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2.3 Styring

2.3.3 Motordriver: Duet 2

A coleta de dados teve início após a realização de diagnóstico situacional nas salas da Unidade de Pronto-Socorro e de Internação. Essa etapa consistiu em acompanhar, diariamente e em horários alternados durante uma semana, os fluxos de atendimento, dinâmica de trabalho da equipe multiprofissional e horários de visita. Foi também fundamental, principalmente na Unidade de Pronto-Socorro, identificar as potenciais salas onde os motociclistas eram assistidos.

Após a conclusão do diagnóstico, iniciou-se a coleta de dados em fevereiro de 2014 e, embasada no critério de saturação dos dados, a coleta terminou em maio do mesmo ano.

Para realização da coleta, o pesquisador compareceu ao serviço em dias alternados e em plantões diferentes, inclusive nos fins de semana. Nos dias de coleta, era realizado o levantamento dos prontuários para confirmação dos critérios de inclusão dos sujeitos atendidos em todas as salas da Unidade de Pronto-Socorro e nos Setores de Internação. Em seguida, o contato com os ‘possíveis participantes elegíveis’ era formalizado para verificação e confirmação dos critérios de inclusão e

para convidá-los a participar da pesquisa. Somente após o término dessa sequência de atividades a entrevista era realizada.

Previamente ao início da coleta, os coordenadores responsáveis pelos Setores de Internação e de Pronto-Socorro, eram contatados para a apresentação dos objetivos da pesquisa e para comprovação da devida autorização para sua realização. Posteriormente, cada enfermeiro responsável pelo setor era avisado sobre o início da coleta de dados e, caso o sujeito ‘eleito’ estivesse sob seus cuidados, era informado à sala reservada para qual o paciente seria deslocado. A entrevista era, então, realizada, desde que não houvesse exames ou medicação previstos durante o decorrer da entrevista. Caso não houvesse disponibilidade do paciente, o pesquisador retornava em outro momento no mesmo dia.

O processo de coleta dos dados foi realizado em duas etapas, sendo a primeira, a identificação do perfil sociodemográfico dos participantes, levantamento de informações referentes ao acidente e o acerca do uso da motocicleta (APÊNDICE B), coletadas por meio das informações contidas nas fichas de atendimento ou nos prontuários dos pacientes. A segunda etapa consistiu em entrevista aberta e em profundidade (BERTAUX, 2001; BLANCHET; GOTMAN, 1992), para propiciar um relato que desvelasse os modos de pensar e agir dos entrevistados em relação aos acidentes de trânsito, num processo de reflexão sobre os riscos, enfocando sua vivência e contexto de vida, inseridos no acontecimento do acidente ou riscos incorridos.

Os participantes foram convidados a compartilhar suas experiências com base na seguinte questão, construída de forma indireta e que norteou a entrevista: “Gostaríamos que nos contasse sobre o acidente sofrido e outros (caso você os tenha sofrido) e que nos dissesse o que pensa sobre sua conduta no trânsito e a dos outros motoristas e pedestres. Fale-nos sobre os diferentes meios de transporte para se locomover no dia a dia e especialmente de sua motocicleta”.

Questões de relance foram inseridas durante a entrevista para esclarecer situações e contextos relatados, destacando-se os sentimentos em relação aos riscos vivenciados durante a pilotagem, cuidados ou riscos assumidos frente aos perigos, bem como a relação com o risco ao longo da vida.

O tempo de duração da entrevista e o número de encontros não foram definidos a priori, ficando a cargo do pesquisador e do entrevistado, durante o

processo de coleta, a decisão sobre o momento de parar. Destaca-se que a duração média das entrevistas foi de 30 minutos.

A coleta de dados foi realizada em sala separada na Unidade de Pronto- Socorro, para que a entrevista ocorresse sem interrupções, preservando a liberdade do sujeito e a confiabilidade de suas falas. Nos setores de internação, devido à impossibilidade de movimentação das camas para uma sala reservada, optou-se, com o consentimento do participante, pela colocação de biombos ao redor do leito para ‘isolar’ o participante e minimizar possíveis constrangimentos frente aos demais pacientes. Os participantes que não possuíam limitações para deambular, as entrevistas foram realizadas em local separado dos demais pacientes.

Inicialmente, foram realizadas duas entrevistas para avaliar a pertinência do roteiro proposto. Após a realização de ajustes na forma de condução das entrevistas, o roteiro foi confirmado (APÊNDICE C). Cabe ressaltar que o roteiro foi construído para ser apenas um guia norteador para o entrevistador, não se constituindo, portanto, uma fonte limitadora da narrativa do entrevistado ou um instrumento rígido de questionamento.

Não houve definição do número exato de participantes a priori. O critério para o término da coleta de dados nas unidades foi o de saturação dos dados, que foi verificado quando houve a existência de repetições de pontos de vista, de julgamentos e sentimentos sobre fatos e experiências, permitindo estabelecer interpretação rigorosa e contextualizada do objeto em estudo. Isto implicou em coleta e análise preliminar das entrevistas, ao mesmo tempo, o que propiciou segurança para definir a suspensão da coleta com novos participantes.

Durante o processo de revisão dos prontuários para levantamento dos possíveis participantes, considerando os critérios de inclusão, seguido do contato para confirmação da sua elegibilidade, houve recusa por parte de sete pessoas. No entanto, isto não acarretou prejuízo para a coleta, pois estas foram substituídas por outras, até que a saturação dos dados qualitativos fosse alcançada.

Foram realizadas 16 entrevistas, incluindo as duas entrevistas realizadas previamente. Sendo oito entrevistas na Unidade de Pronto-Socorro e oito nos Setores de Internação.