5.3 Applications of Separatrix Persistence
5.3.1 Salient Edges on Surfaces
Com relação à área de incidência da malária (ANDRADE, n.c. 2002)10 63% dos casos se concentram na área urbana, 17% na área rural e 20% no garimpo. Nesse ano (2002)
não foram computados casos de malária nos assentamentos e pelo que se tem na vivência em
campo, os assentamentos concentram casos de leihsmaniose, como comprovado no
assentamento do Munguba por ocasião da coleta de dados. Segundo informações da técnica
de enfermagem do Posto de Saúde, vários assentados estão fazendo o tratamento para essa
doença, como bem demonstra a Foto 11. Tem-se ainda como confirmação desses casos o
registro do Centro de Dermatologia Sanitária (AMAPÁ. OCORRÊNCIA, 1999) do estado
onde se vê que no primeiro trimestre de 1999 foram computados 76 casos de leishmaniose em
Porto Grande. 1195 2560 66 193 628 1163 1217 1094 1509 1602 941 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003
casos
Gráfico 24: Distribuição de casos de malária de Porto Grande. 1993 – 2003. Fonte: Malária, 1999.
Amapá. Secretaria/Distribuição/SISMAL, 1997/2002. Brasil. Ministério/Distribuição/SIVEP, 2003.
Já a malária apresentada no Gráfico 24 deixa claro seu comportamento em Porto
Grande. Percebe-se que a partir de 1995 a curva foi sempre ascendente, com uma elevação
maior em 2000, o que já é esperado em decorrência da situação da endemia em toda a região
10
Amazônica. A partir daí, por conta das próprias medidas que foram estabelecidas pelos planos
de controle, houve uma redução nos anos seguintes. Entretanto, a partir de 2003, esses casos
voltam a traçar uma curva ascendente constatando-se um aumento de 70,24%. E o reflexo já é
sentido em um surto endêmico que ocorreu no município em março de 2004 (ALMEIDA,
2004; FUNASA, 2004), o que motivou a CVS a organizar uma força tarefa para desenvolver
todas as ações necessárias para combater o surto da doença.
0 10 20 30 40 50 60 70 IFA 40,9 22,28 19,43 10,83 8,46 6,03 10,63 15,31 34,19 53,99 63,23 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003
Gráfico 25: Distribuição do IFA em Porto Grande.1993 - 2003. Fonte: Malária, 1999.
Amapá. Secretaria/Distribuição/SISMAL, 1997/2002. Brasil. Ministério/Distribuição/SIVEP, 2003.
Ainda nesse contexto, a situação dos casos de falciparum tem demonstrado que seu índice tem aumentado, o que pode ser visualizado no Gráfico 25, onde sua posição parece ter
se dado em sentido inverso aos casos de malária visualizados no Gráfico 24. Nesse caso a
ascendência do P. falciparum é marcada a partir de 1999 e continua numa curva ascendente
até 2003. Fica claro nessa distribuição que nestes onze anos esse índice vem apresentando
uma curva ascendente. A presença de áreas de garimpo e assentamento no município tem
contribuído para esse incremento, devendo ser considerado pela equipe de controle de
0 50 100 150 200 250 IPA 11,82 33,64 106,53 161,71 159,4 136,6 142,53 231,84 128,45 108,87 168,5 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003
Gráfico 26: Distribuição do IPA em Porto Grande. 1993 - 2003. Fonte: Malária, 1999.
Amapá. Secretaria/Distribuição/SISMAL, 1997/2002. Brasil. Ministério/Distribuição/SIVEP, 2003.
Já quando se reporta à IPA, projetada no Gráfico 26, da malária em Porto Grande tem-
se como resultado uma incidência elevada e, mesmo com as medidas do PIACM, a redução
ocorrida não chegou a 20%. Em 2003, com um IPA de 169%, a malária neste município foi
responsável por 13,1% das notificações do estado. Esse percentual se configura significativo,
tanto que o Programa Nacional de Controle da Malária (BRASIL.
MINISTÉRIO/PROGRAMA, 2004) em sua avaliação cita que Porto Grande se encontra entre
os municípios com transmissão de malária com IPA maior ou igual a 50 casos por mil
habitantes.
Pelos resultados apresentados constata-se as dificuldades em se realizar o controle
da endemia nesse município. De tal forma, que a equipe de endemias de Porto Grande
apresentou-as por ocasião das reuniões de avaliação. Também foi citado, entre outras
dificuldades, que o SISMAL, que foi implantado em setembro de 2001, já apresentava
problemas em decorrência da sobrecarga do programa, o que dificultava a digitação das
julho de 2002 (R. F. ANDRADE. n. c. , 2002): a falta de apoio das Secretarias Municipal e
Estadual e da FUNASA para o desenvolvimento das ações de campo; a necessária capacitação
dos agentes de endemias municipal em educação e saúde e práticas de campo; a resistência de
alguns moradores em aceitar a borrifação intra-domiciliar; vários domicílios fechados; a falta
de identificação (crachás e uniformes) dos agentes de endemias, o que dificulta na
credibilidade do trabalho a ser realizado; o controle seletivo de vetores não é realizado por
falta de um profissional em entomologia no município; ações de malária não são realizadas
junto com a equipe da atenção básica.
Com base nessas dificuldades, nessa Reunião, foram sugeridas as seguintes propostas:
Apoio das instâncias federais, estadual e municipal para melhorar as ações de campo;
Continua atualização dos agentes municipais de endemias no trabalho de campo e nas ações educativas com a população;
Sensibilizar os moradores quanto a importância da borrifação intra- domiciliar para redução dos casos de malária;
Integração do trabalho com as equipes do PACS e PITS;
Equipar os agentes de endemias com uniformes próprios e crachás de identificação;
Implementar as ações de vigilância entomológica;
Articular a criação do núcleo de educação em saúde no município;
Solicitar o apoio de outras instituições como o INCRA, IBAMA, etc, para execução de forma integrada das atividades de controle e erradicação da endemia;
Acompanhamento e avaliação dos indicadores; Aquisição de 03 (três) microscópios;
Implantação do Núcleo de Educação em Saúde;
Intensificação das ações de controle da malária nas equipes de PACS/PSF (R. F. ANDRADE, 2003, n. c.).
Pôde-se por ocasião da pesquisa verificar a veracidade das dificuldades apresentadas pelos
agentes , como a falta de combustível para abastecer carros, motos e lanchas, utilizados no
deslocamento das equipes. Também a danificação de peças dos transportes deixa o grupo de
endemias parado por muito tempo, pois não tem como se deslocar para suas áreas de atuação.
Como exemplo, tem-se um carro que ficou mais de três meses esperando a reposição de uma
melhor organizar esse deslocamento e não desperdiçar combustível os agentes de endemias
utilizam os “croquis de conjunto” (Mapa 04). Nesses mapas são especificadas as áreas de
Mapa 4: Croquis de ocupações do município de Porto Grande. Fonte: Adaptado do “croquis de conjunto” da FUNASA.
c) Município de Pedra Branca do Amapari
A malária no município de Pedra Branca do Amapari tem se mantido como área de
alto risco da endemia. O controle da doença é realizado, como nos outros municípios já
descritos, por uma equipe composta por um Gerente de Endemias e cinco guardas de
endemias. Este município está relacionado (BRASIL. MINISTÉRIO/PROGRAMA, 2004)
entre os municípios com transmissão de malária com IPA maior ou igual a 50 casos por mil
habitantes. A responsabilidade pelo controle da endemia fica por conta de quatro
microscopistas que coletam o material para exame e realizam o diagnóstico na Unidade Mista.
Cabe destacar que existe uma integração muito boa com as equipes do PACS, da Unidade de
Saúde e da Vigilância Sanitária que trabalham de forma organizada.
83 477 585 695 547 373 530 1283 836 271 606 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 casos
Gráfico 27: Distribuição dos casos de malária de P. Branca do Amapari. 1993 - 2003. Fonte: Malária, 1999.
Amapá. Secretaria/Distribuição/SISMAL, 1997/2002. Brasil. Ministério/Distribuição/SIVEP, 2003.
A observação da posição dos casos de malária, no Gráfico 27, mostra que desde sua
criação Amapari apresentou picos ascendentes em 1996 e 2000; nos outros anos veio
uma redução de 65%. Acredita-se que esteja associada à integração, como referido acima,
entre a equipe do controle de endemias com os enfermeiros e os agentes de saúde na
realização das ações voltadas para o controle da endemia. Também nesse ano a presença de
garimpos isolados era constante no município.
Entretanto já em 2003 configura-se aumento de 123% nos casos de malária. Como
referido na reunião realizada em 2004, esse município foi responsável por 4,8% das
notificações de malária do estado. Entre os fatores citados como determinantes para
manutenção da endemia encontra-se a atividade de mineração e a prática da população de
tomar banho nos balneários e pescar.
0 5 10 15 20 25 30 35 IFA IFA 18,07 22,22 15,04 7,05 5,67 2,41 7,36 13,33 17,22 26,38 32,3 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003
Gráfico 28: Distribuição do IFA em P. Branca do Amapari. 1993- 2003. Fonte: Malária, 1999.
Amapá. Secretaria/Distribuição/SISMAL, 1997/2002. Brasil. Ministério/Distribuição/SIVEP, 2003.
Quanto a posição do falciparum, o Gráfico 28, confirma crescimento desse
plasmodium a partir de 1999. Nessa direção, evidencia-se uma curva sempre crescente
responsável por esse crescimento: a exploração de garimpos em áreas isoladas o que demanda
uma população que procura tardiamente pelo diagnóstico e tratamento; e garimpeiros
procedentes dos garimpos da Guiana Francesa, como o do Ipousem e o do Siquini, que por
terem sua residência fixa se deslocam para esse município quando acometidos pela malária
para iniciar o tratamento. 0 50 100 150 200 250 300 350 400 IPA 53,27 297,94 356,06 230,28 164,12 103,67 137,16 320,03 194,24 95,93 168 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 Gráfico 29: Distribuição do IPA em Pedra Branca do Amapari- 1993 - 2003.
Fonte: Malária, 1999.
Amapá. Secretaria/Distribuição/SISMAL, 1997/2002. Brasil. Ministério/Distribuição/SIVEP, 2003.
No decorrer do período estudado, a posição do IPA, (Gráfico 29), vem
demonstrando que a situação endêmica permanece, o que é confirmado pelo PNCM
(BRASIL. 2004) que refere que Pedra Branca do Amapari está entre os municípios da região
norte com transmissão de malária com IPA maior ou igual a 50 casos por mil habitantes.
Quanto à área de incidência da malária, a área rural detém 41% dos casos enquanto a área
urbana soma 3%. Quanto aos assentamentos, esses se apresentam com 29% dos casos, as
áreas de garimpo com 21% e a área indígena contribuiu com 6% dos casos. Esses dados foram
destacados na III Reunião de Avaliação do Plano de Intensificação das Ações de Controle da
d) Município de Serra do Navio
A equipe que atua no controle da malária no município de Serra do Navio conta com
um coordenador municipal de endemia, sete agentes de endemia, dos quais dois são
contratados com os recursos do Programa Nacional de Controle da Malária, e dois
microscopistas. Essa equipe, mesmo com as dificuldades encontradas, tem procurado baixar a
incidência da malária no município, tanto que na reunião estadual de avaliação do programa
de controle da malária realizada em Macapá em julho de 2004 a endemia foi responsável por
somente 2,9 % das notificações do estado.
222 60 332 450 314 500 343 524 560 260 362 0 100 200 300 400 500 600 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 casos Gráfico 30: Distribuição dos casos de malária do município de Serra do Navio. 1993 - 2003.
Fonte: Malária, 1999.
Amapá. Secretaria/Distribuição/SISMAL, 1997/2002. Brasil. Ministério/Distribuição/SIVEP, 2003.
Pelo Gráfico 30, que demonstra a posição dos casos de malária, no período analisado
constata-se nos anos de 1995, 1997, 2000 e 2001 picos da endemia. A partir de 2002
ocorre um aumento de 39,23%. Pelo que se tem nesses resultados, as políticas de controle
aplicadas foram eficazes nessa redução. As áreas de ocorrência da endemia se concentram
80% na área rural, 10% no garimpo, 5% na zona urbana e 5% nos assentamentos. O acesso à
área rural do município é difícil e quando a equipe não consegue chegar ao local para aplicar
as medidas de controle esta população sofre com os sintomas da endemia, pois muitas vezes
não tem nem como se deslocar até a sede do município.
Foto 12: Casa na margem do rio Amapari, Serra do Navio.