DEL 2: SKRITTVIS ANALYSE
6. INSTITUSJONELL REFERANSERAMME
7.1 D EBATTEN OM RUSSISK ENERGIPOLITIKK OG ANALYTISK MODELL
0 1 2 3 4 5 6
FFLCH-DG-USP IGC-UFRJ IGC-UFRGS INSTITUIÇÕES
Fonte : REJOWISKI, Mírian. 1993
Q U ANT . AB S O L UT A DISSERTAÇÕES TESES
Em que pese a incipiente produção desse período, uma vez que é restrita a doze trabalhos acadêmicos num tempo de dezessete anos, os dados coletados por Rejowiski (1998) denotam enorme relevância no âmbito da Geografia. Trata-se da “primeira geração” de pesquisadores e suas produções registram o embrião da preocupação epistêmica dos primeiros geógrafos brasileiros para com a complexa e rica conexão entre geografia, turismo, ambiente, cultura e recreação: Silva (1975); Assis (1976); Seabra (1979); Tulik (1979); Barbieri (1979); Buss (1980); Rodrigues (1985); Falcão (1992); Madruga (1992); Silveira (1992); Calvente (1993) e Garms (1993).
Essas dissertações e teses deixam a descoberto as primeiras preocupações teóricas e empíricas desses geógrafos vanguardistas e uma enorme riqueza de enfoques e abordagens que a complexidade do fenômeno enseja. Passaremos a analisá-las, uma a uma, de um total de doze, a saber: uma tese de livre docência, quatro teses de doutorado e sete dissertações de mestrado.
Silva (1975), em sua tese de doutorado intitulada “O litoral norte do estado de São Paulo: formação de região periférica“ usa enfoque genético e funcional para tecer uma análise crítica acerca da produção do espaço que, com suas desigualdades e contradições, é parte de um processo geral de organização. O autor tece suas análises na perspectiva da historicidade da produção social do espaço, ao avaliar as contradições sociais e econômicas herdadas do passado e prognosticar o futuro.
Assis (1976), em sua tese de Livre Docência, intitulada “O turismo interno no Brasil”, parte da conceituação e da história da evolução do turismo e centra sua abordagem na estrutura espacial e na perspectiva do turismo interno e receptivo no Brasil. Nesse movimento, o autor toma como fio condutor de sua análise os impactos da atividade turística, sua sazonalidade, os transportes,
os meios de alojamento e os centros turísticos ao tomar como foco o Sudeste e o Sul do Brasil.
Seabra (1979), em sua dissertação de mestrado intitulada “A muralha que cerca o mar: uma modalidade de uso do solo urbano”, analisa o fenômeno da segunda residência. A autora faz uma análise geográfica morfológica ao tratar das transformações socioespaciais provocadas por esse fenômeno e enuncia sua complexidade ao entender o espaço em dupla dimensão - a estrutural (imobilização do capital) e a psicológico-social - ao identificar o significado ideológico da segunda residência. Assim sendo, do ponto de vista epistemológico, a autora complexifica sua análise ao tecer idéias relacionadas à questão do valor do uso do solo urbano com uma abordagem em nível simbólico das representações ideológicas que envolvem o fenômeno da segunda residência.
Tulik (1979), em sua dissertação de mestrado intitulada “Praia do Góis e Prainha Branca: núcleos de periferia urbana na Baixada Santista”, apresenta, de forma inovadora, o resultado empírico de uma pesquisa em que tematiza, na perspectiva da análise geográfica morfogenética, os impactos do turismo sobre a organização do espaço de duas localidades praieiras e os fatores geográficos que interferem na ocupação do espaço e nas atividades de seus habitantes.
Barbieri (1979) em sua tese de doutorado intitulada “O fator climático nos sistemas territoriais de recreação – Uma análise subsidiária ao planejamento da faixa litorânea do Estado do Rio de Janeiro”, assim explicita a finalidade de seu trabalho: contribuição ao planejamento do espaço turístico sob a ótica da geografia pragmática. Essa tese se destaca das outras produções dessa fase por seu enfoque teórico pluriparadigmático, ou seja, naturalista e determinista. Esse enfoque, ao mesmo tempo, é moderno e pragmático, ao organizar um calendário climático-turístico para as atividades de recreação
que se estendem na faixa litorânea do estado do Rio de Janeiro, de Cabo Frio a Paraty (RJ) com o objetivo de nortear ações para o planejamento regional do turismo.
Buss (1980), em sua dissertação de mestrado intitulada “Classificação ambiental do sul catarinense para fins turísticos” usa de uma abordagem geográfica funcionalista para classificar ambientes com potencial turístico. Ao tomar a infra-estrutura básica de cada ambiente como referência para alcançar seus propósitos, a autora propõe uma tipologia norteadora que contribui para o planejamento do espaço turístico.
Rodrigues (1985), em sua tese de doutorado sob o título “Águas de São Pedro. Estância paulista - Uma contribuição à geografia da recreação”, tece, numa perspectiva histórica, a evolução dos fatores geográficos que possibilitam o turismo, tanto como prática social, quanto como atividade de serviços, ao mesmo tempo em que enfatiza a questão da recreação. Dentre as mais relevantes contribuições de sua tese destacamos o levantamento do estado da arte dos estudos geográficos sobre a recreação e o turismo. Esse levantamento diz respeito aos referenciais teórico-metodológicos usados nas análises espaciais do fenômeno turístico e da recreação, sob a ótica dos pesquisadores franceses, italianos, anglo-saxões, americanos, canadenses e russos. Uma outra contribuição da autora, que se tornará tendência no pensamento teórico-prático da segunda geração de pesquisadores, é trazer para o centro da discussão a questão das políticas públicas em nível estadual e municipal no (re)ordenamento territorial do espaço do turismo e recreação.
Sete anos se passaram para agregar aos estudos turísticos brasileiros a contribuição de Falcão (1992), com sua dissertação de mestrado sob o título “Mecanismos de circulação e transferência de valor: o caso do turismo internacional no Rio de Janeiro – RJ”. Essa contribuição tem dois marcos. O
primeiro é a inserção da abordagem crítica da geografia na “análise dos processos e formas de integração econômica de lugares e regiões desigualmente desenvolvidas, decorrentes do atual estágio de desenvolvimento capitalista e da economia mundial”. O segundo marco é a inserção da metodologia qualitativa em um trabalho científico sobre a abordagem geográfica do turismo na perspectiva do entendimento da economia do turismo mundial.
“Litoralizacão: da fantasia de liberdade à modernidade autofágica“, é o título da dissertação de mestrado de Madruga, também datada de 1992. O autor introduz uma abordagem crítica com enfoque morfológico, acerca das relações dialéticas entre sociedade e natureza na fachada atlântica (estudo de caso) e o litoral paraibano em seu processo de litoralização pela industrialização, urbanização e turismo, que o transforma de território vazio em território litoralizado, povoado e consumido.
Silveira (1992), em sua dissertação de mestrado intitulada “Turismo & natureza: serra do Mar no Paraná”, faz uma análise geográfica empírica, numa abordagem genético-morfológica ao tomar como referencial teórico o processo histórico de evolução da sociedade industrial. O autor analisa os impactos sobre o meio ambiente causados pelo desenvolvimento desequilibrado do turismo na região da serra do mar (Paraná) e toma como objeto de conhecimento os conflitos desenvolvimento versus natureza e os desequilíbrios ecológicos e sociais decorrentes dessa relação.
“No território do azul-marinho: a busca do espaço caiçara” é o título da dissertação de mestrado de Calvente (1993), que inova o conjunto de produções científicas brasileiras ao trazer a questão cultural e a identidade territorial caiçara para o foco da análise do espaço turístico. Ao tecer uma análise cultural do fenômeno, a autora combina uma abordagem
socioambiental e crítica para decifrar as transformações impactantes do turismo sobre territórios e comunidades caiçaras.
Garms (1993) em sua tese de doutorado intitulada “Pantanal: o mito e a realidade – Uma contribuição à Geografia” tece uma abordagem pluriparadigmática ao tomar o espaço pantaneiro em duas dimensões. A funcional em termos da estrutura dos elementos paisagísticos de natureza turística que o compõe. E a dimensão social e crítica, como mercadoria a ser consumida pela prática de lazer. O autor analisa o espaço pantaneiro, tanto sob a ótica do mito paradisíaco vendido/comercializado via marketing turístico, como da realidade que se apresenta para atender a outros setores econômicos.
Aqui concluímos a apresentação e a análise das contribuições teóricas da primeira geração de geógrafos brasileiros atentos à compreensão das implicações espaciais do turismo, da segunda residência e da recreação em nosso país.
Nesse contexto, um fato relevante ainda deve ser tematizado: a preocupação epistêmica tardia do geógrafo brasileiro em relação aos centros acadêmicos europeus, como França e Espanha, que iniciaram seus estudos teóricos a partir das décadas de 50 e 60 respectivamente. Como afirma Lazzarotti (1998) a expressão “geografia do turismo” teria nascido na França com G.Chabot que, em sua obra La vie urbaine, publicada em 1957, dedicou um dos capítulos - L´Évasion urbaine - à reflexão teórica sobre turismo e lazer27, (apud RODRIGUES, 1998, p.80)
27 A introdução da expressão “Geografia do Turismo” (Fremdenverkehrsgeographie) na bibliografia especializada também é atribuída a STRADNER, em obra datada de 1905, segundo LUIS GÓMEZ (1988, p.84), como informamos anteriormente.
Outro marco histórico é considerado por Vera (1997, p.28) e Rodrigues (1998, p.81). Trata-se da criação, em 1972, do Grupo de Trabalho de Geografia do Turismo, Ócio e Recreação dentro da própria União Geográfica Internacional (UGI). O reconhecimento da relevância do tema pela UGI culminou em 1980, quando passou de Grupo, à Comissão de Geografia do Turismo, Ócio e Recreação e, na atualidade, a Comissão de Geografia do Turismo, Recreação e Mudança Global. Os professores designados pela UGI se constituíram numa equipe multinacional e, entre as tarefas que lhes foram atribuídas, deveriam traçar as diretrizes, os objetivos gerais e específicos, bem como a forma de operacionalizar e regular o turismo e a recreação em um “mundo sem fronteiras”, conforme enunciado a seguir:
“GRUPOS DE ESTUDIOS DE LA UNIÓN GEOGRÁFICA INTERNACIONAL