Del II Bakteppe
4.4 Nasjonale sårbarheter
4.4.2 Sårbarheter for samfunns-
Na literatura mundial, há certa tradição de buscar entender o perfil dos filiados a partidos políticos (Whiteley e Seyd, 2004; Scarrow e Gezgor, 2010; Van Biezen, 2013). É recorrente a comparação entre o perfil dos filiados e dos eleitores, a fim de entender os filtros que operam na socialização política dos indivíduos que optam por fazer parte de um partido político.
Via de regra, são duas grandes escolas teóricas que buscam analisar esse tipo de participação política. A primeira seria a matriz sociológica francesa, que privilegia os níveis de análise meso e micro social. Enquanto, por outro lado, a segunda matriz trabalharia com uma abordagem sistêmica e comparada, intitulada de “Political Science Mainstream” (Franz, 2016). Optamos por analisar o fenômeno da filiação a partir da segunda abordagem, que tem como caraterística a utilização de surveys e análises estatísticas descritivas e fatoriais (Franz, 2016).
Ainda que a fonte da Ciência Política brasileira seja, por excelência, propriamente institucionalista e próxima da abordagem “mainstream”, os achados no Brasil são parcos. As pesquisas que se detiveram ao fenômeno da filiação apenas conseguiram entender, de algum modo, a demografia dos aderentes. Esses estudos podem ser divididos em dois grupos: i) estudos que buscaram identificar o perfil a partir dos dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (Speck 2013; Speck, Braga e Costa, 2015) e ii) a realização de um survey com filiados (Amaral, 2014; Locatelli, 2017).
Argumentamos que as duas linhas apresentam limites metodológicos. Os dados oficiais do TSE apresentam poucas variáveis de análise, como cidade de filiação, zona eleitoral, data de filiação, data de desfiliação e dados de identificação como nome e documentos. Assim, esses estudos permitiram identificar os fluxos gerais de adesão, indicando que as filiações ocorrem majoritariamente em períodos específicos, como os anos de eleições municipais. Demonstram também que há maior taxa de filiação em pequenos municípios. São, portanto, impressões gerais do fenômeno da filiação, baseado em trabalhos exploratórios sobre o tema.
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O segundo caminho foi, inicialmente, realizado a partir de um consórcio de universidades de São Paulo com o objetivo de realizar uma pesquisa à nível estadual com as maiores legendas. O projeto temático “Organização e funcionamento da política representativa no estado de São Paulo (1994 a 2014)” desenvolvido sobre coordenação de Rachel Meneguello teve como principal limitação a realização do próprio trabalho de campo. Argumentando sobre a dificuldade de encontrar os filiados, dado a inexistência de cadastros públicos, os coordenadores do projeto optaram por realizar entrevistas em frente aos diretórios municipais dos partidos. Como consequência, a “amostra reflete muito mais o perfil dos militantes do que o dos filiados aos partidos políticos de modo geral” (Amaral, 2014).
Posteriormente, em um nível posterior de maturação do campo, dois outros suveys foram realizados com filiados, ambos com juventudes partidárias. O primeiro analisando o fenômeno no Rio Grande do Sul com sete partidos (Machado, 2016) e outro abordando a filiação partidária na juventude do PT e do PSDB em São Paulo (Locatelli, 2017). Dado que o interesse do survey foi de explicar o perfil e as motivações das juventudes partidárias, a limitação é a extrapolação dos resultados para todo o universo de filiados.
Em regra geral, as dificuldades teóricas e empíricas de um trabalho sobre filiados recaem sobre as barreiras inerentes a realização do trabalho de campo, sobretudo em três etapas: constituição do cadastro, da amostra e da própria realizando das entrevistas. Diante das dificuldades de operação, optamos por realizar contato inicialmente com os partidos políticos de forma direta, solicitando a liberação do cadastro de filiados com seus dados de contato. O Partido dos Trabalhadores e o Democratas cederam os cadastros e os dados apresentados em sequência dizem respeito a análise dessas duas legendas.
Inicialmente, buscamos realizar entrevistas com os filiados a partir de uma amostra representativa e aleatória. Com o início do trabalho de campo, identificamos a inviabilidade de tal empreendimento. A principal questão enfrentada foi a desatualização dos cadastros, uma vez que os dados dos filiados não foram atualizados nenhuma vez desde a entrada dos indivíduos nos partidos. Diante disso, optamos por realizar substituições a partir de três tentativas de contato sem sucesso. Ao fim, as substituições esgotaram o cadastro.
Dessa forma, terminamos por realizar um survey com uma amostra não-aleatória, buscando contato com todos os filiados do período analisado (2012-2016) e, ao final,
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realizando 255 entrevistas com aderentes ao DEM e PT. No mais, as estratégias operacionais estão descritas de forma mais detida no capítulo introdutório.
A dissertação serve-se das contribuições empíricas do projeto de pesquisa da Fundação Getulio Vargas, denominado “Carreiras políticas e recrutamento de vereadores” financiado pela Rede de Pesquisa Aplicada (RPCAP) da Fundação Getulio Vargas. No total, já foram realizadas mais de 300 entrevistas quantitativas telefônicas. O campo segue em andamento com previsão de realização com mais partidos. Na primeira etapa, foram realizados surveys com PT, DEM e PRTB. Na segunda etapa, programada para o primeiro trimestre de 2019, serão realizados com PDT e PV. Outros partidos seguem em contato e negociação para a realização do estudo.
O presente capítulo apresenta os resultados da primeira etapa. Justifica-se a apresentação parcial dos dados do projeto uma vez que os objetivos da dissertação já se encontram completos, quais sejam identificar as razões para um indivíduo filiar-se a um partido político e demonstrar que as legendas não são indiferenciadas. Em certo sentido, a dissertação cumpre também o objetivo de verificação se as legendas brasileiras são mais assemelhadas apenas a ficções legais ou parlamentares ou se, por outro lado, apresentam alguma vida orgânica (Amaral, 2014).
Optamos por trabalhar no capítulo com dois partidos: o Partido dos Trabalhadores e o Democratas. Isso porque privilegiamos o equilíbrio ideológico na composição da amostra, cada qual representando um lado do espectro ideológico, esquerda e direita. Ao todo, foram realizadas 255 entrevistas: 90 do DEM e 165 do PT.
A apresentação dos dados obedece uma sequência lógica. Inicialmente, busca identificar quem são os filiados. As variáveis trabalhadas são idade, sexo, escolaridade, raça e renda. Isso posto, nos deteremos na questão do recrutamento de forma mais específica, trabalhando com a questão da motivação para filiar-se e interesses nos partidos políticos.