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3. THEORY

3.6 ROCK FLUID PROPERTIES

A coleta de dados foi realizada na Goma, na sua sede na cidade do Rio de Janeiro, e ocorreu durante todo o mês de outubro de 2015. Escorado no aporte teórico utilizado no presente trabalho, que teve como função servir como recurso para a discussão em torno da questão principal e guiar o olhar da pesquisadora em seu trabalho empírico, foram utilizados três

métodos diferentes de coleta a fim de enriquecer os resultados encontrados e trazer diferentes tipos de insight ao trabalho (RITCHIE e ORMSTON, 2014). As entrevistas semiestruturadas foram complementadas com a observação direta, como uma forma privilegiada de acessar as práticas e atividades no espaço investigado (FLICK, 2009). Em um terceiro momento, analisou-se, ainda, os documentos oficias da Goma.

As entrevistas semiestruturadas foram conduzidas a partir de um roteiro pré-definido, com base no modelo conceitual, de modo a contemplar algumas dimensões envolvidas na busca por esse tipo de espaço e como seus integrantes atuam dentro dele. O roteiro (Apêndice A) foi dividido em três partes. A primeira abordou as motivações para se associar ao espaço, na expectativa de saber se e qual tipo de recursos envolveu-se na decisão. Em seguida, explorou- se como os membros daquele espaço entendiam e explicavam o trabalho e as atividades de trabalho que dentro daquele espaço se desenvolviam, ou seja, as práticas. Em um último momento, inquiriu-se as expectativas relacionadas ao ambiente e tipo de trabalho. A intenção foi conhecer e explorar as opiniões e ideias dos participantes de um espaço de coworking sobre a forma de trabalho que eles mesmos sustentam, levando em consideração os recursos e processos que os apoiam nessa prática.

A adesão às entrevistas foi voluntária, muito embora todos tenham sido incentivados a participar, esperando alcançar-se o maior número de entrevistados possível. Além do convite feito semanalmente, também foi realizado um trabalho diário de cooptação, resultando em uma amostra final de 40 entrevistas, metade dos integrantes à época da realização do campo, incluindo 18 empresas distintas. No nível individual, conforme é possível observar na Tabela 2, a maioria dos entrevistados eram Residentes. Pelo fato de a frequência na casa ser geralmente menor entre os Rolezinhos e Amigomas, houve maior dificuldade em alcançá-los.

Tabela 2: Perfil dos entrevistados com relação ao grau de associação

Grau de Associação dos entrevistados Quantidade de entrevistados

Residentes 29

Rolezinhos 5

Amigomas 3

O perfil dos entrevistados também variava com relação ao tempo de associação à Goma (Tabela 3). As entrevistas tiveram duração média de 35 minutos.

Tabela 3:Perfil dos entrevistados com relação ao tempo em que é associado

Tempo de associado dos entrevistados Quantidade de entrevistados

Antes da fundação 16

De 2 a 1 ano 10

Menos de 1 ano 11

Não é mais associado 3

Para a análise dos dados foram transcritas 16 entrevistas, escolhidas de acordo com o tempo de envolvimento que o entrevistado tinha com a associação. As demais entrevistas - cada uma delas ouvida mais de uma vez durante o processo de construção das matrizes e modelos -, também foram consideradas e incluídas nos resultados apresentados, tendo sido referenciadas nas sentenças que justificam as dimensões encontradas.

No decorrer dos 30 em trabalho de campo, o método de observação buscou captar comportamentos e interações subjacentes ao discurso dos indivíduos. Esse esforço também possibilitou à pesquisadora compartilhar as experiências e sentimentos dentro de um espaço de coworking, permitindo um conhecimento mais completo do fenômeno. No que concerne ao objetivo do estudo, evidenciou questões que tangenciam o problema de pesquisa proposto, como, por exemplo, o papel das TIC na decisão e no trabalho colaborativo, e as práticas que são estabelecidas e sustentadas em um espaço de coworking.

Os resultados obtidos do método de observação, levando em consideração o problema de pesquisa proposto e evitando-se um volume excessivo de dados, também foram codificados. Em seguida, foram integrados à análise, proporcionando um conjunto de dados mais refinado. Assim, buscando contribuir com novas perspectivas para o estudo de coworking no campo de

SI, a análise dos materiais empíricos dá-se a partir do método proposto por Miles e Huberman (1994): condensação (redução) dos dados, apresentação dos dados, e verificação dos resultados e conclusões.

Por fim, foram também analisados os documentos internos, o que permitiu, de uma forma mais impessoal, um conhecimento sobre o processo de surgimento da Goma e os processos internos de construção do discurso e atuação.

A apresentação dos dados foi feita em forma de matrizes, tabelas e figuras, a fim de facilitar o reconhecimento de padrões que possam contribuir com a categorização de práticas e papéis das TIC nos espaços de coworking. Nesse processo, buscou-se o auxílio de alguns recursos do software Nvivo, no sentido de condensar, ou codificar os dados para transformá-los em temas ou conceitos. Ou seja, converter as frases e palavras pronunciadas nas entrevistas, as notas das observações, e o conteúdo bruto encontrado nos documentos, em conceitos, possibilitando sua classificação e categorização. De acordo com Miles e Huberman (1994), a codificação pode ser baseada em dois diferentes tipos de códigos, os pré-definidos e aqueles que emergem durante a análise, indutivamente. Nesse estudo, ambos os tipos de códigos foram mobilizados, permitindo retomar, nessa etapa, os quadros já apresentados na revisão da literatura e que resumem alguns desses padrões (Quadro 2, Quadro 3).

O esquema a seguir (Esquema 1) resume as três metodologias adotadas e o tratamento dado a cada uma para se chegar aos resultados encontrados, que serão aqui apresentados de forma integrada.

Esquema 1: Etapas da análise dos dados