9. Summary of policy conclusions
9.2.1. Rural / urban
CONTO “A CARTEIRA”
Este capítulo contém as análises e resultados obtidos do texto literário de Ma - chado de Assis, “A carteira” de 1884 (ANEXO A) - suspense e triângulo amoroso. O texto analisado é classificado literariamente como um conto. Os resultados apresen- tados são discutidos com autores indicados no capítulo 1 e 2.
As análises e resultados obtidos são apresentados e organizados pelas qua - tro categorias analíticas:
I. A segmentação do texto integral por episódios; II. A ordenação temporal dos episódios segmentados;
III. O exame da referenciação do texto relativa aos personagens, a partir das modalidades ser x parecer: manutenção e modificação de papéis sociais. IV. A análise do suspense, situado como clímax.
3.1 - Segmentação dos episódios narrativos, seguindo a linearidade do texto
Episódio 1: Honório encontra uma carteira recheada de dinheiro.
Apresentação: Honório tem de pagar uma dívida de quatrocentos e tantos mil-réis. Essa dívida é grande porque Honório é um advogado pobre e tem poucos clientes.
Conflito: Honório não tem o dinheiro necessário para o pagamento da dívida, quando encontra uma carteira recheada de dinheiro.
Abaixar-se, apanhá-la e guardá-la foi obra de alguns instantes. Ninguém o viu, salvo um homem que estava à porta de uma loja, e que, sem o conhe- cer, lhe disse rindo:
– Olhe, se não dá por ela; perdia-a de uma vez.
– É verdade, concordou Honório envergonhado. (ANEXO A, p. 118).
Episódio 2: A dívida de Honório. Apresentação:
Gastos de família excessivos, a princípio por servir a parentes, e depois por agradar à mulher, que vivia aborrecida da solidão; baile daqui, jantar dali, chapéus, leques, tanta cousa mais, que não havia remédio senão ir descon- tando o futuro. (ANEXO A, p. 118).
Conflito: “Endividou-se. Começou pelas contas de lojas e armazéns; passou aos empréstimos (...)” (ANEXO A, p. 118).
Resolução: “(...) duzentos a um, trezentos a outro, quinhentos a outro, e tudo a crescer, e os bailes a darem-se, e os jantares a comerem-se, um turbilhão perpé - tuo, uma voragem. ” (ANEXO A, p. 118).
Episódio 3: O encontro de Gustavo com Honório.
Apresentação: Gustavo é advogado e amigo de Honório que também é advo- gado. Honório ia mal de finanças pois suas poucas causas e de pequena monta não davam para cobrir os seus grandes gastos. Honório é pobre embora tenha conse- guido diploma de advogado.
Conflito: A pergunta feita pelo amigo: “– Tu agora vais bem, não?” (ANEXO A, p. 118).
Resolução: A resposta mentirosa de Honório para encobertar seu estado en - dividado e aflitivo: “– Agora vou, mentiu o Honório. ” (ANEXO A, p. 118).
Episódio 4: A esposa, D. Amélia, e o amigo desconhecem o estado de dívida de Honório.
Apresentação: A ignorância de D. Amélia em relação à situação financeira do marido.
Conflito: O desespero de Honório. Resolução:
Não contava nada a ninguém. Fingia-se tão alegre como se nadasse num mar de prosperidades. Quando o Gustavo, que ia todas as noites à casa dele, dizia uma ou duas pilherias, ele respondia com três ou quatro; e depois ia ouvir os trechos de música alemã que d. Amélia tocava muito bem ao pia- no e que Gustavo escutava com indizível prazer, ou jogava cartas ou sim- plesmente falam de política. (ANEXO A, p. 119).
Episódio 5: A decisão de Honório de manter a mulher e o amigo na ignorância de seu desespero por não poder pagar a dívida.
Apresentação: É a mesma da resolução do episódio anterior.
Conflito: “Um dia, a mulher foi achá-lo dando muitos beijos à filha, criança de quatro anos, e viu-lhe os olhos molhados; ficou espantada, e perguntou-lhe o que era. ” (ANEXO A, p. 119).
Resolução: A resposta que mantém a esposa na ignorância: “– Nada, nada. ” (ANEXO A, p. 119).
Episódio 6: A dívida de Honório cresce. Apresentação:
Compreende-se que era o medo do futuro e o horror da miséria.
Mas as esperanças voltavam com facilidade. A idéia de que os dias melho- res tinham de vir dava-lhe conforto para a luta. Estava com, trinta e quatro anos; era o princípio da carreira: todos os princípios são difíceis.(ANEXO A, p. 119).
Conflito: “(...) todos os princípios são difíceis.” (ANEXO A, p. 119). Honório quer pagar a dívida mas não tem dinheiro. “Tinha-se lembrado de ir a um agiota, mas voltou sem ousar pedir nada.” (ANEXO A, p. 119).
Resolução: “E toca a trabalhar, a esperar, a gastar, pedir fiado ou empresta- do, para pagar mal, e a más horas. ” (ANEXO A, p. 119).
Episódio 7: A urgência do pagamento da dívida de Honório.
Apresentação: “A dívida urgente de hoje são uns malditos quatrocentos e tan - tos mil-réis de carros.” (ANEXO A, p. 119).
Conflito: “Nunca demorou tanto a conta, nem ela cresceu tanto, como agora; e, a rigor, o credor não lhe punha a faca aos peitos; mas disse-lhe hoje uma palavra azeda, com um gesto mau (...)” (ANEXO A, p. 119).
Resolução: “Eram cinco horas da tarde. / Tinha-se lembrado de ir a um agio- ta, mas voltou sem ousar pedir nada.” (ANEXO A, p. 119).
Episódio 8: Honório encontra uma carteira recheada de dinheiro.
Apresentação: “Ao enfiar pela Rua. da Assembléia é que viu a carteira no chão, apanhou-a, meteu no bolso, e foi andando. ” (ANEXO A, p. 119).
Conflito:
Durante os primeiros minutos, Honório não pensou nada; foi andando, an- dando, andando, até o Largo da Carioca. No Largo parou alguns instantes, – enfiou depois pela Rua da Carioca, mas voltou logo, e entrou na Rua Uru- guaiana.
Sem saber como, achou-se daí a pouco no Largo de S. Francisco de Paula; e ainda, sem saber como, entrou em um Café. Pediu alguma cousa e encos- tou-se à parede, olhando para fora. Tinha medo de abrir a carteira; podia não achar nada, apenas papéis e sem valor para ele. Ao mesmo tempo, e esta era a causa principal das reflexões, a consciência perguntava-lhe se podia utilizar-se do dinheiro que achasse.
Não lhe perguntava com o ar de quem não sabe, mas antes com uma ex- pressão irônica e de censura. Podia lançar mão do dinheiro, e ir pagar com ele a dívida?
Eis o ponto. (ANEXO A, p. 119).
Resolução: “A consciência acabou por lhe dizer que não podia, que devia le - var a carteira à polícia, ou anunciá-la (...)” (ANEXO A, p. 120).
Episódio 9: Escondido, Honório tira a carteira do bolso e abre-a com medo. “Abriu-a e ficou trêmulo.” (ANEXO A, p. 120).
Apresentação: É a resolução do episódio 8
Conflito: “Chegavam mesmo a dizer-lhe que, se fosse ele que a tivesse perdi- do, ninguém iria entregar-lha; insinuação que lhe deu ânimo. ” (ANEXO A, p. 120).
Resolução: Honório abre a carteira:
Tirou-a do bolso, finalmente, mas com medo, quase às escondidas; abriu-a, e ficou trêmulo. Tinha dinheiro, muito dinheiro; não contou, mas viu duas no- tas de duzentos mil-réis, algumas de cinqüenta e vinte; calculou uns sete- centos mil-réis ou mais; quando menos, seiscentos. Era a dívida paga; eram menos algumas despesas urgentes. Honório teve tentações de fechar os olhos, correr à cocheira, pagar, e, depois de paga a dívida, adeus; reconcili- ar-se-ia consigo. Fechou a carteira, e com medo de a perder, tornou a guar- dá-la. (ANEXO A, p. 120).
Apresentação: O mesmo texto da resolução do episódio 9. Conflito: A indecisão de Honório:
Mas daí a pouco tirou-a outra vez, e abriu-a, com vontade de contar o di- nheiro. Contar para quê? Era dele? Afinal venceu-se e contou: eram sete- centos e trinta mil-réis. Honório teve um calafrio.
Ninguém viu, ninguém soube; podia ser um lance da fortuna, a sua boa sor- te, um anjo... Honório teve pena de não crer nos anjos...
Mas por que não havia de crer neles? E voltava ao dinheiro, olhava, passa- va-o pelas mãos; depois, resolvia o contrário, não usar do achado, restituí- lo.
Restituí-lo a quem? Tratou de ver se havia na carteira algum sinal. (ANEXO A, p. 120).
Resolução: Honório revista a carteira em busca de algum sinal do dono. Episódio 11: Honório descobre que Gustavo, seu amigo, é o dono da Cartei- ra.
Apresentação: “Esquadrinhou os bolsos da carteira.” (ANEXO A, p. 120). Conflito:
Esquadrinhou os bolsos da carteira. Achou cartas, que não abriu, bilhetinhos dobrados, que não leu, e por fim um cartão de visita; leu o nome; era do Gustavo. Mas então, a carteira?... Examinou-a por fora, e pareceu-lhe efeti- vamente do amigo. Voltou ao interior; achou mais dois cartões, mais três, mais cinco. (ANEXO A, p. 120).
Resolução: Não havia dúvida, era dele.
Episódio 12: Honório decide devolver a carteira do amigo quando encontrá-lo. Apresentação: A descoberta entristeceu-o.
Conflito:
Não podia ficar com o dinheiro, sem praticar um ato ilícito, e, naquele caso, doloroso ao seu coração porque era em dano de um amigo. Todo o castelo levantado esboroou-se como se fosse de cartas. Bebeu a última gota de café, sem reparar que estava frio. Saiu, e só então reparou que era quase noite. Caminhou para casa. Parece que a necessidade ainda lhe deu uns dois empurrões, mas ele resistiu.
Paciência, disse ele consigo; verei amanhã o que posso fazer. (ANEXO A, p. 120).
Episódio 13: A preocupação de Gustavo e D. Amélia quando Honório chega em casa para devolver a carteira ao amigo.
Apresentação: “Chegando à casa, já ali achou o Gustavo, um pouco preocu - pado e a própria D. Amélia o parecia também.” (ANEXO A, p. 121).
Conflito: De Gustavo:
Entrou rindo, e perguntou ao amigo se lhe faltava alguma cousa. – Nada.
– Nada? – Por quê?
– Mete a mão no bolso; não te falta nada?
– Falta-me a carteira, disse o Gustavo sem meter a mão no bolso. – Sabes se alguém a achou?
– Achei-a eu, disse Honório entregando-lha. (ANEXO A, p. 121).
Resolução: “Gustavo pegou dela precipitadamente, e olhou desconfiado para o amigo. ” (ANEXO A, p. 121).
Episódio 14: A angústia de Honório pela atitude de Gustavo.
Apresentação: “Gustavo pegou dela precipitadamente, e olhou desconfiado para o amigo. ” (ANEXO A, p. 121).
Conflito: “Esse olhar foi para Honório como um golpe de estilete; depois de tanta luta com a necessidade, era um triste prêmio.” (ANEXO A, p. 121).
Resolução:
Sorriu amargamente; e, como o outro lhe perguntasse onde a achara, deu- lhe as explicações precisas.
– Mas conheceste-a?
– Não; achei os teus bilhetes de visita.
Honório deu duas voltas, e foi mudar de toilette para o jantar. (ANEXO A, p. 121).
Episódio 15: A revelação do caso amoroso de D. Amélia com Gustavo que traem, respectivamente, o esposo e o amigo.
Apresentação: “Honório deu duas voltas, e foi mudar de toilette para o jantar. / Então Gustavo sacou novamente a carteira (...)” (ANEXO A, p. 121).
Conflito: “(...) abriu-a, foi a um dos bolsos, tirou um dos bilhetinhos, que o ou- tro não quis abrir nem ler, e estendeu-o a D. Amélia (...)” (ANEXO A, p. 121).
Resolução: “D. Amélia, que, ansiosa e trêmula, rasgou-o em trinta mil peda- ços: era um bilhetinho de amor.” (ANEXO A, p. 121).
O texto, linearmente, é organizado com o foco narrativo projetado sob Honó- rio. Dessa forma, no percurso da leitura linear, para o leitor, é contada a história pelo ponto de vista de Honório que privilegia um comportamento guiado pela honestida- de: Não há espaço para trair, nem a mulher nem o amigo.
Apenas no último episódio é revelada a traição de Gustavo e D. Amélia para o leitor. Honório continua a ignorá-la e apenas se aborrece por acreditar que Gusta - vo o julgou desonesto.
3.2 - A ordenação temporal dos episódios segmentados no texto produto
A ordenação temporal dos episódios indica a presença de dois percursos nar- rativos encadeados no tempo.
3.2.1 - Primeiro percurso narrativo: A vida de Honório e D. Amélia
Episódio 1: Apaixonam-se e casam-se.
Episódio 2: A vida difícil do casal, pois Honório é pobre e está no início de sua carreira de advogado com poucas causas não podendo assim, levar a mulher para se distrair.
Episódio 3: D. Amélia se aborrece por estar sempre fechada em casa a espe - ra de Honório que vive trabalhando.
Episódio 4: Honório reencontra Gustavo, amigo de faculdade.
Episódio 5: Honório resolve oferecer uma vida social a fim de que D. Amélia ficasse feliz. Passa a receber em casa, para jantares, várias pessoas entre elas Gustavo. Honório passa a frequentar recepções, o que lhe exige gastos excessivos.
Episódio 6: Honório endivida-se e não consegue pagar os empréstimos feitos, embora nunca conte nada a ninguém.
Episódio 7: O desespero de Honório por não ter dinheiro para pagar parte da dívida e encontra uma carteira recheada de dinheiro.
Episódio 8: Honório conflitua-se em abrir a carteira por ser extremante hones - to.
Episódio 9: Honório abre a carteira e conta o dinheiro que é suficiente para o momento, mas não paga a dívida por que descobre que o dono é seu amigo Gusta - vo. Sua extrema honestidade o impede de vasculhar os papéis dobrados que esta - vam dentro da carteira. Ele decide devolver a carteira à Gustavo, pois ficar com ela seria uma traição ao amigo.
Episódio 10: Honório devolve a carteira ao amigo que a recebe com ar preo - cupado. Honório entende que Gustavo julgou-o desonesto, acreditando ter tirado di - nheiro da carteira. Honório fica extremamente chocado e retira-se da sala de sua casa onde estava a esposa e o amigo.
3.2.2 - Segundo percurso narrativo: O caso amoroso de Gustavo e D. Amélia
Episódio 1: Gustavo passa a frequentar a casa de Honório todos os dias e co- meça a relacionar-se com D. Amélia, pois Honório está sempre fora, ou trabalhando em seu escritório ou tentando administrar suas dívidas, propiciando o desenvolver do caso amoroso entre Gustavo e D. Amélia.
Episódio 2: Por estarem sempre sozinhos na companhia um do outro, Gusta - vo e D. Amélia apaixonam-se.
Episódio 3: D. Amélia passa a encontrar-se com Gustavo, marcando encon - tros por bilhetes escritos ou trocando entre si bilhetes de amor.
O foco narrativo é dado no primeiro percurso.
3.2.3 - O encaixe do segundo percurso narrativo no primeiro
O segundo percurso narrativo começa a ser encaixado no: • Episódio 4, onde ocorrem as expressões linguísticas:
Quando o Gustavo, que ia todas as noites à casa dele , dizia uma ou duas pi- lhérias, ele respondia com três e quatro; e depois ia ouvir os trechos de mú- sica alemã, que D. Amélia tocava muito bem ao piano, e que o Gustavo es- cutava com indizível prazer. (ANEXO A, p. 119, grifo nosso).
Esse encaixe é realizado também no:
• Episódio 13, onde ocorrem as seguintes expressões linguísticas “(...) já ali achou o Gustavo, um pouco preocupado e a própria D. Amélia o parecia também.” (ANEXO A, p. 121, grifo nosso).
Apenas no último episódio é revelada a traição da mulher e do amigo.
Em síntese, o encaixe dos episódios é uma estratégia de construção do sus- pense que na sua globalidade compreende o enigma e a revelação. Esse encaixe, seguido do cancelamento e inversão de certos episódios constroem o texto verbal, cuja linearidade implica a alinearidade da história contada por episódios: O caso amoroso de Gustavo e D. Amélia e a revelação desse enigma pela devolução do bi- lhete amoroso de D. Amélia.
3.3 - O exame da referenciação do texto narrativo relativa aos personagens, a partir das modalidades ser x parecer: manutenção e modificação de papéis sociais
Como já foi indicado, o leitor percorre o texto conforme este progride semanti- camente o foco narrativo sobre Honório.
Nesse sentido, o leitor modaliza os personagens tal qual Honório o faz na progressão do texto. Ambos, Honório e o leitor, desconhecem o segundo percurso narrativo que é modalizado pela verdade. Esta só é revelada para resolução do enigma.
Assim, o segundo percurso narrativo é modalizado no texto, da seguinte for- ma:
3.3.1 - Segundo percurso narrativo (modalidades): O caso amoroso de Gustavo e D. Amélia
Episódio 1: Gustavo passa a frequentar a casa de Honório todos os dias e co- meça a relacionar-se com D. Amélia, pois Honório está sempre fora, ou trabalhando em seu escritório ou tentando administrar suas dívidas, propiciando o desenvolver do caso amoroso entre Gustavo e D. Amélia.
• Gustavo e D. Amélia::
➢ São + parecem ser aqueles que mantém um relacionamento amoroso = verdade revelada para o leitor.
Episódio 2: Por estarem sempre sozinhos na companhia um do outro, Gusta - vo e D. Amélia apaixonam-se.
• D. Amélia e Gustavo:
➢ São + parecem ser aqueles que traem Honório = verdade revelada para o leitor.
Episódio 3: D. Amélia passa a encontrar-se com Gustavo, marcando encon - tros por bilhetes escritos ou trocando entre si bilhetes de amor.
• D. Amélia:
➢ Não é + não parece ser a esposa fiel e apaixonada = verdade revelada para o leitor.
• Gustavo:
➢ Não é + não parece ser o amigo dedicado a Honório = verdade revelada para o leitor.
Honório desconhece essas verdades reveladas, no final, para o leitor.
3.3.2 - Primeiro percurso narrativo (modalidades): A vida de Honório e D. Amélia
Nesse percurso narrativo temos a história contada de Honório e D. Amélia e mais tarde a presença do amigo Gustavo.
Episódio 1: Apaixonam-se e casam-se • Honório e D. Amélia:
➢ São + parecem ser um casal apaixonado
= verdade tanto para Honório e D. Amélia quanto para o leitor.
Episódio 2: A vida difícil do casal, pois Honório é pobre e está no início de sua carreira de advogado com poucas causas não podendo assim, levar a mulher para se distrair.
• Honório e D. Amélia:
➢ São + parecem ser um casal que tem uma vida financeira difícil = verdade tanto para Honório e D. Amélia quanto para o leitor.
Episódio 3: D. Amélia se aborrece por estar sempre fechada em casa a espe - ra de Honório que vive trabalhando.
• D. Amélia:
➢ É + parece ser quem se aborrece com a vida humilde, sempre a es- pera do marido
= verdade para Honório, D. Amélia e para o leitor. Episódio 4: Honório reencontra Gustavo, amigo de faculdade. • Honório e Gustavo:
➢ São + parecem ser dois amigos que reencontram-se após terem saí- do do curso de direito
= verdade para Honório, Gustavo e o leitor.
Episódio 5: Honório resolve oferecer uma vida social a fim de que D. Amélia ficasse feliz. Passa a receber em casa, para jantares, várias pessoas entre elas Gustavo. Honório passa a frequentar recepções, o que lhe exige gastos excessivos.
• Honório:
➢ É + parece ser quem faz dívidas para oferecer uma vida social que possa causar felicidade à D. Amélia e endivida-se
= verdade para Honório e para o leitor. • D. Amélia:
➢ É + parece ser quem se alegra com a atitude de Honório = verdade para Honório, D. Amélia e o leitor.
Episódio 6: Honório endivida-se e não consegue pagar os empréstimos feitos, embora nunca conte nada a ninguém.
• Honório:
➢ É + parece ser quem está endividado e desesperado por não conse- guir pagar a dívida
= verdade para Honório e para o leitor. • Honório:
➢ Não é + parece ser quem não tem dívidas = mentira para Gustavo e D. Amélia.
Episódio 7: O desespero de Honório por não ter dinheiro para pagar parte da dívida e encontra uma carteira recheada de dinheiro.
• Honório:
➢ É + parece ser o homem honesto que está desesperado por não con- seguir pagar a dívida e encontra uma carteira recheada de dinheiro = verdade para Honório e para o leitor.
Episódio 8: Honório conflitua-se em abrir a carteira por ser extremante hones - to.
• Honório:
➢ É + parece ser extremamente honesto = verdade para Honório e o leitor.
Episódio 9: Honório abre a carteira e conta o dinheiro que é suficiente para o momento, mas não paga a dívida por que descobre que o dono é seu amigo Gusta - vo. Sua extrema honestidade o impede de vasculhar os papéis dobrados que esta - vam dentro da carteira. Ele decide devolver a carteira à Gustavo, pois ficar com ela seria uma traição ao amigo.
➢ É + parece ser extremante honesto por contar o dinheiro, não vascu- lhar os papéis dobrados, descobrir que Gustavo é o dono da carteira e decidir devolvê-la para não trair o amigo
= verdade para Honório e o leitor.
Episódio 10: Honório devolve a carteira ao amigo que a recebe com ar preo - cupado. Honório entende que Gustavo julgou-o desonesto, acreditando ter tirado di - nheiro da carteira. Honório fica extremamente chocado e retira-se da sala de sua casa onde estava a esposa e o amigo.
• Honório:
➢ É + parece ser honesto
= verdade para Honório e o leitor • Honório:
➢ Não é + parece ser desonesto para Gustavo
= mentira para Gustavo conforme a representação dele feita por Ho- nório.
• Gustavo e D. Amélia:
➢ São + parecem ser quem traem Honório = verdade para D. Amélia e Gustavo. • Gustavo e D. Amélia:
➢ Não são + parecem ser aqueles que são fiéis a Honório = mentira para Honório e o leitor.
3.3.3 - O encaixe do segundo percurso narrativo no primeiro (modalidades)
Ao encaixar o segundo percurso narrativo no primeiro, ocorrem as seguintes modalizações, após a verdade revelada, com a resolução do enigma.
O enigma é estrategicamente construído pelo encaixe do segundo percurso narrativo no primeiro:
Episódio 1: Gustavo passa a frequentar a casa de Honório todos os dias e co- meça a se relacionar com D. Amélia, pois Honório está sempre fora, ou trabalhando
em seu escritório ou tentando administrar suas dívidas, propiciando o desenvolver do caso amoroso entre Gustavo e D. Amélia.
• Gustavo:
➢ Não é + parece ser amigo fiel de Honório = mentira para Honório e para o leitor. • Gustavo:
➢ É + não parece ser quem se apaixona por D. Amélia = mistério para Honório e o leitor.
Episódio 2: Por estarem sempre sozinhos na companhia um do outro, Gusta -