Chapter 5 Discussion
5.1 Changing organizational culture
5.2.3 Recover control
Apesar de os licenciandos terem relatado que interagiram por e-mail, inclusive, com os alunos da escola, estas interações ocorreram de modo mais intenso, sobretudo, através da rede social Facebook. Desta feita, daremos especial atenção ao discurso dos licenciandos acerca dessa prática interativa neste tópico.
As notas do Diário de Campo abaixo dão visibilidade à forma como ocorreu o diálogo inicial entre licenciandos e alunos no primeiro encontro na escola.
Hoje, acompanhei os licenciandos em seu primeiro encontro com os alunos da escola parceira do projeto. O contato inicial foi estabelecido num dos laboratórios da escola. Inicialmente, os licenciandos apresentaram o vídeo produzido por eles no qual, como autores e atores, se utilizaram de diversas linguagens para se apresentarem aos alunos através desse recurso audiovisual. Na sequência, os licenciandos questionaram os alunos acerca das preferências deles ao navegarem na rede com vistas a darem encaminhamentos na escolha dos meios virtuais de interação com eles, escolha dos recursos do MDCR e das atividades práticas a serem realizadas na perspectiva da cibercultura. Então, por meio de votação, o resultado da enquete foi o seguinte: 100% dos alunos afirmaram que o Facebook é a primeira página que acessam ao entrar na internet para interações, atualizações e compartilhamentos em rede; as demais atividades citadas giraram em torno de atividades de entretenimento: 80% assistiam animes e filmes; 70% se divertiam com os jogos e 50% ouviam músicas. Os debates seguintes giraram em torno desses usos da internet, a divisão de dois subgrupos, pares e impares, a serem acompanhados por quatro licenciando, cada grupo. Por fim, os grupos se subdividiram para escolha das temáticas a serem trabalhadas. Licenciandos e alunos, então, definiram o Facebook como principal canal virtual de interação entre eles. Por fim, um aluno da escola, participante da equipe dos alunos impares, criou um grupo no Facebook para o propósito interativo. (LIFE/UFC - MDCR 2013.2, DC, 24/09/2013).
Ao inventariar as principais atividades dos alunos na rede, os licenciandos perceberam que 100% deles acessavam primeiro o Facebook ao entrar na rede e como segunda atividade, visualização de vídeos (filmes/animes) e terceira, música. Dessa forma, definiram, em conjunto, que o Facebook seria o principal canal de interação deles. As trocas nessa rede social ocorreram entre licenciandos, alunos, monitores da disciplina e nós, permitindo aos licenciandos vivenciarem novas experiências pedagógicas na formação docente. Desta feita, é relevante discorrer sobre o que disseram os licenciandos acerca das vivências nessa rede social, considerando a linguagem, os tipos de publicações, as interações e os recursos de interatividade utilizados no grupo.
No que diz respeito aos tipos de postagens do Facebook, Lucas citou “textos, vídeos, ideias de aplicativos para o blog.” (LUCAS, ENT 1, 10/12/2013). Isa confirmou a fala de Lucas: “Compartilhávamos os sites e os vídeos também no Facebook.” (ISA, ENT 1,
03/12/2013). Corroborando as notas de campo, confirmadas pelos licenciandos, observamos que, no Facebook, licenciandos e alunos compartilhavam, principalmente, material multimídia, ou seja, vídeos (audiovisuais) como, por exemplo, os vídeos pesquisados ou criados por eles sobre a temática da sustentabilidade.
Figura 2 – Vídeo criado e postado por aluno sobre a horta da escola
Fonte: Facebook (2013).
O vídeo da Figura 2 é uma postagem de aluno. Apesar de curto, o vídeo é uma espécie de documentário sobre a horta da escola, ressaltando a importância da atividade na escola, do ponto de vista ecológico, medicinal e formativo.
Quanto aos aspectos linguísticos, os alunos fizeram postagens, utilizando-se de uma linguagem mais informal e com internetês58.
58
Internetês é um neologismo (de internet + sufixo ês) que designa a linguagem utilizada no meio virtual, em que
"as palavras foram abreviadas até o ponto de se transformarem em uma única expressão, duas ou no máximo cinco letras."
Figura 3 – Postagem de aluno que evidencia interações colaborativas
Fonte: Facebook (2013).
A Figura 3 é um demonstrativo da forma como os alunos interagiam na rede social Facebook. Verificamos que os alunos se utilizaram da linguagem própria dos jovens, quando navegam nas redes sociais, com palavras abreviadas, gírias, textos pequenos, tanto nas postagens, quanto nos comentários. Fizeram-no, contudo, de forma respeitosa e colaborativa. Os licenciandos, por sua vez, colocaram em prática nas postagens e comentários, uma linguagem mais formal, porém simples, concisa, com coesão e coerência, conforme se verifica na Figura abaixo.
Figura 4 – Postagem de licenciando com incentivo a autoria
Fonte: Facebook (2013).
Evidenciou-se na fala do licenciando acima uma postura mediadora e desafiadora, pois convida os alunos a exercerem a autoria com recursos audiovisuais e a música de interesse manifesto por eles, conforme as notas dos “Diários de Campo” dos dias 24/09/2014 e 12/11/2013, transcritos neste texto.
Quanto aos recursos de interatividade do Facebook utilizados, por licenciandos e alunos, corresponderam a postagens na linha do tempo associadas aos recursos de curtir comentar, marcar e/ou compartilhamento de postagens e arquivos, além do bate-papo online. Os licenciandos informaram que interagiram no bate-papo online para conversarem sobre a seleção dos materiais didáticos e a realização do planejamento das aulas. Na Figura 5,
observa-se postagem de aluno no Facebook que ilustra a linguagem, os recursos utilizados e as interações estabelecidas por alunos e licenciandos.
Figura 5 – Vídeo postado por aluno com os comentários colaborativos
Fonte: Facebook (2013).
Notam-se na Figura acima, postagem de um vídeo produzido por uma equipe de alunos, os recursos do Facebook utilizados (visualizações, curtidas, comentários de alunos e licenciandos). Constatamos que as interações ocorreram de forma respeitosa e que as trocas cooperativas e colaborativas dos encontros presenciais também foram extensivas às interações virtuais.
A docência através das redes sociais aproximou professores e alunos como afirmou Lucas: “A questão da internet, o uso dela, eu acho que aproxima muito o aluno do professor. O Facebook encurtava essa distância professor – aluno”. (LUCAS, ENT 2, 08/01/2013). Isa, por sua vez, acrescentou: “a internet facilitou muito a interação à distância. Eu acredito que as possibilidades foram essas, a parte da comunicação, facilitar a comunicação em si. Foi possível construir uma aprendizagem, um diálogo, uma relação com alguém via online, por exemplo. É bem interessante”. (ISA, ENT 1, 03/12/2013). Concluímos que, para os licenciandos, as interações via Facebook favoreceram novas experiências de
docência e de aprendizagem na perspectiva da cibercultura, pois essa rede social ampliou as interações de docentes e discentes e os espaços de sala de aula, bem como os tempos de docência e de aprendizagem, possibilitando pesquisas e novas elaborações.
Lucas evidenciou a importância da experiência de docência, para ele, através do Facebook, pois o licenciando vivenciou, pela primeira vez, essa rede social, uma vez que até a formação LIFE, ele não participava de redes sociais. Ele nos explicou seu posicionamento em relação a essa rede social, antes e pós-formação:
Pesquisadora: Você não tem Facebook?
Lucas: Não tinha, né? Porque as meninas acabaram de criar um para mim. Pesquisadora: Por que você ainda não tinha Facebook?
Lucas: Porque eu não gosto da forma como o povo usa: dizendo tudo que tá fazendo, comendo ou que roupa tá vestindo. Eu não gosto, não gosto mesmo. Não vejo nenhuma finalidade, nada de construtivo, importante, né?
Pesquisadora: E agora, você vai usar?
Lucas: Da forma como é utilizado socialmente, aquela forma de postar comentário do amigo sobre ele está vestido, isso e aquilo outro ou a conversa, sei lá, do que aconteceu no trabalho e do que não aconteceu. Não! Assim, eu não utilizaria. Dessa outra forma, eu utilizaria.
Pesquisadora: De que forma você utilizaria?
Lucas: De uma forma assim, sei lá de encurtar a distância entre o professor e o aluno como, tipo aquilo que estava [acontecendo] no ambiente do colégio e aquilo dali levado de outra forma: postagens de conteúdo, ideias, informações. (LUCAS, ENT 2, 08/01/2014).
Vimos que a experiência de docência LIFE mediada pela rede social Facebook fez Lucas conhecer a funcionalidade pedagógica dessa rede social e com isso repensar sua opinião. Ele se mostrou, portanto, disposto a interagir nessa rede social, sobretudo, para a docência. Com a experiência de formação docente LIFE, Mateus destacou o papel das redes sociais no ensino:
Bem, eu acredito que é inserção das redes sociais, assim como foi, é o primeiro ponto, assim, a gente aprender a usar as redes sociais para esse aspecto mais educacional de ensino e aprendizagem. Fazer, mudar o panorama de conteúdo nas redes sociais que já são ambientes nos quais os alunos já estão totalmente inseridos e realmente aprofundar mais esse contato mesmo extra-sala e debater questões virtualmente também. (MATEUS, ENT 1, 23/12/2013).
De acordo com Mateus, o fato de o aluno já estar inserido nas redes sociais facilita a docência mediada por esse recurso digital virtual. Ademais, ele se posicionou de forma otimista em relação ao uso das redes sociais no ensino, enfatizando a possibilidade de o professor se apropriar dessa forma de docência no ciberespaço. Segundo ele, a forma de docência da formação LIFE/UFC pode contribuir para a mudança dos conteúdos das redes sociais para uma perspectiva mais didática e educativa. Para esse licenciando, as redes sociais
podem inovar o ensino: “Fizemos um verdadeiro laboratório, né? Foi algo assim inovador, de trabalhar com Facebook na sala de aula. Já nos ofereceu uma panorâmica de como explorar as redes sociais dentro de uma sala de aula, por exemplo, trabalhar com vídeos, YouTube59,
Facebook”. (MATEUS, ENT 1, 23/12/2013).
Concluímos, então, que a experiência de ensino, por meio da rede social Facebook, possibilitou aos licenciandos conhecerem melhor as suas potencialidades para a docência, que é favorecida pelo fato de os alunos já estarem inseridos nela de forma interessada. Para eles a rede social, além de ampliar as possibilidades de docência de forma atualizada, contextualizada, também se configura como uma forma de inovar o ensino e renovar os conteúdos dessas redes sociais virtuais para o aspecto mais educacional. A fala de dos licenciandos evidencia que eles perceberam que, embora o propósito inicial do Facebook fosse a interação deles com os alunos da escola básica, essa rede social se configurou como um verdadeiro material didático colaborativo em rede, tão importante quanto o blog.
Figura 6 – Representação das interações e atividades desenvolvidas no Facebook
Fonte: Elaborado pela autora.
A Figura 6 representa as interações estabelecidas dos licenciandos com alunos, conosco e a monitora da disciplina LIFE/UFC – MDCR (Cibercultura e Educação: novas práticas) no Facebook. Na imagem, observamos os principais recursos de interatividade
59
YouTube é um site que permite que seus usuários carreguem e compartilhem vídeos em formato digital. Foi
utilizados (mensagens, linha do tempo, arquivos, fotos e vídeos); as atividades desenvolvidas (postagens, curtidas, comentários, visualizações, bate-papo, marcações e compartilhamentos) e o que efetivamente compartilhavam (textos, vídeos, imagens, músicas, avisos, informações, links, convites, atividades, opiniões e mensagens).