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The Rwanda HIS and Sustainability

In document Health Information Systems in Rwanda (sider 82-85)

A SAMA é presidida há cerca de 14 anos pelo Sr. Luís Bernardino, que de acordo com o seu ponto de vista, reconhece existir um impacto positivo na Freguesia, uma vez que, “tendo em conta todo o passado da mesma, que antes estava destinada unicamente a servir a igreja” e com “a evolução dos tempos e a promoção da cultura, houve mudanças visíveis, e que atualmente se destinam a toda a população” (cf. apêndice 1B e 1C). É o caso das aulas de música dinamizadas pela Escola da SAMA. Deste modo, permite que haja uma renovação das gerações, primando pela educação e transmissão dos valores nos jovens. Esta população jovem é caracterizada, essencialmente, por crianças que frequentam a Escola Básica do 1º Ciclo de Arrabal (EB1), a FLSM, bem como por intermédio de algumas atividades pontuais dinamizadas em parceria com a JFA e com os estabelecimentos de ensino da freguesia.

É importante salientar que, na resposta dada a esta pergunta, é evidente a relação que as crianças estabelecem com a música desde tenra idade, o que, consequentemente, facilita a transmissão dos valores e uma educação sólida, promovida por todas as entidades, através de um trabalho em rede. Por outras palavras, o sucesso passa pela união, e fazendo uso das palavras do sr. Luís Bernardino, o trabalho em rede “pode ser bastante melhorado,

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a partir do momento em que as instituições aceitem que o caminho para o sucesso passa por se juntarem” pois, segundo o mesmo, “infelizmente, as associações/coletividades ainda estão bastante viradas para si próprias, o que no futuro irá ter resultados negativos” (cf. apêndice 1B e 1C). Como estratégia principal no combate a essa individualidade, são apontados os trabalhos/atividades em rede, que poderiam ser ainda mais desenvolvidos, entre os quais o sr. Luís Bernardino menciona dois: o Arrabal em Movimento, que uniu todas as coletividades da Freguesia durante três dias de festa, agregando em si áreas como a gastronomia, cultura e desporto, e que segundo o mesmo, “se fosse realizado de modo individual não iria resultar do modo esperado, tendo em conta que todas as coletividades lutam em prol de um momento“ (cf. apêndice 1B e 1C), e o Projeto SOAR, que após tantos anos de rivalidades entre as filarmónicas, conseguiram juntar elementos de ambas e fazer uma apresentação em que tocavam juntos.

Dado o Projeto SOAR ser considerado uma atividade importante na Freguesia de Arrabal, e acima de tudo um trabalho em rede e de mediação como “estratégia promotora da participação, do reforço dos laços sociais e da democracia, no sentido em que contribui para a construção de uma identidade comum, sem pôr em causa a legítima diversidade” (Oliveira & Freire, 2009, p. 14), com o apoio de uma terceira parte, que neste caso é JFA, senti necessidade de perceber o que este projeto representou para o sr. Luís Bernardino. A esta questão, o entrevistado contextualizou muito sinteticamente a história das duas bandas e o porquê das rivalidades existente entre ambas, que até há pouco tempo estavam de costas voltadas uma para a outra, e que o destino tratou de unir e aproximar. Segundo o mesmo “o projeto SOAR é mesmo isso. É um aproximar, […] o tocar em conjunto”, tornando assim o trabalho desenvolvido num “trabalho de qualidade que não teríamos se não fosse assim feito” (cf. apêndice 1B e 1C).

Por outro lado, e fazendo uso da expressão popular “nem tudo são rosas”, quando questionado sobre possíveis críticas às atividades de animação/intervenção que têm vindo a ser desenvolvidas na Freguesia o sr. Luís Bernardino mencionou com prontidão o individualismo, a sobreposição de eventos e o facto de “cada instituição/associação ter as suas instalações e muitas delas serem pouco usadas”, e que segundo o mesmo “quando necessárias, apresentam instalações pouco condignas” (cf. apêndice 1B e 1C).

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Terminada a entrevista, decidi dar espaço ao entrevistado para se exprimir livremente e partilhar as suas ideias, onde este aproveitou e alertou para a importância de “todas as entidades se unirem, tendo em conta a realidade económica e social na freguesia do Arrabal” que se apresenta “bastante diferente, devido à diminuição da população e do interesse em tudo o que é considerado associativismo” (cf. apêndice 1B e 1C).

Em suma, e com base na entrevista realizada ao sr. Luís Bernardino, o mesmo deixou claro que ainda existe algum individualismo, e que embora um pouco camuflado, ele existe e se reflete nas atividades do dia a dia. Refere como exemplos os gestos, as atitudes e o desrespeito das datas agendadas para eventos de outras associações, criando assim uma sobreposição de eventos, bem como a resistência ao trabalho em equipa quando confrontados com atividades que promovem a união, como é o caso do evento Arrabal em Movimento. Por outro lado, nem tudo é mau, e o trabalho que a SAMA desenvolve prima pela união e colaboração com as outras entidades residentes, o que facilita a circulação e cooperação entre elas, principalmente na transmissão de valores importantes para a vida e na formação das crianças e jovens da Freguesia.

Aqui, mais uma vez, reconhecemos a animação sociocultural como um espaço de interações e relações cada vez mais denso e complexo (Pereira & Lopes, 2011, p. 22), e acima de tudo inovador, quando tenta romper com as cicatrizes do passado ao criar o Projeto SOAR (SO-utocico e AR-rabal), em que consegue ter elementos de ambas as filarmónicas a tocar em conjunto perante toda a comunidade, demonstrando que juntos também se pode produzir um trabalho de qualidade. Assim o “gosto pela diversidade cultural e a sua aplicação nos enfoques interculturais, reforçadas com a participação crítica e ativa da população, são fundamentos imprescindíveis para imaginar um futuro diferente ao que desenham os mercados, em situações de prosperidade e, muito mais ainda quando se esforçam em resolver a crise que eles mesmos provocaram (Pereira & Lopes, 2011, p. 23).

Embora eu não tenha questionado diretamente o entrevistado sobre que tipo de atividade em rede poderia ser dinamizada no futuro, o meu objetivo passa por desenvolver um projeto de animação mais em rede e com as coletividades, primando por uma mediação comunitária assente na procura de “soluções satisfatórias para as partes em conflito” promovendo a “diminuição da violência interpessoal”. A mediação comunitária seria

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realizada colocando “a tónica no crescimento e desenvolvimento pessoal, no fortalecimento da autoestima e desenvolvimento das capacidades de cada um para resolver conflito. O procedimento de mediação faz com que as pessoas se sintam mais humanas e responsáveis, fortalece valores fundamentais de convivência humana, de respeito, tolerância e liberdade” (Mendes, 2008).

Assim, não me basta ouvir apenas o que as coletividades têm para dizer, mas sim pôr em trânsito as vontades e necessidades de cada uma com base no trabalho desenvolvido pelas mesmas até aos dias de hoje.

Dado isto, questionei sobre uma atividade em rede já desenvolvida que pudesse ser melhorada. Importa perceber quais as necessidades que cada uma me faz chegar e aquilo que considera que poderia ser mais desenvolvido. No caso do sr. Luís Bernardino, as atividades sugeridas como possíveis de melhorar são o Arrabal em Movimento, devido à individualidade que ainda se sente entre as coletividades, e o Projeto SOAR que é considerado um trabalho com uma qualidade excelente, perante as raras vezes que acontece. Portanto, a atividade que retiro desta entrevista como possível de melhorar e/ou recriar é o Evento Arrabal em Movimento, que dado o seu destaque e envolvência de quase todas as coletividades tem um maior potencial para ser explorado e atingir resultados positivos.

In document Health Information Systems in Rwanda (sider 82-85)