DEL 2: SKRITTVIS ANALYSE
5.2 S HTOKMAN - FORHANDLINGEN
Os primeiros registros acerca do interesse de geógrafos pelo fenômeno turístico parecem remontar à primeira metade do século XIX, com Kohl em obra datada de 1841. Chamou sua atenção a força transformadora do meio natural provocada pelo deslocamento de pessoas em direção a um determinado lugar (LUIZ GÓMEZ, 1988; CALLIZO, 1991). A observação feita por Kohl repousa no fato de a prática social do turismo manter com o espaço a dependência do deslocamento para sua fruição, dada à fixidez do atrativo turístico dos lugares. Certamente, a “força transformadora” a que ele se
refere, isto é, os impactos espaciais do turismo16, não tem sido a mesma ao longo do tempo. Sobretudo, se for considerado que a sua prática social na Europa, até a primeira metade do século XX, se restringia a uma seleta e aristocrática elite e a burgueses enriquecidos pela revolução industrial que utilizavam as estruturas territoriais pré-existentes nas praias mediterrâneas do sul europeu.
Em Wolf e Jorckzek encontram-se referências dos primeiros estudos com o enfoque geográfico do turismo, na Alemanha (apud REJOWSKI, 1998). Nesse sentido, destacam-se também Stradner, com a obra Der
Fremdenverkehrs17, a quem se atribui o uso introdutório do termo “geografia
do turismo” (Fremdenverkehrsgeographie) na bibliografia especializada e Sputz, em obra datada de 1919, intitulada Die Geographischen Bedigungen
und Wirkungern des Fremdenverkehrs in Tirol.18, que foi dos primeiros
geógrafos a relacionar a prática social do turismo com o deslocamento espacial (apud LUIS GÓMEZ, 1988).
Como esclarece Luis Gómez (1988), na segunda edição de Der
Fremdenverkehrs, datada de 1917, Stradner insiste em suas análises sobre
os efeitos positivos do turismo na balança de pagamentos e chama a atenção para as diferentes motivações que levavam pessoas a viajar. Para ele, as pessoas viajam por uma decisão individual (freie Antriebe) como, por
16 São, dentre outros, as vantagens e desvantagens do turismo sobre o meio natural, a população e sua estrutura ocupacional, o uso das paisagens rurais e urbanas, os sistemas de circulação, as formas de assentamento.
17 (O Turismo)
exemplo, o desejo de conhecer o mundo e a moda19; outras relacionam as viagens ao desenvolvimento da vida econômica, social, política e cultural (gebundene Antriebe). A importância desses estudos seria mais tarde reconhecida por Bernecker e Fuster, como afirma Luis Gómez (1988).
Há também que ressaltar a relevância dos estudos feitos no início do século XX pelos alemães Hettner e Hassert, cuja abordagem passa de uma apreciação morfológica da atividade turística para um enfoque genético- funcional, na perspectiva de explicar este fenômeno em sua origem e processo, como fator da transformação da paisagem cultural. Para eles, o trabalho do geógrafo se desdobra em duas tarefas complementares: explicar os impactos espaciais e analisar suas causas geográficas, isto é, tanto nos aspectos naturais, quanto em seu caráter sazonal (tempo adequado para a fruição), como assevera Luis Gómez (1988).
O discurso clássico da Geografia tem duas referências distintas. Na Alemanha, ele é referenciado no determinismo ambientalista e na tradição corológica (LUIS GÓMEZ, 1988). Para Hettner, a descrição e a interpretação das diferentes características da superfície terrestre é a essência mesma da geografia (CAPEL, 1981). Essa tendência é confirmada nos estudos realizados por Sputz em obra datada de 1919, segundo Luiz Gómez (1988). Para esse geógrafo espanhol, esse discurso clássico na França é referenciado pelo possibilismo historicista que impregna os estudos sobre o surgimento e o desenvolvimento do turismo, o que evidencia uma forte influência dos fatores físicos e antropogeográficos nos quais repousa o objeto
19 Em sua tese de doutorado datada de 1934, Simkowsky chama a atenção para a importância que a moda desempenha na criação de espaços turísticos e nas viagens, pois segundo ele “[...] se visita los lugares más caros en donde se goza de la vida mundana, para ver y ser visto [...]” (apud LUIS GÓMEZ,1988)
do estudo geográfico naquele tempo. Essa filiação paradigmática da abordagem geográfica do turismo, circunscrita no mosaico regional vidalino, propõe que os estudos turísticos sejam incluídos na geografia da circulação, evidenciando as primeiras orientações da geografia francesa sobre a temática. É o que demonstram os estudos franceses de Cribier e os trabalhos de Blanchard, sobre Nice e Córsega, como afirma Callizo (1991).
É Poser, em obra datada de 1939, quem afiança essa condição subordinada da geografia do turismo ao paradigma vidalino quando afirma que, apesar do reconhecimento e de todo o esforço de conceitualização do fenômeno, ainda não se concebia uma geografia do turismo cujo objeto fosse exclusivamente essa atividade (apud CALLIZO, 1991).
Na obra Grundriss der allgemeinem Fremdenverkehrslehre – Fundamento da Teoria Geral do Turismo – datada de 1942, Hunziker e Krapf evidenciam uma preocupação com a sistematização de um conhecimento sobre a atividade turística. Este trabalho influenciará não só os estudiosos franceses, espanhóis, ingleses, suíços e alemães desse fenômeno, como também os organismos internacionais que passariam a adotar sua definição de turismo por volta dos anos cinqüenta do século XX, como afiança Luis Gómez (1988).
O fato é que a primeira metade do século XX é pródiga de estudos alemães, franceses e ingleses em que a ênfase ao fenômeno turístico é dada ao deslocamento de pessoas de sua residência habitual e o tipo de interação que se dá entre elas, reconhecendo-se os impactos socioculturais entre turistas e anfitriões nas zonas receptoras.
Na língua inglesa, se destaca como clássicos desse período os estudos de Ogilvie, datados de1933 e de Norval datados de 1936. O primeiro deles por considerar um dos atributos básicos do turista, dentre outros, o gastar – “ [...]
money in the place they visit without earning it there”. E o segundo, Norval,
por definir o turista como alguém que se desloca para um “[...] foreign
country” sempre que não pretenda estabelecer-se ali definitivamente ou
realizar atividade profissional e empregará “[...] in the country of temporary
sojourn money which has been earned elsewhere”. (apud LUIS GÓMEZ,
1998). Aí estão os pressupostos da conceitualização do termo turista que seria, mais tarde, retomado e adotado pela OMT.
Embora não se distanciando do enfoque clássico, mas enriquecida com os aportes epistemológicos formulados pela geografia social alemã20, a produção do conhecimento sobre a abordagem geográfica do turismo posterior à 2ª Guerra Mundial não chegou a formular uma teoria explicativa do fenômeno turístico, na perspectiva da análise espacial. Segundo Callizo (1991), no fio condutor das reflexões ainda prevalece o enfoque da interação homem-meio como está evidenciada na obra de Ruppert e Maier datada de 1969. Esses dois geógrafos alemães foram os primeiros a reconhecer o peso que o lazer começava a assumir na sociedade da época, chegando mesmo a considerá-lo tão importante quanto o trabalho, a moradia e a educação. Daí a
20 Trata-se de uma corrente geográfica desenvolvida por geógrafos alemães do pós- guerra. Seu objeto de estudo são as formas de organização espacial da sociedade. O conhecimento resultante é aplicado no campo do ordenamento territorial, com um duplo enfoque: estrutural (diferenciação espacial da sociedade) e processsual (gênese e mudanças das estruturas espaciais). Para ampliar a temática, destacamos dois artigos: RUPPERT, Karl; SCHAFFER, Franz. La polémica de la Geografía Social en Alemania (I): Sobre la concepción de la Geografía Social. Geocrítica Año IV. Número: 21. Mayo de 1979; e WIRTH, Eugen. La polémica de la Geografía Social en Alemania (II): La Geografía Social Alemana en su concepción teórica y en
su relacion con la Sociología y la "Geographie des Menschen. Geocrítica. Año
proposição de tomar como objeto de estudo as formas e os processos de organização espacial demandados pelos grupos humanos, ao realizarem a função vital do lazer e do descanso. Do ponto de vista epistemológico, nada mudou, ou seja, o conhecimento geográfico continuava filiado ao empirismo gnoseológico característico do método indutivo clássico, como informa Luis Gómez (1988).
Em suma, o método ideográfico da via indutiva, baseado na observação, comparação e classificação para chegar às generalizações que, por sua vez, se convertem numa teoria explicativa (CAPEL, 1981), é o que caracteriza a tradição clássica e fundamenta os estudos da abordagem geográfica do turismo da primeira metade do século XX. Desse modo, o que conta é a ênfase nas relações homem-meio natural na perspectiva de identificar fluxos e focos, fatores e efeitos espaciais do turismo, praticamente se restringindo ao campo ideográfico da indução, o que reforça a idéia de uma preocupação com a descrição do fenômeno, mais do que com a busca de sua explicação teórica. O divisor de águas paradigmático seria estabelecido na passagem de uma Geografia Clássica para uma Geografia Moderna nos anos 50 do século XX.
2 - MODELOS DO ESPAÇO DO TURISMO E SEUS REFERENCIAIS