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6. DISKUSJON

6.1 S UKSESSFAKTORER VED OFFENTLIG DIGITALISERING

Podemos definir pesquisa como (UFPI, online):

[...] processo sistemático de construção do conhecimento que tem como metas principais gerar novos conhecimentos e/ou corroborar ou refutar algum conhecimento pré-existente. É basicamente um processo de aprendizagem tanto do indivíduo que a realiza quanto da sociedade na qual esta se desenvolve.

Minayo (1994, p. 17) complementa a definição supracitada afirmando que pesquisa é a atividade básica da Ciência na sua indagação e construção da realidade. O ato de pesquisar alimenta e atualiza a atividade de ensino. Partindo de tais definições, entende-se que

a pesquisa é um meio de compreensão da realidade por meio da investigação dos dados que ela oferece.

Entende-se que a grande motivação para a pesquisa estará em poder ampliar ou refutar conhecimentos já existentes. Dalbério (apud SILVA, 2011, p. 13) nos esclarece e reforça nossos posicionamentos, afirmando que as pesquisas podem ser entendidas como construção ou revisão dos conhecimentos e por esta razão necessitam de procedimentos adequados para buscar as informações compatíveis com o assunto em pauta.

A transformação dessas informações em conhecimento sistematizado dependerá da utilização de métodos que orientarão a análise dos dados obtidos. É um processo de amadurecimento pessoal e profissional para o pesquisador, uma vez que analisar dados é uma maneira de assimilar uma dada realidade e torná-la parte de sua história. Isso se explica pelo fato de que a partir do momento em que existe um estudo sistemático, tanto pesquisador, sujeitos da pesquisa como objetos de estudo não serão os mesmos. Ainda que de maneira ínfima ou imperceptível aos olhos dos leigos, nas Ciências Humanas, os estudos sobre determinado aspecto provocam intervenções sobre o mesmo.

Se o objeto de estudo desta pesquisa é o preconceito racial, entende-se que é uma temática de cunho social, à medida que envolve os relacionamentos interpessoais entre os membros de uma sociedade. Por conta disso, julga-se pertinente a realização de uma pesquisa social, cuja relevância é considerada por possuir o poder de leitura de uma determinada realidade. Além disso, entende-se que uma pesquisa social é relevante por possuir o poder de leitura de uma determinada realidade. Quando são reveladas as suas particularidades, os profissionais ou outros sujeitos atuantes na sociedade adquirem a capacidade de promover intervenções para causar melhorias. Junte-se a isso o fato de se construir novos conhecimentos sobre a realidade estudada e por meio deles favorecer de forma direta ou indireta os sujeitos envolvidos na pesquisa.

Com vistas ao atendimento das necessidades epistemológicas de uma pesquisa social, realiza-se uma pesquisa qualitativa, entendendo que a mesma (CHIZOTTI, 2003, p. 225):

[...] recobre hoje, um campo transdisciplinar, envolvendo as ciências humanas e sociais, assumindo tradições e multiparadigmas de análise, derivada do positivismo, da fenomenologia, da hermenêutica, do marxismo, da teoria crítica e do construtivismo, e adotando multimétodos de investigação para o estudo de um fenômeno situado no local em que ocorre, e enfim, procurando tanto encontrar o sentido desse fenômeno quanto interpretar os significados que as pessoas dão a eles.

Com referências nessas interpretações, André (apud HORN; DIEZ, 2003, p. 76), em seus estudos conclui que Dilthey sugere que a investigação dos problemas sociais utilize como abordagem metodológica a hermenêutica, que se preocupa com a interpretação dos significados contidos num texto. Essa compreensão de significados se relaciona de maneira ampla com a pesquisa qualitativa porque cada mensagem de um texto é levada em conta, buscando os seus significados e inter-relações.

Compreender o contexto de surgimento dessa modalidade de pesquisa implica em tomarmos como referência algumas considerações feitas por Chizotti (2003, p. 226) em parágrafo anterior. Ao longo do século XX, a pesquisa qualitativa obteve grande espaço nos diversos campos disciplinares das ciências humanas. Suas origens remontam ao século XIX e são vinculadas ao romantismo e ao idealismo. Nesse período, buscava-se uma forma de interpretação autônoma para o ramo do conhecimento denominado ciências do mundo, que nada mais seriam que as ciências humanas e sociais. Já era possível a compreensão de que os métodos usados para a interpretação dos dados pesquisados acerca das ciências da natureza eram ineficientes para o entendimento do conteúdo apresentado pelas ciências humanas.

Entende-se que a pesquisa qualitativa se adequa às pesquisas nas áreas de ciências humanas, sociais e ciências sociais aplicadas, pelo emprego de procedimentos como definição do universo e da amostra, observação participante, seleção, traçado do perfil e entrevistas com os sujeitos, análise de dados, o que, nos dizeres de Horn (2003, p. 76), apresenta uma contraposição ao esquema quantitativista de pesquisa. Esse esquema visa a consideração dos componentes de uma situação em suas interações e influências recíprocas. A escolha desse tipo de pesquisa se justifica ainda pelo entendimento de que a mesma favorece a participação efetiva dos envolvidos, pesquisador e sujeitos, que poderão colocar suas vivências com a compreensão acerca do assunto estudado, em contrapartida a uma análise estatística.

Como foi escrito nas linhas anteriores, ao longo do século XX, houve um crescente recurso à pesquisa qualitativa para atender demandas antes assumidas pela pesquisa considerada tradicional, o que se traduz pela necessidade de compreender o que está além dos números, não sendo passível de quantificação, como os sentimentos e impressões. Nesse sentido, pode-se perceber que há uma valorização dos indivíduos enquanto sujeitos de pesquisa, porque um estudo que independe de cifras numéricas direciona-se a compreender cada indivíduo e a situação em que ele é imerso em sua singularidade.

O termo pesquisa qualitativa não é um conceito unânime porque diferentes tradições fazem uso do mesmo título, como cita Chizotti (2003, p. 223):

A pesquisa qualitativa abriga, deste modo, uma modulação semântica e atrai uma combinação de tendências que se aglutinaram, genericamente sob esse termo: podem ser designadas pelas teorias que as fundamentam: fenomenológica, construtivista, crítica, etnometodológica, interpretacionista, feminista, pós-modernista, podem, também, ser designadas pelo tipo de pesquisa: pesquisa etnográfica, participante, pesquisa-ação, história de vida etc.

Os termos qualitativa e quantitativa não se referem diretamente à natureza do conhecimento científico e nem à sua função social, mas ao tratamento oferecido aos dados referentes à pesquisa realizada. Uma pesquisa não é qualitativa simplesmente por contrapor-se a um esquema quantitativo de interpretação. Segundo André (apud HORN; DIEZ, 2003, p. 77), é assim considerada porque leva em conta os componentes de uma situação em suas interações e influências recíprocas. Desta forma, a pesquisa qualitativa permite o questionamento da orientação positivista em um trabalho científico, fazendo surgir questões de natureza filosófica e epistemológica.

Como formas de interpretação que se contrapõem ao aspecto quantitativo do positivismo, apoiados principalmente na fenomenologia e no marxismo, Triviños nos aponta dois enfoques: os subjetivistas-compreensivistas e os críticos-participativos com visão histórico-estrutural. Esses enfoques são voltados para uma filosofia do conhecimento, no que tange a natureza do ser humano e na própria origem e desenvolvimento do ato cognitivo.