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RQ 2: What do employees consider important for ITIL success?

7) ITIL success

5.2 RQ 2: What do employees consider important for ITIL success?

Como exemplo do que aconteceu no ano de 2011, quando todas as escolas da prefeitura realizaram, nos três primeiros dias letivos, seu planejamento anual, em 2012, as escolas tiveram novamente dois dias destinados a sua organização. Acompanhei o planejamento da EMEF Presidente Campos Salles, baseado no interesse da pesquisa. Como a pauta proposta para os dois dias anunciava que o primeiro dia seria para os professores se conhecerem e, depois, eles assistiriam a uma palestra disponibilizada pela própria prefeitura, a fim de tomarem conhecimento da proposta pedagógica da SME, escolhi acompanhar o segundo dia do encontro, que trataria, especificamente, do PP da escola.

No dia 2 de fevereiro de 2012, a reunião teve início às oito horas da manhã, com a seguinte pauta a ser discutida:

- Projeto Pedagógico

- Eleição da comissão dos salões - República de Alunos

- Minuto da paz

- Elaboração do 1º roteiro

A coordenadora Lenilda foi quem conduziu a reunião. Depois de explicar para os professores novos, como funcionava o PP da escola, disse que ali todos, inclusive os docentes, trabalhavam em grupo e isso era o que dava sentido ao projeto. Falou um pouco da relação da escola com a comunidade, da ausência de paredes e de como funcionava os salões. A advertência da coordenadora quanto ao trabalho em grupo corroborou com o que o diretor havia dito na última reunião do ano anterior. Entretanto, devido à insistência nas falas, parece que isso ainda não foi alcançado.

A princípio, ficou nítido, no rosto de algumas professoras, o olhar de espanto, pois algumas não sabiam que, na EMEF, as salas eram todas juntas e que, portanto, não havia salas individuais. Uma professora chegou a falar: “pôxa não sei se vou me adaptar, eles bem que poderiam nos informar como a escola funcionava antes da escolha!” (a professora estava se referindo ao momento da escolha na SME). Outra professora completou: “Eu já sabia que era uma escola projeto, mas não tinha ideia do tamanho das salas, mas vamos lá, já estamos aqui ‘né’?”.

No grupo havia, pelo menos, seis novas professoras. Elas foram acompanhadas por outra docente que já trabalhava na escola há mais tempo e falava com muito entusiasmo do PP da escola dizia que era muito bom trabalhar em grupo e que, no começo, poderia ser difícil, mas, durante o transcorrer dos dias, as coisas iam se acomodando. Passado o momento do espanto, as professoras se mostraram interessadas em saber como se daria esse processo e se predispuseram a participar dele. Nesse momento, observa-se como a escola possui uma autonomia relativa, pois, nem sempre, os professores novatos sabem que a escola desenvolve um projeto diferenciado – isso acaba por amedrontá-los, causando certa resistência.

A coordenadora tomou a palavra e, dando continuidade à pauta, explicou o funcionamento das comissões mediadoras dos salões e a importância de se escolher os alunos que fariam parte dessas comissões. Ficou combinado que as eleições para os

membros da comissão mediadora ocorreriam durante toda aquela semana, e cada salão faria em um determinado dia, para que ela também pudesse acompanhar esse momento. Explicou, ainda, que, nesse ano, a escola pretendia implantar a República de Alunos – grande desafio – e contava com a colaboração de todos. Passou a explicar para as professoras novatas como seria essa república e as ideias iniciais do projeto.

Em seguida, a coordenadora explicou que, na escola, eles tinham combinado realizar todos os dias um minuto de silêncio, simbolizando a busca pela paz. Algumas professoras mais antigas na escola disseram que isso não tinha dado muito certo no ano anterior, e que precisava ser pensado um melhor momento para a realização do minuto de silêncio neste ano. A coordenadora explicou que não era simplesmente dizer para os alunos que eles deveriam fazer um minuto de silêncio e pronto, mas que antes deveria ser problematizado com eles a necessidade da existência desse minuto.

Ela questionou o grupo perguntando: o que é ter paz? E continuou: quantas vezes, em nossos dias, nós não conseguimos parar nem sequer um minuto para olharmos para nós mesmos? Sugeriu, então, que as professoras perguntassem aos alunos o que era a paz e o que era ter paz. E perguntou para o grupo: “será que paz é somente fazer silêncio e ficar quieto? Será que conseguiremos ter paz, sentido fome? Não tendo onde morar, passando frio e na chuva? Será que tudo isso não tem a ver com a paz?” Depois de ter lembrado às professoras a localização da escola e a vida dura de muitas crianças, disse que “para ter paz, precisaria ter todos esses direitos garantidos também”. Ficou combinado de que esse momento aconteceria após o intervalo dos alunos. Para finalizar a reunião, os professores dividiram-se em grupos e começaram a planejar o primeiro roteiro de estudo.

Perguntei a coordenadora pedagógica se poderia olhar o PP da escola. Ela me disse que ainda estavam terminando de redigir e que faltava acrescentar algumas informações referentes à República de Alunos para que pudesse ser votada no Conselho de escola e apresentado para a DRE, mas que poderia me dar uma cópia do que já estava escrito para que eu pudesse ir conhecendo melhor o projeto.

Nessa primeira reunião, pude perceber que a escola, desde o início do ano, discutia com seus professores o seu PP e os desdobramentos desse projeto, em outros projetos. Os novos profissionais que chegaram, mesmo assustados com algumas diferenças visíveis – a inexistência de paredes entre as salas, por exemplo –, tiveram conhecimento de que a escola possuía um projeto pedagógico que estava em andamento

e que, além dos relatos orais, também poderiam ter acesso ao texto escrito, caso tivessem curiosidade.