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As transmissões coloridas surgiram, de forma restrita, por ocasião da copa do mundo do México em 1970, porém, lembra Costella, que em 1972, durante a Festa da Uva, de Caxias, no Estado do Rio Grande do Sul, a transmissão em cores foi oficialmente inaugurada, com a presença do então presidente da República Emílio Garrastazu Médici. As transmissões coloridas trouxeram fascínio aos telespectadores que já se viam conquistados pelo novo veículo de comunicação. Vera Íris lembra de que em janeiro de 1973, foi ao ar a primeira novela em cores. O Bem Amado, de Dias Gomes, produzida pela Rede Globo.

Ao observar o registro da presença do então Presidente Médici no evento em Caxias do Sul, quando foi feita a primeira transmissão televisiva em cores, nos instiga a entender que, curiosamente, com o advento do golpe militar, a televisão, bem como os demais meios de comunicação, mesmo sob censura, ganhou muito espaço, dentro da visão de segurança e integração nacionais dos militares, que tinham como base o desenvolvimento econômico, tendo a industrialização como carro chefe do novo governo. Nessa perspectiva, de acordo com Mattos, “os meios de comunicação de massa se transformaram no veiculo através do qual o regime poderia persuadir, impor e difundir seus posicionamentos, além de ser a forma de manter o status quo após o golpe” (MATTOS, 2002, p. 34).

Segundo Mattos, a ditadura militar contribuiu para o desenvolvimento da TV no Brasil, ao criar vários órgãos estatais que lidavam com a produção cultural, ao formular leis e decretos, ao congelar as taxas dos serviços de telecomunicação, ao dar isenção das taxas de importação para compra de equipamento, ao proporcionar a construção de uma estrutura nacional de telecomunicações em redes e ao fazer uma política de crédito facilitado. De acordo com ele, a indústria brasileira começou a produzir aparelhos de televisão e em 1974 já dispúnhamos de mais de 9 milhões de aparelhos televisivos, isto representava àquela altura 43% dos lares brasileiros.

A TV era considerada pelo governo militar como um serviço de interesse nacional, dai o apoio direto do governo central para fortalecer os veículos para o cumprimento do que o governo considerava um papel patriótico. Mattos registra que para garantir que tal postura fosse válida, os militares criaram várias medidas legais, como leis, decretos e decretos-lei – entre os mais expressivos estão a Nova Constituição de 1967, a Lei de Segurança Nacional e o Novo Código Penal Militar. Igualmente organizaram diversas autarquias e órgãos estatais como o Contel, o Dentel, o Fistel, o Intelsat, a Embratel, a Telebrás, entre outros. Ele mostra que a censura era muito presente, porém, mesmo com esse controle a TV Globo é inaugurada nesse período.

No período compreendido entre 1968 e 1979, os veículos de comunicação operaram sob as restrições do Ato Institucional no 5, o qual concedia ao Poder Executivo federal o direito de censurar os veículos, além de estimular a prática da autocensura, evitando assim qualquer publicação ou transmissão que pudesse levá- los a ser enquadrados e processados na Lei de Segurança Nacional. Ironicamente, o desenvolvimento da televisão, principalmente da TV Globo, aconteceu durante esse período de maior restrição governamental. Além do controle através das concessões de licenças e da censura, o governo fazia recomendações diretas e indiretas a respeito do conteúdo dos programas (MATTOS, 2002, p. 92).

Um fato que marcou sobremaneira a história da televisão brasileira é que ao mesmo tempo em que a TV Globo se despontava com todo apoio do governo federal, a TV Tupi, bem como todo o grupo Diários Associados e a TV Manchete, e todo o grupo de comunicação Bloch Editores, foram entrando em declínio. É ai que surge vários rumores de que o grupo dos Marinho detinha maior alinhamento com o regime dominante em detrimento da posição contrária dos Associados e da Manchete que apontaram posição mais definida sobre o golpe militar.

Não se pode negar a grande competência da TV Globo em desenvolver o seu padrão global de qualidade e a capacidade criativa que envolveu de forma abrangente toda a população com a

sua capacidade de gerar conteúdos de qualidade e cobertura de sinal. Roberto Irineu Marinho (1995) registrou que o objetivo da Rede Globo, desde o seu começo é “satisfazer nossos cliente, que são os telespectadores e os anunciantes. As mudanças que fizemos ao longo dos anos – e que foram inúmeras – e as que iremos fazer, estarão sempre voltadas para acrescentar valor ao telespectador e ao anunciante” (MARINHO, 1995, p. 67).

Paternostro deixa também o registro de que no final da década de 70, o empresário Sílvio Santos ganha uma emissora de TV, no Rio de Janeiro. Em 1976 ele sai da TV Globo e começa a produzir o seu programa aos domingos na TV Tupi de São Paulo, retransmitindo-o pelo seu canal, a TVS do Rio, que viria a ser atualmente o SBT, Sistema Brasileiro de Televisão, e que ganharia naquele período a vice-liderança na audiência, lugar hoje disputado com a nova TV Record. Vera Íris traz também a triste notícia para a TV brasileira:

Em julho de 1980, chega ao fim a história da primeira emissora do país: com problemas financeiros, a Rede Tupi de Televisão é cassada pelo governo . E suas emissoras são divididas por dois grupos empresariais: Silvio Santos e Adolfo Bloch, a TVS passou a integrar o SBT – Sistema Brasileiro de Televisão. Com uma programação bem popular, o SBT conseguiu, rapidamente, atingir altos índices de audiência em determinados horários. A Rede Manchete de Televisão (Grupo Bloch) é inaugurada em junho de 1983, com uma programação diferenciada por documentários e programas (PATERNOSTRO, 2006, p. 33).

A TV Manchete não teve vida longa. De acordo com matéria disponibilizada na internet, “em 08 de maio de 1999, depois de várias reuniões, concretizou-se a venda da Rede Manchete para o Grupo TeleTV, organização presidida pelo empresário Amilcare Dallevo Júnior” (www.microfone.jor.br, acesso 18/01/2015). Era o fim da Rede Manchete de Televisão e o início da Rede TV!.