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Como foram verificados nos levantamentos empíricos anteriores, existe certa regularidade distinta na variação de emprego e produto de setores tradicionais, para setores mais dinâmicos da economia. Identificar esta regularidade é fundamental

108 para definir uma estratégia de ajuste na indústria, considerando os objetivos de geração de emprego e crescimento do produto. Toyoshima (1997) traz à tona o trabalho de Najberg & Vieira (1996), que busca relacionar 41 setores da economia com seu potencial de geração de emprego e geração de crescimento da economia, utilizando a metodologia da matriz insumo-produto. Na tabela baixo foi utilizado o Modelo de Geração de Empregos do BNDES que estabelece as seguintes definições sobre as variáveis analisadas:

a) Emprego direto: Corresponde à mão de obra adicional requerida pelo setor onde se observa o aumento de produção. Por exemplo, um aumento de demanda por vestuário impulsionará as empresas do setor a aumentarem sua produção, de forma a atender esse aumento de procura, contratando novos trabalhadores. No caso específico do emprego direto, portanto, haverá variação no nível de emprego no setor onde ocorreu o aumento de demanda.b) Emprego indireto: Corresponde aos postos de trabalho que surgem nos setores que compõem a cadeia produtiva, já que a produção de um bem final estimula a produção de todos os insumos necessários à sua produção. No exemplo anterior, para que sejam fabricadas roupas adicionais, é necessária a produção de fios e algodão, entre outros produtos, estimulando a indústria têxtil e a agricultura e gerando novos postos de trabalho nesses setores. Desse modo, um aumento de demanda em um setor específico (no caso Vestuário) provoca um aumento de produção não apenas do setor, mas ao longo de toda a cadeia produtiva.c) Emprego efeito-renda: Obtido a partir da transformação da renda dos trabalhadores e empresários em consumo. Parte da receita das empresas auferida em decorrência da venda de seus produtos se transforma, através do pagamento de salários ou do recebimento de dividendos, em renda dos trabalhadores e dos empresários. Ambos gastam parcela de sua renda adquirindo bens e serviços diversos, segundo seu perfil de consumo, estimulando a produção de um conjunto de setores e realimentando o processo de geração de emprego. No exemplo anterior, um aumento da demanda de vestuário gera empregos diretos no próprio setor e indiretos na indústria têxtil e na agropecuária, por exemplo, que fornecem parte dos insumos necessários para a produção das novas roupas. Esses trabalhadores adicionais, ao receberem seus salários, gastam uma parte de sua renda em consumo, comprando alimentos, consumindo serviços diversos, como restaurantes ou cinemas, e inclusive comprando roupas, o que aumenta ainda mais a demanda e os empregos no setor (Najberg e Pereira, 2004, p 1).

109 TABELA 4.1 - GERAÇÃO DE EMPREGO E DE CRESCIMENTO E IMPORTAÇÃO

DOS SETORES DA ECONOMIA BRASILEIRA

Código Setores Emprego (ordem) Setors- chave Import. (Ordem) Direto Indireto Efeito- Renda Total

1 Vestuário 1 15 8 1 Sim 33

2 Agropecuária 2 14 9 2 Sim 34

3 Madeira e mobiliário 4 8 10 3 Sim 30

4 Calçados 5 9 30 4 Sim 12

5 Comércio 3 36 7 5 Não 36

6 Abate de animais 27 1 13 6 Sim 37

7 Indústria do café 28 2 12 7 Sim 40

8 Outros prod. aliment. 8 7 27 8 Sim 14

9 Ind. Laticínios 35 3 15 9 Sim 32

10 Benef. Prod. Vegetais 23 5 25 10 Sim 10

11 Óleos vegetais 40 4 19 11 Sim 16

12 Administração pública 6 35 3 12 Não 35

13 Açúcar 25 6 16 13 Sim 27

14 Serv.Prest. À família 7 17 26 14 Não 28

15 Min. Não-Metálicos 11 20 17 15 Sim 23

16 Elementos Químicos 41 34 41 16 Sim 13

17 Construção civil 9 23 33 17 Não 31

18 Têxtil 17 12 22 18 Sim 18

19 Extrativa mineral 10 27 18 19 Não 21

20 Outros metalúrgicos 13 21 20 20 Sim 22

21 Indústrias diversas 15 25 11 21 Não 26

22 Cel. Papel 21 11 21 22 Sim 15

23 Transportes 12 32 39 23 Não 5

24 Serv.Prest.à empresa 14 37 4 24 Sim 40

25 Peças e out. veículos 19 19 29 25 Sim 11

26 Siderurgia 38 13 34 26 Sim 9

27 Autom. Cam. E. onibus 32 16 31 27 Sim 16

28 Borracha 22 22 36 28 Sim 8

29 Artigos plásticos 16 33 28 29 Não 20

30 Máquinas e equipamentos 30 28 14 30 Sim 19

31 Fannac. E veterinária 29 18 35 31 Não 3

32 Material elétrico 31 24 24 32 Não 17

33 Comunicações 18 39 24 33 Não 25

34 Quúnicos diversos 20 29 24 34 Não 4

35 Petróleo e gás 39 31 24 35 Não 24

36 Inst. Financeiras 26 41 24 36 Não 39

37 Metal. Não-ferrosos 36 26 24 37 Sim 6

38 Aluguel de imóveis 37 40 24 38 Não 41

39 Equip. eletrônicos 34 30 24 39 Não 2

40 Serv.lnd. Util 33 38 24 40 Não 7

41 Refino de petróleo 41 34 24 41 Sim 1

110 No trabalho as autoras demonstram que os nove setores que mais geram crescimento estão ente os 12 que mais geram empregos. Também fica claro que os setores tradicionais também necessitam de pouca importação para ampliar a produção. Com o objetivo de demonstrar em que posição os setores se encontram no que diz respeito à geração de emprego e crescimento econômico, as autoras disponibilizam um gráfico que faz uma divisão dos setores em quatro quadrantes que estabelecem os setores que estão acima e abaixo da média de geração de emprego e crescimento.

GRÁFICO 4 FONTE: a) Toyoshima (1997) b) Com dados de 4.13 - CRESCIMENTO ECONÔMICO X G EMPREGO FONTE: a) Toyoshima (1997)

Com dados de Najberg & Vieira (1996)

111 GERAÇÃO DE

112 As autoras fazem os seguintes esclarecimentos quanto ao gráfico:

A linha vertical no centro representa a média dos setores em termos de geração de crescimento econômico e a linha horizontal, a média dos setores em termos geração de emprego. Assim, no Quadrante I encontram-se os setores que estão acima da média em relação à geração de emprego, mas abaixo da média quanto a ser importante impulsionador do crescimento econômico. Nele estão compreendidos a agropecuária, o comércio, os serviços prestados à família e a administração pública. No Quadrante lI se encontram aqueles setores que estão acima da média quanto àqueles dois fatores. São eles: de vestuário, madeira e mobiliário, calçados, abate de animais, industrialização de café, outros produtos alimentícios, laticínios, produtos vegetais, óleos vegetais e açúcar. Observa-se, assim, que se encontram neste quadrante somente as indústrias tradicionais. No Quadrante III estão aqueles setores que estão abaixo da média nos dois fatores. São eles: extrativa mineral, petróleo e gás, refino de petróleo, equipamentos eletrônicos, químicos diversos, farmacêutica e veterinária, artigos plásticos, indústrias diversas, serviço industrial de utilidade pública, transportes, comunicações, instituições financeiras, serviços prestados à empresa e aluguel de imóveis. No Quadrante IV se encontram os setores que são impulsionadores do crescimento, mas que geram emprego abaixo da média dos setores, como o siderúrgico, metalúrgico, de automóveis, caminhões e ônibus, de autopeças, de máquinas e equipamentos, de material elétrico, de celulose, papel e gráfica, de borracha, de elementos químicos e têxteis. Por fim, o setor de construção civil e o de minerais não metálicos se encontram na média em termos de geração de emprego, mas o primeiro está abaixo da média quanto ao fator crescimento econômico e o segundo, acima da média (TOYOSHIMA, 1997, p 139).

No gráfico podemos perceber como os setores tradicionais possuem uma elevada importância no que diz respeito à geração de emprego e impulso ao crescimento econômico. Os setores tradicionais encontram-se na economia brasileira no quadrante II, estando assim acima da média de geração de emprego e crescimento. Dada a estrutura da economia brasileira, os setores mais dinâmicos estão não só abaixo da média na geração de emprego, como também abaixo na variável de crescimento. Podemos observar ainda que nos setores tradicionais concentram-se nos gastos da população mais pobre, uma vez que 55% dos gastos

113 desta população estão nos setores de alimentos bebidas e vestuários (TOYOSCHIMA, 1997).

A pesquisa de Najberg e Vieira (1996) nos permite entender a estrutura da indústria em um momento chave para a economia brasileira, momento de abertura comercial e exposição ao mercado mundial, estando o Brasil com uma indústria ainda não madura em termos de produtividade.

4.6.

Análise empírica de 2001 a 2002 do Modelo de Geração

de Emprego.

No trabalho Najberg e Pereira (2004) foram analisadas as variáveis: geração de emprego, elevação da produção, variação da produtividade e efeito renda, utilizando o Modelo de Geração de Empregos do BNDES (MGE). O trabalho citado busca uma analise dinâmica do reposicionamento dos setores da indústria brasileira com dados de 2001 e 2002 do IBGE. Ainda que o período observado seja demasiadamente curto, a relevância do trabalho Najberg e Pereira (2004) reside no fato de Najberg ter participado 8 anos depois de um trabalho reproduzindo uma metodologia semelhante a observada no trabalho Najberg & Vieira (1996). O debate apresentado em 1996 esteve fortemente influenciado pelo processo e abertura comercial do Brasil e grande parte das discussões residia em identificar se a abertura comercial era geradora ou destruidora de empregos no país e quais seriam os efeitos da variação de produtividade na estrutura da indústria brasileira. No trabalho Abertura comercial criando ou exportando empregos de Moreira e Najberg (1997), que não trataremos com profundidade, foi utilizado instrumental empírico para afirmar que abertura comercial destrói empregos e leva o Brasil a uma especialização em setores da indústria pouco intensivos em tecnologia no curto prazo, mas tende a ocorrer uma mudança substancial em médio e longo prazo, com geração de mais e melhores empregos e com elevação de tecnologia, mesmo em setores mais tradicionais.

114 Assim, analisaremos os dados do trabalho de Najberg e Pereira (2004) para observar se ocorreu um reposicionamento dos setores da indústria no período imediatamente posterior ao processo de abertura comercial ocorrido na década de 1990. Com isso, pavimentaremos o caminho para uma análise do trabalho de Nassif, Santos e Pereira (2008), que realiza um estudo de mais fôlego, com um horizonte de tempo mais largo e conclusões teóricas mais substanciais.

O Modelo de Geração de Emprego do BNDES analisado por Najberg e Pereira (2004) é um modelo que permite verificar o potencial de geração de empregos diretos, indiretos e efeito renda, diante de um aumento de 10 milhões na produção dos diferentes setores da economia, conforme a tabela abaixo. O modelo utilizado no artigo em questão pressupõe retornos constantes de escala, o que gera uma limitação para o modelo, mas não descarta seus resultados. A coluna de Rank apresenta em ordem decrescente em que posição a variável analisada está em números de empregos gerados. Para facilitar a visualização dos dados, colocamo- nos na ordem decrescente de geração de empregos totais, como se pode observar na tabela abaixo:

115 TABELA 4.2 - Empregos Gerados por Aumento de Produção de R$ 10 milhões

(preços médios de 2003)

SETOR

EMPREGO

Diretos Rank Indiretos Rank EFEITO- RENDA Rank TOTAL Rank

SERV. PREST. À FAMÍLIA 665 1 104 25 311 4 1080 1

ARTIGOS DO VESTUÁRIO 613 2 136 13 250 25 1000 2 AGROPECUÁRIA 393 4 131 15 303 7 828 3 COMÉRCIO 449 3 84 31 278 15 810 4 MADEIRA E MOBILIÁRIO 293 6 219 8 294 8 805 5 INDÚSTRIA DO CAFÉ 41 23 356 2 323 3 719 6 FABRICAÇÃO CALÇADOS 246 7 174 10 290 9 711 7 FABRICAÇÃO DE AÇÚCAR 32 29 307 6 337 1 677 8 ABATE DE ANIMAIS 36 27 358 1 270 18 664 9

PREST. SERV. À EMPRESA 293 5 63 37 288 12 645 10

BENEF. PROD. VEGETAIS 58 20 327 4 259 23 643 11

FAB. ÓLEOS VEGETAIS 8 40 350 3 284 13 642 12

INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS 29 30 326 5 267 19 621 13

OUTROS PROD. ALIMENT. 82 16 238 7 252 24 572 14

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 165 10 98 27 290 10 553 15 TRANSPORTES 219 8 96 29 237 29 551 16 CONSTRUÇÃO CIVIL 176 9 83 33 271 16 530 17 INDÚSTRIAS DIVERSAS 124 11 126 16 250 26 501 18 ELEMENTOS QUIMICOS 14 37 188 9 289 11 491 19 CELULOSE, PAPEL E GRÁF. 59 19 155 11 271 17 485 20 EXTRAT. MINERAL 90 14 126 17 266 20 481 21 MINERAL Ñ METÁLICO 99 12 117 20 261 21 477 22 OUTROS METALÚRGICOS 98 13 109 22 244 27 451 23 INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS 47 21 80 35 310 5 437 24 PETRÓLEO E GÁS 9 38 84 30 329 2 422 25 MÁQUINAS E EQUIP. 62 17 80 34 278 14 420 26 SIDERURGIA 8 39 135 14 259 22 402 27

PEÇAS E OUT. VEÍCULOS 37 26 117 21 234 30 387 28

IND. TÊXTIL 62 18 144 12 176 41 382 29 FARMAC. E VETERINÁRIA 38 24 117 19 222 33 377 30 MATERIAL ELÉTRICO 37 25 121 18 213 34 371 31 ARTIGOS PLÁSTICOS 88 15 68 36 206 38 362 32 IND. DA BORRACHA 23 32 108 23 229 31 360 33 QUÍMICOS DIVERSOS 26 31 99 26 213 35 339 34 EQUIP. ELETRÔNICOS 41 22 83 32 208 36 332 35 ALUGUEL DE IMÓVEIS 15 36 10 41 307 6 331 36 AUTOM./CAM/ONIBUS 16 35 108 24 203 39 326 37 METALURG. Ñ FERROSOS 18 34 97 28 202 40 316 38 COMUNICAÇÕES 33 28 45 39 227 32 305 39 S.I.U.P. 21 33 41 40 238 28 299 40 REFINO DO PETRÓLEO 2 41 62 38 208 37 271 41

FONTE: NAJBERG E PEREIRA, 2004,

116 GRÁFICO 4.14 - Gráfico de Empregos Gerados por Aumento de Produção de

R$ 10 milhões

(preços médios de 2003)

FONTE: a) Modelo de geração de Empregos – BNDES

b) Elaboração própria a partir da matriz insumo-produto de 1990 do IBGE e da tabela de NAJBERG E PEREIRA, 2004, 0 100 200 300 400 500 600 700 IND. TÊXTIL AUTOM./CAM/ONIBUS EQUIP. ELETRÔNICOS MATERIAL ELÉTRICO FARMAC. E VETERINÁRIA IND. DA BORRACHA TRANSPORTES OUTROS METALÚRGICOS INDÚSTRIAS DIVERSAS BENEF. PROD. VEGETAIS MINERAL Ñ METÁLICO INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS CONSTRUÇÃO CIVIL COMÉRCIO FAB. ÓLEOS VEGETAIS ELEMENTOS QUIMICOS ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA AGROPECUÁRIA INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS INDÚSTRIA DO CAFÉ FABRICAÇÃO DE AÇÚCAR EFEITO- RENDA Indiretos Diretos

117 Com base no modelo de geração de empregos do BNDES podemos visualizar que o aumento de R$ 10 milhões nos diferentes setores da economia, provocavam efeitos distintos nos tipos de empregos gerados entre os setores analisados. É possível constatar, a partir da análise dos dados observados na tabela 4.2, que o setor que mais gera empregos, na somatória das três categorias analisadas, é o setor de serviços prestados à família, com geração de 1.080 postos, seguido por artigos de vestuário, com geração total de 1.000 vagas de emprego. Em seguida, com pouco mais de 800 postos, vem agropecuária, comércio e madeira e mobiliário. Os piores colocados quando verificamos a soma total dos empregos gerados em tal metodologia são respectivamente refino de petróleo, serviço industrial de utilidade pública (S.I.U.P), comunicações e metalurgia de não ferrosos. Uma possível explicação para a baixa geração de emprego total em tais setores é que estes são os mais dinâmicos da economia e contam com uma elevada concentração de capital, assim, tendem a ser menos impactados por uma elevação de receita, quando comparados a setores menos intensivos em capital.

Quando analisamos a mesma tabela com base na geração de empregos diretos, os cinco mais bem colocados são os mesmos setores dos maiores geradores totais de emprego, porém o quadro se modifica quando analisamos os piores geradores de empregos diretos. São estes, na ordem: Refino de petróleo, Siderurgia, fabricação de óleos vegetais, petróleo e gás e elementos químicos. Os setores que geram menos empregos diretos são os setores de maior intensidade tecnológica.

Quando fazemos uma análise com base nas colunas de efeito-renda e geração de empregos indiretos, verificamos uma maior dispersão na geração de empregos entre setores dinâmicos e tradicionais. Isso ocorre porque, apesar dos setores tradicionais serem mais intensivos em mão de obra, os setores mais dinâmicos tem uma cadeia produtiva mais complexa, o que provoca um efeito de irradiação mais longo na economia como um todo.

No trabalho de Najberg e Pereira (2004), a exemplo do trabalho de Najberg & Vieira (1996), não basta a identificação dos setores com maior capacidade de

118 geração de emprego, uma vez que, se esta geração não estiver ligada com uma elevação de produtividade, tal geração de emprego tende a não ser sustentável no longo prazo em uma economia globalizada. Um estudo que vise contribuir na elaboração de eficientes políticas de geração de emprego, deve considerar também os recorrentes casos de empregos de baixa qualidade, baixa remuneração e elevada informalidade que se apresentam em boa parte dos casos na indústria tradicional.

Najberg e Pereira (2004) apresentam uma tabela dinâmica que mede o avanço da produtividade no período analisado:

119 TABELA 4.3 - Tabela de evolução da Produção e do Emprego entre 2001

e 2002

FONTE : NAJBERG E PEREIRA, 2004,

Para uma melhor visualização do potencial dos diversos setores quanto a sua capacidade de geração de crescimento e emprego, o trabalho de Najberg e Pereira

120 (2004) apresentou um gráfico de quatro quadrantes para analisar as variáveis. A novidade que o gráfico abaixo trás é uma reta diagonal que estabelece o desempenho dos setores quanto a sua produtividade:

GRÁFICO 4.15 - Variação da produtividade setorial entre 2001 e 2002

FONTE: NAJBERG E PEREIRA, 2004,

Quando verificamos a dispersão dos setores no gráfico, podemos tirar algumas conclusões salutares quanto à capacidade de geração de emprego. Mais do que verificar a quantidade de empregos criados, é necessário identificar quantos destes empregos estão em setores que tendem a ampliar sua capacidade produtiva e quantos destes podem abrir novas oportunidades de investimentos com ampliação ou diversificação da cadeia produtiva.

Dos setores com maior capacidade de geração de empregos totais ou diretos verificou-se que apenas o setor de Agropecuário contou com elevação da produtividade em 3,1%. O setor com maior capacidade de gerar empregos no

121 período analisado, que é o de serviço prestado à família, contou com uma redução de 2,7% na produtividade, seguido pelo de artigos de vestuário, com uma grande redução de produtividade de 7,9%. O setor do comércio sofreu queda de 5,1% de produtividade e o de Madeira e mobiliário redução de 4,4% de produtividade.

Dentre os setores com menor capacidade de geração de emprego no período analisado, temos o Refino de Petróleo com queda de 3,3% de produtividade; o setor de utilidade Pública, que contou com um ganho de produtividade na casa de 0,7%; seguido pelo terceiro pior em geração de empregos e o segundo melhor em produtividade, que é o setor de Comunicações com 9,8% de produtividade. Em seguida, o setor de Metalurgia de não Ferrosos, com perda de 2,9% de produtividade e o setor automotivo que não ganhou nem perdeu produtividade no período analisado.

A definição utilizada para elevação da produtividade é dada pela redução quantidade de trabalhadores para produção de determinada quantidade de produto. Naturalmente um setor que reduz a produtividade tende a utilizar mais força de trabalho, porém a redução da produtividade deve causar uma redução de competitividade, elevação de preço e possível redução de demanda no longo e médio prazo.

Como os dados utilizados neste trabalho são de um período relativamente curto, é difícil diferenciar tendências estruturais de tendências conjunturais, porém este nos permite identificar setores de maior ou menor instabilidade quanto ao crescimento e geração de empregos.

4.7.

Análise setorial de 1994 a 2006 com modelo dinâmico e