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Theoretical Background

2.1 Rocking Response of Rigid Block

Conforme o Dicionário Aurélio (1975), valor é uma qualidade que faz estimável, em maior ou menor grau, alguém ou algo, que possui legitimidade e um papel representativo. Nas famílias, são compartilhados alguns valores, que são mantidos ou não de uma geração para outra.

21 Os valores familiares são como “aspectos da vida individual e coletiva que são passados de forma implícita ou explícita entre os componentes do sistema familiar. Englobam os segredos familiares, os tabus, mitos, crenças, rituais e cerimônias” (Cerveny e cols. 1997, p.173).

Valores, em uma família, podem ser considerados como padrões morais. Para Benincá e Gomes (1998), eram as famílias tradicionais que estabeleciam o código moral rígido, estipulando as mais diversas obrigações e deveres, bem como o permitido e o proibido nos comportamentos sociais. Esses códigos de valores se mantiveram com força até meados de 1960, mas continuam sendo colocados à prova nos dias de hoje, a partir das mudanças sociais que os afetam cotidianamente, em meio às urgências que a são acometidas as famílias em tempo presente.

As famílias, hoje, vivenciam o que Benincá e Gomes (1998) denominam de processo bidirecional de influências, em que os pais estão preocupados em transmitir seus valores como uma forma de justificar suas vidas, e os filhos, por outro lado, estão buscando estabilizar seus próprios quadros de valores compatíveis com as transformações sociais que vivenciam.

É nesse contexto que se delineiam as descontinuidades e as continuidades geracionais. A descontinuidade caracteriza-se pela substituição de antigos comportamentos dos diversos grupos de idade no decorrer do tempo. A continuidade, por sua vez, alude à reedição e manutenção de padrões comportamentais por meio do processo de combinação de expectativas e atribuições.

22 4.5 Crise na Família, Tradição e Rituais

Em nenhum outro período da história da humanidade ocorreram tantas mudanças significativas na sociedade e nas relações familiares como o que acomete o presente momento. São poucos os países do mundo que não estão em processo de intensa discussão a respeito do futuro da família. Nesse contexto, surge com eminência a idéia de crise na família, crise aqui entendida como um ponto conjuntural necessário ao desenvolvimento, e não como uma ameaça para sua destruição (Giddens, 2000; Osório & Valle, 2002).

Assim, alude-se a essa crise como: “uma mutação em seu ciclo evolutivo, algo que, quiçá metaforicamente, poderíamos comparar a um salto quântico para níveis mais satisfatórios de interação humana” (Osório & Valle, 2002, p. 18).

Cabe ressaltar que a idéia de crise vincula-se ao modelo tradicional de família, gerando novas formas e configurações que ainda estão em processo de formação, adequando-se às demandas das transformações sociais.

Por modelo tradicional, compreende-se neste trabalho a família padrão de 1950, o qual consistia em ambos os pais morando juntos com os filhos nascidos de seu casamento, sendo a mãe a responsável em tempo integral pelas atividades domésticas, e o pai como provedor do sustento. A proporção de mulheres que saíam para trabalhar era relativamente baixa, e o casamento era baseado no compromisso e considerado como um estado da natureza, um estágio da vida que se esperava que a ampla maioria atravessasse. Ainda conforme os moldes da época era um período em que obter o divórcio gerava estigmas, sobretudo para as mulheres, pois a desigualdade entre

23 homens e mulheres era intrínseca a esse modelo tradicional de família (Giddens, 2000).

Para a família tradicional, os laços com os filhos e com a família ampliada (tios, primos, sobrinhos e demais parentes) tinham um valor importante para a condução diária da vida pessoal. Nessas famílias, em alguns casos, havia inclusive a presença dos casamentos forçados ou arranjados, nos quais a virgindade antes do casamento e a fidelidade das esposas eram características para se obter respeito. Constatam-se mudanças significativas nesses valores e padrões de relacionamentos, que podem ser entendidos como crise (Giddens, 2000).

Não obstante o casamento hoje ainda seja importante, seu significado para as pessoas modificou. Suas bases de formação e de continuação são o amor associado à atração sexual e à intimidade, e não necessariamente precisam ser formalizados e ritualizados para existirem.

Contudo, Giddens (2000) faz uma ressalva no que diz respeito à compreensão de que, para algo ser considerado tradicional, precisa ser mantido por séculos, sendo essa uma concepção errônea:

A idéia de que a tradição é impermeável à mudança é um mito. As tradições evoluem ao longo do tempo, mas podem ser também alteradas ou transformadas de maneira bastante repentina. Se posso me expressar assim, elas são inventadas e reinventadas. (Giddens, 2000, p. 51).

Porém, as tradições são importantes e necessárias porque dão continuidade e forma à vida. As raízes da palavra “tradição” têm origem no termo latino de tradere, que

24 significa transmitir ou confiar algo à guarda de alguém, e é nesse sentido que são mantidas e preservadas por meio de rituais (Giddens, 2000; Imber-Black, 1995).

Associados à idéia de tradição é que os ritos constituem-se como elementos importantes na contribuição para a “identidade” de uma família, para o senso de si mesma ao longo do tempo, bem como para o senso de pertencer a uma família ou grupo (Imber-Black, 1995).

De acordo com Imber-Black (1995), muitos grupos mantêm seus rituais como um assinalamento das passagens ao longo do ciclo vital. Os rituais, nas famílias, são processos que requerem preparação e reflexão, que confiados em símbolos, metáforas e tradições, agem como uma espécie de amortecedor diante da ansiedade produzida em relação às mudanças.

Ainda conforme Imber-Black (1995, p. 132), “Os rituais podem funcionar para conectar uma família com gerações anteriores, proporcionando um senso de história e enraizamento, ao mesmo tempo em que implicam futuros relacionamentos”.

Assim, os rituais exercem funções importantes na família sendo guardiões da sua história, conectores do passado com presente, amortecedores diante de ansiedade, além de garantir sua identidade.