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Kapittel 2: Metode

2.4 Litteraturstudiet

2.4.2 Søkestrategi

feminino e complementar a Cristo, no que se refere ao seu papel fundamental de colaboradora na obra da salvação. Maria, como mulher individual, ilumina a missão esponsal e materna da Igreja e assim, contribui para a compreensão de seu mistério como pessoa.

2.4 A DRAMÁTICA INTERNA DA IGREJA: ESPOSA E INSTITUIÇÃO

Numa visão de conjunto, pode-se dizer que a pessoalidade da Igreja é entendida por Balthasar como “a pericorese das missões pessoais e socializadas (...) em torno ao centro da missão mariana”,164 que é a maternidade e a conjugalidade,

trazendo o Cristo ao mundo. Nesta função evidentemente feminina, surge uma pergunta conflitiva num primeiro momento: O que torna a Igreja, mãe e esposa, ser capaz de exercitar a missão masculina de fecundar os fiéis através dos tempos? A resposta está na fundação da “instituição” eclesial por Jesus Cristo.

A instituição é a garantia da presença constante do esposo Cristo para com sua esposa Igreja; e daí que está confiada a homens que, pertencendo à feminilidade global da Igreja, tomados dela e permanecendo nela, possuem o mistério e a função de personificar a Cristo que se aproxima da Igreja para fecundá-la.165

Vê-se que a tensão esponsal entre Cristo e a Igreja se encontra concretamente presente no interior da Igreja, comunicada por Deus na subjetividade e personalidade das diferentes pessoas que compõem a Igreja. Esta oposição se personifica nos símbolos reais de Maria e Pedro. Se Maria é o centro pessoal da Igreja, possuindo uma

164BALTHASAR, H. Teodramática, volume III, p. 325. 165BALTHASAR, H. Teodramática, volume III, p. 325.

missão feminina-primária no interior da mesma, Pedro possui uma missão masculina- secundária, personificando a instituição.166

Desta maneira, Balthasar identifica um princípio petrino que se estende através da instituição a toda a Igreja, mas se movendo ao interno da esfera mariana onicompreensiva: com o poder das chaves da Igreja dado a Pedro, o ministério tem a missão de (re)conduzir o pecador ao centro mariano da Igreja, puro e santo. Para isto, deve primeiro o ministro pertencer à Igreja mariana, possuindo uma fé feminina, eclesial, como o próprio Pedro expressou em sua profissão de fé: “... A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Agora nós acreditamos e sabemos que tu és o Santo de Deus” (Jo 6,68s).167

De outra parte, sendo o ministro pertencente ao centro mariano do amor, ele deve pôr-se do ponto de vista do pecador no caminho em direção ao centro, realizando o serviço kenótico do Filho de Deus. Logo, em relação ao centro mariano, o ministério petrino possui uma dinâmica excêntrica, de kenosis.168 De outro modo, tomando a

linguagem dos padres antigos, Balthasar também entende este serviço ministerial e sacramental, como serviço materno que dá a luz (Batismo) e com amor educa os nascidos para a feminilidade cristã.169

Diante desta configuração interna da Igreja, Balthasar adverte para uma falsa compreensão de que os ministros ordenados sejam mais importantes que os leigos por representarem a Cristo, num papel doador. Aqui, Balthasar lembra que o ministério, mesmo sendo necessário para que o Cristo possa fazer-se presente na Eucaristia, ele é apenas instrumental e transitório. O mais importante é a meta, alcançar o centro da santidade mariana da Igreja, formando o Cristo em nós.170

João é outro símbolo real que deve ser observado para uma boa compreensão da dramática interna da Igreja. Como discípulo amado, ele não almeja o poder, senão que, permanecendo ao lado de Pedro e Maria, é símbolo daquele que une os dois,

166Cf. BALTHASAR, H. Sponsa Verbi, p. 193 à 212; BALTHASAR, H. Teodramática, volume III, p. 325 e 330; cf. BALTHASAR, H. Teodramática IV, p. 374.

167Cf. BALDINI, A. Principio Petrino e Principio Mariano ne “Il Complesso Antiromano di Hans Urs von Balthasar”, p. 73; Cf. BALTHASAR, H. Sponsa Verbi, p. 196; cf. BALTHASAR, H. Teodramática IV, p. 374.

168Cf. BALDINI, A. Principio Petrino e Principio Mariano ne “Il Complesso Antiromano di Hans Urs von Balthasar”, p. 73.

169Cf. BALTHASAR, H. Sponsa Verbi, p. 195 à 197.

desaparecendo no anonimato. Isto é percebido no quarto Evangelho, na proximidade de João a Pedro (cf. 1,37ss; 13,22-30; 20,1-10; 21,1-23), quando perdendo a prerrogativa do amor maior de Jesus para este (cf. Jo 21,1-23), permanece a seu lado, e se torna paradigma do “sentir com a Igreja (petrina)”. De outra parte, João é o discípulo mais próximo a Maria, quando aos pés da cruz, recebe de seu Senhor, Maria como Mãe. Enfim, ele estando ao lado dos dois, não busca lugar privilegiado, mas a unidade entre ministério e amor. Este símbolo real se perpetua na Igreja especialmente nos santos que exercem sua missão de forma não ministerial, e que são reconhecidos por realizarem a união entre a Igreja mariana e a petrina.171

Ainda, deve-se destacar os cinco aspectos apresentados em Teodramática III que ajudam a resumir a relação dramática da Igreja/esposa e a instituição:172

a) A tendência encarnacionista da Igreja: se o Senhor da Igreja, sendo Deus, assumiu um corpo mortal, sofrendo por nós e em nosso lugar, segue-se que a esposa tirada do peito do Senhor, também possuísse uma constituição corporal-social, sendo- lhe derramada a vitalidade do Espírito Santo. Na Igreja, a instituição assume esta perspectiva encarnacionista, tornando presente a graça do Deus encarnado na Eucaristia e no perdão.

b) A instituição, como estrutura ministerial, é a garantia de que, a cada instante na Igreja, se torna presente o acontecimento original do nascimento da Igreja. Este aspecto está intimamente ligado à tendência encarnacionista. Isto serve de pressuposto para que o crente tenha a consciência de que ele só participa da justificação divina dentro da Igreja; e de que a recebe de Deus nela e com ela.

c) Diante de uma Igreja constituída de pecadores, é necessário não apenas a realidade da Igreja santa subjetiva-mariana, mas de uma santidade objetiva-petrina do ministério. Pois como vimos, cabe ao ministério a função de educar aos imperfeitos em direção ao centro mariano da Igreja. Esta polaridade vem fundamentada em Cristo que viveu sua vida terrena sobre a regra objetiva do Espírito Santo, fazendo-se obediente a este Espírito do Pai até a morte de cruz (inversão trinitária).

171Cf. BALDINI, A. Principio Petrino e Principio Mariano ne “Il Complesso Antiromano di Hans Urs von Balthasar”, p. 76 e 77.

172 Estes cinco aspectos que se seguem no presente texto, foram apresentados em: BALTHASAR, H.

d) O Espírito Santo que Cristo enviou desde o Pai ao mundo em Pentecostes, é o Espírito que impulsiona o crente na direção do sim total de Maria no seguimento de Cristo. É Espírito de liberdade e de filiação: o cristão foi libertado por meio da cruz, devendo viver uma nova vida de serviço, percorrendo o caminho até a cruz. Aqui, tanto Maria, a imaculada, quanto Pedro, estão sobre a regra deste mesmo Espírito.

Balthasar, seguindo este pensamento, adverte que o ministro da Igreja, ao pastorear os fiéis e a si mesmo deve ter diante de si a regra do seguimento da cruz. Este é o caminho da autêntica maturidade cristã, ou seja, da santidade. E isto não é privilégio de Pedro, dos ministros, senão de Maria “trono de sabedoria” e “imaculada”. Vê-se, nesta vida segundo o Espírito, o entrelaçamento entre a Igreja esposa/Maria e o ministério enraizado nela.

e) Enfim, seguindo a John Henri Newman,173 Balthasar aponta para a distinção

entre o ministério episcopal e o ministério profético na Igreja. O ministério profético está enraizado em todos os fiéis através do Batismo. Aqui, a tradição e o instinto da fé é matéria comum a todos os batizados. Já o ministério episcopal tem a missão de velar sobre o ministério profético de todos os fiéis, garantindo sua autenticidade. Ora, nesta dramática interna, o ministério episcopal deve ter a humildade de, em alguns casos, deixar-se ensinar pelo ministério profético dos fiéis.

De outra parte, os fiéis, percorrendo o caminho da obediência, devem deixar-se orientar pelo ministério episcopal, guardião e intérprete autêntico da Tradição e da Escritura. Esta obediência se torna compreensível à comunidade ou pessoa repreendida, quando se percebe que a própria Igreja “é um produto da absoluta obediência de Cristo até a cruz”.174