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GMM. 2003-2014

7 Ripple effects

A descrição de cargos como mencionado anteriormente é um aspecto fundamental do processo de análise de cargos e envolve uma lista de tarefas, deveres e responsabilidades que são atribuídos a um cargo específico. Para tal, é necessário abordar os elementos que a compõe. Por vezes, a própria especificação do cargo (conhecimentos e habilidades), que é um outro elemento importante deste processo de análise vem anexada aos modelos de descrição de cargos.

Encontram-se na literatura inúmeros modelos de descrição de cargos, portanto não há um formato padrão para criação deste documento. Entretanto, a maioria dos modelos de descrição de cargos apresentam seções relacionadas com a identificação do cargo, o resumo do cargo, as responsabilidades e deveres, os padrões de desempenho, as condições de trabalho e a especificação do cargo (Dessler, 2013).

• Identificação do cargo: nesta seção encontram-se informações mais gerais sobre o cargo, como por exemplo o título do cargo, departamento a que ele pertence, as informações salariais, carga horária, o analista do cargo e a data da análise, a quem o ocupante do cargo deve se reportar e a data que a revisão do cargo foi realizada pela última vez.

• Resumo do cargo: contém uma breve lista das principais atividades do cargo. Deve resumir a essência do cargo.

• Responsabilidades e Deveres: aqui são descritas todas as responsabilidades e deveres significativos do cargo. Eles devem ser descritos separadamente e em poucas frases, e normalmente respondem a questões como: o que o ocupante do cargo faz, como faz e porque faz.

• Especificação do cargo: aqui são descritas as exigências do cargo, ou seja, as habilidades relevantes para execução do cargo, as experiências, a formação acadêmica, e os traços e destrezas pessoais.

Para Snell e Bohlander (2011), a descrição de cargos deve ter informações concisas, diretas e simples, caso contrário podem apresentar alguns problemas à gestão de recursos humanos. Os problemas associados a descrição de cargos referem-se, segundo os autores, às descrições mal feitas que fazem uso de termos vagos e não específicos, a não atualização da descrição uma vez que os cargos são passíveis de mudanças, quando contém informações que não estão associadas ao

sucesso do trabalho e ainda, uma descrição de cargo pode limitar o ocupante do cargo reduzindo a flexibilidade da organização.

Nesta perspectiva de descrição de cargos, encontram-se já consolidados alguns documentos que buscam apresentar as características das inúmeras ocupações e cargos existentes na sociedade.

A nível internacional encontra-se a International Standard Classification of Occupations (ISCO-08). Este documento foi desenvolvido pela Organização internacional do Trabalho e a sua última revisão foi realizada em 2008. Essa classificação é uma ferramenta de organização de todas as ocupações existentes nos diversos estabelecimentos e organizações em todo o mundo. Ela fornece diretrizes sobre as ocupações, incluindo títulos e códigos e ainda um componente descritivo onde estão delineadas as tarefas, deveres e outros aspectos relevantes ao cargo, como os bens e serviços produzidos, os níveis de habilidades e especializações necessárias para o exercício da função.

Existem nessa classificação quatro níveis de hierarquia que permitem que as profissões possam ser classificadas. No nível 1 encontram-se 10 grupos principais: gerentes, profissionais, técnicos e profissionais associados, trabalhadores de apoio administrativo, serviços e vendedores, trabalhadores agrícolas, florestais e pesqueiros, trabalhadores artesanais e comércios relacionados, operadores e montadores de instalações e máquinas, ocupações elementares, ocupações das forças armadas; no Nível 2 são abordados 43 subgrupos principais; no nível 3 encontram-se 130 grupos menores; e a no nível 4 são apresentados 436 grupos de unidades (ILO, 2012).

A ISCO-08 tem como principais objetivos oferecer uma base de relatórios internacionais, de comparação e troca de dados estatísticos e administrativos sobre as ocupações; ainda servir de modelo para o desenvolvimento das classificações nacionais e regionais ou ser um modelo usado diretamente por países que não desenvolverem suas próprias classificações (ILO, 2012).

Considerando um dos objetivos da ISCO-08 que é ser modelo para o desenvolvimento de outras classificações, encontramos a nível europeu a European Skills, Competences, Qualifications and Occupations (ESCO). Essa classificação é considerada uma classificação multilíngue das aptidões, competências, profissões e

qualificações, uma vez que está disponível em formato digital em 27 idiomas. Ela foi desenvolvida pela DG Emprego, Assuntos Sociais e Inclusão da Comissão Europeia e a sua primeira versão completa ESCO v1 foi publicada em julho de 2017 (ESCO, 2018).

A ISCO-08 serve como estrutura hierárquica para o pilar de ocupações da ESCO, sendo os quatro primeiros níveis oriundos da ISCO-08 e o quinto nível e inferiores desenvolvidos pela própria classificação europeia. Sendo assim, encontram-se atualmente nesta classificação 2942 ocupações e vinculadas a elas estão descritas 13485 habilidades (ESCO, 2018).

A ESCO tem por objetivo ser apoio para a mobilidade profissional na Europa, uma vez que oferece uma linguagem comum sobre as ocupações e as habilidades existentes em território europeu que podem ser utilizadas por diferentes partes interessadas, como por exemplo proporcionando os jovens uma busca facilitada pelo seu primeiro emprego ou auxiliando os empregadores a encontrar os candidatos desejados (ESCO, 2018).

A nível nacional, diversos países desenvolveram as suas próprias classificações e as atualizaram a medida em que a ISCO também foi sendo revista. Em Portugal foi desenvolvida em 2010 a Classificação Portuguesa das Profissões 2010 desenvolvida a partir da ISCO-08, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) de Portugal. No Brasil apresenta-se a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), que foi desenvolvida e posteriormente atualizada em sua 3ª edição em 2010 pelo até então Ministério do Trabalho e Emprego. Atualmente a revisão, adequação e atualização da CBO é de responsabilidade da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), empresa contratada pela Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia.

A estrutura básica da CBO foi inicialmente desenvolvida através de uma parceria entre o Governo Brasileiro e a Organização Internacional do Trabalho, tendo como base a própria Classificação Internacional das Ocupações. Este documento é considerado o normatizador do reconhecimento, nomeação, codificação dos conteúdos e títulos das ocupações presentes no mercado de trabalho brasileiro sendo que essas ocupações estão organizadas e descritas em famílias que são compostas por um conjunto de ocupações similares (MTE, 2010). A CBO encontra-se disponível em formato digital e é atualizada frequentemente consoante as mudanças na

sociedade, estando também disponível para consulta no site do Ministério da Economia3.

Além destes documentos governamentais que abordam as ocupações profissionais, ainda é possível analisar os cargos por outras perspectivas. De acordo com Silvers (2016) as funções são muitas vezes expressas em categorias tais como as dos domínios do EMBOK ou títulos de comissões, podendo essas categorias serem incorporadas em títulos de trabalho.

Especificamente no âmbito esportivo, Poit (2013) também apresenta algumas possibilidades de verificação dos cargos existentes em eventos de natureza esportiva. Ele apresenta 17 comissões e suas atribuições básicas, afirmando que:

Ao iniciar os preparativos de um evento, a montagem das diversas comissões se torna necessário. Elas visam o cumprimento de suas tarefas específicas objetivando o sucesso final do evento. É importante lembrarmos que a definição da quantidade de comissões e o número de membros de cada uma delas está relacionado com o tamanho do evento, natureza, objetivos, metas e suas características específicas. Mesmo um evento pequeno tem as atribuições das comissões realizadas por alguém, muitas vezes por uma única pessoa (Poit, 2013, p.91).

As comissões apresentadas e descritas pelo autor são: comissão central organizadora; de honra; de informática; administrativa; técnica; de arbitragem; de finanças; de transporte; recepção e solenidades; de relações públicas; de segurança e gerenciamento de risco; médico hospitalar; de hospedagem e alimentação; de marketing e promoção; disciplinar; para voluntariado; de logística. Além destas, Poit (2013) ainda afirma ser possível ser acrescidas mais comissões, denominadamente: instalações esportivas e não esportivas; serviço ao espectador; patrocínios e bilheteria; tecnologia da informação; operações de imprensa e televisão; serviço de credenciamento; viagens e hospedagem; limpeza e administração do lixo; alimentação; gerenciamento de imagem e assessoria de imprensa; comunicação direta ao público, etc.

Ainda, voltado para o ambiente esportivo, o guia de organização de eventos proposto pela SportAccord tem um capítulo designado para os cargos a serem considerados nos eventos esportivos. Denominado de participantes do evento, este apresenta uma lista de cargos e uma breve definição de cada um deles (SportAccord, 2017).

3 Ministério da Economia – Secretária do Trabalho - Classificação Brasileira das Ocupações.