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Com base nos resultados obtidos, concluiu-se que a forma e a orientação do pavimento, o número e a orientação das paredes externas e aberturas, bem como o sombreamento destas e a distribuição espacial dos ambientes na planta do apartamento são características com grande influência sobre o desempenho da envoltória das unidades habitacionais e também com considerável potencial de melhoramento. Percebeu-se também que detalhes como o número de paredes externas, a princípio considerados irrelevantes, podem comprometer a classificação da envoltória.

Partindo do principio de que o método prescritivo do RTQ-R, apesar de suas limitações, identifica soluções mais eficientes para as edificações, buscou-se apontar algumas estratégias simples que podem ser adotadas para a obtenção de níveis mais altos de eficiência, como se verá nos itens a seguir.

6.4.1 FORMA E ORIENTAÇÃO DO PAVIMENTO TIPO

Foi visto no capítulo 2 que, em geral, a forma alongada é considerada pelos autores estudados a mais adequada para os edifícios no clima quente e úmido quando suas maiores fachadas são orientadas para as direções Norte e Sul. Por outro

lado, quando orientadas para o Leste e Oeste, edifícios com esta forma tenderiam a apresentar um pior desempenho termo-energético se comparados a edifícios com formas mais compactas.

Não se pretende, no entanto, apontar soluções rígidas para obtenção de níveis mais altos de eficiência energética. Muitas vezes fatores limitantes como a forma do terreno ou a adoção de uma determinada orientação a fim de valorizar uma paisagem implicam em soluções diversas. Ademais o projetista deve ter a liberdade de escolha na adoção das soluções projetuais, contanto que conheça o rebatimento dessas escolhas no desempenho da edificação e saiba mitigar os aspectos negativos das mesmas.

Desta forma, tanto os edifícios compactos podem apresentar níveis altos de eficiência para a envoltória quando o projeto desta é direcionado para tal, quanto os edifícios alongados orientados para o Leste e Oeste também podem ter seu desempenho melhorado através da adequação da envoltória a esta situação.

Na classificação dos modelos de análise, apresentada no capítulo anterior, todos os modelos haviam tido sua fachada principal orientada para a direção Leste. A fim de verificar a resposta das tipologias em estudo às demais orientações, classificou-se a envoltória de cada unidade habitacional novamente, considerando as demais orientações. O quadro a seguir compara os resultados obtidos referentes aos modelos 1 e 2.

Quadro 10 – Classificação da envoltória dos modelos de análise 1 e 2 de acordo com a orientação.

Orientação MODELO 1 MODELO 2

Norte

Sul

Leste

Oeste

Fonte - Elaboração da autora.

Tinha sido observado anteriormente, que os ambientes com apenas uma parede externa voltada para o Leste e Sul, apresentam classificação B; quando estas paredes estão direcionadas para o Norte ou Oeste, o ambiente recebe classificação C; e nos casos em que há mais de uma parede externa recebe classificação C. A análise das demais orientações demonstrou que, neste ultimo caso, quando as paredes externas estão orientadas para o Norte e Oeste, o ambiente recebe pode receber classificação C ou D.

Em geral, estes modelos apresentaram melhor desempenho quando orientados para a direção Sul e Leste e pior quando orientados para o Oeste.

Quadro 11 - Classificação da envoltória dos modelos de análise 3 e 4, de acordo com a orientação.

Orientação MODELO 3 MODELO 4

Norte

Sul

Leste

Oeste

Fonte - Elaboração da autora.

O modelo 3, por outro lado, foi melhor avaliado quando orientado para a direção Leste do que para o Sul. Tendo em vista que quase todos os ambientes deste modelo possuem mais de uma parede externa, independentemente da orientação, eles tendem a obter a classificação máxima no nível C quando não sombreados.

Observa-se, no entanto, que todos os ambientes de permanência prolongada da UH3A e da UH3B são sombreados verticalmente pela saliência no perímetro resultante do deslocamento da UH3B. Este sombreamento mínimo praticamente não interferiu no desempenho dos ambientes para todas as orientações, com exceção exatamente da direção Leste.

Isto se deve ao fato do regulamento determinar que, quando não existirem ângulos de sombreamento recomendados, mas a abertura apresenta algum tipo de sombreamento, deve-se adotar o valor máximo do somb igual a 0,50. Como não existem ângulos recomendados para aberturas pequenas em fachadas orientadas para o Leste, foi atribuído o valor de 0,5 ao somb dos ambientes das UHs 3A e 3B do modelo orientado para o Leste. Nos demais casos, o valor calculado do somb foi bastante inferior a este.

De acordo com Alice Ruck9, consultora do Laboratório de Conforto Ambiental da UFRN (Labcom/UFRN), a atribuição do valor máximo ao somb no caso de fachadas sem ângulos recomendados deveria apresentar um peso nulo no desempenho do ambiente, justificando esta determinação. Os resultados obtidos, no

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entanto, demonstram que, ao menos para a Equação 8, esta afirmativa não é verdadeira. Caso o valor atribuído para o somb tivesse sido zero nas fachadas orientadas para o Leste, a classificação dos ambientes seria mais aproximada daquela observada em relação à orientação sul e todas as unidades habitacionais teriam obtido a classificação C.

No modelo 4, a classificação dos ambientes se mostrou coerente com as tendências observadas. Para todas as orientações, os dormitórios receberam classificação C ou D devido à existência de mais de uma parede externa, com exceção do quarto de serviço, que além de possuir apenas uma parede externa apresenta sombreamento na abertura.

Diferentemente do modelo 3, a sala do modelo 4 possui apenas uma parede externa, que é sombreada, obtendo o nível A quando orientada para o Sul e B para as demais orientações. Considerado o peso da área da sala na ponderação para obtenção dos equivalentes numéricos, apenas as unidades habitacionais com a maior fachada orientada para o Oeste não recebeu a classificação B.

Quadro 12 - Classificação da envoltória dos modelos de análise 5 e 6 de acordo com a orientação.

Orientação MODELO 1 MODELO 2

Norte Sul Leste

Oeste

Fonte - Elaboração da autora.

Os modelos de análise 5 e 6, por fim, apresentaram o mesmo comportamento observado nos modelos 3 e 4 para a classificação de suas envoltórias em relação às orientações analisadas.

6.4.2 ÁREA, ORIENTAÇÃO E SOMBREAMENTO DAS ABERTURAS

Para analisar a influencia do sombreamento das aberturas na envoltória das edificações, foram selecionados dois modelos de análise representativos do comportamento observado nos demais (modelos 5 e 6), e as envoltórias de suas unidades habitacionais foram novamente classificadas para cada orientação, considerando três situações: a) com o sombreamento verificado no modelo; b) com o sombreamento máximo em todas as aberturas e c) sem sombreamento nas aberturas.

O quadro 13, a seguir, aponta os resultados obtidos para o modelo de análise 6. As aberturas que já possuíam o sombreamento máximo permaneceram com a mesma classificação na situação “b”, assim como aquelas sem nenhum sombreamento, na situação “c”.

Quadro 13 - Comparação entre os desempenhos dos modelos de análise.

MODELO 5

Somb verificado Somb máximo Somb nulo

N o rt e S u l