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4. Results

4.2. The Results of the Student Survey

Os dados relativos às histórias ou situações 1, 2 e 3 foram analisados de forma qualiquantitativa. Na parte quantitativa descritiva, utilizamos os dados da primeira parte do roteiro das entrevistas (perfil do entrevistado), quando definimos a frequência da amostra, caracterizando-a de acordo com as categorias representativas (escolas estaduais, municipal, atuação docente, etc). A parte qualitativa da análise foi feita utilizando-se as entrevistas propriamente ditas, privilegiando-se, inicialmente, a leitura dinâmica e, posteriormente, utilizando-se o software Qualiquantisoft, mediante a metodologia do DSC (Lefevre & Lefevre, 2011a, b).

Adotamos como referencial teórico-metodológico a TRS (Moscovici, 1978, 2005), aliada ao DSC, por entendermos que esta metodologia vai ao encontro das respostas que buscamos, uma vez que o DSC permite recuperar a densidade discursiva ou a complexidade do pensamento coletivo. A diversidade e

a pluralidade semântica dos diferentes atributos alcançados pela amplitude das representações também foram considerados (Lefevre & Lefevre, 2005).

Segundo Lefevre e Lefevre (2010a, 2011a, b), o software

Qualiquantisoft, tem sido um grande aliado na análise de dados de pesquisas que

utilizam o DSC como metodologia. Este software é um programa de computador, elaborado pelos professores Fernando Lefevre e Ana Maria Cavalcanti Lefevre e a empresa de informática Sales e Paschoal Informática, em parceria com a USP. Segundo os autores, o referido software permite associar “pensamentos, crenças, valores, representações”, o que vem ao encontro de nossos objetivos. Porém, ressaltam que o “Qualiquantisoft não substitui de forma nenhuma o papel do pesquisador (...), não faz nada pelo pesquisador, mas faz muita coisa para o pesquisador” (Lefevre & Lefevre, 2011b, p. 4, destaques dos autores).

Os componentes presentes no Qualiquantisoft permitem a realização da análise completa das falas dos entrevistados, extraindo-se o discurso desses sujeitos, que foram apresentados como fala de um único sujeito (coletivo). O referido software constitui-se de quatro partes, a saber: a primeira parte,

Cadastros, permite arquivar dados relativos aos entrevistados. No componente Análises, segunda parte, é possível realizar todas as tarefas necessárias à

construção dos discursos. As Ferramentas permitem a exportação e a importação de dados e a extração dos resultados da pesquisa e, por fim, os Relatórios organizam e permitem a visualização e impressão dos resultados da investigação.

Para iniciar a análise dos dados de nosso estudo, entramos no programa Qualiquantisoft e cadastramos nossa pesquisa, no componente

Cadastros. A partir daí, inserimos todas as informações referentes à primeira

parte do roteiro das entrevistas (perfil do entrevistado): nome fictício do entrevistado44, idade, sexo, turno de regência, atuação docente, entre outras.

44

Constituído a partir da sigla de nomeação da escola participante (EEA, EEB, EEJJ ou EMIP), mais o número correspondente à entrevista de cada participante. Por exemplo, EEA1 quer dizer que se trata do primeiro docente entrevistado da EEA.

Em seguida, entramos no componente Análises e, posteriormente, em IAD1 (Instrumento de Análise de Discurso 1), quando transcrevemos as respostas dos entrevistados: EEA1 ao entrevistado EEA24; do entrevistado EEB1 ao EEB12; do EEJJ1 ao EEJJ14, procedendo-se da mesma forma para os demais, até o último entrevistado, o EMIP15.

Com o cadastro de todos os docentes participantes da pesquisa efetuado, e todas as respostas transcritas para o software, iniciamos a análise dos dados, quando extraímos as ideias centrais das expressões-chave das respostas dos entrevistados cadastrados.

Em Ou isto ou aquilo (1964), a grande poetisa brasileira Cecília Benevides de Carvalho Meireles, sabiamente, deixa claro que escolher não é fácil. Na exatidão de sua mensagem, sentimos o que a poetisa quis passar quando escolhemos as ideias centrais dos discursos coletivos, o que exigiu estudo e reflexão acerca do que seria importante. Após decisão exclusiva do pesquisador, obtivemos as referidas ideias centrais, tendo como referência o conteúdo. Segundo Lefevre e Lefevre (2011b), não se trata de interpretar a resposta do depoente, trata-se de extraí-la exatamente como foi emitida. Para identificar as expressões-chave, buscamos os trechos reveladores dos discursos dos sujeitos, através de suas representações, contidas nas ideias centrais.

Em seguida, categorizamos as respostas dos depoentes de acordo com as similaridades apresentadas e, finalmente, no Instrumento de Análise de Discurso II (IAD II), ferramenta utilizada na verificação da existência da ancoragem, extraímos a ideia central e editamos o DSC, que é uma síntese da aglutinação das respostas semelhantes de todos os depoentes daquela categoria, redigida na primeira pessoa do singular, composto pelas expressões-chave que apresentaram a mesma ideia central ou ancoragem.

A Figura 1, na página seguinte, traz o retrato de um DSC tratado, com todos os passos necessários à sua composição.

FIGURA 1: Espelho da tela do software Qualiquantisoft – DSC da Situação 1

Adotamos diversos cuidados metodológicos durante os procedimentos de tratamento dos dados, com o objetivo de garantir a precisão na extração das representações sociais, dos participantes do estudo, sobre o fenômeno da deficiência, tendo a preocupação de identificar a pluralidade discursiva do pensamento coletivo. Coletamos os dados levando em consideração as perspectivas da pluralidade semântica dos discursos referentes ao fenômeno da deficiência, apresentados por esses profissionais que ensinam Matemática.

IV – RESULTADOS E DISCUSSÕES

Um homem que não sabe expressar seus pensamentos está no mesmo nível daquele que não sabe pensar.

Benjamim Franklin

Priorizamos, nesta Tese, investigar as representações sociais dos entrevistados sobre assuntos relacionados ao fenômeno da deficiência, dada sua importância indiscutível como promotora das relações sócio-culturais adquiridas no processo de inclusão de alunos que apresentam deficiência. Assim, a contextualização e as reflexões acerca das representações sociais que as professoras e os professores entrevistados têm sobre a temática, o estatuto epistemológico da pesquisa e o estudo detalhado dos discursos desses atores, constituem o cerne das discussões que orientam as respostas apresentadas nas distintas situações.

A investigação teve como objetivos analisar, identificar e apresentar as representações sociais que as professoras e os professores que ensinam Matemática, em quatro escolas públicas de São Paulo, têm sobre o fenômeno da deficiência; situar a comunidade acadêmica nos distintos conceitos adotados nesta pesquisa; caracterizar a Educação Especial, seus marcos e sua evolução histórica; caracterizar, de um modo geral, o aluno que apresenta deficiência e os ambientes escolares onde ocorreu o presente estudo; identificar pesquisas empíricas relacionadas ao ensino de Matemática para alunos que apresentam deficiência e, ainda, identificar que conhecimentos, opiniões e dúvidas, sobre essa temática, têm os entrevistados, no contexto desta pesquisa. Neste sentido, tomamos as palavras de Vygotski (2001, p. 82) para complementar nossa ideia:

A ciência estuda não só o dado imediato e reconhecível, mas também toda uma série de fatos e fenômenos que podem ser estudados de forma

indireta, através de vestígios, análise e reconstituição, e com auxílio de material que não só difere inteiramente do objeto de estudo como, amiúde, é notoriamente falso e incorreto em si.

Nas três situações propostas, os dados geradores dos Discursos do Sujeito Coletivo (DSC) foram analisados utilizando-se o software Qualiquantisoft, quando seguimos as orientações metodológicas recomendadas por Lefevre e Lefevre (2010a) para sua construção.

As histórias criadas para a recolha dos dados através das entrevistas simularam situações cotidianas, que podem ocorrer tanto na sala de aula regular quanto em outros setores educacionais e sociais, e tiveram como objetivo estimular o entrevistado a falar livremente sobre a temática.

As situações propostas remetem a preconceitos da deficiência, opiniões sobre a inclusão do aluno com deficiência em aulas regulares de Matemática e conceituação da deficiência por parte de professoras e professores que ensinam Matemática na Educação Básica.

Relembramos que, para a feitura de cada DSC propriamente dito, adotamos diversos procedimentos metodológicos e utilizamos o software

Qualiquantisoft, cujo universo representacional trouxe as ideias, crenças e valores

comuns compartilhados por um determinado grupo social, em relação a um determinado assunto. Os discursos foram redigidos na primeira pessoa do singular, “mas representam o pensamento de várias pessoas que pensavam de modo semelhante (...) e, por isso, foram unificadas num discurso coletivo” (Lefevre & Lefevre, 2010b, p. 47).

Detalhadamente, os procedimentos realizados foram indicados na seção anterior e foram, resumidamente, os seguintes: cadastramos a pesquisa no

Qualiquantisoft; inserimos todas as informações referentes ao perfil do

entrevistado; transcrevemos as respostas das entrevistas; analisamos os dados; extraímos as ideias centrais das expressões-chave das respostas anteriormente cadastradas; categorizamos as respostas dos depoentes de acordo com as similaridades apresentadas e, finalmente, editamos os DSC.

A indicação dos DSC encontrados em cada uma das três histórias propostas, com as respectivas representações do objeto de investigação, de forma a permitir uma visão individual e, posteriormente, globalizada das opiniões dos entrevistados, foi feita mediante o mapeamento de indicadores que os depoentes se apropriaram para caracterizar o objeto investigado, considerando tantos os referenciais culturais, quanto os sociais e pedagógicos, uma vez que as representações sociais estão relacionadas com o contexto sócio-histórico dos envolvidos e não com verdades absolutas (Jodelet, 2001b).