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Risk characterization

3. Risk assessment

3.3. Risk characterization

Apesar de não figurarem entre as principais contribuições da escola citadas nos questionários, ainda assim o grupo de alunos revelou enxergar na escola de ensino médio um importante agente de socialização, como se verá a seguir.

3.4.1.1 Convivência com pares.

Em relação ao âmbito da socialização, em geral, entre os alunos de ambas as escolas houve o comentário de que a escola propicia amadurecimento social uma vez que lá convivem diariamente com pessoas com opiniões diferentes. Tatiane, da Alfa, por exemplo, disse:

“Olha ajuda a conviver porque a gente passa 6 horas do nosso tempo, uma quantidade de alunos na sala de aula. Ajuda porque as vezes tem pessoas que não é do mesmo gênio que o seu, uma hora ou outra você vai discutir ou vai ... tem que respeitar, pra você, igual, trabalhar em equipe, você tem que respeitar o jeito das pessoas, o jeito de cada um. Eu acho que ajuda sim”.

Fagner, da Beta, repete as mesmas ideias ao dizer que:

“Acho que ajuda bastante também, porque tem várias pessoas de vários tipos né, na escola. Que todos esses anos você vai passando por um tempo que você vai vendo pessoas diferentes, vai entrando pessoas diferentes na escola, você convivendo com pessoas diferentes. Até as pessoas que você não gostava lá fora aqui na escola você aprende a gostar como amigo”.

Roberto da escola Alfa, contudo, reconhece que nem sempre a socialização com os pares concorre para o trabalho escolar e que muitas vezes “(...) parece que os alunos se

encontram com amigos e acham que podem tudo, acham que é a autoridade em tudo e não tão nem aí”. Assim, vê-se que na visão de alguns estudantes entrevistados a escola é ambiente

privilegiado para encontro com pessoas na mesma faixa etária, inclusive pessoas com diferentes ideias. Há, no entanto, conforme afirmou Roberto e também demonstraram as observações de campo, uma tendência de associação entre os jovens divergentes dos preceitos institucionais da escola. Em outras palavras, muitos estudantes se apropriariam do espaço escolar não no intuito de participar das atividades propostas, mas de se relacionarem com os pares.

3.4.1.2 Convivência com adultos.

Além da convivência com pares, há também a convivência com adultos, como professores, gestores e outros funcionários. A diferença de idade, conforme apontou Cândido, “tem significado social ao funcionar como critério de organização” (1977, p. 112) e é uma “(...) condição de investidura por meio do qual a comunidade atribui a alguns membros especializados a tarefa de preparar crianças e adolescentes” (Ib., p. 113). Assim, o educador, ao adentrar a escola traz uma série de “características que concorrem para a formação de autoridade, mas que vão adquirir significado verdadeiro graças à redefinição que sofrem na

passagem” (Ib. p 121). Assim, embora, como se viu durante as observações de campo, a maioria das relações travadas entre adultos e jovens na escola siga o delineamento institucional típico do local, sobretudo na Escola Alfa, ainda assim, há momentos em que essa relação vai além do personagem social, adentrando o âmbito da subjetivação.

Roberto, da Alfa, demonstra isso ao dizer que os professores são, para ele, uma referência de comportamento. Para o jovem, o professor “é o adulto, aquela pessoa que já tá

lá fora, já conhece tudo e tá ali, além de dar o conhecimento, ele tá ali pra te mostrar mais ou menos como que funciona lá fora”. Cibele, da Beta, também demonstrou isso dizendo que:

“(...) eles te incentivam, falam que o pessoal vai ter uma vida né, além daqui da escola e a escola não é eterna, mas os estudos tem que ser eternos, até... Você sempre tem que adquirir conhecimento, [porém] (...) não são todos que te conduzem a estudar, sempre. Faz o trabalho deles e só.”

3.4.1.3 Inserção social e inculcação de normas.

Outro ponto do âmbito da socialização é a questão da inserção social. A questão da cidadania está muito presente nas leis e diretrizes que norteiam não só o ensino médio, mas a educação básica em geral. A premência de formar pessoas que respeitem as regras do convívio social, que cumpram com seus deveres e reivindiquem os seus direitos é um tema muito caro aos formuladores de políticas públicas, como foi descrito no primeiro capítulo deste trabalho. Essa questão também apareceu no discurso dos alunos entrevistados, seja na afirmação da promoção da cidadania e inserção social por parte da escola, seja por achar que isto não está sendo feito a contento.

O aluno Rafael, da escola Alfa, por exemplo, disse que em algumas matérias, como sociologia, eles aprendem a não ter preconceito e outras coisas boas em relação ao convívio social. Emerson, do mesmo local, afirma que a escola ajuda:

“(...) na minha formação social porque de certo modo isso aqui é uma integração social que eu estou tendo. Com eles querendo ou não, mas certamente também nos valores éticos que isso querendo ou não eles ensinam. Se a gente não vem de casa com isso, a gente aprende, nem que seja o mínimo aqui na escola, mas a gente aprende. Então acho que vai ser uma coisa pra toda a vida.”

Adriano, concordando com o colega da Escola Alfa, diz que há contribuições “por

aprender a se dar com as pessoas, você aprende a seguir regras na escola, então acho que ajuda”. Fábio, da Beta, compartilha a ideia ao dizer que “(...) além de estar me ensinando a

ser uma pessoa mais educada, tá me educando melhor, está também me realocando na sociedade e deslocando pra dentro da sociedade”. Fagner e Cibele, ambos da Beta, contudo,

demonstram pensar que, mediante os problemas familiares em meio aos quais muitos jovens do local estão, o que a escola faz é insuficiente para reverter esse quadro de marginalização de muitos de seus colegas. Fagner, por exemplo, diz que “(...) por isso os professores tinham que

trazer um pouco da educação, por que muitas das vezes tem aluno que não recebe muita educação em casa, porque a mãe não está presente (...)”. Já Cibele afirma que “se tiver um

pulso firme mesmo, firme mesmo, consegue sim, mas eu acho um pouco difícil, tem que estar disposto a tentar mudar [esses jovens marginalizados], a escola né?”. Dizem, assim, que se a escola fizesse mais por estes jovens, acompanhando-os mais de perto e trazendo alternativas a eles, poderia ser mais efetiva em sua inserção social.