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Brevveksling mellom Amalie og Erik Skram 1882-1899

6. Sammenligning og konklusjon

6.1 Romaner og brev om ektefeller i samtale

A história de Uberlândia sempre nos remete à memória do bairro Fundinho, pois foi a partir do primeiro povoado instalado nesse pequeno arraial que a cidade se desenvolveu e, atualmente, possui destaque nos cenários regional e nacional.

Lopes (2008) esclarece que os primeiros registros históricos de Uberlândia nos ajudam a entender como o espaço urbano da cidade foi cotidianamente pensado, inventado e construído. Desde o princípio, a cidade foi pensada a partir dos símbolos da ordem, do progresso e da modernização. As elites políticas e econômicas sempre uniram esforços para que os interesses emergentes fossem tramados, de forma a possibilitar a materialização desses discursos no espaço urbano.

Segundo Soares (1988), Uberlândia foi fundada a partir do desbravamento do Sertão da Farinha Podre (nome dado à região do Triângulo Mineiro, localizado no extremo oeste do estado de Minas Gerais), em terras pertencentes ao município de Uberaba.

Ainda de acordo com a autora, os primeiros colonizadores da região foram João Pereira da Rocha e sua família, procedentes de Paraopeba-MG. No ano de 1818, eles acamparam na confluência do córrego denominado de São Pedro e tomaram posse das terras próximas, denominada de Fazenda do Salto. Foi a partir desse pequeno povoado que se iniciou a formação do Arraial Senhora do Carmo de São Sebastião da Barra de São Pedro de Uberabinha. Em pouco tempo havia nesse local mais de 20 famílias, dando origem a um pequeno povoado (SOARES, 1988).

Com o crescimento desse pequeno arraial formou-se um núcleo de habitação denominado de Fundinho, sendo considerado o primeiro bairro de Uberlândia. Em 1851, uma fazendeira local, Sra. Francisca Alves Rabelo, vendeu uma extensão de 100 alqueires para o Patrimônio

da Capela de Nossa Senhora do Carmo e São Sebastião da Barra, de modo a possibilitar o crescimento do pequeno arraial.

A partir do desenvolvimento das terras que circundavam o pequeno arraial foi se configurando uma área pública sob a proteção da Igreja e, por sua concessão, o povoado. Esse era apenas uma pequena extensão da fazenda e passou a concentrar uma capela, pequenas lojas de comércio, algumas poucas casas e uma população razoável, como mostra a figura 32.

Figura 32 - Uberlândia (MG): planta do Patrimônio da Matriz (1858)

Fonte: Soares (1988, p. 26).

Em 1858, o arraial já contava com uma média de quarenta residências que se estendiam ao longo do Largo da Matriz (atualmente Praça Cícero Macedo) e do Largo do Rosário (Praça Dr. Duarte). As primeiras casas construídas não possuíam nenhuma estética e eram desalinhadas, abrigando a população de baixa renda em um local chamado de Chapada. Por outro lado, no Largo da Igreja, estavam localizadas as melhores casas, nas quais residia a classe dirigente.

No decorrer dos anos, o arraial foi crescendo e ganhando forma. Em 1883 foram doados, por José Machado Rodrigues, 12 alqueires de terras ao Patrimônio da Nossa Senhora da Abadia. As terras situavam-se na margem esquerda do córrego São Pedro e deram origem a um bairro denominado de Patrimônio da Abadia. Ainda em meados de 1883, São Pedro de Uberabinha

possuía algumas pequenas indústrias familiares ligadas à produção rural, como os engenhos de cana.

Conforme aponta Soares (1988), diante do cenário econômico e social em que o arraial se encontrava e por possuir uma população de aproximadamente 14 mil habitantes, São Pedro de Uberabinha foi elevado à categoria de município em 31 de agosto de 1888. De acordo com a Lei 4.643, foi anexado à freguesia de Santa Maria, depois de constituir em mais de 30 anos em distrito de Uberaba. Em 19 de outubro de 1929, a cidade recebeu nova denominação, passando a chamar-se Uberlândia.

Segundo Soares (1988, p. 31):

Na campanha Pró-Emancipação do distrito de São Pedro de Uberabinha, em 1888, o deputado César Augusto F. de Souza apresentou na Assembleia Legislativa de minas Gerais um documento onde mostrava a situação do município de Uberaba e, particularmente, da sede do referido distrito. Tendo um significativo crescimento de Uberabinha, nos últimos trinta anos. Nesta época Uberabinha já contava com 60 engenhos de cana de açúcar, 14 sapateiros, 600 carros de boi, 200 prédios, um cemitério, uma Igreja do Rosário em construção, duas escolas públicas e particulares, dez capitalistas, nove negociantes de fazenda, 12 secos e molhados, um hotel bem montado.

No início do século XX, a cidade já recebia importantes serviços e equipamentos urbanos, como escolas públicas, estação telegráfica, praça pública, calçamento da avenida comercial, dentre outros. Devido à infraestrutura implantada, bem como pela localização geográfica favorecida pela região do Triângulo Mineiro, a população foi aumentando e muitos migrantes chegaram em busca de empregos e melhores condições de vida. Soares (1988) relata que a cidade passou a contar com um sistema de abastecimento de água, de esgoto sanitário, estradas vicinais e avenidas.

Foram implantadas importantes infraestruturas, meios de transporte e comunicação que procriaram condições favoráveis à expansão da cidade. Podemos citar a Estação Ferroviária Mogiana, construída em 1895; a construção da ponte Afonso Pena, em 1909, que ligava o Triângulo Mineiro com o Centro Oeste e a construção de rodovias em 1912, como a atual BR- 365.

De acordo com o Inventário produzido pela Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design (UFU, 2004), o processo de urbanização do antigo arraial se acelerou graças à atuação de alguns personagens idealistas, como o Coronel José Teófilo Carneiro, que alavancou o processo de implantação da Cia. Mogiana de Estradas de Ferro, inaugurada em 21 de dezembro de 1895. A Estação Ferroviária dessa Companhia se localizava no final da Avenida João Pinheiro (atual Praça Sérgio Pacheco). Junto à implantação de telégrafos, a ferrovia promoveu

a ligação de Uberabinha com outras cidades mais desenvolvidas, sendo inserida no cenário nacional.

Outro empreendimento instalado nas imediações de Uberabinha foi a Usina Geradora de Energia Elétrica, em 1901. Esse fato impulsionou a instalação de fábricas de marmoraria, ladrilhos, bebidas, artefatos de couro, tecelagens e outras, iniciando um desenvolvimento industrial.

Para Soares (1988) o espaço urbano de Uberlândia passa a apresentar uma estrutura espacial estratificada em termos de classe social, com a expulsão da população de baixa renda das áreas mais centrais. A autora justifica que essa expulsão ocorreu devido à instalação dos novos equipamentos coletivos, estabelecendo-se ali outro padrão de habitações (sobrados, mansões) em substituição às antigas casas de taipa e palhoças, de acordo com a figura 33.

Figura 33 - Uberabinha (MG): planta da cidade (1900)

Fonte: Soares (1988).

A partir da década de 1920, intensificaram-se as modificações no conteúdo e na forma de Uberlândia. O expressivo crescimento populacional impôs novas necessidades, caracterizadas, principalmente, pela incorporação de áreas agrícolas ao sítio urbano e pela intensa construção de moradias. Dessa maneira, a cidade foi tomando forma no decorrer dos anos e, na atualidade, possui importância socioeconômica nos cenários regional e nacional.

comunidade como área histórica e de grande significado simbólico e memorial, de acordo com as figuras 34 e 35, que apresentam uma visão geral do Fundinho e da Praça Clarimundo Carneiro em meados da década de 1930 (UFU, 2004).

Figuras 34 e 35 - Uberlândia (MG): vista geral do bairro Fundinho e Praça Coronel

Carneiro (1930)

Fonte: Soares (1995, p. 111).

A área delimitada do bairro (Mapa 1) possui importantes bens e equipamentos culturais, que expressam uma referência de fundamental importância para o patrimônio cultural de Uberlândia, apresentando um caráter polarizador dentro do conjunto urbano da cidade. É válido ressaltar que a delimitação do perímetro do Fundinho foi definida a partir dos limites da Lei Complementar de Uso e Ocupação do Solo nº 525, de 14 de abril de 2011 (Anexo 1).

Mapa 1 - Uberlândia (MG): localização do bairro Fundinho (2015)

Fonte: PMU (2014).

Elaborado por: REZENDE, P. S. (2015).

Diante deste histórico sobre o surgimento do espaço urbano de Uberlândia, compreendendo o Fundinho como bairro fundacional da cidade, é importante ressaltar a origem do nome Fundinho. Esse surgiu a partir de uma designação pejorativa dos primeiros moradores da antiga “Uberabinha” referindo-se à área central da cidade. Esse nome, que aparentemente era apenas simbólico, originou-se devido à topografia íngreme da área e as residências que margeavam o córrego São Pedro no início do século XIX.

De acordo com UFU (2004), o Fundinho possui um espaço urbano que não se esgota por si só, pois sua figura na paisagem urbana é notadamente diferenciada de outros bairros. Todavia, ao longo das últimas décadas, o bairro tem sofrido uma forte pressão imobiliária e acelerado processo de transformação e descaracterização. Para que tal processo não ocorra é necessária a identificação e o reconhecimento de elementos que lhe conferem particularidades e identidade própria, ou seja, características que ao permaneceram no tempo tornaram-se responsáveis pela espacialização da história dos indivíduos e dos grupos sociais.

Para a compreensão de tais características vamos abordar no próximo subitem os estudos que já foram produzidos para o bairro nas mais diversas áreas do conhecimento científico, os quais influenciaram e contribuíram para a (re)produção do espaço do Fundinho.