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9. Tilpasset opplæring fra begrep til praksis

9.2 Variasjon og tilpasning

9.2.1 Rom for alle - blikk for den enkelte

Algumas das regras gerais das oficinas referiram-se à formação e à caracterização do grupo de sujeitos. Como descrito anteriormente42, esse processo possuiu sucessivas etapas, envolvendo decisões da pesquisadora e outras definidas em conjunto com a coordenadora pedagógica da escola onde estudavam. Em todas elas, mantivemos o princípio de que a decisão por participar fosse dos adolescentes, valorizando e incentivando o compromisso pessoal e uma participação ativa e responsável, ainda mais em se tratando de adolescentes que vivenciam justamente um maior exercício da autonomia e da tomada de decisões. Dada a importância desse tema e da sua ligação direta com a construção de relações de cooperação, os exemplos destas intervenções serão analisados dentro da próxima categoria “Promover atitudes favoráveis à cooperação”, especialmente no item “responsabilidade pelas decisões”43.

A principal característica desse grupo, enquanto um grupo fechado44, isto é, sem o ingresso de novos integrantes durante o processo, baseou-se em uma decisão de caráter metodológico. Nosso objetivo foi favorecer a construção de uma identidade de grupo ao redor de uma história comum; de um ambiente de intimidade entre os participantes, com a construção compartilhada de um espaço e de um tempo ao mesmo tempo individual e coletivo. Comentaremos duas situações que demandaram intervenções da pesquisadora visando preservar esta característica.

Na primeira oficina, uma adolescente, Amanda, levou uma amiga, que não estava no grupo, para participar. As intervenções da pesquisadora buscaram: retomar as etapas que já haviam sido cumpridas pelo grupo, identificar sua importância e valorizar a iniciativa

42 No Capítulo relativo ao Método.

43 Manteremos as referências a categorias ainda não desenvolvidas, como uma forma de convidar o leitor a

participar da construção do texto e dos sentidos desta tese, e a acreditar que, mais à frente, todos esses elementos irão reunir-se formando um mosaico comum.

44 Em nossas experiências profissionais em outros contextos clínicos, de acordo com os objetivos específicos em

daqueles que haviam aderido à proposta. Apesar de certa tensão que se instala inicialmente no grupo, o transcorrer da situação pareceu indicar que as intervenções foram eficazes, no sentido de fortalecer e contribuir para a formação do grupo.

- Excerto 1:

P1 propõe uma rodada de apresentação só com nomes dos oito adolescentes presentes, para verificar os que estavam faltando. Enquanto falavam, chegaram os três que estavam atrasados, Wesley, Robson e Vítor.

Lia que estava inscrita faltou. Surge M., amiga de Amanda, que não estava inscrita. O grupo ficou inquieto com a situação.

P1 conversa com todos sobre as etapas por que eles haviam passado até aquele momento, o sentido de cada uma delas, valorizando o processo. Explica que a proposta é de um grupo fechado, definido, e não aberto à entrada a qualquer momento. Esclarece que não era uma questão específica com a M., reconhecendo seu esforço, sua coragem, inclusive, de ir até lá e se expor.

P1 vai com ela até a porta e despede-se. Depois que ela saiu, o grupo pareceu mais tranquilo e não tocou mais no assunto, inclusive Amanda. (RO.1).

Cerca de um mês e meio depois, uma segunda e última situação parecida ocorreu, dessa vez protagonizada por outro adolescente, Carlos. A intervenção de P1 foi retomar e insistir na mesma postura de antes, visando preservar o processo e a formação do grupo, que naquela altura já havia compartilhado seis oficinas.

- Excerto 2:

Carlos chega uns 10 minutos atrasado e traz um colega, de fora do grupo, com ele, para assistir à oficina.

P1 esclarece que outros alunos também haviam trazido convidados e não puderam ficar. Que havia uma proposta e era um grupo fechado, não era uma atividade aberta. Carlos chiou, ameaçou que não ficaria ou não viria mais porque o colega não ficou.

O grupo parece incomodado com a atitude de Carlos e Júlio reclama: "Vamos logo, meu, vamos começar o jogo!"

P1 insiste na sua posição e, depois que o colega sai da sala, Carlos vai, aos poucos, se envolvendo com o grupo e não toca mais no assunto. (RO.7).

As intervenções relacionadas ao cumprimento de outras regras gerais, como proibição de comer e do uso de celular, ocorreram em poucas ocasiões, durante os Momentos iniciais das oficinas. Selecionamos uma destas situações, protagonizada por Júlio. Ele chega animado à oficina e vai imediatamente mostrar para a pesquisadora e para a auxiliar um filme de animação em seu celular. Ambas vêem o filme, acolhendo seu gesto, mas retomam que era necessário desligá-lo. Em seguida, o adolescente prossegue mostrando o mesmo para alguns colegas. Na sequência, a pesquisadora insiste para desligar o aparelho, diferenciando com ele o novo momento que se iniciava e que já não permitia continuar. Ele resiste um pouco, e depois aceita a colocação, desligando o celular.

- Excerto 3:

Júlio chega correndo, agitado, e vai diretamente mostrar para P1 e P2 um pequeno filme em seu celular, com conteúdo sexual: um macaquinho simulando uma relação sexual com uma estátua de areia, que representava outra macaquinha. Elas riem e comentam que ele parecia bem animado com aquilo, mas que era hora de desligar para começarem a oficina.

Júlio circula pela sala, mostra para Robson e Roberto, claramente se exibindo e esperando sua admiração.

P1 chama a todos para a roda inicial: "Pessoal, vamos sentar? Júlio, desliga o celular, ok?"

Júlio ainda demora um pouco: fica mexendo no celular e vai mostrar para o Robson, e depois ele o guarda na mochila e senta com os outros ao redor da mesa. (RO.3)

Com relação às faltas, a primeira reação dos adolescentes foi perguntar se eles tinham que apresentar atestado médico, um procedimento comum em outros contextos institucionais. Esclarecemos para o grupo que não havia essa obrigatoriedade, pois não se tratava apenas de

uma questão burocrática de quantidade de faltas, mas de compromisso com a presença às oficinas e frente às perdas decorrentes da ausência (em relação às atividades desenvolvidas). Visando implicar o adolescente com essas questões, foi instituído um procedimento de justificativa por escrito, pelo adolescente, da falta ocorrida. Desta forma, independente da gravidade da mesma (como situações de adoecimento), sempre que o adolescente retornava ao grupo buscou-se acolher sua justificativa, para, depois, provocar uma reflexão sobre ela e incentivando sua permanência nas oficinas, o que era feito nas conversas do Momento Inicial. Por exemplo, houve situações em que o adolescente justificou que não foi à oficina por estar muito cansado, como no exemplo abaixo, ocorrido com Rafael.

- Excerto 4:

P1: "Oi, Rafael? Tudo bem? O que aconteceu na semana passada?" Rafael: "Eu tava com muito sono […] Voltei prá casa e fui dormir […]" P1: "Mas por que tanto sono?"

Rafael: "É que eu durmo tarde no domingo!" P1: "E por quê?"

Rafael: "Ah, fico no computador, no MSN […]"

Júlio, que ouvia a conversa comenta: "É, na segunda feira é difícil acordar para vir prá a escola e dá muito sono de tarde!"

P1, fala para os dois: "Bom, gente, não dá para mudar o dia das oficinas, porque esse foi o que deu para mim e aqui na escola. Mas vamos ver, né, Rafael? Se você consegue dormir um pouco mais cedo, né? Agora escreve a sua justificativa e vamos sentar na roda para começar, ok?" (RO.7)

Percebemos que as faltas sucessivas ou a saída de alguns participantes repercutiam no grupo, mobilizando tanto sentimentos de frustração e de dúvida, como um movimento de aproximação e fortalecimento do grupo remanescente em torno da escolha comum de permanecerem. Exemplos das intervenções relativas a esse tema serão apresentados na categoria “responsabilidade pelas decisões”, bem como os motivos dos que não ficaram nas

oficinas até o final do processo.

Quanto ao horário de chegada às oficinas, em geral os adolescentes foram pontuais de modo que nos primeiros dez minutos todos os que participariam no dia estavam presentes, o que coincidia com o momento de aquecimento e acolhimento do grupo. Não foi estabelecido um limite de horário para entrada nas oficinas, pois nas poucas ocasiões em que algum adolescente chegou depois desse período inicial, foi possível conversar sobre o ocorrido e integrá-lo no grupo sem prejuízo às atividades que estavam em andamento. As intervenções da pesquisadora em relação ao item horário visaram principalmente implicar cada adolescente com esse compromisso, como pode ser verificado no exemplo abaixo.

- Excerto 5:

Amanda chega bastante atrasada, às 14h40. Ela entra com uma expressão sem-graça e fala para P1, que havia se dirigido até ela, que não viu o grupo subir para a sala e ficou esperando os colegas.

P1 questiona por que ela não viera verificar na sala, pois todos os colegas subiram no horário, e retoma que esse fora o combinado, de virem direto para a sala. Ela fica meio sem jeito e P1 pergunta se ela quer ficar e participar da oficina e ela diz que sim. P1 fala, então, para assinar a lista, dizendo que ela perdera a primeira atividade, e a coloca em um grupo onde ela começaria como observadora no Jogo Quarto entre duplas. (RO.2)

Em relação ao horário de saída, em raras ocasiões alguns adolescentes precisaram sair antes do término das atividades, o que comunicaram à pesquisadora, não havendo outros desdobramentos. Os motivos apresentados foram de duas ordens: realizar atividade escolar em grupo ou comparecer a consulta médica agendada.

Finalizando o tema das regras das oficinas, com relação à regra geral de uma convivência pautada em atitudes de respeito com colegas, pesquisadora e auxiliar, o encaminhamento priorizou intervenções no sentido de questionar e implicar o sujeito, ou o grupo, na situação. Os casos mais expressivos serão apresentados mais adiante dentro da

categoria específica de intervenções: “Promover atitudes favoráveis à cooperação: respeito aos outros”.

Situações em que ocorreram intervenções visando às Regras Gerais - Presença de adolescentes estranhos ao grupo de sujeitos

- Uso de celular no início da oficina - Faltas e justificativas

- Atraso na chegada - Saídas antecipadas

Quadro 2: Lista de situações relacionadas às Regras Gerais Fonte: Dados da pesquisa