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S TRATEGY AND SOCIETY

1. INTRODUCTION

1.4 S TRATEGY AND SOCIETY

Fonte: FECAM, 2012.

Dos 72 municípios catarinenses com mais de 10% de seus domicílios em situação de pobreza, 33 estão no Oeste e os demais criam uma faixa vermelha na porção central do estado, abrangendo, sobretudo, Planalto Serrano e Planalto Norte. Embora a mesorregião Oeste desponte aqui com o maior número de municípios pobres, ressaltamos, uma vez mais, que a região planáltica encontra-se pior se considerados tanto a extensão territorial, quanto a proporção de municípios. Logo, a pobreza é muito mais abrangente na área central do estado, abrangendo todo Planalto Serrano e Planalto Norte, praticamente.

Na Serra catarinense, os níveis de pobreza são mais intensos nos municípios da Encosta, como Alfredo Wagner, Anitápolis e Angelina. São municípios que fazem limite com o Planalto Serrano, mas que já pertencem à mesorregião da Grande Florianópolis. Em termos de Associação de Municípios, percebemos que os recortes da pobreza do estado atingem mais fortemente a AMURES131, a AMURC132, a AMARP133 e a AMPLANORTE.134. O Quadro 22 mostra os 10 municípios com menores e maiores percentuais de pobreza, em Santa Catarina. Tanto o extremo positivo quanto o negativo aparecem em municípios de pequeno porte populacional.

131 Associação dos Municípios da Região Serrana 132 Associação de Municípios da Região do Contestado

133 Associação de Municípios da Região do Alto Vale do Rio do Peixe 134 Associação de Municípios do Planalto Norte

Por fim, a pobreza se destaca como problema social em considerável número de municípios na porção superior da mesorregião Oeste, especificamente na linha de fronteira com o Paraná. A região de divisa com o Rio Grande do Sul, Extremo Sul do estado, também apresenta índice de pobreza significativo.

Analisados em seu conjunto, podemos concluir que a maior parte dos municípios pobres são de pequeno porte e têm perfil rural. Entretanto, ressaltamos que as famílias do campo, embora não tenham renda, podem ter acesso aos recursos básicos de vida por meio, sobretudo, da agricultura e agropecuária de subsistência ou mesmo de escambo. Neste caso, seria necessário uma pesquisa especializada para apurar a forma de vida dessas famílias consideradas pobres, já que o indicador usado mede apenas rendimento em moeda financeira.

De toda maneira, sabemos que os municípios que aparecem entre os dez mais pobres, têm, de fato, pouquíssima estrutura econômica e de serviços públicos e que as famílias com baixo rendimento, mesmo que tenham acesso à alimentação e outros recursos de vida, têm fraca capacidade, por exemplo, para acessar produtos e serviços que não podem ser produzidos por eles mesmos, como é o caso de serviços de educação, saúde, cultura, maquinário etc..

Quadro 22 - Extremos da Pobreza em Santa Catarina

Mesorregião de Município Associação Município Total de Domicílios

Percentual de Domicílios particulares com Renda Média per capita Mensal igual ou menor que 140 reais (%) 10 municípios com maiores percentuais de pobreza

SERRA AMURES Cerro Negro 1 391 31.91

OESTE AMAI Ipuaçu 2 082 25.83

SERRA AMPLASC Brunópolis 1 087 23.80

VALE DO ITAJAÍ AMAVI Santa Terezinha 2 807 23.75

OESTE AMERIOS Santa Terezinha do Progresso 955 23.16

SERRA AMURES Anita Garibaldi 3 333 22.59

VALE DO ITAJAÍ AMAVI Chapadão do Lageado 997 22.25

OESTE AMAI Entre Rios 967 21.46

OESTE AMARP Calmon 1 079 20.82

Continua...

10 municípios com menores percentuais de pobreza

VALE DO ITAJAÍ AMMVI Botuverá 1 897 0.61

NORTE AMVALI São João do Itaperiú 1 198 1.18

VALE DO ITAJAÍ AMMVI Timbó 12 770 1.18

NORTE AMVALI Schroeder 5 050 1.24

OESTE AMMOC Luzerna 2 173 1.25

OESTE AMARP Iomerê 1 018 1.35

VALE DO ITAJAÍ AMMVI Rodeio 3 910 1.40

VALE DO ITAJAÍ AMMVI Indaial 19 171 1.56

SUL AMESG São Ludgero 3 718 1.70

OESTE AMMOC Joaçaba 10 772 1.71

Fonte: a autora, elaborado com base em IBGE (2010).

Quanto às demais variáveis da dimensão econômica, que se apresentam com seus respectivos índices na Figura 9, percebemos que os piores índices são atribuídos à variável de evolução da construção civil, medida pela Área Liberada para Construção Civil e a Remuneração dos Empregos Formais. Enquanto isso, as melhores médias municipais ficam com o PIB per capita, cujo índice se fixou em 0.762 (Médio Alto) e o Crescimento Médio do PIB no último triênio, com índice 0,733 (Médio).

Figura 9 - Subíndices da Dimensão Econômica nos Municípios Catarinenses

Na variável Evolução da área liberada para construção civil, que é calculada segundo a evolução no último triênio (2008 a 2010), notamos percentuais de crescimento muito diferenciados para os municípios de diferentes portes populacionais. A régua de valores vai de -100% de involução até 6.000% de evolução. Mas, estes índices exorbitantes ocorreram apenas para municípios de pequeno porte populacional, como é o caso de Aurora, no Vale do Itajaí, que apresentou aumento de 6.000% no último triênio ou de Entre Rios, Ermo e Santa Rosa de Lima, todos com populações muito pequenas. Com exceção de Blumenau e Palhoça, todos os municípios com evolução acima de 100% possuíam entre 1.500 e 5.500 habitantes, o que revela valores absolutos poucos expressivos gerando baixo impacto sobre a economia estadual. Isso só não se aplica aos casos de Palhoça e Blumenau, que embora tenham sua construção civil fortalecida, conseguiram mais que dobrar seu crescimento entre 2008-2010. No caso de Blumenau, as enchentes de 2008 devem explicar o quadro.

Na outra ponta, bastante contrastante, temos 124 municípios (42%) com involução da sua construção civil. Os maiores índices de decréscimo ocorreram, sobretudo, nos pequenos do Oeste Catarinense. O grande percentual de involução também pode ser decorrente da crise mundial de 2008, que chega ao Brasil com mais força em 2009. Também o término de grandes obras, sobretudo públicas, como estradas e barragens se traduziu em enormes decréscimos aos pequenos municípios. Esse foi o caso de Águas de Chapecó, que caiu 87.92% devido ao fim das obras de uma barragem no seu território. Processos como este, afetam toda a economia de uma localidade e demonstram a baixa sustentabilidade de economia monofocais.

Os índices desta variável resultaram em um mapa bastante curioso (Mapa 8). Há um nítido contraste entre municípios muito bem e muito mal classificados, verde forte e vermelho. Poucos municípios (apenas 33) tiveram crescimento mediano, de 0 a 10%. A grande maioria ou decresceu ou aumentou vultuosamente, resultando na cartografia abaixo.

O Sul é a mesorregião que mais se destaca neste quesito, o que se deve, provavelmente, às obras da BR-101 em seu território. No restante do estado, os índices positivos se pulverizam pelas diversas regiões, não havendo concentração no litoral como se poderia esperar diante das tendências litoralizantes no estado.