4.4 Jobbanalyse
4.5.1 Søksfasen
ENTREVISTAS PEDAGÓGICAS ,
Consideramos a entrevista, na perspectiva de que ela já é uma forma de ensino. Em nossos estudos de observação de respostas em exposições científicas temos verificado que os alunos ficam bastante entusiasmados e motivados durante uma entrevista sobre o tema apresentado. Mesmo antes de propor o tema, os instrumentos aos que a entrevista recorre já são eles mesmos uma fonte de motivação; ou seja, ao ver o gravador, a camera, o microfone, ou até mesmo quando o entrevistador segura apenas um papel e lápis, o entrevistado mostra querer responder a todas as perguntas e mesmo que ache que não sabe a resposta correta, nesse momento ele se esforça por encontrá-la, organizando seu pensamento.
A nossa proposta de entrevista pedagógica como instrumeno de organização do pensamento e desenvolvimento de linguagem teve sua metodologia exemplificada no ítem 1.2.A. Um dos problemas que encontramos foi o tipo de perguntas a serem feitas. Primeiro nos perguntamos a nós mesmas: Como incluir questões indutivas ou sugestivas
24Amélia Império Hamburger, costuma falar que os gestos dos cientistas aprisionam os fenômenos em certas
nas entrevistas pensadas como indo além das entrevistas clínicas piagetianas, mas com caráter pedagógico?
Fizemos esta pergunta pois achamos que uma entrevista pedagógica deveria incluir questões que auxiliassem o aluno na elaboração de uma resposta. Ao mesmo tempo, a maioria das teorias25 sobre entrevistas para pesquisa pareciam ser contra "indução" ou
"condução", embora fosse de quase senso comum que numa entrevista, o entrevistador tenha que fazer o entrevistado se sentir à vontade e confiante, encorajando-o a ficar desejoso de discutir o tema da entrevista.
Ao acompanhar o raciocínio do entrevistado, fazê-lo deduzir uma resposta no momento da entrevista, através de inducão ou sugestão, tem até agora sido uma questão muito difícil e delicada. Alguns autores26 têm até colocado que não se deve apreciar
muito a entrevista, pois isto influenciaria o desempenho do entrevistado. Moacir do Valle, por exemplo, diz que a entrevista é "um instrumento para a coleta de dados que nos fornece a explicação dada pelo sujeito ao fenômeno que ele observa sem no entanto
induzir a sua resposta". (Valle 1989)
Da mesma forma ao falar sobre o método clínico de Piaget, Roberto Nardi destaca o papel do entrevistador com algumas de suas qualidades ou habilidades citadas por Ludke e Andreé como: "o entrevistador deve respeitar os valores e a cultura do entrevistado: deve criar um clima de confiança no entrevistado, estimulando a liberdade de expressão, sem contudo dirigir a entrevista ( o que conduziria as respostas à certa direção); deve ouvir, atentamente o entrevistado intervindo o mínimo possível, para que as idéias do entrevistado fluam livremente" (Nardi 1991). Sobre isso Nardi cita também Piaget: "a arte do clínico consiste, não em fazer responder, mas, em fazer falar livremenente e em descobrir as tendências espontâneas, em vez de as canalizar e as
25Além das entrevistas clínicas, as entrevistas sobre instâncias, por exemplo. 26 como J. Bliss 1990
conter. Consiste em situar qualquer sintoma dentro de um contexto mental, em vez de fazer abstração do contexto"
Sobre este tema não podemos deixar de mencionar novamente Joan Bliss que diz que devemos numa entrevista, usar a linguagem para ajudar positivamente o entrevistado sem sugerir ou perguntar questões ambíguas, ou de conducão (Blisss 1990). Mas como ajudar sem sugerir? para o entrevistador não ultrapassar esse limiar, fronteira tão frágil, o cuidado na escolha da linguagem passa a ser fundamental. Esse filigrama: o entrevistador ajudou-o a lembrar o que o entrevistado já sabia, ou ele o ajudou a apreender a (formular) um conceito nesse mesmo momento com a sua pergunta, nos levou a nos preocuparmos com o conteúdo linguístico das questões colocadas em entrevista. A fim de haver cooperação intelectual, a linguagem deve ser tal a promover uma interação dialógica. A perspectiva dialógica e histórica tem inerente o pensamento criativo e construtivo, uma questão de usar a língua com suas referências à experiência passada, de tal modo a chegar a novas combinações. O entrevistador deve estar familiarizado então tanto com aspectos cognitivos e epistemológicos da linguagem quanto com a sua visão lógica e psico-pedagógica. Aspectos cinestésicos também devem ser levados em conta, como gestos, atitudes de comportamento e estilo, intonação de voz ( para comunicar disponibilidade ) etc.
Ou seja, dependendo de como as perguntas são formuladas para a entrevista
pedagógica obtém-se o aprendizado "que desperta vários processos internos de
desenvolvimento" e portanto influi na zona de desenvolvimento proximal. Como vimos nos nossos estudos sobre teorias de aprendizagem, o "processo de desenvolvimento progride de forma mais lenta e atrás do processo de aprendizado", As perguntas, que seguem uma resposta prévia, devem ser feitas então baseadas não somente no que o entrevistado demonstra, pelas suas respostas, já saber, mas no que ele não sabe e pode saber.
A entrevista seria então um lugar de interação e até de cooperação da parte do entrevistador para o entrevistado, implicando que numa entrevista há comunicação: Piaget mesmo havia concluído que a " comunicação gera a necessidade de checar e confirmar pensamentos", fazendo com que as funções psicológicas internas sejam despertadas no seu desenvolvimento. Entrevistas também exigem que se explique alguma coisa, e isso já foi demonstrado que é o meio mais eficaz de elaboração ou reestruturação cognitiva (Slavin 1989). É necessário que o aprendiz se engaje em alguma espécie de elaboração do material, uma vez que a informação é para ser retida na memória e relacionada à informação já contida na memória.
Voltando a nossa questão inicial: se numa entrevista as pessoas falarão sobre " algo que é extremamente significativo para eles, seja sobre o que eles sabem ou no que acreditam, sentem ou pensam" como afirma J.Bliss, é natural que as pessoas apreciem a entrevista. Deixar de sugerir, de informar, de dar uma resposta ou de preencher uma 'lacuna', no momento em que o entrevistado está bem propenso a assimilá-la, em que ele está tão envolvido e curioso para ouvi-la, é deixar de utilizar um dos instrumentos que poderia ser importante para o ensino que chamaremos de entrevista pedagógica27.