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Risk factors for receiving supportive care for acute moderate to severe

5 Discussion

5.1 Risk factors for receiving supportive care for acute moderate to severe

O avanço da sociedade tecnológica alterou profundamente o estatuto dos jovens. Como já referimos, as mudanças ocorridas a nível do sistema económico obrigaram os jovens a adiar a sua entrada no mundo adulto, impedindo-os, assim de ocupar um lugar significativo, de desempenhar um papel relevante na sociedade.

Provisoriamente indeterminada, a juventude representa a idade das classificações, estando estas dependentes do tipo e do volume de capital (cultural, escolar, económico, social, simbólico) detido, adquirido ou herdado. Portanto, os problemas que afectam, hoje, os jovens, não os atingem de igual forma, uma vez que as desigualdades económicas e educativas ainda persistem. Para os jovens que saíram da escola sem um diploma, e para muitos daqueles que adquiriram um título desvalorizado, encontrar um emprego estável e bem remunerado, é quase uma miragem. Resta- lhes o emprego precário, os estágios de formação e o desemprego, situações propícias para os marginalizar e excluir socialmente.

Muitos destes jovens estão alienados da sociedade e encontram-se em desvantagem face aos restantes, devido, por exemplo, aos fracos recursos económicos da família, ao divórcio dos pais, a uma deficiente preparação académica, à ausência de um modelo adulto significativo, ao consumo de álcool e drogas, à gravidez precoce, e à prática de actos delinquentes (Sherraden, Adamek, 1984). Estes

factores negativos colocam os jovens em risco, a diversos níveis, nomeadamente no que concerne à sua entrada no mercado de trabalho.

Esta alienação dos jovens pode ser explicada pelo modo de funcionamento das sociedades desenvolvidas, que lhes “limitam as

oportunidades, e propiciam a emergência de sentimentos de frustração, raiva, e auto-destruição” (Sherraden, Adamek, 1984:

549). Não surpreende, então, que a delinquência tenda a aumentar. Nos EUA, por exemplo, muitos jovens com idades inferiores a 21 anos, encontram-se detidos pela prática de crimes graves. Neste país, aumentaram também os casos de vandalismo e de violência física, assim como o uso de estupefacientes e de bebidas alcoólicas. Estas últimas, consumidas até há bem pouco tempo pelas minorias étnicas urbanas, começaram, agora, a ser utilizadas pelos jovens brancos das classes médias, vítimas também do modo de funcionamento da sociedade onde vivem.

A precariedade do trabalho e o desemprego dos jovens pouco qualificados está na base do desencanto e desilusão com que enfrentam o presente e com que encaram o futuro. Ainda que a ausência de um título escolar, a precarização e o desemprego não conduzam automaticamente à delinquência, algumas pesquisas têm mostrado que as formas contemporâneas de desvio (suicídio, alcoolismo, toxicodependência, delinquência) estão associadas ao desencanto e à desilusão com que os jovens vêem o mundo (Marange, 1995).

Estes são os jovens que residem, geralmente, em bairros degradados e que Dubet diz viverem na “galére”, entendida como um mundo de deriva, em que nada tem sentido. No fundo, a galera é o universo dos jovens desenraizados, que se encontram em ruptura com a escola, a família e o mercado de trabalho. É, segundo Dubet, a expressão selvagem da sociedade pós-industrial, onde as antigas solidariedades se dissolveram e onde os indivíduos se vêm confrontados com os valores veiculados pelos mass media.

Esta turbulência dos jovens que vadiam, que andam à deriva, é inquietante, assustadora, porque desencadeia o medo, fazendo lembrar as ameaças de rua que pensamos poderem abater-se sobre nós.

A rua é o espaço público que pertence a todos, onde circulam bens e pessoas. É também um lugar de trocas, o cenário onde se manifestam as emoções colectivas. Mas a rua representa o perigo, é ameaçadora, porque é também o espaço onde circulam os vagabundos, os loucos, as prostitutas, os homossexuais e os delinquentes.

O hábito que muitos jovens têm de “ocupar a rua”, deambular sem destino, “vadiar”, de se organizarem em bandos22

, fere o senso comum, porque evidencia uma lógica “aberrante”, que escapa ao que é familiar e habitual. Não surpreende, então, que a opinião pública

22 Monod explica que os bandos começaram a desaparecer em finais dos anos sessenta, para ganharem de

novo, importância no início da década de oitenta. Contudo, ao invés de constituir uma forma de sociabilidade, típica dos operários, o bando, é hoje, um fenómeno efémero, produzido por jovens desenraizados, residentes nas periferias urbanas e que vivem à deriva, no mundo da galera.

associe os jovens de “rua” a todas as formas de desvio, de limite e de proibido (Barreyere, 1992).

2.4. Considerações finais

Poder-se-á concluir que a especificidade social e económica do mundo contemporâneo obrigou os jovens a um compasso de espera até à plena integração na vida adulta. No entanto, essa “espera” tem de ser gerida socialmente, em primeiro lugar pela família, mas também, através de mecanismos específicos.

Conscientes desta nova situação, os poderes públicos têm vindo a desenvolver várias estratégias no sentido de atenuar os efeitos que o desemprego pode produzir sobre os jovens e em especial, sobre os das classes mais desfavorecidas. Com esse objectivo, os Governos decidiram implementar um conjunto de “dispositivos, que, pelo

menos garantem um estatuto, mesmo que desvalorizado, de reconhecimento social e de legitimidade face ao meio e à família”

(Galland, 1996;187). Entre estes dispositivos, contam-se os estágios e os cursos de formação profissional postos à disposição dos jovens. Tais dispositivos, para além de representarem um complemento de formação, significam, também a possibilidade de garantir alguns meios de subsistência.

Na opinião de Dubar (1991), estas acções desenvolvidas pelo Governo são um poderoso instrumento de socialização destinado a promover nos jovens um “estado de paciência” e de “espera”, um

modo de os fazer aceitar uma situação pouco aliciante e transitória, mas necessária no mundo actual, a uma entrada plena na vida adulta.

Os jovens oriundos dos meios mais desfavorecidos, pelas condições de vida que enfrentam, são os que mais tempo vão permanecer a cargo da família e ser alvo de medidas de protecção e inserção social e profissional, até porque é neste grupo que se encontra com mais frequência casos de delinquência juvenil.

Sabe-se que os jovens que enveredam por este tipo de práticas, já experimentaram um conjunto significativo de fracassos ao longo da sua trajectória escolar e profissional. Estes jovens não alimentam grandes expectativas em relação ao futuro, porque desmunidos de qualquer tipo de habilitações, só lhes resta, permanecerem inactivos ou desempenharem tarefas rotineiras e pouco qualificadas.

Esta falta de qualificações traduz uma deficiente integração social (Grignon, 1971). Tais jovens, porque se subtraíram aos efeitos da instituição escolar, ficaram à margem de qualquer tipo de enquadramento subjacente ao processo de socialização. Deste modo, a responsabilidade pela delinquência não caberá tanto à ausência de diplomas, mas a uma deficiente socialização e a uma débil assimilação dos valores sociais.