Foram identificados no município de Belo Horizonte dois centros de inclusão digital, o Centro de Recondicionamento de Computadores de Belo Horizonte (CRC) e o Comitê para Democratização da Informática (CDI).
O CRC-BH é parte integrante do Projeto Computadores para Inclusão do Governo Federal - Projeto CI em parceria com o Ministério do Planejamento e Empresa de Informática e Informação de Belo Horizonte - Prodabel (BRASIL, 2008).
O Projeto CI consiste em uma rede nacional de reaproveitamento de equipamentos de informática, formação profissional e inclusão digital e é coordenado pela Secretária de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI) do Ministério do Planejamento, que estabelece parcerias locais para a manutenção e funcionamento das unidades de recondicionamento. Essa parceria inclui repasse de verbas ao órgão responsável para cessão do espaço, além de bens e serviços aplicados na implantação e operação do centro (BRASIL, 2008).
Os CRCs são instalados em regiões periféricas de grandes cidades, possibilitando aos jovens em situação de vulnerabilidade a inclusão digital, por meio de oficinas onde os mesmos aprendem a testar, consertar, limpar, configurar e embalar os computadores que serão doados às escolas, telecentros e bibliotecas de todo o país (BRASIL, 2008).
No mês de agosto de 2008, período em que ocorreu a presente pesquisa, o CRC-BH localizava-se no Bairro Ipiranga, em um prédio de 897 m2 com capacidade de formação de 125 jovens (FIG. 5.8). O CRC-BH foi inaugurado em nove de junho de 2008.
FIGURA 5.8 – Centro de Recondicionamento de Computadores de Belo Horizonte.
Fonte: Rosana Franco.
Conforme o entrevistado, as ”máquinas” chegam por meio de doações de órgãos do governo federal, estadual e municipal, pessoas físicas, empresas privadas, universidades, entre outros. Qualquer entidade, seja pública ou privada, pode doar material para os CRCs. Ao recebê-la, é feita uma triagem para testar as máquinas a fim de verificar as condições de uso (FIG. 5.9). Máquinas muito antigas já são encaminhadas para reciclagem e as mais novas seguem para o processo de manutenção.
FIGURA 5.9 – Máquinas aguardando vistoria. Fonte: Rosana Franco.
Após essa pré-triagem, as máquinas em condições de reaproveitamento são encaminhadas para as bancadas, onde entram em processo de manutenção (FIG. 5.10).
FIGURA 5.10 – Sala de manutenção de computadores. Fonte: Rosana Franco.
Os softwares que possibilitam o uso da máquina são instalados após o processo de manutenção (FIG. 5.11).
FIGURA 5.11 – Sala de instalação dos softwares e jovens aprendizes. Fonte: Rosana Franco.
O processo final consiste na limpeza das máquinas, montagem e embalagem dos kits, sendo: um computador pessoal, 10 estações de trabalho e uma impressora, que serão distribuídos às entidades cadastradas no Projeto CI. A FIG. 5.12 apresenta os alunos do CRC na limpeza dos materiais para formação dos kits.
FIGURA 5.12 – Limpeza e montagem dos kits. Fonte: Rosana Franco.
Segundo o entrevistado, os resíduos gerados no inicio do projeto tinham o seguinte destino após o recondicionamento dos computadores: os CRTs eram mandados para uma empresa situada no estado de São Paulo, onde a mesma os exportava para o Japão; as carcaças dos gabinetes, que são predominantemente de ferro, eram doadas para catadores da região. No entanto, esse fluxo mudou e, no período da presente pesquisa, o CRC-BH estava armazenando todos os resíduos oriundos dos equipamentos de informática no galpão da Associação Municipal de Assistência Social (AMAS), aguardando informações dos órgãos competentes sobre a destinação correta dos mesmos.
O outro centro de inclusão digital identificado no município foi o Comitê para Democratização da Informática de Belo Horizonte (CDI-BH). Trata-se de uma organização não-governamental, sem fins lucrativos, que tem como objetivo promover a inclusão digital visando à inclusão social. Foi fundado em 1995 por meio de uma campanha para arrecadação e reciclagem de computadores e, posteriormente, criou as Escolas de Informática e Cidadania (EICs) - (CDI, 2005).
A Rede CDI abrange todas as regiões do Brasil e possui comitês regionais nos estados de Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e no Distrito Federal.
No estado de Minas Gerais, os comitês regionais estão localizados nas cidades de Além Paraíba, Belo Horizonte, Leopoldina e Poços de Caldas. Em Belo Horizonte, situa-se na regional oeste, no Bairro de Nova Granada.
Na entrevista com o responsável, apurou-se que a unidade recebe todo o tipo de EEE, como televisores, aparelhos de som, telefones celulares, telefones fixos, aparelhos de fax, entre outros. Feita a triagem, constata-se o seu potencial de reaproveitamento.
O CDI-BH disponibiliza cursos para população de baixa renda na área de Tecnologia da Informação, com duração de 180 horas, o qual qualifica o participante como “Auxiliar Técnico de Manutenção de Microcomputador”.
FIGURA 5.13 – Sala de aula do CDI-BH. Fonte: Rosana Franco.
Como verificado, o CDI-BH se diferencia dos outros por possuir uma linha de conserto de CPUs, ou seja, o equipamento é consertado no próprio comitê por jovens que são treinados para o serviço de manutenção. A bancada de conserto dos computadores está demonstrada
na FIG. 5.14. As demais peças dos computadores, quando com defeitos, são enviadas a terceiros para serem reparadas.
FIGURA 5.14 – Bancada de conserto de computadores. Fonte: Rosana Franco.
Depois dos equipamentos consertados, são montados os kits, que são encaminhados para os Centros de Inclusão Digital e, ou, doados a pessoas carentes que fazem os cursos do CDI-BH.
FIGURA 5.15 - Material pronto para serem disponibilizados para inclusão digital no CDI-BH.
Quando questionado sobre o que fazia com os resíduos eletrônicos, o entrevistado relatou que há uma parceria entre o CDI-BH e um sucateiro da região, funcionando da seguinte maneira: como o CDI-BH não tem como retirar determinadas doações, pois não tem veículo próprio, o “sucateiro” retira essa mercadoria do doador e leva até o CDI, onde é feita a triagem. O material não utilizado, bem como as peças que não são reparáveis, é vendido a preço simbólico ao sucateiro. O sucateiro informou que separa os metais da fiação, “descasca” o mouse para retirar o alumínio e tritura o plástico, sendo o material revendido a outras empresas. Sobre o que o sucateiro fazia com os CRTs, o entrevistado não soube responder com precisão, informou que “acha” que os mesmos são quebrados para retirada do material de valor e o restante vai para o aterro.
O entrevistado enfatizou que “tudo é enviado para reciclagem, até o papelão é doado para os catadores da região”. Ressaltou que a FEAM procurou o CDI-BH em julho, comprometendo-se a ajudá-los a dar a destinação correta aos resíduos, inclusive com a aquisição de um triturador para placa-mãe (placa de circuito impresso).