4. Analyse av Rikka Gan
4.2 Romanens form
Entende-se como vitalidade urbana o cuidado com os cidadãos e a oferta de condições para que eles possam transitar na cidade e manter conexão com os demais. Tema bastante explorado por Jane Jacobs (1961) ao analisar os problemas provenientes do formato de subúrbio norte-americano e do planejamento urbano moderno, as calçadas e a diversidade de usos aparecem como elementos importantes para a promoção de movimento e dinamismo na cidade.
Interpretando Gehl (2010), ao explorar os formatos de cidades, considera-se que para se produzir uma cidade animada, segura, sustentável, e saudável, é importante o convite às pessoas para caminhar, pedalar, circular e permanecer nos espaços públicos. A cidade pensada a partir da visão do usuário pedestre toma outros significados, deixados de lado no formato rodoviarista da maioria das cidades modernistas. Aproxima-se de uma melhor qualidade urbana ao se compreender a necessidade de se aproximar da dimensão humana, cujo custo é menor do que se investir em infraestrutura automobilística, por exemplo.
No contexto do planejamento global, L. Martin, em ‘The Grid as Generator’, defende o recurso à malha ortogonal como capaz de gerar espaço urbano vivo. O conceito de rua está subjacente à malha ortogonal (BEIRÃO, 2004, p. 59). Porém, ainda que a malha possua
traçado que a permita ser ampliada e interligada infinitamente, a hierarquização viária, a utilização de marcos edilícios e as relações visuais com elementos da paisagem são necessários para a boa apreensão dos sistemas que compõe o urbanismo, a fim de facilitar a locomoção das pessoas.
Considerando a interferência em espaços urbanos implantados, Beirão (2004, p. 72) relata que as “preexistências condicionam os grandes traçados e ‘linhas mestras’ do plano, e em simultâneo, recebem e orientam uma malha que estrutura e hierarquiza o território de intervenção”. E diz também que, para se alcançar a vitalidade urbana (BEIRÃO, 2004, p. 72),
as principais necessidades a ordenar que [...] devem ser mais rigidamente regradas, são, os alinhamentos de fachadas como forma de garantir a definição de rua, a caracterização dos espaços públicos através da definição das principais vocações dos espaços (definição de usos), as volumetrias dominantes, arranjos exteriores e, acima de tudo, o critério de densidade utilizado. A definição de um critério de densidade conjugado [...] são os aspectos mais importantes do plano para garantir a visão de desenvolvimento pretendida, pois é sobre estas definições que se estabelece a distinção base entre um modelo de cidade disperso e um modelo de cidade compacto.
A habitação, sendo a demanda primordial para a crescente população e como sinônimo de ocupação quase que imediata, pode ser utilizada para a consolidação e recuperação de bairros e de regiões abandonadas. Tal uso deve constituir áreas “densas, compactas e multifuncionais em torno de núcleos de transporte público” (ROGERS, 2001, p. 118). Como define Rogers (2001, p. 118), “se queremos reforçar nossos bairros e vizinhanças e crescer de forma sustentável, então precisamos criar comunidades de fácil acesso e com qualidade de vida”.
Outra questão essencial para levar as pessoas à utilização da rua é a articulação de espaços públicos na malha urbana. Rogers (2001, p. 152-153) diz que
Um espaço público seguro e não excludente, em todas as suas formas desde os grandiosos até os mais íntimos, é fator essencial para a integração e coesão social. A democracia encontra sua expressão física nos espaços multifuncionais de domínio público, na vitalidade de suas ruas. E no centro de tudo isso está a forma como os edifícios contêm ou atuam como pano de fundo para a encenação espontânea e caótica da vida cotidiana. [...] A liberdade do espaço público deve ser defendida tão fortemente como a liberdade de expressão. Precisamos reconhecer que o âmbito público inclui nossas instituições semiprivadas – escolas, universidades, prefeituras, shopping centers – e temos que garantir que tais espaços sejam acessíveis a todos e desenhados para atender aos mais altos padrões.
A ampla utilização do carro como veículo locomotor aumenta as distâncias percorridas, contribui para o sustento da baixa densidade habitacional e, quando utilizado excessivamente para percorrer pequenas distâncias, ainda diminui a interação social, afastando as pessoas, esvaziando as áreas públicas e degenerando o convívio e a vivência urbana (ALEXANDER, 2013).
Rogers (2001, p. 35) cita o automóvel como “o principal responsável pela deterioração da coesa estrutura social da cidade”, ao destruir a “qualidade dos espaços públicos” e estimular “a expansão urbana para bairros mais distantes”; ao mesmo tempo, entende que o carro é objeto de desejo, sinônimo de liberdade e praticidade, além de outorgar glamour e status ao dono.
Ele viabilizou a compartimentação das atividades cotidianas, segregando escritórios, lojas e casas. E quanto maiores as cidades, mais antieconômico era expandir o sistema de transporte público, e mais dependentes de seus carros ficavam os cidadãos. Em todo o mundo, as cidades estão sendo transformadas para facilitar a vida dos carros, mesmo que sejam eles, e não as indústrias, os responsáveis pela maior parcela de poluição do ar, a mesma poluição que expulsou os moradores para bairros residenciais distantes”. (ROGERS, 2001, p. 35)
“A separação dos locais de moradia, compras e trabalho, e a deterioração do transporte público tornaram o automóvel um meio de transporte indispensável”. A indústria automobilística é financiada e estimulada pela política atual, e o afastamento das lojas, dos shoppings centers e dos condomínios residenciais propicia a dependência do automóvel e os congestionamentos, abolindo das ruas a vividez do comércio e dos negócios (ROGERS, 2001, p. 120-122)
Portanto, faz-se necessário o estímulo para contração das distâncias entre residências, equipamentos públicos, comércios e estações de transportes públicos, evitando ainda a implantação de eixos viários de maior hierarquia, ou seja, com grande número de vias, que atravessem áreas despovoadas, por acarretar em custo de infraestrutura sem a utilização do potencial investido.