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Digitale sårbarheter

In document Samhandling for sikkerhet NOU (sider 70-73)

Del II Bakteppe

4.4 Nasjonale sårbarheter

4.4.3 Digitale sårbarheter

A literatura internacional já identificou um padrão demográficos dos filiados. Scarrow e Gezgor (2010) apresentam os dados de um survey realizado com partidos de doze países europeus no início da década de 2000. A conclusão que chegam é que o perfil

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tem pouca variação. São, sobremaneira, homens, de idade mais avançada, com maior nível de escolaridade e renda do que os eleitores de maneira geral.

Sobre a idade, de modo comparativo, utilizamos os dados do TSE31. A legislação eleitoral permite votantes a partir de 16 anos, assim como filiados a partir dessa idade. Contudo, na primeira faixa etária, de 16 a 24 anos, o grupo dos eleitores é significativamente maior que o dos filiados. Os dados apontam para a dificuldade de penetração dos partidos nos recém ingressos na vida política institucional. Por outro lado, a faixa de 25 a 34 anos já tem maior presença de filiados. Ainda assim, de modo geral, os filiados são mais velhos do que os eleitores, ainda que com pouca distância.

Gráfico 13 - Perfil etário dos filiados da amostra e eleitores (%). Survey próprio

Em seguida, segmentamos por partido a fim de identificar as variações nas fileiras de cada legenda. Pelos dados, o Partido dos Trabalhadores apresenta-se como mais aberto a filiações mais jovens. Chama a atenção o fato de que mais de 3/5 dos filiados do Democratas possuem mais de 45 anos.

31 Utilizamos o mês de dezembro de 2016 como referência. Há pouca variação entre todas as variáveis de

perfil a partir dos dados oficiais. Por essa razão, optamos por utilizar em todas as comparações os dados de 2016. 12 19 19 25 25 4 24 18 34 20 16-24 25-34 35-44 45-59 60 ou mais Eleitores Filiados

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Gráfico 14 - Idade dos filiados por partido (%). Survey próprio

Nota-se que há variação entre as faixas. Contudo, as estatísticas descritivas são próximas. A média e mediana dos filiados do DEM são, respectivamente, 47 e 49 anos. De modo próximo, os filiados do PT possuem 45 e 44 de média e mediana. Ainda que aparentemente semelhantes, há significância estatística na diferença entre as médias de idade dos filiados. Foi realizado teste T de diferença entre médias32 e a significância foi de 0,001.

No que diz respeito à variável sexo, já há substancial literatura que trata da ausência da mulher na vida política institucional, sobretudo focada na sub-representação parlamentar (Miguel e Biroli, 2010; Araújo e Borges, 2012; Araújo, 2014). Embora o foco desses estudos seja na dificuldade de inserção da mulher na arena da representação política formal, as razões pelas quais enxergam a subpresentação são, de modo geral, características que dificultam a participação política das mulheres de modo geral. Assim, as razões encontradas nesses estudos podem contribuir para a observação da menor presença feminina já enquanto filiadas.

À luz dessa literatura, Miguel e Biroli (2010) identificam três razões fundamentais: o caráter patriarcal inerente às instituições políticas liberais, os padrões de socialização que constroem a política como ambiente masculino e repelem a participação feminina e, por fim, os constrangimentos estruturais e materiais subjacentes à condição feminina como menos tempo livre e menos recursos econômicos. Não é foco desse

32 O teste t de diferença entre médias é utilizado quando se quer comparar diferenças entre grupos. Nesse

caso, comparando diferença entre os filiados do PT e do DEM. Contata-se que há diferença significativa entre grupos quando a significância do teste é menor do que 0,005 (Field, 2009)

3 18 17 43 19 4 27 19 29 20 12 19 19 25 25

16 a 24 anos 25 a 34 anos 35 a 44 anos 45 a 59 anos 60 ou mais DEM PT Eleitores

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trabalho verificar hipóteses sobre a temática, mas os dados apontam que há uma sub- representação já na filiação. As razões para a sub-representação parlamentar podem servir de hipóteses a serem testadas em estudos detidos sobre gênero e filiação, que escapam os objetivos do presente trabalho.

Os dados descritivos apontam que mais de 2/3 dos filiados são homens, enquanto no eleitorado representam apenas 45%. Além disso, a participação feminina carioca nesses dois partidos estaria abaixo da média nacional, que é 44,3%33, segundo reportagem da Folha de São Paulo com dados do Tribunal Superior Eleitoral. Além disso, estaria ainda mais abaixo da média de filiação partidária feminina na América Latina, que seria de 51%34 (Roza; Llanos e De la Roza, 2011).

Gráfico 15 - Sexo dos filiados. Comparativo com dados do TSE. Survey próprio. (%)

Embora os partidos estejam, de maneira geral, distantes da paridade de gênero nas adesões, há diferenças de permeabilidade ao gênero feminino a depender da legenda. Os dados apontam que o Partido dos Trabalhadores significativamente mais mulheres que o DEM.

33 Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/02/porcentagem-de-filiadas-supera-a-de-

candidatas-nos-partidos.shtml (Acessado em 31/12/2018)

34 Alguns dados isolados são: Guetemala 54%; Argentina 52%; Chile 48%; Peru 48%; México 47%; Paraguai

47%; Republica Dominicana 33%. (Roza; Llanos e De la Roza, 2011).

45 67 55 33 Eleitores Filiados Masculino Feminino

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Gráfico 16 - Sexo por partido. Survey próprio (%)

Em relação a escolaridade, já há farto material empírico e teórico sobre a influência da escolaridade na participação política (Campbell et al, 1960; Berinsky e Lenz, 2011). A ideia central dessa associação é de que os cidadãos mais escolarizados tenderiam a participar mais das eleições e, além disso, são mais ativos nas campanhas eleitorais. Em síntese, a educação seria a provedora de recursos necessários para a participação política, a partir da melhoria da sua capacidade de comunicação e das suas habilidades cognitivas (Dias e Kerbauy, 2015).

No município do Rio de Janeiro, o acesso ao Ensino Superior é realizado apenas por uma minoria de sua população, uma vez que apenas 16% teve acesso, ao menos, a entrada nesse grau de escolaridade. Por outro lado, os filiados apresentam padrão de acesso frequente, com mais de 70% já tendo ingressado no Ensino Superior. De modo complementar, raros são os filiados que não possuem nem o Ensino Médio, correspondendo 5%. Em um país – e um município – em que o acesso à educação é privilégio, nota-se que há um filtro que limita a participação política de forma mais democrática. Um deles parece ser a educação. Corrobora, portanto, a ideia da associação entre maiores níveis de escolarização e participação política formal, como é o caso da filiação.

35 Como tornou-se inviável realizar a amostra aleatória, nos preocupamos com o fato dos dados conterem

menores chances de vieses. Assim, o grupo de filiados pesquisado deveria ter características iguais (ou assemelhadas) ao universo total de filiados. Contudo, informações gerais sobre o universo não são disponibilizadas pelos partidos ou pelos órgãos que sistematizam esses dados. A partir do filiaweb, apenas a variável sexo pôde ser mensurada. Constatamos, a partir dela, que os filiados do PT no período são 57% do sexo masculino e 43% do sexo feminino. Os filiados do DEM são 73% masculino e 27% feminino. De modo geral, os dados não são distantes dos encontrados no survey, com variação entre 3 e 5%.

76 62 24 38 DEM PT Masculino Feminino

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Gráfico 17 - Nível educacional dos filiados (Survey próprio) e moradores do Rio de Janeiro (TSE, 2016) (%)

Nos estudos de recrutamento, Rodrigues (2002) afirmava que os partidos de esquerda eram os mais permeáveis a indivíduos desprovidos de capitais diversos, como educacional e financeiro. A estrutura organizativa desses partidos compensaria a falta desses atributos. Contrariando a expectativa, os dados dos filiados demonstram o contrário. O Partido dos Trabalhadores mostrou-se menos permeável ao acesso de indivíduos detentores de baixo capital escolar. No município, o PT é um partido com perfil altamente escolarizado, contando inclusive com nove mestres e oito doutores, em contraposição aos cinco do DEM que fizeram pós-graduação stricto sensu.

Gráfico 18 - Segmentação por partido da escolaridade dos filiados. Survey próprio. (%)

Os estudos de Sociologia Política demonstram que não apenas a escolarização predita a participação política, embora seja uma variável explicativa importante. Outros agentes de socialização operam nesse espaço. Sears (1975) e Dahl (1997) veem a família como central. Essa centralidade deriva da noção de que os valores e crenças adquiridos

1 6 21 10 24 21 6 10 0 0 2 2 3 22 14 58

Analfabeto Lê e escreve Ensino Fundamental Incompleto Ensino Fundamental Completo Ensino Médio Incompleto Ensino Médio Completo Superior Incompleto Superior Completo Eleitores Filiados 2 3 4 17 20 53 2 1 2 24 10 61 Ensino Fundamental Incompleto Ensino Fundamental Completo Ensino Médio Incompleto Ensino Médio Completo Ensino Superior Incompleto Ensino Superior Completo DEM PT

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nas primeiras décadas de vida, sobretudo as duas primeiras, permeiam a visão de mundo do indivíduo por toda a vida, ainda que de forma residual.

Desse modo, perguntamos também no questionário sobre a escolaridade dos pais. A hipótese é de que os pais dos filiados teriam altos níveis de escolaridade, uma vez que a opção por se filiar poderia ser influenciada também pelo capital escolar familiar em alusão aos referenciais clássicos de participação política (Campbell et al, 1960; Berinsky e Lenz, 2011). É, de certa forma, uma variável indireta para medir socialização política.

Criamos cinco categorias a partir da escolarização dos pais, de modo a classificar o capital familiar em uma escola de baixo até alto. Os pais com até Ensino Fundamental foram classificados como baixo capital escolar36, até Ensino Médio foram classificados como médio e com Ensino Superior como altos. A escala é duplicada, no sentido de classificar o capital do pai e da mãe, podendo ser baixo-baixo, baixo-médio, médio- médio, médio-alto e alto-alto.

No caminho contrário dos achados consagrados da sociologia política, a socialização política dos pais explica pouco a adesão dos indivíduos a um partido político. Quase 40% dos entrevistados possuem ao menos um familiar que não teve acesso ao Ensino Superior.

Gráfico 19 - Classificação da escolaridade dos pais segundo perspectiva de "capital escolar". Survey próprio (%)

Corroborando o achado distinto dos estudos de recrutamento que demonstravam os partidos de esquerda mais afeitos a recepção e recrutamento de indivíduos menos

36 Não é objetivo da seção trabalhar detidamente com o fenômeno do capital social. Reconhecidamente

o capital escolar não é variável única da composição do contributo de capital social, mas é um importante contributo. Foi assim utilizado como ferramental exploratório para identificar diferenças entre as legendas.

26

13

17 19

25

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escolarizados, o DEM também é o partido que mais possui em suas fileiras indivíduos que tinham, em sua família, majoritariamente baixos ou médios níveis de escolarização. Em contrapartida, o Partido dos Trabalhadores mantém-se como celeiro de indivíduos altamente escolarizados e com maiores níveis de escolarização dos pais, facilitando socialização política prévia ainda em nível familiar.

Gráfico 20 - Capital escolar familiar por partido. Survey próprio. (%)

Os dados apontam também que, via de regra, os filiados possuem socialização também em outras instituições além dos partidos políticos. Em média, os filiados do DEM estão em 1,67 associações outras, enquanto no PT a média é de 1,85 37.

Classicamente, os partidos de esquerda possuem maior frequência em organizações sociais estudantis e sindicais (Van Haute, 2013). Os dados encontrados apontam no mesmo caminho no caso carioca. Isso é simbolizado por 1/3 dos filiados do PT que tem ou tiveram participação em associações sindicais e os 40% em organizações estudantis. Por outro lado, os filiados do DEM possuem mais participação em associação de moradores e, sobretudo, instituições religiosas. Os dados podem ser encontrados no gráfico 21.

Sobre este último ponto, era de se esperar ainda que os filiados do PT estariam mais próximos das organizações religiosas católicas, especialmente pela tradição petista de criação do partido junto a essas organizações. No entanto, os dados apontam que os

37 A mediana de associações frequentadas pelos filiados do DEM é 1,0, enquanto a do PT é 2,0.

32 12 20 19 17 23 14 15 19 30

Baixo-baixo Baixo-médio Médio-médio Médio-alto Alto-Alto

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filiados são majoritariamente participantes de igrejas de matriz protestante e neopentecostal. É, inclusive, próximo ao DEM, nesse sentido. 38

Gráfico 21 - Instituições que os filiados participam ou participaram (% de sim). Survey próprio

Os dados demonstram que os filiados têm uma tendência a participação na sociedade civil para além da filiação aos partidos políticos. No Democratas, ¼ dos indivíduos não participam de nenhuma organização. No PT, o número é menor: apenas 16% não participam de nenhuma outra. Os dados estão descritos no gráfico 22. Conclui- se, portanto, que são, em geral, indivíduos afeitos a participação institucional.

38 As organizações neopentecostais e protestantes tiveram frequência de 69% no DEM e 59% no PT. Por

outro lado, as católicas tiveram frequência de 21% no DEM e 19% no PT. 18% 33% 18% 20% 41% 32% 23% 17% 18% 18% 26% 27% 28% 34% Outras organizações Organizações sindicais Organização não-governamental Associação de moradores ou de bairro Organizações estudantis Movimento Social Organizações religiosas

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Gráfico 22 - Quantidade de instituições que os filiados participam ou já participaram (%)

Outra variável de perfil aferida em nosso estudo foi raça. Utilizando as categorias do IBGE, os entrevistados tiveram a possibilidade de autodeclarar a sua cor. A expectativa era de encontrar filiados majoritariamente brancos, apontando para alguma subparticipação dos não-brancos na política brasileira como aponta parte da literatura (Paixão et al, 2010).

Contudo, os dados apontam que a distância entre branco e não-brancos é mais significativa na representação parlamentar do que nos aderentes aos partidos estudados. É, de certa forma, uma aproximação com os achados de Campos e Machado (2015). Os autores demonstram que há certa aproximação entre o número de candidatos não-brancos e brancos lançados no Rio de Janeiro e São Paulo para eleições de vereador. Ou seja, a falta de representatividade não decorre da baixa presença desses indivíduos nas fileiras partidárias, como apontamos em nossos dados, nem na menor oferta eleitoral desse grupo, como apontaram Campos e Machado (2015). São, portanto, outras variáveis de controle que explicam a baixa representação, como componentes de discriminação racial e falta de recursos, por exemplo.

Ainda assim, os brancos são maioria nos dois partidos, mas não com tamanha diferença. Agrupando negros, pardos e indígenas em uma categoria como não-brancos, são 47% contra 53% de autodeclarados brancos.

26 28 20 13 13 16 29 26 16 13 0 1 2 3 4 ou mais DEM PT

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Gráfico 23 - Raça autodeclarada do entrevistado. Survey próprio. (%)

Segmentando por partido, o Democratas teve a maior participação de não-brancos, atingindo, inclusive, a maioria dos seus filiados. Pretos e partidos somam 54% no Democratas. No PT, por outro lado, a mesma somatória registra 40%.

Gráfico 24 - Raça dos filiados segmentado por partido. Survey próprio (%).

Em breve recapitulação, o Partido dos Trabalhadores mostra-se menos inclusivo, portanto, no que tange a escolarização e raça, ao passo que é mais inclusivo ao acesso feminino. Em certa medida, difere-se das aferições empíricas pregressas que classificavam os partidos de esquerda como mais receptivos a indivíduos com menores aportes de capitais sociais, como em Rodrigues (2002).

Uma semelhança que pode ser aventada nos dois partidos é a composição da legenda a partir de indivíduos com rendas de algum modo próximas. Unem-se pelo fato de que recebem, em média, significativamente mais do que um cidadão fluminense, já

53 30

15

Branca Parda Preta Indígena Amarela

46 37 17 0 0 56 26 14 2 1

Branca Parda Preta Indígena Amarela

80

que a renda média per capita desde último é R$1493,00, segundo dados do PNUD (2013)39 . Já os filiados dos partidos pesquisados recebem, em média, mais de R$ 4500,00 por mês, individualmente. Os democratas possuem ainda médias maiores que os petistas, mas igual mediana. A diferença entre as médias desses rendimentos entre os partidos também foi submetida ao Teste T de igualdade de médias e foi significante estatisticamente com significância de 0,0018. O bloxpot também demonstra a diferença, tendo os filiados do DEM maior concentração em rendas maiores do que o PT.

Gráfico 25 e 26 - Renda dos filiados. Survey próprio (%)

A conclusão do perfil demográfico dos filiados é, portanto, consonante com o modelo de voluntarismo cívico de Dalton (2008). Segundo esse modelo, esperava-se que os filiados teriam mais idade, maior status social e, além disso, teriam participação mais engajada do que o eleitor mediano. Os dados demonstram que o filiado carioca responde a todos esses pressupostos.

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