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4.2 Clinical score and parental assessment of acute infant bronchiolitis at the time of
A sociedade tradicional não enfatizava a infância, nem a juventude. Autores como Ariés, mostraram que a nova ideia de infância surgiu, apenas, no século XIX e está associada às transformações ocorridas na sociedade, nomeadamente, a emergência do capitalismo industrial, o salariato, a quebra da natalidade, o alargamento da escolarização a todas as classes sociais, com especial incidência para a burguesia.
É impossível apontar uma data precisa para identificar a emergência desta nova ideia de juventude. No entanto, parece plausível encontrar as suas origens ao longo do processo de transição entre o feudalismo e o capitalismo. Será, porém, a “abertura” da sociedade a outras realidades, e a criação do mercado de trabalho em moldes capitalistas, que transformaram a infância numa “idade de
aprendizagem cada vez mais duradoura e a juventude, uma fase de transição, cada vez mais longa entre a infância e a idade adulta”
(Marange, 1995:18).
E quais terão sido os principais momentos de viragem na sociedade, que transformaram a história da família, assim como o modo de entender a infância, a adolescência e a juventude?
No século XVII, assiste-se ao despontar de um novo sentimento de família e à emergência de uma imagem diferente da juventude, se bem que esta imagem ainda esteja longe da ideia de juventude preconizada pelas Luzes e pela burguesia.
Ariés observou que a partir do século XVII, a família, até então ausente na vida dos filhos, começa a preocupar-se com a sua educação, ao mesmo tempo que surge um sentimento de responsabilidade, respeito e afectividade pelos mais novos.
Nessa época, a família nobre passou a estar unida por fortes laços de ternura (nascidos da progressiva dissociação entre a função de representação ligada aos cargos públicos e a esfera privada), o que a impediu de continuar a entender a criança como uma fonte de
distracção e/ou um aborrecimento. A própria atitude dos pais também se modificou. Ao invés do anterior tipo de educação, fundado no medo, os pais tornam-se “mais psicólogos e começam a saber
perscrutar as almas e os sentimentos dos filhos” (Galland, 1991) de
modo a orientá-los para um novo projecto educativo.
A partir do século XVIII, a educação passa a ocupar um lugar central na vida dos jovens. No entanto, e tal como refere Caradena (1763), um dos primeiros propagandistas da ideia moderna de educação, o projecto educativo não tem como objectivo moderar as paixões da juventude, nem contribuir para desenvolver uma elite, mas tão só
“formar cidadãos úteis” preocupados com o bem estar da Nação.
Também os Enciclopedistas continuam a atribuir uma importância decisiva à educação, muito embora a perspectivem de um modo diferente.
No que respeita à juventude, crucial foi o contributo de Rousseau. Este autor propagou a ideia de que a juventude correspondia a um estádio natural da vida, aproximando-se o jovem do “bom selvagem”, enquanto protagonista da origem da civilização. Rousseau propõe que o projecto educativo tenha como objecto central a própria criança, porque esta se encontra em “idade de aprender”.
Com o advento das Luzes, não só a juventude começa a ser reconhecida enquanto fase específica da vida e a ter um estatuto
próprio, como o indivíduo adquire um novo valor social.20 A linhagem e o nascimento deixam de ser decisivos no que concerne a aquisição e preservação de status, porque “o futuro passa a ser construído
através do sistema educativo, que se torna por essência o grande baluarte da juventude e contribui para a definição positiva desta idade da vida” (Galland, 1993: 248).
O século XIX “é um século paradoxal e de grandes contrastes para a
juventude” (Galland, 1991). Se é verdade que, neste século, a
juventude se viu consagrada definitivamente, também é certo que, o século XIX permitiu que se criassem mecanismos tendentes a enquadrá-la de um ponto de vista moral e institucional.
Após a 2ª Guerra Mundial, o desenvolvimento urbano-industrial provocou um conjunto de transformações sociais, que se manifestaram pela dissolução dos laços tradicionais e por fenómenos de inadaptação social, que conduziram a situações de anomia e muito concretamente, a fenómenos de delinquência juvenil.
Conscientes dos problemas que afectavam os jovens, os poderes públicos criaram mecanismos tendentes a atenuá-los. Neste sentido, foram abertas as casas de jovens e as casas de cultura, cujo objectivo era propiciar ajuda psicológica aos jovens das classes desfavorecidas, oferecer-lhes “relações estruturantes” e atenuar as
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O triunfo da intimidade familiar, ocorrida entre finais do século XVIII e início do século XIX, vai permitir, não só, eleger a infância e a juventude como novas figuras sociais, mas também reforçar o enquadramento moral e educativo no seio da família. Muito embora, o pai continue a ser a figura central, já não utiliza, como nos séculos anteriores, o seu poder e autoridade de uma forma brutal. Procura, antes, exercer o poder de um modo mais racional, mais adaptado ao novo modelo educativo, de modo a desenvolver, não o medo, mas um sentimento de culpa e remorso.
desigualdades, nomeadamente as académicas, através do combate ao insucesso escolar.
A partir dos anos setenta, este modelo integrador perde a sua eficácia devido ao aumento do desemprego e da pobreza. Deste modo, a representação da juventude que se construíra em torno da problemática da crise de socialização, responsável pelo desvio e pela contestação juvenil, deixa de ter sentido e os jovens começam a ser vistos como “vítimas da crise e da sociedade” (Dubet, Jazouli e Lapeyronnie, 1985).
Valorizada no campo das representações e nos modos de vida, a juventude foi desvalorizada a nível de mercado de trabalho, mesmo se diplomada. Portanto e tal como refere Marange (1995) se avaliarmos o modo de funcionamento desta sociedade, justifica-se falar na crise que afecta a juventude e não na crise que a atravessa.