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O dia após as apurações dos votos e ao anúncio da reeleição de Dilma Rousseff à presidência do Brasil recebeu, além de 5 páginas de reportagens e um comentário, também o editorial. A capa do Público trouxe como principal conteúdo o intitulado “A ‘Eleição da Mudança’ deu afinal a reeleição a Dilma Rousseff”, e que viria a ocupar logo as páginas 2 e 3 do jornal.

O primeiro parágrafo da reportagem segue a linha perceptivelmente irônica da formulação do título: diz-se que os brasileiros decidiram por garantir a mudança ao escolher o partido de maior tempo no poder desde o regresso da democracia. Apresenta-se os números gerais da votação e o comportamento de Aécio após a divulgação dos resultados, mas, apesar de criar-se expectativa, a reportagem não se dedica à construir uma boa imagem de Aécio. Ao contrário, dá-se ênfase ao fato de que ele havia perdido em seu próprio estado, Minas Gerais, e inclusive nos que outrora apoiaram Marina Silva. Além disso, chama a atenção para a provável quebra de aliança entre as duas “facções” do PSDB, de Minas e São Paulo - já fragilizada. A reportagem aproveita, ainda, para arriscar um palpite sobre qual seria o principal desafio do novo governo: “colocar-se acima das picardias e ataques pessoais, fazer as pazes e estender a mão à metade do país que votou no seu concorrente e afirmar-se como a Presidente de todos os brasileiros”.

A respeito das campanhas, um inter-título explicativo introduz alguns parágrafos a discorrer sobre os marcos da campanha, e reafirma a tendência de eleições anteriores: o favoritismo do ocupante do cargo. No ano anterior às eleições, os protestos teriam acabado por criar um grito conjunto de insatisfação com a política institucional - o que novamente aconteceria no momento da Copa do Mundo de futebol. A reportagem ainda relembra o aparecimento de Marina

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Silva, após a morte trágica do presidenciável Eduardo Campos, que obrigou Dilma e Aécio a tomarem medidas para combater a “nova política”.

A reportagem volta a fazer uma crítica direta aos brasileiros que tomaram as ruas em 2013, mas cujo desejo de mudança não teve “força ou a organização suficientes contra os mecanismos da política convencional”. Não sendo o bastante apontar que a militância, o respaldo dos governos dos estado não foram suficientes, cita-se também a colunista Julia Duailibi do Estadão ao dizer que não teria sobrado nada das manifestações de 2013. Os protestos que deveriam ser protagonistas teriam acabado como figurantes. O blogger do portal UOL, Leonardo Sakamoto, é a fonte brasileira do Público a reafirmar a “fraqueza” dos protestos que, a seu ver, teve o papel de trazer os cidadãos para o debate político mas não teve forças para manter o discurso de mudança.

A primeira reportagem do especial Presidenciais finaliza calculando os aspectos mais importantes daquele momento do país: a economia com desempenho medíocre e a fragmentação de partidos políticos no Congresso. Isso quem diz é Fernando Rodrigues, da Folha de São Paulo, já que o Público, apesar de indicar suas opiniões, não o faz sem um respaldo de uma ou mais fontes brasileiras. O último parágrafo termina por reafirmar o sentimento de caos dentro do Congresso com a complexa situação de governabilidade que, na opinião do especialista eleitoral d’O Estado de São Paulo, José Roberto de Toledo, é “fruto de um sistema partidário suicida, com uma maior pulverização de cadeiras nas bancadas”.

Em seu comentário, Manuel Carvalho, ex-diretor adjunto do Público, apresenta uma introdução otimista, afirmando que a maturidade da sociedade terá capacidade de superar as “feridas” abertas por uma campanha feroz, e seguir em frente. Em seguida, numa quebra de expectativa ou ainda numa “brincadeira” irônica, são estabelecidas as condições para tanto. Uma delas, seria a necessidade do novo governo perceber que não será possível, no segundo mandato, continuar à procura do tempo de Lula da Silva - momento em que o país lançou políticas sociais de grande impacto. O que contribuiria para o sucesso do próximo governo seria a suposição de que a população reclama por mudanças e a consciência de se tratar de um tempo novo.

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Dos palpites sobre os novos desafios governamentais, Carvalho aponta que seria necessário admitir o que nem Dilma nem Aécio admitiram: a necessidade de abrandar os salários, que a falta de investimento e a crise iriam alastrar o desemprego e que seria preciso tempo para retomar o modelo dos anos Lula. O comentário prossegue colocando as condições para o sucesso do governo. Caso contrário, o Brasil provavelmente voltaria aos protestos como os de Junho de 2013, correria o risco de entrar nos devaneios do golpismo e do populismo. Dilma precisaria, então, dar início a um novo tempo para não ficar como a presidente que, como diz o comentarista, enterrou as duas décadas de progresso que mudaram o país.

Novamente o jornalista Manuel Carvalho assina um artigo de opinião - o segundo da edição - que se prolonga por duas páginas. O artigo é aberto afirmando a necessidade da reforma do sistema político brasileiro. Trata-se de uma continuação do comentário do mesmo autor, ao colocar as condições para o melhor funcionamento do país, sendo a principal delas a reorganização do sistema político, que atualmente facilitaria a corrupção. O jornalista vai buscar no golpe de 1964 o argumento para a superação da oposição de classes e das ideologias políticas.

Passa-se, então, para a listagem em tópicos dos desafios a serem vencidos pelo Brasil, sendo o primeiro deles o “Crescimento Económico”. Faz-se um rememorando do período Lula, em que o jornalista afirma que o país cresceu 2,3% ao ano e superou consideravelmente bem o drama da crise mundial. Mas, a partir de então, já no governo Dilma, o Brasil teria recuado economicamente para um cenário preocupante, sendo um exemplo disso a desvalorização do real e a dependência dos minerais e produtos agrícolas. O artigo de Carvalho diz que o país perdeu a velocidade. Ele arrisca dizer que o Governo iria precisar gastar mais em infraestrutura e congelar a carga fiscal.

O segundo tópico é o “Sistema Político”, onde discorre-se logo de início a respeito dos males da pulverização do sistema partidário e o “milagre” que seria a existência de uma geração de minorias (PT e PSDB). Os 28 partidos e o atual sistema político tornariam os deputados donos de seus mandatos e atuantes em função de interesses pessoais. Conclui-se que a não alteração desse sistema

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escancaradamente falho tornaria difícil uma coerência política, tornando a classe política brasileira uma das mais vulneráveis à corrupção em todo o mundo.

Não a toa, a terceira seção é a “Corrupção” - seguindo o gancho do parágrafo anterior - cujo acúmulo de casos tornou o PT vulnerável nas eleições. Faz-se, então, uma retomada dos escândalos de corrupção dando base à afirmação anterior, e se avizinha da necessidade de mudança de relação do Governo com as empresas públicas - que deveria criar uma crise de confiança pior que a causada pelo mensalão.

Finaliza-se com “Reformas do Estado” e “Educação e Saúde”, em uma gradação pessimista que parece querer dar maior autoridade ao discurso de “grandes dificuldades”. No primeiro, fala-se da burocracia fiscal, problema que o presidenciável Aécio Neves teria sido o candidato com mais promessas de solução - uma menção amigável. Em seguida, o caos da educação e da saúde ganham alguns parágrafos expositivos para contextualizar o público estrangeiro, sendo o da saúde o que figuraria como o maior problema do país - e o artigo é fechado dizendo que nem Aécio e nem Dilma citaram como prioridade na campanha

A última reportagem da edição é curta e trata de fazer um breve resumo dos resultados das eleições nas outras regiões e estados do Brasil, em especial os governadores e seus partidos, frisando-se a derrota do PSDB em estados dados como certos, como Minas Gerais.

Depois de feita as exposições de técnicas jornalísticas, do conteúdo jornalístico do jornal português aqui analisado e de relembrar o as Eleições de 2014, o capítulo final deste trabalho buscará tecer uma análise a respeito das tendências noticiosas do conteúdo que foi apresentado na presente seção. As técnicas de pesquisa que foram utilizadas para que tal análise fosse possível encontram-se explicitadas no próximo capítulo.

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