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Øke avstand mellom kamera og klekkebakke

3.2 Viderearbeid og mulige forbedringer

3.2.3 Øke avstand mellom kamera og klekkebakke

A Teoria das Representações Sociais (TRS) foi construída, inicialmente, por Serge Moscovici, em 1961, no estudo La Psychanalyse: son imagem et son public.

As representações sociais (RS) unem a dimensão subjetiva à dimensão objetiva, possibilitando a construção social da realidade (GUARESCHI, 2012). Essa construção social, segundo Mocovici (2009), abrange aspectos científicos, cognitivos, mas ela é constituída fundamentalmente por práticas, crenças, tradições, rituais, isto é, pelos inúmeros saberes que povoam nosso mundo cotidiano.

Tal perspectiva permite identificar singularidades e peculiares dos sujeitos, na ótica deles próprios, a partir de sua vida cotidiana, não buscando, portanto, um conhecimento para ser universalizado como regra, mas o aprofundamento psicossociológico relativo ao objeto observado (FREITAS, 1998).

Conforme definição de Moscovici (2012, p. 28), as RS são entendidas como:

Um corpo organizado de conhecimentos e uma das atividades psíquicas graças às quais os homens tornam a realidade física e social inteligível, se inserem em um grupo ou relação quotidiana de trocas e liberam os poderes de sua imaginação.

Assim, o processo de uma representação vai do percebido ao concebido, existindo, entre um e outro, o representado, ou seja, o significado, o sentido conferido ao objeto pelo sujeito.

Contudo, esse processo de representação não se caracteriza por uma simples incorporação do real. Moscovici (1978, p.58) destaca que “representar uma coisa não é simplesmente, duplicá-la, repeti-la ou reduzi-la”, a elaboração da RS vai além e se dá por meio de dois processos capazes de apreender como o social transforma um conhecimento em representação e como essa representação transforma o social. A ancoragem e a objetivação compõem esses dois processos.

O primeiro, ancoragem, consiste no “processo que transforma algo estranho e perturbador, que nos intriga, em nosso sistema particular de categorias e o compara com um paradigma de uma categoria que nós pensamos ser apropriada” (MOSCOVICI, 2003, p.61). Há uma integração cognitiva do objeto representado com o pensamento social pré-existente e com as transformações decorrentes do mesmo. Inclui, então, ações mentais que aproximam objetos estranhos ao indivíduo, pois

coisas não classificadas, que não possuem nome são estranhas e não existentes, por isso mesmo, são ameaçadoras (MOSCOVICI, 2003; 1978).

O outro processo, chamado de objetivação, consiste em “transformar algo abstrato em algo concreto, transferir o que está na mente em algo que existia no mundo físico” (MOSCOVICI, 2003, p.61). Trata-se de uma operação em que se dá a união da “idéia de não familiaridade com a realidade”, e esta “torna-se verdadeira essência da realidade” (MOSCOVICI, 2003, p.71). Por esse processo, ocorre uma forma de corporeidade do objeto abstrato, passando este, como tal, a ocupar lugar no espaço.

As RS são construções dos sujeitos como sujeitos sociais. Por isso, Giami e Veil (1997) renunciaram à utilização da noção de ‘Representação Social’ de Moscovici, preferindo utilizar o termo ‘Representação’. De acordo com os autores, toda representação é social, na medida em que necessariamente, tira seus conteúdos temáticos dos materiais presentes na sociocultura contemporânea e passada, e não somente de categorias científicas, como se defendia nas primeiras teorias das RS. Esses autores ressaltam, ainda, que as representações podem ser originadas a partir da experiência de vida das pessoas, sem que, a ciência as inicie, como foi defendido por Moscovici na obra citada. Há construção social do conhecimento, em todas as suas vertentes, e é desta base, sempre em movimento, que sujeitos e coletividades partem para tomar decisões, o que implica reconhecer que as práticas de saúde, por exemplo, não são derivações puras do conhecimento científico (GIAMI; VEIL, 1997). Acrescenta-se ainda que “não há ruptura entre as expressões e significados individuais e coletivos das representações, mas homologia, o que se traduz em uma abordagem que considera que o social está contido e é observável no discurso individual” (GIAMI, 2007).

Além disso, o que Moscovici chamou de conhecimento “transformado em representação” pelos processos de ancoragem e objetivação é, de fato, representação. Todo conhecimento, portanto, é representação, pois de qualquer maneira, para se conhecer algo, há referências dos objetos anteriores e a corporificação do que era uma abstração, afirmam Giami e Veil (1997).

Ademais, as representações são concebidas e interiorizadas pelos sujeitos e se apresentam em seus julgamentos de valores, nas interações sociais.

Assim, para Giami e Veil (1997, p. 42) a ‘representação’ é como proposto por Morvan (1990, p. 88):

Trata-se do ponto de vista do indivíduo em relação com um objeto ou, antes, trata-se do objeto conforme vivido e sentido pelo indivíduo, em sua complexidade, suas contradições, sua singularidade. Delimitar uma representação é desenhar o objeto que ocupa um lugar (corpo) na experiência histórica e única do indivíduo, a ponto de modificar a experiência e de orientá-la.

Para Giami e Veil (1997, p. 47) o conceito de ‘representação’ é uma solução de compromisso entre dois aspectos: “pode nos indicar como o sujeito constrói o mundo no qual se encontra e lhe dá sentido, assim como nos diz do seu mundo, ou uma parte dele, é constituído”.

Sendo assim, as referências teóricas das representações deverão fazer com que se aprofunde o conhecimento sobre os riscos e acidentes de trânsito do ponto de vista de motociclistas que passaram por essa experiência. Compreender as maneiras de pensar e agir dos sujeitos possibilitam a apreensão e interpretação da realidade com base nos seus contextos sociais simbolizados.

Atualmente, vários pesquisadores, em diferentes áreas do conhecimento, estão utilizando esta teoria como paradigma. No campo da saúde, essa teoria tem uma relação histórico-lógica, pois foi em torno das questões relativas à saúde psíquica e física que esse campo de estudo foi elaborado, possibilitando a apreensão de processos e mecanismos pelos quais o sentido do objeto em estudo é construído pelos sujeitos concretos, em suas relações cotidianas (JODELET, 2001; 1998).

A teoria tem se mostrado um importante instrumento para o estudo das situações sociais, especialmente daquelas ditas como de exclusão e violência, em razão de seu valor heurístico e de sua contribuição para a análise das relações intergrupais, da influência da cultura na introjeção de valores e suscetibilidade de influenciar comportamentos. A utilização dessa teoria é considerada uma maneira prática e eficiente para se analisar o cotidiano, pois permite enfocar os diversos fenômenos e objetos presentes na realidade social das pessoas, a partir de seus julgamentos e avaliações.