2. BAKGRUNNSINFORMASJON OG TEORI
2.2 S TATENS PENSJONSFOND UTLAND
Como já dito anteriormente, foram selecionadas seis categorias de temáticas tratadas ao longo de cada reportagem. É importante salientar que mais de uma categoria poderia ser observada em cada edição, podendo reincidir por diversas vezes enquanto que outra raramente.
As constatações procuraram todas convergir para o sucesso da
averiguação das hipóteses com as quais este trabalho se orienta, sendo elas: a) O Jornal Público demonstra interesse em um determinado posicionamento político, através de sua abordagem e critérios noticiosos, em função da proximidade histórica e econômica dos dois países. b) O Público narra os fatos a partir da ótica portuguesa, sem embasamentos em fontes brasileiras. Assim, os questionamentos que se fazem durante a leitura se baseiam no seguinte:
1. A respeito da entonação apresentada pela voz da narrativa noticiosa. 2. Palavra ou expressão empregada que possa implicar juízo de valor. 3. Existência de críticas diretas a algum elemento do momento político brasileiro.
4. Se a reportagem vale-se de personagens. 5. O uso das fontes.
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A primeira categoria observada nas publicações é os eleitores. Na reportagem do dia 20 de outubro23, a jornalista correspondente em São Paulo, Rita Siza, amplia as discussões em torno do apoio de Marina Silva a Aécio Neves, depois de ficar fora do segundo turno. A partir do fato noticioso que era a junção das intenções de voto de Marina à Aécio, a repórter elabora uma aproximação “à nível da rua”, por assim dizer, no que parece uma tentativa de confirmar uma possibilidade a partir da boca dos eleitores.
Existem, no meio jornalístico, os chamados “critérios de noticiabilidade”, adotados pelos profissionais de mídia. Nelson Traquina (2005, p.63) define noticiabilidade como “o conjunto de critérios e operações que fornecem a aptidão de merecer um tratamento jornalístico, isto é, possuir valor como notícia”. Sendo assim, os critérios de noticiabilidade constituem um todo de valores-notícias que visam determinar se um acontecimento é suscetível de se tornar notícia, ou seja, se possui valor notícia.
O acúmulo de valores-notícias de um acontecimento é positivo para que ele seja considerado mais apto a virar uma reportagem. Seguindo a linha de pensamento de Pierre Bourdieu, Traquina demonstra os valores-notícias como sendo “óculos pelos quais os jornalistas vêm certas coisas e não outras” (BOURDIEU, 1997 apud TRAQUINA, 2005). Sobre os valores-notícias, Traquina enumera doze:
A frequência, ou seja, duração do acontecimento; a amplitude do evento; a clareza ou falta de ambiguidade; a significância; a consonância, isto é, a facilidade de inserir o “novo” numa “velha” ideia que corresponda ao que se espera que aconteça; o inesperado; a continuidade, isto é, a continuação como notícia do que já ganhou noticiabilidade; a composição, isto é, a necessidade de manter um equilíbrio nas notícias com uma diversidade de assuntos abordados; a referência a nações de elite; a referência a pessoas de elite, isto é, o valor-notícia da proeminência do ator do acontecimento; a personalização, isto é, a referência às pessoas envolvidas; e a negatividade, ou seja, segundo a máxima “bad news is good news”(TRAQUINA, 2005, p.70).
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A notícia, segundo Traquina, é o resultado de um processo de percepção, seleção e transformação dos acontecimentos em produto. Os acontecimentos podem ser entendidos como matéria-prima e sua estratificação consiste na “seleção do que se julga ser matéria-prima digna de adquirir a existência pública da notícia, numa palavra – ter noticiabilidade”.
Como esclarece Traquina (2008), os valores-notícia distinguem-se pela problemática do estabelecimento entre valor-notícia de seleção e valor-notícia de construção - separação esta estabelecida pelo pesquisador italiano Mario Wolf. Quanto aos valores-notícia de construção, Traquina diz que “são qualidades da sua construção como notícia e funcionam como linhas-guia para a apresentação do material, sugerindo o que deve ser realçado, omitido e prioritário na construção da notícia” (2008, p.78).
Assim, entendem-se valores-notícia de construção os critérios utilizados na seleção dos elementos passíveis de inclusão na elaboração do acontecimento como notícia. De acordo como foi identificado por Galtung e Ruge (1965, apud Traquina, 2008), um dos valores de construção é a amplificação.
Uma das formas de identificar a amplificação como um critério de noticiabilidade utilizado em determinada publicação é pelo título (Traquina, 2008) que, no caso da reportagem do dia 20, era “Evangélicos que apoiaram Marina transferem voto para Aécio.” Aparentemente, o texto que corre nas próximas duas páginas possuiria um caráter meramente informativo, não fosse linha fina que trazia a seguinte constatação “No Bairro do Brás, em São Paulo, os eleitores que se entusiasmaram com a candidatura presidencial de Marina Silva vão migrar para o PSDB: uns acham que a mudança é boa, outros só querem tirar o PT, que governa há 12 anos, do poder”.
Como apontado por Traquina (2008), a amplificação do fato baseia-se na lógica de que, quanto mais amplificado o acontecimento, maiores são as possibilidades de a notícia ser notada, sendo uma das conduções as supostas consequências do ato em pauta. O título da reportagem dos votos de Marina Silva esclarece bem qual era o acontecimento noticioso a que o texto construído se margeia, no caso, o apoio da candidata do PSB a Aécio Neves. E o subtítulo vem sugerir o caráter de averiguação das possíveis consequências e discussões em torno do ato.
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A reportagem, de forte tom literário, é estruturada partir de um cenário físico: o bairro do Brás, em São Paulo. A partir daí, as descrições a respeito das instituições religiosas e, em especial o Templo de Salomão, situadas em tal cenário, vão sugerindo o enfoque na discussão da religião na política brasileira. Até o primeiro intertítulo, não há resquícios claros da política eleitoral brasileira; ao contrário, segue-se uma contextualização da história das ramificações evangélicas do bairro.
Esta escolha de fontes, centrada nos eleitores evangélicos, parece corresponder bem ao valor-notícia da personalização, como definido por Traquina, que diz: “Por personalizar, entendemos valorizar as pessoas envolvidas no acontecimento: acentuar o fator pessoa” (2008, p. 92). Mais do que a candidata Marina Silva, a reportagem parece tentar tornar o eleitor evangélico a “pessoa envolvida”.
A repórter parece deixar, como se diz costumeiramente, “na boca da fonte” a resposta sobre quem são os eleitores de Marina - daí a categorização em
eleitores - e o que o “voto evangélico” representa para uma corrida eleitoral
acirrada, dependente do voto dos indecisos - deixados por Marina.