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Root-cause analysis

Chapter 4 Findings

4.4.2 Root-cause analysis

Quanto à interdisciplinaridade na formação docente, Bia foi enfática em afirmar que “antes do LIFE, não [não recebeu formação interdisciplinar]”. (BIA, ENT 1, 10/12/2013). Mateus confirmou a ausência de experiências interdisciplinares no seu curso e fez algumas reflexões: “Não. Infelizmente, o meu curso que é considerado extremamente genérico [Filosofia], não. Não conseguimos estabelecer nenhum diálogo mais concreto e efetivo em termos de disciplinas, projetos de extensão. Então, esse é um déficit nosso, de não termos encontrado esse diálogo, ou talvez, nem mesmo buscarmos.” (MATEUS, ENT 1, 23/12/2013). A fala de Mateus nos surpreendeu, pois afirmou que, apesar do seu curso ser genérico, uma das características é a abertura para a diversidade de opiniões; contudo, isso não acontece, não há diálogo com outras áreas do conhecimento. Então, observamos que o curso, que poderia estar predisposto a vivências interdisciplinares, fecha-se em si mesmo, ficando essa lacuna a ser preenchida na formação do licenciando. Em síntese, constatamos nas falas dos licenciandos o fato de que nenhum deles vivenciou experiências interdisciplinares para o exercício da docência e que, portanto, perceberam limitações na formação também em relação a esse aspecto. A formação interdisciplinar não se concretiza.

Quanto ao aspecto da interdisciplinaridade no LIFE, os licenciandos relataram que se tratava de uma experiência nova, ainda não vivenciada por eles. Lucas, por exemplo, faz um paralelo entre sua formação inicial e a formação LIFE em relação à abordagem dos conteúdos.

É o que eu falei, o que eu vivencio na licenciatura é voltado muito ao conteúdo. No Projeto LIFE não, a gente vê a diferença, ele deixa o aluno ter uma visão maior, ter uma abertura maior na questão do conhecimento, uma forma mais abrangente de você buscar as informações, de você saber como passar essas informações. (LUCAS, ENT 1, 10/12/2013).

Após Lucas relatar que a formação foi mais abrangente, ele expôs as contribuições do trabalho em grupo no LIFE para a formação docente deles. Para Lucas, a formação foi avançada:

Então, na licenciatura as aulas são dadas de uma forma tradicional em sua maioria. No LIFE, você já não vê isso. Você já vê uma coisa mais avançada. Avançado que eu digo não é só por conta do conteúdo, mas, sim, da convivência que nós temos maior e a inter-relação entre os alunos, né? Entendeu? A questão do relacionamento você abrange ainda mais o seu conhecimento. O trabalho em grupo pelo Projeto LIFE, ele se torna mais, é, você vive mais aquilo dali. Você tem como buscar e tirar ideias e buscar, não só buscar o conteúdo, mas através daqueles conteúdos, ter novas ideias em conjunto. (LUCAS, ENT 1, 10/12/2013).

Lucas considerou a formação avançada em decorrência das atividades coletivas e colaborativas, pois possibilitou trocas de saberes e elaboração de novas ideias e conhecimentos. Nesse aspecto, Bia somou sua fala à dos demais licenciandos e relatou o diferencial da formação para ela em relação à interdisciplinaridade: “Na verdade, pra mim o que contribuiu mais foi o contato com os colegas de sala e a interdisciplinaridade vivida na prática, antes era mais teoria”. (BIA, ENT 1, 10/12/2013). O significado da experiência interdisciplinar, para os quatro licenciandos, no contexto da formação LIFE, pode ser expresso nas palavras de Bia:

Agora, assim, o que eu gostei foi de trabalhar com a interdisciplinaridade porque a gente não tem esse costume dentro da minha graduação e trabalhar com pessoas de cursos diferentes foi muito interessante porque você viu que as pessoas tinham a acrescentar, que você tinha pra acrescentar pra elas também e isso foi muito interessante porque um pouco você sai do seu cubículo e deixa as outras pessoas trazerem contribuições. Pra mim foi fundamental porque a gente sempre via na teoria e lia muito sobre isso, mas realmente viver isso na prática é diferente, puxa muito e você tem que ter jogo de cintura para lidar com as outras pessoas e tal. A ideia de construir o site no Wix veio do grupo. Eu não conhecia esse site, mas, não foi difícil e ficou legal, mesmo”. (ENT 2, 27/01/2014).

Bia, portanto, expôs a importância da diferença, da heterogeneidade do grupo na constituição coletiva da interdisciplinaridade, que saiu do plano teórico e todos puderam viver a experiência da cooperação e colaboração, na prática, em propósito único. Para Mateus, a prática interdisciplinar correspondeu à busca do diálogo entre as áreas do conhecimento: “Alguns passos significativos foram dados no sentido de unificar essas nossas visões filosóficas, biológicas e químicas na análise de um conteúdo. No nosso blog vocês vão perceber melhor essa dinâmica interdisciplinar.” (MATEUS, ENT 1, 23/12/2013). Bia, em consonância com Mateus, afirmou que a interdisciplinaridade exige abertura para o outro com ganhos para ambos, ressaltando a importância da atitude de abertura e diálogo para a constituição da interdisciplinaridade na escola. A fala de Lucas se alinhou com a dos demais:

“Cada um tá passando o seu olhar de um tema, principalmente, que relaciona muito bem todas as disciplinas e faz com que haja não só novas ideias, como também desperte também um olhar critico maior”. (LUCAS, ENT 1, 10/12/2013). Na visão de Lucas, o encontro interdisciplinar foi favorecido pela escolha da temática, que viabilizou a proposição de atividades para o desenvolvimento crítico do aluno. Os licenciandos, portanto, compreenderam a importância de articular saberes, na perspectiva de tudo religar. (MORIN, 2009, 2011a) e estabelecer conexões na rede com fontes de informação para elaborações de aprendizagens futuras (SIEMENS, 2003, 2005).

Para os licenciandos, a constituição de uma proposta interdisciplinar não foi tarefa simples, como exposto por Isa: “Construir o material é complicado, mas a minha interação com meus colegas é bem legal. Foi bem engajado”. (ISA, ENT 1, 03/12/2013). Assim, os licenciandos, de um modo geral, apontaram que a abertura para o diálogo também tornou a tarefa menos complexa e mais engajada, contribuindo para a elaboração coletiva. Mateus convidou aos interessados a verem o resultado da interdisciplinaridade no MDCR: “No blog acho que vocês vão perceber melhor essa dinâmica interdisciplinar”. (MATEUS, ENT 1, 23/12/2013). Dessa forma, se faz necessária a revisita ao MDCR no tópico 3, para melhor compreensão da dinâmica da proposta interdisciplinar relatada pela equipe.

Constatamos que os licenciandos refletiram sobre a prática a ideia de que, para romper com o paradigma disciplinar e elaborar uma proposta interdisciplinar na escola básica é preciso uma nova postura, ou seja, estar aberto para o diálogo com os pares, com as várias áreas do conhecimento, agindo de forma colaborativa, inclusive, com a partilha de conhecimentos, contribuindo para a formação de outros professores. Não basta, porém, o envolvimento das áreas para haver interdisciplinaridade. Os licenciandos demonstraram predisposição para vivência de uma nova realidade que se alinha ao pensamento complexo, que pode ser percebido no tópico que traz as discussões deles por via do planejamento do MDCR. Dessa forma, os licenciandos, mediante a criação do MDCR, trocaram saberes, pois eram originários de variadas áreas do saber. Eles buscaram essa mesma diversidade de opiniões na rede, elaborando novas aprendizagens, pois, de acordo com Siemens (2005), a aprendizagem inclui um processo de conectar “nós” ou fontes de informação especializadas. Esse processo de conectar “nós” e a consulta apenas em fontes especializadas como propõe Siemens pode, no entanto, limitar a elaboração de conhecimentos numa perspectiva interdisciplinar. Assim, licenciandos, alunos e o cidadão comum conectados em rede estão se aventurando, produzindo e compartilhando recursos e informações. Isso é motivo para que se

leve em consideração toda forma de conhecimento, vencendo barreiras na constituição de conhecimentos na perspectiva interdisciplinar.

Percebemos que a vivência da interdisciplinaridade pelos licenciandos também está em consonância com os princípios do projeto LIFE, que corresponde à formação docente de professores na perspectiva interdisciplinar, envolvendo licenciaturas; formação interdisciplinar de professores na perspectiva teórica da cibercultura com coautoria e prática crítico-reflexiva. Nessa elaboração coletiva, se faz necessário relatar como se deu a relação pedagógica da formação.