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Os instrumentos de coleta de dados que foram utilizados, seguindo a definição de Watson-Gegeo (id. ibid. p. 43), incluíram técnicas de observação, entrevistas, gravações de áudio e vídeo. Além desses instrumentos, foram utilizados um questionário aplicado à professora e uma sessão de história de vida.

Passo, a seguir, a um relato mais detalhado sobre os vários instrumentos de pesquisa.

2.1.1. Observações das aulas e notas de campo

Segundo Burns (1999), a importância da observação das aulas está no fato de que ela permite ao pesquisador documentar e refletir de forma sistemática sobre as interações e os eventos em sala de aula. Observar é notar de forma consciente e regular as ocorrências em sala de aula, particularmente os itens que são relevantes para a pesquisa que está sendo conduzida. Observar também refere-se à utilização de procedimentos que propiciem esta

investigação consciente por parte do pesquisador. O autor oferece um guia para que a observação ocorra de forma mais efetiva:

• focalizar a observação naquilo que é relevante para a pesquisa;

• procurar um local específico no ambiente onde a observação possa ser feita, no meu caso, a sala de aula;

• considerar o grupo ou o indivíduo a ser observado, no caso desta pesquisa, a professora participante;

• registrar os eventos assim que eles aconteçam;

• ser objetivo nas observações e evitar avaliações ou inferências nos relatos dos acontecimentos;

• tentar relatar os eventos de forma completa;

• desenvolver um sistema de registro em que outros tipos de atividades que ocorram no contexto observado possam ser incluídos.

Sobre o trabalho com notas e diários, Burns (id.) afirma que ele produz um efeito iluminador sobre a pesquisa, pois tem a capacidade de construir um quadro completo sobre as interações e situações em sala de aula, além de fornecer um relato sobre os processos para que eles sejam elucidados e problematizados.

De acordo com as observações acima, nesta pesquisa foi feito um trabalho de campo com observações sistemáticas das aulas, seguidas de notas de campo e acompanhadas de diários de observação (Anexo 2), elaborados pela pesquisadora ao final de cada aula assistida, com a finalidade de descrever melhor o contexto e a situação observada e iniciar uma análise, buscando pistas de como essas observações poderiam responder às perguntas de pesquisa.

2.1.2. Gravações em áudio e vídeo

Segundo Burns (1999), o uso das técnicas de gravação em áudio e vídeo tem a capacidade de capturar de forma naturalística todos os tipos de interações. Elas são boas fontes de informações acuradas que podem não transparecer no momento em que o pesquisador está em observação na sala de aula.

De acordo com as observações de Burns (id.), gravações em áudio e em vídeo (Anexo 3) foram feitas nesta pesquisa, com o objetivo de obter registros mais detalhados sobre os fenômenos ocorridos no contexto de sala de aula observado.

2.1.3. Sessão de história de vida

Para a utilização desse instrumento de pesquisa, fui buscar em Telles (2002) uma definição do que seja a pesquisa narrativa qualitativa. Utilizei esta definição por perceber que ela contempla o uso de histórias dos professores participantes como forma de construção de suas crenças e visões de mundo.

Segundo o autor (id.), a pesquisa “estabelece espaços para emancipação, autonomia, construção e desenvolvimento da identidade profissional” (p. 16). Esse tipo de pesquisa tem como dados a própria experiência de vida dos professores através das narrativas. Desta forma, os professores seriam ao mesmo tempo agentes e objetos de investigação e as suas histórias seriam ao mesmo tempo método e objeto de estudo (p. 19).

Sob essa perspectiva, a sessão de história de vida (Anexo 4) foi realizada com o objetivo de verificar as opiniões da professora sobre o ensino de questões culturais em sala de aula e sobre o ensino que teve na graduação no que se refere a aspectos culturais.

2.1.4. Questionário

Ao elaborar o questionário (Anexo 5), procurei me basear no anterior (vide Anexo 1), respondido pelos alunos formados e formandos citado na seção “Justificativa” (capítulo introdutório), cujo objetivo era levantar dados para a elaboração desta pesquisa. Alguns pontos foram modificados para que se adaptassem melhor aos objetivos que agora se impunham, como, por exemplo, ajuste do foco da pesquisa sobre a relação cultura e linguagem.

Optei por um questionário com perguntas abertas, pois, segundo Gillham (2000), o uso de perguntas abertas pode elucidar melhor os julgamentos feitos pelos respondentes; o autor aponta as perguntas fechadas como podendo ser deficientes em prover dados explanatórios. Segundo Hutton e McGrath (1988), apenas os questionários com perguntas abertas permitem que os respondentes expressem tudo aquilo que gostariam de falar sobre os questionamentos. Eles podem fazer explicações e comentários sobre pontos não previstos por alternativas em questionários com perguntas fechadas. Como forma de assegurar a adequada utilização dos questionários de perguntas abertas, Gillhan (op.cit.) traz ao leitor um exercício que contém 11 passos para a tabulação das respostas, conforme listado abaixo:

1. elaborar a categorização fazendo um questionário por vez (no caso de serem muitos questionários);

2. ler cada um, evidenciando afirmações que sejam de interesse para a pesquisa;

3. evidenciar afirmações por meio das quais algumas categorias já estarão sendo formadas na sua mente;

4. dar um tempo para refletir sobre o trabalho que você acabou de fazer. Isso ajuda a ajustar suas impressões sobre tudo o acabou de ler;

5. voltar ao início do seu trabalho, lendo novamente todas as afirmações evidenciadas, e tentar extrair um conjunto de categorias, dando a cada categoria um título simples;

6. reler a lista de categorias e verificar se algumas podem ser combinadas entre si ou se alguns itens podem ser relocados para novas categorias;

7. checar cada afirmação em cada categoria para ver se existe alguma afirmação que possa ser colocada em algum outro lugar. Fazer uma interrogação naquelas que você não consegue colocar em nenhuma categoria. Modificar ou revisar os títulos das categorias; 8. colocar suas categorias em um quadro de análises, com o número de categorias acima e o

número de respostas ao lado. Possivelmente, fazer duas análises separadas: uma para as afirmações positivas e outra para as negativas;

9. inserir cada afirmação em sua respectiva categoria ou fazer uma marca indicando que aquela pessoa fez uma determinada afirmação relevante para aquela categoria;

10. fazer a análise das categorias, que pode ser na forma qualitativa ou quantitativa;

11. fazer, por fim, a interpretação de suas descobertas, procurando balancear aquelas que forem contraditórias.

2.1.5. Entrevista com a professora

A entrevista com a professora (Anexo 6) teve como objetivo aprofundar os pontos levantados em análise preliminar dos dados coletados, como forma de esclarecer possíveis questionamentos levantados durante esse período.Assim, o roteiro de entrevista abordou os seguintes assuntos:

• ensino de aspectos culturais durante o período da graduação; • associação de aspectos culturais com questões estruturais da LE; • objetivos de algumas propostas de atividades em sala de aula; • uso do livro didático;

Durante a entrevista com a professora, houve também uma sessão de visionamento, para a qual escolhi um trecho de uma de suas aulas para que ela pudesse elaborar comentários a respeito da atividade proposta no trecho escolhido. A escolha de determinado trecho foi feita porque nele a professora havia dado como proposta de atividade o estabelecimento de comparações entre cidades do Brasil e do exterior, oferecendo aos alunos uma oportunidade de contato com a cultura da LE. A técnica de visionamento oferece ao professor uma oportunidade de observar seu próprio trabalho e tecer comentários e avaliações sobre sua ação em sala de aula.

2.1.6. Entrevista com os alunos

A entrevista com os alunos (Anexo 7) teve como objetivo verificar qual a visão deles sobre o ensino de aspectos culturais. O roteiro de entrevistas abordou suas opiniões sobre a questão de aspectos culturais ligados à LE e como essas questões foram abordadas em sala de aula.