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Risk perception – cultural and religious differences

2.4 Risk society

2.4.1 Risk perception – cultural and religious differences

Sobre a perspectiva do PIBID atuar como um articulador dos saberes docentes na formação inicial em música, os bolsistas foram enfáticos ao afirmarem que o programa tem proporcionado grandes e importantes aprendizados, vindo a formar professores de música reflexivos na e sobre a ação docente. Os depoimentos dos pibidianos a seguir ilustram essa compreensão:

Eu já ensino música na igreja. E o bom da faculdade é que eu tô entendendo o que eu já fazia antes, só que eu não tinha ninguém pra me explicar: ah, você vai dar essa aula, mas foi aquele carinha que fundamentou isso! Que fez isso e aquilo! E no PIBID eu tô conseguindo juntar as coisas. Agora é que eu consigo: ah, vou dar essa aula aqui, pra essa pessoa aqui, que eu já sei que essa aula foi tal pessoa que fundamentou, alguma coisa assim. Vou ter uma boa base pra dar essa aula (BOLSISTA IURE, 2014).

Quando comecei a minha experiência no PIBID, já fui desenvolvendo atividades em sala de aula, jogos didáticos, confecção de determinados

instrumentos musicais para os alunos, etc. Nesse processo, percebo que tudo isso era envolvido, desde as reuniões até os deveres que você desenvolvia na escola, e também os planejamentos... É, tudo isso contempla todos esses quatro saberes. Hoje eu percebo isso! (BOLSISTA JONAS, 2014). Essas concepções nos levam a concluir que o PIBID Música/UFRN fomenta ações significativas na formação inicial dos bolsistas, por meio das quais o pibidiano consegue mobilizar saberes e a partir deles desenvolver uma prática didático-musical relevante contextualizada com o ambiente escolar no qual está inserido. Em seu estudo sobre as contribuições do PIBID na formação de professores de Londrina, Arruda e Bueno (2014, p. 55) compreendem “o PIBID como uma configuração particular de aprendizagem docente que visa essencialmente proporcionar aos professores em formação experiências sobre as relações de saber que ocorrem em uma sala de aula”.

Um outro aspecto bastante relevante evidenciado por um dos bolsistas em seu depoimento acerca da atuação do PIBID na formação inicial docente em música foi o acesso a uma formação docente de qualidade permeada por diálogos entre teorias e práticas, entre alunos e professores. Foi declarado também por ele que o crescimento do programa oportunizou a outros graduandos a possibilidade de um processo formativo valoroso e norteador.

O PIBID tem me proporcionado aprendizados não só ali dentro da sala de aula, mas também em outros momentos como as reuniões e ações que desenvolvemos nas escolas, conhecendo essas realidades e aprendendo com os outros que participam junto com você do PIBID. Sem falar que você aprende demais com os professores supervisores e com os coordenadores também. É uma outra visão, é uma outra experiência, é fantástico o PIBID. Conversando com os amigos, pessoas que não fazem parte do PIBID, eu vejo que você se torna a ser um cara muito teórico e sem muitas práticas. Porque por mais que tenha os estágios, eles nunca vão chegar a ser igual ao PIBID. Quando eu entrei no PIBID eram só quinze e agora aumentou pra trinta e eu achei massa ter mais gente podendo usufruir e tendo esse norte que é o PIBID, essa ferramenta fantástica (BOLSISTA EMANOEL, 2014). A partir disso, o PIBID tem suscitado nas Instituições de Ensino Superior a necessidade de mudança em seus currículos e em suas práticas docentes, proporcionando a diminuição da evasão tornando a docência uma opção de profissão a ser exercida. Assim, o PIBID atua de modo potencializador no processo de construção e de ressignificação da identidade docente. De acordo com Montandon, “relatos de professores em exercício indicam que a Licenciatura não os tem preparado para as demandas e desafios da docência. Para eles, o foco do curso ainda está nos saberes específicos e nos fundamentos teóricos, com ausência ou escassez de experiência nos espaços para os quais estão sendo formados (ibid, 2012, p. 50).

A fala da bolsista Poliana evidencia esse foco das licenciaturas nos saberes específicos apontado por Montandon e apresenta o PIBID como um instrumento que forma o educador musical contextualizado e articulado com o cotidiano escolar:

Então, assim, eu tô esperando chegar a outra metade do curso para eu ver como é que eu vou fazer nas minhas turmas de estágio, porque até agora o que eu paguei na licenciatura em música está muito na teoria, não tenho noção ainda de como eu farei na escola. A minha única referência de práticas pedagógico-musicais tem sido só pelo PIBID. Tenho minhas anotações e sempre observo e participo das aulas na escola pelo PIBID, então isso me dá uma ideia de como fazer. Mas nas disciplinas que eu paguei até agora só teve a de didática que dá pra você ter uma noção de como é a escola e tal. Se eu chegar na sala de aula hoje pra dar aula, eu só vou saber fazer alguma coisa pelas aulas do PIBID que eu assisti, porque eu vi como é (BOLSISTA POLIANA, 2014).

Portanto, ao considerar a escola como um grande espaço de aquisição e articulação dos saberes docentes, o PIBID Música/UFRN tem contribuído de forma inovadora e incansável para a formação de professores de música. Ao oportunizar a experiência docente ao licenciando participante, a partir de ações que mobilizam conhecimentos e desenvolvem habilidades, o programa qualifica o educador musical de maneira relevante e expressiva, vindo a auxiliar no processo de qualificação da educação básica brasileira.

Em consonância com os pressupostos dessa política pública educacional, o subprojeto de música da UFRN vem colaborando de forma significativa com a valorização da docência e da escola pública como campo de atuação, bem como com o crescimento e o fortalecimento da área de Educação Musical no contexto escolar. Temos consciência de que há muito a se fazer ainda, principalmente em relação a música na educação básica, mas também é possível afirmar que, por meio do PIBID, muitos professores estão fazendo a diferença na sala de aula através de uma prática docente reflexiva e transformadora.