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Alguns estudos tentam mapear a aprendizagem informal com o objetivo de identificar e descrever os processos de construção desse tipo de aprendizagem. Em geral, são colocados sob o olhar da perspectiva psicológica e da construção social por terem como premissa fundamental o papel das interações sociais para que os processos de aprendizagem ocorram.

Este item tem o objetivo de examinar alguns estudos nacionais que trabalharam com o tema da aprendizagem informal, todos qualitativos, incluindo os níveis gerenciais e não gerenciais nas organizações, focando, especialmente, os processos de aprendizagem identificados que servirão de comparativo para a análise de resultados desta pesquisa.

Inicialmente, foram identificados e considerados dois estudos que ressaltam a aprendizagem informal em nível gerencial: o primeiro é de Antonello (2011) e o segundo de D’Amelio (2011).

O estudo de Antonello (2011) buscou identificar e analisar o processo de troca entre as práticas informais e formais de aprendizagem com participantes de programas de especialização e mestrado profissional em administração na Universidade Federal do Estado do Rio Grande do Sul. Evidenciou-se a importância crítica da aprendizagem informal e a

construção de uma taxonomia de 12 formas de aprendizagem que contribuem para o desenvolvimento de competências gerenciais, que são: 1) Experiência anterior e transferência extraprofissional, 2) Experienciar, 3) Reflexão, 4) Autoanálise, 5) Observação – modelos, 6) Feedback, 7) Mudança de perspectiva, 8) Mentoria (mentoring) e tutoria (coaching), 9) Interação e colaboração, 10) Cursos treinamentos, 11) Informal e 12) Aprendizagem pela articulação entre teoria e prática.

Conforme Antonello (2011), esse estudo afirma que o desenvolvimento de competências não é um mero produto de processos e formas de aprendizagem particulares, mas, sim, um processo dinâmico e complexo, em que várias aprendizagens se relacionam como uma “colagem” de fenômenos.

O estudo de D’Amelio (2011) teve como foco os processos de aprendizagem das competências gerenciais de gerentes de diferentes formações profissionais. A partir da fundamentação teórica de autores internacionais e nacionais e seus estudos sobre aprendizagem gerencial, focados em abordagens relacionadas ao construtivismo, foram identificadas as seguintes formas de aprendizagem:

- Aprendizagem formal: cursos de graduação, pós-graduação e de aperfeiçoamento; - Aprendizagem informal: a) Interação social (com funcionários, pares, superiores/ pessoas influentes, clientes internos ou externos/ fornecedores, redes internas, networking, benchmarking); b) Desempenho do trabalho gerencial (experiências do cotidiano, experiências do ambiente empresarial/ situações adversas/ desafios, projetos inovadores, metas empresariais); c) Relação do gerente consigo mesmo (autoconhecimento, feedback, autodesenvolvimento, reflexão, valores).

D’Amelio (2011) relata como principais achados desse estudo: a) a importância da aprendizagem formal, particularmente quando for possível estabelecer a vinculação com as experiências gerenciais, b) a pertinência da interação social no processo de aprendizagem, c) o significativo papel da reflexão no processo de aprendizagem das capacidades gerenciais dos sujeitos da pesquisa.

Cabe destacar que esses estudos focam processos de aprendizagem no nível gerencial, posto que as organizações precisam contar de forma crescente com a atuação estratégica das pessoas – os seus gestores. No entanto, para o projeto aqui proposto, vale também comentar estudos no nível não gerencial. Assim, acrescenta-se a contribuição dos estudos de Camillis (2011) e de Ferreira (2012).

O estudo de Camillis (2011) objetivou a analisar os processos de aprendizagem no local de trabalho de indivíduos que não exercem um papel gerencial, integrantes de equipes administrativas de uma multinacional europeia. Além de contribuir com as escassas investigações sobre aprendizagem que consideram outros níveis organizacionais e categorias profissionais, o estudo ressaltou a importância dos processos informais de aprendizagem e do contexto no qual eles ocorrem.

Esse estudo abarcou os objetivos da aprendizagem, os aspectos facilitadores, as oportunidades de aprendizagem, os obstáculos e os resultados do processo de aprendizagem entre colaboradores de duas áreas administrativas. A contribuição para esta pesquisa está na análise dos processos de aprendizagem identificados e relacionados a seguir: a) aprender sozinho, b) aprender pela prática/fazendo, c) aprender por meio da interação com pessoas, d) aprender com especialistas, e) aprender observando, f) aprender a partir da solução de problemas, g) aprender com os erros, h) aprendizagem autodirigida e i) aprendizagem formal.

De acordo com Camillis (2011), os processos considerados mais usuais e mais eficientes pelos participantes na pesquisa foram os informais, e as categorias apresentadas são interdependentes e dinâmicas. Os papéis de reflexão, interação e contexto receberam destaque nos resultados desse estudo.

Ferreira (2012) buscou explorar em seu estudo os processos de aprendizagem presentes no espaço organizacional de três restaurantes étnicos na cidade de São Paulo, mais especificamente nas brigadas de cozinha e de salão do espaço social examinado.

Foram identificadas oito categorias dos processos de aprendizagem a partir dos quais os participantes aprenderam e aprendem as práticas cotidianas de trabalho no campo pesquisado: a) aprender por etapas, b) aprender a partir dos erros, acertos e feedback, c) aprender pela repetição, memória, experiência anterior e analogia, d) aprender pela percepção e uso dos sentidos, e) aprender pela expertise e experiência de outro, f) aprender com as medidas, ritmos e rotação, g) aprender por meio do conflito, estresse e pressão no trabalho e h) aprender a partir dos valores e automotivação.

Para Ferreira (2012), o estudo confirma que as pessoas aprendem de modo informal e que a percepção e a interpretação têm um papel especial nesses processos. Além disso, revela o papel de destaque assumido pelas interações sociais no contexto social e cultural examinado.

Como se pode perceber em todos os estudos analisados, e também conforme preconiza a perspectiva psicológica da aprendizagem, os processos de aprendizagem informal variam em função do contexto. É possível que, no contexto social das atividades de voluntariado,

processos como os relatados se manifestem ou até mesmo surjam outros a serem revelados e considerados ao se realizar esta pesquisa de campo.