as autoras:

Quando o mediador é o professor, ele põe em prática estratégias de mediação na apresentação das várias tarefas inerentes ao processo ensino-aprendizagem, visando à generalização e à abstração conceitual. No entanto, o processo de mediação transcende a sala de aula, alcançando a biblioteca e outros ambientes de aprendizagem (VARELA; BARBOSA, 2009, p.197).

As autoras indicam ainda que a falta de mediadores que se interponham entre o sujeito e o mundo, que selecionem e organizem informações contextualizando-as culturalmente, provoca a denominada “síndrome cultural”.

A mediação é tida como um elo do processo da cognição, que promove acesso à realidade, a partir de uma ação orientada por elementos intervenientes, como os pais, os professores e a escola e o acionamento de estruturas cognitivas.

Interação, interveniência e ação são noções contempladas pelos estudos cognitivos da aprendizagem através da mediação.

Mediação e educação são relacionadas em outro artigo publicado por Martucci (1997) na Revista de Biblioteconomia de Brasília. “Processo educativo na mediação da

177 informação em biblioteca pública: um estudo fenomenológico” compreende um estudo que busca apreender a dimensão educativa do processo de referência, ou “mediação da informação”.

Parte do pressuposto teórico de que “todas as circunstâncias de vida e de convívio podem ser oportunidades de educação e que em toda prática social existe um processo educativo” (MARTUCCI, 1997, p.167).

A autora considera como prática social a relação, interação, a ação social entre indivíduos, que pode ocorrer tanto em ambientes sociais formalizados e institucionalizados, quanto em situações informais de convivência e relacionamento. Entende-se o processo educativo como “situação de troca, de desenvolvimento, de significações, de sentido do mundo, dos outros e de si próprio, que ocorre entre as pessoas envolvidas na prática social, num ato de criação, recriação e transformação” (MARTUCCI, 1997, p.67).

Explicando seu intento, a autora emprega o termo mediação em analogia ao processo de referência.

Considerou-se ato de educar-se como a construção da identidade do atendente e do usuário de uma biblioteca pública, através da interação face-a-face que se estabelece no processo de referência; como atendente, o mediador do uso da informação e como usuário, os membros da comunidade buscam a biblioteca para a resolução de um problema de informação. A contribuição da resposta à questão posta é compreender o processo educativo próprio, peculiar do processo de referência ou da mediação da informação na biblioteca escolhida e, com isto, desvelar se educa para a reprodução ou para a transformação (MARTUCCI, 1997, p.167).

A mediação da informação é vista como o serviço de referência da biblioteca pública, o que pode ser notado na utilização da conjunção “ou” indicando correspondência, e na visão do mediador como o bibliotecário, o condutor deste serviço. Empregada neste contexto, indica relação, interface e interlocução estabelecida entre os agentes e a ação, tendo função do provimento da informação, entendida como elemento importante no processo de aprendizagem e na construção do conhecimento.

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