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Riksrevisjonens undersøkelse av statens arbeid med CO 2 -håndtering

Chegados a este ponto, a tendência para um repensar do jornalismo e do seu ensino nas instituições públicas é notória sobre alguns aspectos. Inquirindo alguns dos profissionais sobre esta matéria de revisão do ensino, vejamos o que têm a dizer. Os entrevistados falam

153 Na licenciatura em Jornalismo da ESCS, a licenciatura possui 15 das 41 disciplinas do antigo plano. Durante três anos essas mesmas disciplinas foram quase todas mantidas nos mesmos anos. Com designações semelhantes somamos mais algumas, nomeadamente as línguas, o Direito da Comunicação, a Sociologia da Comunicação Social e os ateliers de jornalismo escrito. Estes ateliers sofreram também algumas alterações, passando a disciplina de opção. Foi ainda acrescentada a opção de escolha do jornalismo digital.

Na licenciatura em Tecnologias da Comunicação da ESTGM optou também pelos seis semestres, mantendo as cinco disciplinas de cada um, à excepção do último. No novo plano surgem apenas 3 disciplinas novas, sendo todas as restantes com designação igual ou semelhante ao do antigo plano de estudos e cuja única alteração foi a transição para outro ano, deixando de fora dez disciplinas.

154 Na UTAD também foi retirado um ano à licenciatura em Ciências da Comunicação. Com designação igual ou semelhante junta 30 disciplinas do antigo plano de estudo, abdicando de 56 disciplinas, se olharmos ao conjunto das opções do curso. São onze as disciplinas com designação nova que apresenta o novo plano de estudos.

A licenciatura em Ciências da Comunicação da UBI conta com 45 disciplinas do antigo plano de estudos, com designação igual ou semelhante. Reduzida igualmente a seis semestres, estas disciplinas apresentam também, como todas as anteriores, algumas mudanças de ano lectivo. De fora do novo plano ficaram 26 disciplinas e surgiram 5 novas.

Na UNL, a licenciatura em Ciências da Comunicação começou também a funcionar sob os moldes de Bolonha no ano lectivo 2006/07. Não sendo referida qualquer alusão ao ano em que são leccionadas as disciplinas, não é possível verificar se transitam ou mantêm o ano lectivo. O novo plano de estudos possui um tronco comum de 20 disciplinas, das quais duas são novas. Após o mesmo, são leccionadas quatro áreas opcionais: Cinema e Televisão, Comunicação, Cultura e Artes, Comunicação Estratégica, e Jornalismo. Termina a área opcional de Audiovisuais e Media Interactivos, Cinema, Comunicação e Cultura, e Comunicação Institucional, mantendo-se apenas com a mesma designação a área opcional de Jornalismo. Ao todo soma 24 disciplinas de designação igual ou semelhante à do tronco comum. Algumas disciplinas deste tronco comum passam para as áreas de opcionais (História da Imagem, História do Cinema, Cultura Contemporânea). Existe um outro número de disciplinas que transitam entre as várias áreas opcionais. Nas de Cinema e Televisão e de Comunicação, Cultura e Arte juntam-se várias disciplinas inseridas nas áreas de Audiovisual e Media Interactivos, de Cinema. Todas as disciplinas que transitaram de Comunicação Institucional foram para Comunicação Estratégica, assim como quase todas as de Jornalismo. As disciplinas de Minor não foram incluídas no novo plano. Do Percurso 2 contam-se 21 disciplinas no novo plano de estudos, havendo nove com designação completamente nova.

sobre as novas formas de fazer jornalismo e a necessidade de haver uma reestruturação ou acompanhamento das mudanças do jornalismo. Assim o vêm afirmando vários autores e profissionais (Baptista, 2003b; Mesquita & Ponte, 1997).

Vilas-Boas (Entrevista: 14 de Setembro de 2006) define o jornalismo de hoje como interdisciplinar, ou seja, há uma interdependência entre os vários tipos de órgão de comunicação para complementar a informação de cada uma. «O jornalista não pode deixar de viver nesse universo e é a partir daí que ele vai construir a informação que reelaborada vai também transmitir aos outros. Para além daquela que ele possa ter, como exclusiva, o jornalista vai ter que contar, vai ter que conferir a sua própria informação com o universo de outras informações que estão a acontecer ao mesmo tempo», refere.

As reestruturações referidas pelo jornalista (Entrevista: 14 de Setembro de 2006) passam pela obrigatoriedade de uma «maior selectividade dos candidatos, uma maior seriedade da selecção dos docentes e uma maior responsabilidade das universidades na conclusão dos cursos e na exequibilidade de lugares no meio da comunicação social». O acompanhamento obrigatório dos estágios e custeado pela própria instituição de ensino e o maior suporte tecnológico possível para a execução de trabalhos jornalísticos terminam a lista de reestruturações propostas por Vilas-Boas. São, de facto, pontos a ter em conta pelas universidades se recordarmos a realidade observada até agora na nossa investigação.

Nas suas críticas, Carvalho (Entrevista: 13 de Outubro de 2006) fala na falta de capacidade das licenciaturas em comunicação e jornalismo de dotar os seus estudantes com as ferramentas básicas para poder singrar na sua profissão, por via da rapidez com que o jornalismo está a mudar e que torna o actual modelo de ensino e a estrutura curricular em obsoleto no prazo de cerca de cinco anos. Ou seja, de acordo com o jornalista do

Público

, há uma falta de actualização dos currículos e «veleidades ao nível da formação de jornalistas». Para essa actualização ou formação de novas licenciaturas, os profissionais deviam ser tidos em conta, havendo já alguma preocupação nesse sentido, de acordo com a sua opinião. Este aspecto é igualmente referido por Zelizer (1998) há quase dez anos, quando afirma que o jornalismo está a crescer rápido, o que dificulta o seu estudo académico.

Para uma preparação para o futuro, as instituições de ensino superior devem ter em conta as mudanças que estão a ocorrer no jornalismo: a concorrência dos

blogs

, a crise dos

jornais em papel, a excelência dos formatos online que afecta também a rádio e a televisão. Como exemplo, o jornalista afirma que se diz que a última edição em papel do

New York Times

sai em 2014. As mudanças decorrem de uma forma tão veloz que é difícil perceber-se quais são as reais necessidades do jornalista. Não somos detentores da solução para esta adaptação, pois um acompanhamento real, se de facto as mudanças ocorrerem a tal velocidade, provocaria uma invasão de reestruturações que seria bloqueada pela burocracia do ensino superior.

Esta mudança veloz é apenas notada a nível técnico por Marcelino (Entrevista: 9 de Outubro de 2006). O produto final, a essência da notícia, é o mesmo desde há cinquenta anos. No entanto, essa aproximação às novidades da técnica é vista como útil pelo jornalista. Por isso Carvalho (Entrevista: 13 de Outubro de 2006) aconselha mais uma vez a introdução da componente e das ferramentas tecnológicas necessárias ao trabalho dos jornalistas nas licenciaturas de Jornalismo e Comunicação. O que as universidades estão a perder é a noção da realidade do «negócio e da vida nas redacções dos jornais (…), não sei como é que é na rádio e na televisão, mas pressinto que é o mesmo», como também concorda Silva (Entrevista: 12 de Setembro de 2006).

Carlos Daniel (Entrevista: 6 de Novembro de 2006) conta que o principal desafio futuro do ensino do jornalismo e comunicação é a «adequação da formação ao mercado», em concordância com os jornalistas referidos anteriormente, conseguindo-se uma maior competência dos profissionais a nível de formação e adequação a um mercado que é «mais variado, mais exacto e mais curto». O jornalista da RTP afirma que as instituições deviam procurar fazer uma «revisão, tanto quanto possível, curricular, e irem à procura daquilo que contribua para o sucesso das pessoas depois quando acabam o curso».

Já falámos aqui também da opinião manifestada por Vieira (Entrevista: 17 de Outubro de 2006) e que se prolongou ao longo de toda a entrevista. O director de informação da SIC nota uma carga teórica em demasia nas licenciaturas e exige três áreas para uma boa licenciatura: o «conhecimento geral, académico puro e duro», o «conhecimento da realidade, ou seja, tentar ajustar o conhecimento académico geral ou mais teórico (…) nas várias áreas» e «a parte técnica jornalística em função de cada meio.» Assim, para este ensino se preparar para o futuro, aconselha a adaptar as licenciaturas mais à realidade das empresas de comunicação social e «às previsões de longo prazo», dar aos alunos «uma maior estrutura de cultura (…) [e] do

mundo, mais vivência, (…) obrigar os alunos a ler todos os dias o jornal, em vez de os obrigar a ler livros», discutindo as temáticas da actualidade, como havia já afirmado Carvalho (Entrevista: 13 de Outubro de 2006).