• No results found

Brevveksling mellom Amalie og Erik Skram 1882-1899

5.2 Analyse av utvalgte brev

5.2.2 Psykisk stress, selvmordstanker, kunstnerisk frustrasjon og graviditet

O movimento de renovação urbana de Barcelona deflagrado em 1980 possui como um de seus marcos a reconversão do Port Vell e se mantém ainda hoje como uma iniciativa moderna, arrojada e inspiradora para diversas cidades do mundo.

Ao final de 1980, Barcelona viu-se com a missão de realizar os Jogos Olímpicos de 1992. Nessa perspectiva, a cidade levou a cabo as transformações já pretendidas que envolviam diretamente a requalificação da área portuária, em virtude do grande valor da cidade e de seu Port Vell. Devido ao fato de estar localizado próximo à área histórica da cidade, esse ponto tornou-se desafiador para os gestores locais.

A cidade sempre apresentou potencial para aproveitar eventos internacionais, aliado à capacidade para transformar e modernizar seu espaço. De acordo com Andreatta (2011), a renovação urbana mais intensa promovida a partir de 1986, quando a cidade foi eleita para receber os Jogos Olímpicos de 1992, foi a do Port Vell. Esse evento acabou por definir a cidade como o ícone do urbanismo europeu contemporâneo. No embalo do projeto olímpico vieram oportunidades de transformar o espaço portuário, que se encontrava deteriorado e obsoleto, a exemplo de outras cidades portuárias ao redor do mundo.

O grande valor da cidade de Barcelona perante seu sucesso está pautado no fato de seu porto estar localizado próximo ao centro histórico. Assim, por força dos Jogos Olímpicos, essa região foi alvo de uma renovação e revitalização junto ao conceito do, até então, prefeito Pasqual Maragal: “Que sejam realizados os Jogos Olímpicos para uma cidade e não uma cidade para os Jogos Olímpicos”.

A reconversão do antigo porto, ou Port Vell, acompanhou esse processo e permitiu o surgimento de uma área de lazer, cultura e turismo, de acordo com a Figura 19. Vale ressaltar que foi realizada uma divisão do porto em três setores, todos sob gestão do Porto de Barcelona. Enquanto o Port Vell, situado em frente à Cidade Velha, foi designado como porto cultural e

o Porto Logístico também junto ao rio Llobreagat, em função de sua desembocadura no mar. Sua função era integrar o sistema de transporte ferroviário, rodoviário e aeroportuário.

Figura 19 - Barcelona (ESP): panorama geral do Port Vell (2015)

Fonte: Disponível em: <http://www.leadingpropertygroupspain.com/en/>.

A reestruturação marítima em Barcelona também avançou para as áreas do norte, onde foram criadas as vilas olímpicas e construído o distrito industrial de Poble Nou e a área residencial denominada Diagonal Mar. Ocorreu, dessa maneira, uma expansão do território voltado para o mar.

Nos dias atuais, o porto é considerado uma das principais portas de entrada do sul da Europa, com mais de 250 linhas regulares que ligam Barcelona a várias outras cidades do mundo. O mérito da definição de três setores do porto (Port Vell, Porto Comercial, Porto Logístico) é resultado do planejamento estratégico aplicado desde 1980. Essa iniciativa permitiu que Barcelona se constituísse como principal porto de plataforma logística do nordeste da Espanha e como o mais importante do sul da Europa Mediterrânea.

A criação de empresas gestoras autônomas para cada âmbito também merece ser destacada. A supervisão é de responsabilidade da Autoridade Portuária de Barcelona, dando significativa flexibilidade na implantação de programas e projetos aprovados nos seus respectivos setores.

O Port Vell localiza-se próximo ao centro histórico de Barcelona, que se encontrava totalmente deteriorado. Foi proposto um projeto de renovação, justificado pela realização dos Jogos Olímpicos em 1992, evento que criou condições favoráveis para a criação de espaços voltados para usos comerciais, culturais e turísticos.

Os principais estímulos externos que motivavam a tomada de decisão de Barcelona no sentido de remodelar toda sua área portuária são as cidades de Boston, São Francisco, Baltimore e Nova York. Tais áreas passaram pela readequação no período de 1970 a 1980.

Barcelona ficou conhecida internacionalmente pela sua ousadia urbanística, refletida nos últimos trinta anos em obras olímpicas de autopistas integradas à cidade, na renovação do centro antigo e na recuperação de sua frente marítima.

Essas transformações devem-se, em grande parte, à expansão de um plano urbanístico cuja regularidade, densidade e multiplicidade de funções lhe conferem vigor de autêntico motor da cidade.

A organização dos Jogos Olímpicos representou um marco para a cidade, pois foi um dos principais pretextos que garantiu a quantidade de recursos públicos e estimulou investimentos privados, com prioridades voltadas para a habitação, equipamentos urbanos e áreas públicas.

Conforme Andreatta (2011), a decisão política urbana defendida pela prefeitura foi de conquistar espaços e integrá-los ao tecido urbano, revalorizando áreas periféricas e equilibrando o crescimento das migrações e da forte especulação imobiliária.

A política urbana defendida pela Prefeitura (Pasqual Maragall Arq. Oriol Bohigas), buscava a conquista de espaços ociosos, a revitalização da área central integrando o tecido urbano e revalorizando áreas periféricas, o equilíbrio da especulação imobiliária, a recuperação dos espaços públicos com a urbanização de praças e parques e a requalificação da estrutura viária da cidade.

O projeto para os Jogos Olímpicos especificou quatro áreas de intervenção: a área do parque de Montjuic, a Avenida Diagonal, o Vall d’ Hebron e a região da vila olímpica (uma área a ser construída próxima ao mar), implicando alterações no traçado ferroviário.

Em 1988 foi aprovado o plano Especial de Port Vell pelo Conselho de Administração do Porto Autônomo. Os objetivos eram: a reutilização do espaço portuário para fins lúdicos, culturais e turísticos; a integração de algumas atividades e de alguns equipamentos para o distrito de Cidade Velha e a abertura da cidade para o mar.

Como aspecto importante de toda essa reestruturação, um ponto principal foi direcionado para a Cidade Velha de Barcelona. Historicamente, já haviam sido traçadas algumas propostas para três projetos de ruas no centro antigo. Dessa maneira, com as obras propostas nas Olimpíadas, a cidade velha, que até então dava as costas para o mar, se abria diante da vila olímpica com a inauguração de seu passeio marítimo.

A vila olímpica com mais de um quilômetro quadrado estava voltada para o equacionamento da promoção de um setor basicamente residencial, a princípio dedicado aos atletas olímpicos. Houve ainda o tratamento de uma faixa litorânea de, aproximadamente, quatro quilômetros, constituídos basicamente por praias.

Em síntese, três linhas estratégicas marcaram esse período: a urbanização submetida ao conceito e à concepção de cidade, a tecnologia utilizada a favor dos serviços realizados e a reabilitação de modo a garantir a valorização de antigas marcas da cidade. Barcelona tornou-se uma cidade aberta para o mar, com amplas áreas livre e parques públicos. Nesse contexto, o Port Vell foi essencial para tais transformações (ANDREATTA, 2011).

As etapas de implementação do Port Vell dividiram-se em cinco fases: a primeira delas ocorreu entre os anos de 1988 e 1992, com a planificação de todas as obras, onde o terreno foi preparado e foram efetuados concursos para concessões. Essas realizaram importantes obras nos espaços públicos (passeios e diques de Barceloneta) e nos equipamentos (Armazém Geral do Depósito, estacionamentos subterrâneos, marina esportiva, área técnica no velho prédio Nuevo Vulcano). Até 1994 realizaram-se obras dos novos edifícios, que também foram inaugurados em 1995: o aquário, cinemas Imax, shopping center (Figura 20), World Trade Center (Figura 21) e o Rambla del Mar.

Figuras 20 e 21: Barcelona (ESP): edificios do Shopping Center e World Trade Center

(2015)

Fonte: Disponível em: <http://www.eventparadise.com/>.

A quarta fase contou com a construção dos elementos estruturadores do porto comercial e do Port Vell: um canal diretamente aberto ao mar para evitar o cruzamento de navios e cruzeiros turísticos com os veleiros do porto esportivo. A fase mais recente inclui a implantação

da torre do hotel vela e a renovação do cais dos pescadores e a continuação do Passeio Juan Borbón até o cais norte.

O exemplo de Port Vell coloca Barcelona entre as cidades mais dinâmicas e inovadoras da Europa. Após quinze anos de inauguração, o referido porto conta com um alto número de visitantes, como também um grande reconhecimento por parte da população local.

Montaner (2011) destaca que, durante o final dos anos 1980 e início dos anos 1990, houve uma quantidade e qualidade de atuações urbanísticas e arquitetônicas realizadas em Barcelona. Essas se converteram em um modelo de intervenção urbana conhecido mundialmente pela criação de vários espaços públicos, repensando uma série de equipamentos voltados para a realização de quatro áreas olímpicas e de diversas áreas de uma nova centralidade, que culminou em uma completa modernização na infraestrutura local.

Para Montaner (2011, p. 13):

As três características mais marcantes deste modelo urbano seriam a importância do projeto urbano acima do plano, a ênfase no espaço público complementado pela vontade de mar aberto e os mecanismos de concordar com a iniciativa privada e com as instituições públicas. Estas três características são complementadas pela intenção de reequilibrar a cidade se espalhando valores urbanos e conectá-lo muito mais e terceiriza-los.

Um dos grandes argumentos metodológicos para se investir no “Modelo de Barcelona” era entender a cidade como um laboratório, ou seja, um modelo empírico que parte do pressuposto de ambiciosas planificações tecnológicas. Essas se embasam em intervenções fragmentadas, em operações pequenas e medidas estratégicas que recompõem a cidade a partir de instrumentos do projeto arquitetônico.

Os pontos nos quais se basearam o modelo de intervenção urbana de Barcelona foram: a remodelação da cidade, aproveitando suas próprias qualidades e recuperando os espaços livres existentes. Os Jogos Olímpicos de 1992 representaram o motor de renovação da cidade. É importante entender Barcelona como um laboratório urbano e social baseado no urbanismo, que desenvolveu áreas e instalações dos Jogos Olímpicos de forma integrada com a cidade como um todo (MONTANER, 2011). Ou seja, Barcelona é considerado o ícone do urbanismo europeu contemporâneo, visto que, o projeto urbano da cidade estava acima do Plano, com ênfase no espaço público.

No próximo item será caracterizada a intervenção urbana que seguiu o modelo de Barcelona e foi realizado no Porto Maravilha, Rio de Janeiro.