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S VANGERSKAP

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6. DRØFTING

6.1 S VANGERSKAP

Seria simples conceituar a arte em Juazeiro realizando uma análise apenas de como ela se diferencia de seu “contraditório”, a não arte. Entretanto, a arte para ser identificada como tal não necessariamente precisa estar dissociada do artesanato. Por vezes, na maioria delas, esta é uma “contradição imaginada” ou “imaginária”.

No século XII, etimologicamente, a palavra arte remontava a dois usos. O primeiro como “engano, malícia” e o segundo como “conjunto de preceitos para execução de qualquer coisa”. Já a palavra artesanato aparece em sua origem vinculada à arte como uma palavra que lhe é derivada, através da derivação da palavra artesão, que significaria “aquele que faz arte por conta própria, que faz um ofício manual”. Logo, artista e artesão derivam de uma mesma origem semântica, bem como arte e artesanato, por correlação.

Entretanto, uma palavra nunca pode ser interpretada fora de seu contexto. A etimologia supracitada remete há séculos atrás e precisa ser atualizada em tempo e espaço. Trocando em miúdos, é necessário contextualizar a distinção que existe entre as duas na atualidade e sua utilização em Juazeiro do Norte.

Uma das primeiras percepções de artista que tive ao me aproximar do campo empírico foi a de que artista pode ter um significado pejorativo na região. Artista como sinônimo de ladrão. Esta descoberta se deu de uma maneira inusitada mais foi de fundamental importância para compreender as inúmeras visões de mundo que existem dentro e sobre Juazeiro do Norte.

Numa sexta-feira de manhã, chegando à Pousada Planalto, em frente à Rodoviária da cidade, ao pegar as chaves do quarto em que ia ficar, fui inquirido a pagar antecipado pelo recepcionista que trazia seu nome bordado na camisa, Alex. A pousada não aceitava cheque, cartão de débito ou crédito. Parece comum na região só receber pagamentos em dinheiro. Entretanto, nunca havia me perguntado qual o motivo de tal situação. Inquieto, antes de subir ao quarto, fui ao espaço situado ao lado da recepção. Local simples, com aproximadamente cinco mesas, lá eram servidas as refeições, no caso em questão, o café da manhã.

Sentei numa mesa que desse uma boa visibilidade para a televisão. Havia apenas mais duas ocupadas. Numa, uma garota loira, compenetrada em terminar logo seu café. Noutra, um rapaz gordo de boné, assistia e comia despreocupadamente. Logo após me sentar, o recepcionista veio ao espaço, pegou um prato e serviu-se. Devia ser hora do lanche para ele.

Sentou-se numa mesa próxima a que eu estava e que ficava entre a minha e a do outro hóspede. A garota levantou-se e saiu, foi então que resolvi perguntar sobre a não aceitação de cheques, cartões e o bendito pagamento antecipado. Antes mesmo que Alex terminasse sua resposta explicando que o motivo eram os frequentes calotes o rapaz pronunciou: “É que aqui é cheio de artista!” Fiz uma cara de incompreensão e ele retrucou enquanto Alex ria... “Vai dizer que tu não sabia? Olhe pois eu vou contar uma que você não acreditar.”

Antes que começasse pedi permissão para gravar. Expliquei minha situação ali e ele me concedeu. Foi então que se apresentou como sendo de família de comerciantes da cidade de Uiraúna, na Paraíba, e sempre ia a Juazeiro para fazer negócios, mas, naquela vez, tinha ido buscar um veículo que comprara. E, então, contou a seguinte história:

Tinha um cara que chegou uma vez numa pousada daqui com uns barbantes na mão um daqueles “chapéu de engenheiro”78 e uma sacola grande, tipo de

lona. Aí veio se apresentou como funcionário de uma empresa que tava responsável por fazer umas obras na BR. Ele falou que tinha vindo na frente para escolher um lugar para os outros que viriam depois. Pois o cara negociou o preço, fez uma choradeira danada disse que era muita gente e coisa e tal... O dono do negócio acabou fechando um preço bom com o cara e deu uma chave para ele de um quarto bom com ar e tudo mais. Passou um dia e nada dos trabalhador, o dono perguntou que hora estava previsto para eles chegarem e o cara disse que ia ver se conseguia entrar em contato com o pessoal, saiu pela parte da manhã e só voltou à noite. No outro dia no café da manhã encontrou o dono da pousada e foi logo dizendo que o pessoal estava atrasado por que o comboio de máquina e material que eles vinham trazendo ficou detido em Pena Forte. Pois, diz aí que o dono caiu na conversa do cara. Foi no terceiro dia o cara tomou o café e disse o povo ia chegar dez horas, saiu. Não voltou às 10, não voltou mei-dia... no fim da tarde, o dono entrou no quarto e encontrou a sacola vazia e os barbantes. O cara tinha saído fora e levou só o chapéu de engenheiro. Agora diga se não é um artista um cara desse... Depois descobriram que ele fazia era muito desse tipo de coisa e que era daqui de Juazeiro.79

A imagem do que seria artista para o contador do causo remete a uma convenção da região onde se situa Juazeiro do Norte: a de que a cidade é um lugar com muitos ladrões. Tal fato pode ser compreendido se for levado em consideração dois fatores específicos. Primeiro, Juazeiro é a maior cidade da mesorregião e tem características comuns à maioria das cidades brasileiras, como o aumento de questões de violência e assaltos. Este fator é enriquecido pelo fato de a cidade receber um grande número de indivíduos de fora e não vivenciam as práticas locais, tornando-se alvos fáceis para a ação de alguns oportunistas. Esse imaginário, comumente, é encontrado em pessoas que vêm de fora de Juazeiro e é principalmente

78 Referindo-se ao capacete de segurança de utilização obrigatória em canteiros de obras da construção civil. 79 Cid Sobreira, Juazeiro do Norte, março de 2009.

propagada pelos romeiros que vão à cidade em épocas de grande movimentação. Estes, em sua maioria, são idosos e não conhecem o local, acabam por tornarem-se vítimas de algum tipo de infortúnio desta ordem e, quando voltam ao seu lugar de origem, propagam a referida ideia.

A propagação por vezes se dá em função dos próprios juazeirenses: “[...] o pessoal daqui se aproveita das necessidades do povo que vem nas romarias e aproveita para cobrar preços mais altos ou... para cobrar pela utilização dos sanitários dos estabelecimentos e das casas...”, diz Cícera Marília, funcionária do Memorial do Padre Cícero.

Entretanto, há outro discurso, outra percepção do que seria o artista em Juazeiro do Norte. Essa perspectiva é aquela que liga a arte à criança. A criança arteira. A conotação da arte como travessura de criança mostrou que este conceito permite uma multivolcalidade que eu próprio não imaginava. Se num primeiro momento fui surpreendido com a relação do conceito de arte e artista com algo pejorativo, com o tempo a surpresa foi a ligação da arte com algo puro e espontâneo como o comportamento de uma criança.

Mas isso só foi possível com o tempo, pois, com o tempo, cultivei uma determinada convivência com algumas pessoas de Juazeiro do Norte. Numa das idas, resolvi aceitar o convite de um amigo para ir a um clube que tem o restaurante aberto para comer um “peixe assado” e beber uma “cachaça da boa”. O clube situava-se no Crato, na subida para o Granjeiro. Lá chegando, vi que havia muitas famílias, um ambiente repleto dos barulhos infantis próprias das brincadeiras. Não havia música no local onde estávamos sentados, coisa rara nessas ocasiões sociais do interior, que costumam ser regadas a forró e, em sua ampla maioria, num volume muito alto que se torna uma experiência angustiante aos “deseducados” de ouvido para esse tipo de apreciação.

Não raro se escutam outros barulhos comuns, gritos de mães: “Desce daí menino... não bate na sua irmã... se continuar desse jeito a gente vai pra casa, você me entendeu?” Em meio a esses gritos, presenciei o momento em que uma das mães correu da mesa em direção ao parque de madeira onde estavam as crianças. Acompanhei com o olhar e vi o motivo. Um garoto de aproximadamente seis anos balançava a irmã menor que estava pendurada. A menina aos berros e o garoto rindo.

Na volta, a mãe trouxe consigo o menino. Vinha empurrando e esbravejando. O garoto com cara de choro, nesse momento não chorava, ameaçava debandar, sair correndo e a mãe impondo-lhe a marcha. Chegaram à mesa e, passado algum tempo, o garoto encostou-se em mim e começou seu interrogatório. Nome, o que estava fazendo ali, se conhecia seu pai, porque eu usava óculos, “Deixa eu ver!”

Dei-lhe meus óculos que de pronto colocou no rosto, desfez a cara feia e sorriu. Peguei a máquina e lhe fotografei. A mãe olhava e depois de pouco tempo proferiu: “Se eu fosse você, não dava muito cartaz para ele não, senão daqui a pouco ele apronta. Devolva o óculos do professor, Sílvio Neto, devolva!” Tentei amenizar a situação já sabendo da ineficácia da tentativa. O garoto ria e dizia: “[...] Agora eu sou o professor, vou mostrar pra Maria Luiza” (referindo-se à sua irmã).

Imagem 32 – Menino arteiro

Fonte: Arquivo do autor.

A mãe em disparada conseguiu alcançar a criança. Tomou-lhe os óculos e deu-lhe uns tapas, que foram retribuídos com o devido escândalo. “Engula o choro! En-gu-la!” Mesmo sabendo não ser correto intervir na situação educacional, disse-lhe que não havia problema, que o garoto estava só brincando, entre outras coisas que pudesse diminuir a raiva da mãe. Foi então que ela proferiu: “Não, professor, esse menino é muito arteiro, num tem quem dê jeito nele não!”

A imagem do menino desobediente como sinônimo de arteiro vem da ideia de que os artistas são vagabundos, que só viviam arranjando confusão pelas cidades em que passavam ou eram os rebeldes que viviam em desordem, característico dos boêmios, seresteiros, os filhos efeminados que enveredavam a gostar de poesias e romances e justificavam, na falta de educação do local, a incompreensão do jeito, entre outros causos. Para o ideário autoritário do sertão, a ordem vem antes da expressão artística. Some-se a isso o fato de que no imaginário local há a ideia de que se deve trabalhar com alguma coisa que dê sustento, como o comércio, por exemplo. A arte não seria rentável.

Resgatando na memória, Diomar das Véias lembra-se de como era arteiro enquanto criança. Relata sua época de ensino fundamental, quando colocava um pedaço de espelho em seu chinelo “Havaianas” para olhar por debaixo das saias das meninas que vinham dos sítios.

Por ironia do destino, este mesmo Diomar, que tão arteiro foi em sua infância, ficou responsável por ensinar as crianças que passaram a fazer parte do curso de restauração de peças e obras de artesanato do CCMN. Desde que recebeu o título do governo federal de Ponto de Cultura, o Mestre Noza vem desenvolvendo atividades que antes não faziam parte de sua expertise. Dentre essas atividades, estão as oficinas de informática, de reciclagem, de restauração entre outras menos frequentadas.

Imagem 33 – Banco no meio do Centro Mestre Noza utilizado para fazer arte por crianças

Fonte: Arquivo do autor.

Pois foi num dia de oficina de restauração de obras que conheci outro menino “arteiro”. O menino pulava, dava cambalhotas para trás de cima do banco, “saltos mortais”. Enquanto isso, a maioria dos artistas ali reunidos dava corda (sinônimo regional para incentivar), vai de novo, quero ver tu fazer de novo.

Tive vontade de repelir o incentivo, me contive. Comentei com Diomar, responsável pela oficina, sobre o risco que aquilo poderia representar para o jovem. Foi nesse momento que ele descreveu seu trabalho na oficina. Começou dizendo que os meninos eram danados mesmo, que se deixasse solto iriam fazer arte como aquele pulando do banco, mas que se a pessoa conseguisse prender sua atenção, o trabalho fluía, como bem relatou:

Dê uma semana comigo já tão pintando... e eles não querem mais saber de ajudar não quando acham que já aprenderam ficam querendo fazer logo suas próprias peças... quando não dão a agonia de ir pra esses computador que pelo amor de Deus são tudo uns viciado em internet, eu digo é valha. 80

Há ainda a imagem da arte como uma atividade familiar. Num sábado pela manhã, quem chegar ao Centro Cultural Mestre Noza vai se deparar com crianças de toda sorte. Dos que andam descalços aos que vão de banho tomado acompanhar a mãe, pai ou qualquer outro parente na prestação de contas e entrega da produção semanal. Esse fato é muito comum entre as mulheres que trabalham com palha. Adentram o pátio com sacos plásticos carregados de produtos e, quase sempre, há uma criança que as acompanha. A palha favorece que a criança participe ativamente, “é leve e se derrubar não quebra” contou-me certa vez Dona Francisca, artesã de palha que produz de forma caseira.

Imagem 34 – Menina ajudando a avó a levar e prestar contas da produção de artesanato em palha

Fonte: Arquivo do autor.

Não é raro que ao tentar compreender a situação específica do Mestre Noza fique uma situação de opacidade quanto ao posicionamento dos grupos de interconhecimento: são artistas ou artesãos? Certa vez, Hamurabi81 me definiu essa relação da seguinte forma: “O pessoal é artesão, eles se dizem artesãos, mas fazem arte, entendeu?” A priori, não. Mas não

80 Entrevista realizada com Diomar no Centro Cultural Mestre Noza no segundo semestre de 2009.

81 Conforme já fora dito anteriormente, Hamurabi Batista é o atual presidente da Associação de Artesãos do

disse. Anotei a informação para repensar o que havia escutado. Tal enunciado seria passível de compreensão a partir de uma ideia do artesanal em relação à produção e mercado desenvolvida por Williams (2000, p. 44):

Existe a situação simples, antiga, mas que ainda persiste em muitas áreas, do produtor independente que põe a própria obra a venda. Comumente, chama- se a isto de artesanal. O produtor é totalmente dependente do mercado imediato, mas, dentro das condições deste, sua obra permanece sob seu controle em todas as etapas, e, nesse sentido, ele pode considerar-se independente.

É necessário salientar que, ainda segundo Williams (2000), tanto o artesanal quanto o pós-artesanal não estão dissociados da arte, mas dizem respeito apenas à sua característica de produção. O autor acresce uma consideração distintiva dessas fases quando põe a questão do local intermediando a atividade. A arte necessitaria de lugar específico para sua comercialização, como encontramos no Mestre Noza. O trabalho, em contrapartida, é individualizado nas suas mais diversas fases, desde a produção até a venda para o cliente final.

Em verdade, até o dado momento, o que eu percebia era a situação de uma intitulação destas pessoas como artistas quando dizia respeito a questões mercadológicas. Porém, quando era necessário reivindicar algo, dar entrada em algo (como a previdência, por exemplo) nomeavam-se artesãos. Nesta perspectiva a arte pertenceria a questões econômicas e o artesanato a questões políticas. Mas há outra que atravessa esta questão. O imaginário local que associa comumente, para não dizer naturalizadamente, a produção artística feminina ao artesanato e a masculina à arte. Não poderia deixar de me inquietar a associação da arte com o gênero masculino. Então, toda mulher é artesã?

As Três Marias, como são conhecidas as irmãs Cândido, são representantes resistentes de um espaço imaginário antes ocupado de maneira igualitária, o da arte. Numa incursão histórica feita através do museu (uma pequena sala situada no próprio Centro Mestre Noza) podemos ver que a mulher tinha maior participação no universo artístico, o que atualmente está sendo paulatinamente reduzido. Através das fotografias dos artistas representativos que passaram por ali, conta-se uma proporção de aproximadamente 23 mulheres para 18 homens. Dentre as distintas fotografias está a de Cícera do barro, uma das maiores expressões do artesanato local e que, atualmente, não é lembrada, ou é muito pouco lembrada, digo isso levando em consideração as oportunidades que tive de verificar o fato, frente às referências feitas aos homens “do passado” como sendo Nino, Noza, Graciano, Celestino entre outros.

Poderíamos elencar variáveis diversas para tentar compreender o fato. No caso da palha (o que não é o caso das Marias que trabalham com barro), produto com que a maioria das mulheres trabalha, a industrialização e o crescimento de uma fatia de mercado propicia a compra desse produto de forma industrializada, o que levou estas mulheres a tentar diversificar sua renda cada vez mais.

Ainda em se tratando da palha, vale observar que o tempo socialmente demandado para sua produção acaba sendo anti-escalar82, pois exige uma dedicação sem igual, “Na palha, quando se erra num tem mais volta, joga fora e começa o trançado de novo”, afirma Luiza.

A progressão de um reconhecimento do artesanato para a arte coincidiu com a diminuição do número de mulheres consideradas artistas pelos membros da Associação. Em verdade, existe uma justaposição que precisa ser encarada e se dá entre o gênero e a localização geográfica. A maioria das mulheres que produzem sua obra com palha reside no Horto. Não só o fato de ser mulher faz com que poucas sejam lembradas como artistas, mas há ainda a questão de residirem no Horto, onde muito poucos são considerados artistas por não trabalharem com escultura. Esse fato já foi mostrado em capítulo anterior na cartografia do grupo que forma o CCMN.

Apesar da falta de reconhecimento por parte da maioria dos pares, vale salientar que o trabalho com a palha, principalmente as capas feitas para garrafas de cachaça comercializadas com uma empresa do estado do Rio de Janeiro, que exporta para a Alemanha, são os únicos trabalhos que têm venda garantida.

E por último, não por fim, me deparei com uma das mais complexas relações traçadas sobre a diferença entre arte e artesanato: a ideia de o artista pensar diferente de artesão; isso se deu em uma conversa com Nilo. Ele não pertence à associação e suas obras que se encontram no CCMN são de propriedade do próprio Centro. Durante algum tempo, ele expôs seus trabalhos no CCMN, como é costume em tempos que o dinheiro flui, a coordenação acaba por adquirir algumas obras de seus membros ou expositores para adiantar-lhes algum dinheiro, o valor que o paga pelas obras é aproximadamente a metade do que o artista receberia se fosse vendida ao consumidor final. Além disso, ao comprar a obra tem total liberdade praticar a política de preço que quiser.

Conversando com Nilo, certa feita, perguntou-me qual era o tema da minha tese, o que é que eu gostaria de mostrar. Comecei a lhe explicar do que se tratava, já pela segunda ou

82 Refiro-me aqui ao tipo de produção oposta à produção escalar, industrial, baseada na divisão das partes de um

produto em uma linha de produção. O chapéu de palha é um item sui generis na medida em que se o produtor errar ele não tem como simplesmente desfazer ou trocar a parte que saiu errada, o produto com uma parte mal feita, danificada, fica comprometido.

terceira vez. Entretanto, nesse dia, algo de diferente aconteceu: ao invés de replicar com o típico incentivo dizendo que era bastante interessante etc., surpreendeu-me, mais uma vez, quando disse que a questão da diferenciação entre o artesão e o artista estava no pensamento. Explicou da seguinte forma a afirmação intrigante que havia feito, falando de si mesmo da seguinte forma:

Veja bem, eu não me considero artesão, no sentido da palavra de artesão de produção. Se alguém pudesse me considerar artesão de fazer o trabalho manual, é nesse sentido porque eu sei fazer a arte manualmente. Eu vejo o artesão no sentido daquele cara que vive de produção existe uma linha muito tênue, mas ao mesmo tempo é uma tênue que dá pra definir bem, um cara que é artesão mesmo e um cara que é artista, sabe um artista visual ele pensa diferente de artesão, o artesão não tem mentalidade de artista é totalmente diferente artesão pensa em produzir e ganhar dinheiro, ele não tem uma sensibilidade com o fazer artístico, como o artista tem, por exemplo, um cara que uma loja dessa aqui para ele tanto faz ele fazer duzentos São José trezentas Nossa Senhora comprar de outros como se fosse qualquer coisa, o ponto da história, o interessante é que o chamado artesão daqui ele por não

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