Kapittel 3: Teoretisk rammeverk
3.5 Bruk av Key Performance Indicators (KPI) i BVP-prosjekter
3.5.3 Anbefalinger på hvordan PI og KPIer bør utarbeides – modell og anbefalinger fra Nederland
Esta última parte da secção vem realizar uma exposição prática do ministério petrino na Igreja. Antes, Balthasar retoma uns pressupostos do ministério petrino: Cristo, enquanto único revelador do Deus Uno e Trino quis desenvolver o seu ministério de revelação e reconciliação com os homens e por meio dos homens. Torna-se aqui, sumamente importante a constelação cristológica, onde cada símbolo real torna-se princípio estrutural da Igreja nos tempos. Estas figuras neotestamentárias, com suas características peculiares, todas participam da única missão de Cristo, a de ser mediação de Deus, formando o Cristo no mundo. Aqui, Balthasar reforça que a característica comum da constelação é o mostrar a Cristo desaparecendo. É o que percebe-se com o Batista, com Maria, João, Paulo e enfim Pedro, que apascenta um rebanho que não lhe pertence.192
2.5.3.1 O ministério petrino em tensão: Um por todos
Sob a guia do Espírito Santo e com a orientação segura dos evangelhos, Balthasar afirma que a sucessão no ministério de Pedro terá como missão própria representar ministerialmente a unidade, doando espaço aos outros nos serviços e ministérios da Igreja, a fim de que todos possam participar da unidade. Desta maneira, o sucessor de Pedro é o ponto de referência para todos, possibilitando a participação e a unidade na Igreja.193
2.5.3.2 O carisma da direção
191Cf. BALTHASAR, H. Le Complexe Antiromain, p. 208 à 210.
192Cf. BALTHASAR, H. Le Complexe Antiromain, p. 257 à 259; Cf. BALDINI, A. Principio Petrino e Principio Mariano ne “Il Complesso Antiromano di Hans Urs von Balthasar”, p. 90 e 91.
193Cf. BALTHASAR, H. Le Complexe Antiromain, p. 260 à 262; Cf. BALDINI, A. Principio Petrino e Principio Mariano ne “Il Complesso Antiromano di Hans Urs von Balthasar”, p. 91 e 92.
Olhando para a história do papado na Igreja, Balthasar faz duas ponderações sobre a função específica do ministério petrino. Na primeira, mesmo havendo muitos papas santos na história, a especificidade deste ministério não esta na linha da santidade subjetiva mariana-joanina, devido a ocorrência de papas moralmente discutíveis sob o plano pessoal. A segunda ponderação refere-se a pergunta de se o sucessor petrino não deveria ser um teólogo destacado e aprofundado tecnicamente. Balthasar, no entanto, não qualifica este carisma como sendo petrino, mas próprio da sucessão paulina. Entre as linhas mariana-joanina e paulina, o autor, observando a história da Igreja primitiva, aponta o papado para outra direção, a de guia do centro concreto.194
Os fatos comprovam este carisma de direção já na Igreja primitiva. O bispo e mártir Inácio de Antioquia já saudava a Igreja de Roma como aquela “que preside à caridade”.195 E quando a “unidade da fé e da caridade” começava a ser ameaçada,
Roma, como sede do direito, intervinha. É o que se percebe na carta do Papa Clemente de Roma aos Corintios, escrita no ano 96.196 Cipriano de Cartago, em outra
circunstância, apela para Roma como seu recurso de última instância. O Papa Estéfano I, mostrando sua autoridade nas questões de fé, fez Diógenes de Alexandria, discípulo de Orígenes, precisar sobre sua doutrina cristológica suspeita de erro. Mais tarde, no sínodo de Sárdica e também através dos papas Sirício, Inocêncio I, Bonifácio I, Celestino I e Leão Magno, apresentou-se na teoria e na prática, um papado não apenas de honra, mas de jurisdição.197
Passando para a análise da história do papado a partir do período do Imperador romano Constantino e se estendendo até o absolutismo do séc. XVII, Balthasar afirma como determinante a convergência e o impasse entre a Igreja e o Estado. Num primeiro momento, de convergência, aparece bem claro o fascínio da Igreja diante de imperadores como Constantino, Teodósio e Carlos Magno, junto à possibilidade de implantar uma teocracia, onde o ideal do Reino de Deus se
194Cf. BALTHASAR, H. Le Complexe Antiromain, p. 274 e 275.
195INÁCIO DE ANTIOQUIA, Carta aos Romanos, 1,1-3 apud HACKMANN, G. A amada Igreja de Jesus Cristo, p. 251.
196 Cf. CARTA DE S. CLEMENTE ROMANO AOS CORÍNTIOS 1 e 63 apud HACKMANN, G. A amada Igreja de Jesus Cristo, p. 250.
197 Cf. BALTHASAR, H. Le Complexe Antiromain, p. 275 à 281; Cf. BALDINI, A. Principio Petrino e Principio Mariano ne “Il Complesso Antiromano di Hans Urs von Balthasar”, p. 92 à 94.
transformasse numa realidade temporal. Quando este ideal teocrático fracassa, a Igreja já estava conformada a uma estrutura jurídico-estatal, ainda tentando atualizar um reino de Deus terreno em meio a suas estruturas.198
A distinção total entre Igreja e Estado só ocorrerá com o fenômeno da secularização. De maneira determinante, esta separação se dará na revolução francesa e na batalha com Napoleão pela conquista do Estado da Igreja. Este processo de separação culminará em 1870, com o acordo do Estado pontifício e a colocação de Roma como a capital da Itália unificada.199
Deste impasse histórico, segundo a análise de Balthasar, fica consolidado o declínio do Estado da Igreja e também a interpretação da Igreja como realização histórica do Reino de Deus. Por outro lado, a partir dos Concílios Vaticano I e II, emerge a compreensão da extensão universal do mandato petrino dentro do horizonte da Igreja como povo de Deus. Desta maneira, o papa, dentro da colegialidade episcopal, possui um importante serviço de unidade na comunhão, sem o autoritarismo praticado no século XIX, no confronto com o mundo externo e com teólogos que tentaram realizar um diálogo com o mundo cultural moderno.200
2.5.3.3 O refúgio da liberdade
Finalizando a reflexão sobre a função do ministério petrino, encontra-se em Balthasar um último aspecto: a Igreja de Roma é para os cristãos, a garantia da liberdade religiosa frente aos poderes deste mundo.201
Esta perspectiva gera para alguns um sentimento de contradição, visto que a autoridade do sucessor de Pedro é vista como uma limitação da própria autonomia. Contudo, perscrutando a história, percebe-se que as igrejas que se separaram do centro concreto de Roma, foram sendo conformadas sob os poderes temporais daquela área onde estavam. Como exemplos, têm-se os confrontos das igrejas cristãs
198Cf. BALTHASAR, H. Le Complexe Antiromain, p. 282 e 283.
199 Cf. BALTHASAR, H. Le Complexe Antiromain, p. 283 à 291; Cf. BALDINI, A. Principio Petrino e Principio Mariano ne “Il Complesso Antiromano di Hans Urs von Balthasar”, p. 94.
200 Cf. BALTHASAR, H. Le Complexe Antiromain, p. 291 à 299; Cf. BALDINI, A. Principio Petrino e Principio Mariano ne “Il Complesso Antiromano di Hans Urs von Balthasar”, p. 94 e 95.
autocéfalas do oriente com o Império Romano do Oriente. Mais recentemente, naquela região, os confrontos da Rússia Czarista e o comunismo. Na Inglaterra, os confrontos da Igreja anglicana com a coroa inglesa e, na Alemanha, a intromissão dos príncipes alemães na Igreja luterana recém formada.202
Para reforçar a ideia de Roma como refúgio de liberdade, Balthasar faz referência a três testemunhos: o canonista Ignaz von Döllinger (1799-1890), e os convertidos aos catolicismo John Henri Newman (1801-1890) e Vladimir Soloviev (1853-1900). Tomando, por exemplo, o caminho de Newman do anglicanismo ao catolicismo, vê-se um processo gradual que passou pelo conhecimento da História da Igreja, especialmente dos Padres. É interessante observar neste processo, que a razão forte da conversão de Newman, foi o convencimento da necessidade da existência de um centro concreto para a unidade da Igreja, só existente na Igreja Católica através do ministério petrino.203
Soloviev, de outra parte, também se converte ao catolicismo, partindo da constatação histórica da impossibilidade das igrejas grega e russa de manter a própria independência frente aos poderes temporais. Ele afirma que a liberdade para uma fé soberana se encontra na sé romana: porque Pedro, a exemplo de Maria, fez uma profissão ilimitada de fé diante de Cristo (Mt 16,18).204
Balthasar enfim, a partir destes testemunhos, anota que o papado não é um fim último, mas é meio e garantia para a liberdade cristã.205
202Cf. BALDINI, A. Principio Petrino e Principio Mariano ne “Il Complesso Antiromano di Hans Urs von Balthasar”, p. 96.
203 Cf. BALTHASAR, H. Le Complexe Antiromain, p. 302 à 310; Cf. BALDINI, A. Principio Petrino e Principio Mariano ne “Il Complesso Antiromano di Hans Urs von Balthasar”, p. 97 e 98.
204 Cf. BALTHASAR, H. Le Complexe Antiromain, p. 311 à 317; Cf. BALDINI, A. Principio Petrino e Principio Mariano ne “Il Complesso Antiromano di Hans Urs von Balthasar”, p. 98 e 99.
3 O ESPÍRITO SANTO E A IGREJA EM BALTHASAR
No capítulo anterior, observou-se que a Igreja, inserida no mistério Trinitário, é a partir de Cristo e de Maria, o Corpo e a Esposa de Cristo.
No entanto, ao adentrar-se no mistério do Espírito Santo, relacionando-o neste panorama da Igreja, pergunta-se: há um lugar próprio do Espírito Santo na Igreja? Como pensar uma correta Eclesiologia pneumática que contribua para um melhor entendimento da relação entre Igreja e Trindade, e ainda, entre Igreja e missão? Como o Espírito Santo age na renovação da Igreja?
Pode-se adiantar, como peça-chave para a resolução destas questões, que o lugar do Espírito na Igreja, deve ser entre esta e o seu Esposo, o Cristo,206 atuando
como um dia atuou no seio da virgem Maria, na encarnação de Deus.207
Pelo momento, irá se compreender melhor a Pessoa e o papel do Espírito Santo em Balthasar.