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Para a realização desta pesquisa, adotamos a entrevista como instrumento principal de coleta de dados. Mediante os objetivos da proposta de investigação, o tamanho da amostra, a duração da pesquisa e sua complexidade, desenvolvemos um estudo pautado na realidade presente nas escolas públicas das redes Municipal e Estadual de São Paulo, participantes da investigação, uma vez que a coleta e análise dos dados e a realidade apresentada nas respostas dos participantes foram submetidas à investigação do conteúdo das representações sociais sobre o fenômeno da deficiência, presente na atuação de professoras e professores que ensinam Matemática. Para Abric (1994), as representações de um grupo se definem mediante o conteúdo e pela estrutura organizacional interna.

Desse modo, utilizamos, também, a análise documental,

complementarmente à entrevista, com procedimentos de análise qualitativa e quantitativa, isto é, com a mesclagem desses dois procedimentos, legitimando o caráter de análise qualiquantitativa.

3.4.1 – Análise documental

Com o objetivo de traçar o perfil dos programas de atendimento ao aluno que apresenta deficiência, nos quais estão inseridos os participantes da pesquisa, realizamos uma análise nos documentos existentes no âmbito das Unidades de Ensino e Secretarias de Educação, Municipal e Estadual, com vistas a um levantamento dos projetos de atendimento pedagógico para os alunos com NEE.

Solicitamos, também, dados da clientela atendida, devidamente extraídos dos censos escolares, atas de reuniões, projetos específicos e Projeto Político-Pedagógico da Escola.

Analisamos o teor dos documentos oficiais, como a Resolução SE 11 (SÃO PAULO, 2008) e as Orientações para o Planejamento Escolar 2011 (São Paulo, 2011), que normatizam o atendimento ao aluno que apresenta deficiência, no âmbito da Rede Estadual de Ensino, e a Política de Atendimento a Crianças, Adolescentes, Jovens e Adultos com Necessidades Educacionais Especiais no Sistema Municipal de Ensino, que normatiza o atendimento ao aluno incomum na Rede Municipal de Ensino.

3.4.2 – Entrevista

Foi construído, pelo pesquisador, um roteiro de entrevista semiestruturada (Denzin & Lincoln, 1994), utilizado com os profissionais contemplados nesta pesquisa, constante no Anexo B.

O instrumento foi dividido em duas partes. Na primeira, a professora ou o professor entrevistados forneceram informações referentes ao seu perfil, tais como idade, gênero, tempo de experiência docente, turno de trabalho, atuação docente, entre outras.

Para a recolha dos dados, mediante a utilização da segunda parte da entrevista, confrontamos os participantes a três histórias que simularam o cotidiano de situações referentes à temática, como podemos ver a seguir:

Situação 1: Nesta situação tivemos como objetivo conhecer a opinião das professoras e dos professores entrevistados sobre as relações estabelecidas entre os alunos da escola regular e os alunos da Educação Especial, bem como identificar possíveis crenças e mitos referentes à educação do aluno que apresenta deficiência.

Maurício e Natália são amigos. Ambos estudam no Ensino Fundamental e na mesma classe. Muitas vezes, fazem as atividades de Matemática juntinhos. Mas isso tem preocupado o Professor de Matemática, o Vagner, pois ele acha que a Natália faz as atividades para o Maurício, que tem deficiência. Se você fosse o Professor Vagner, teria essa preocupação? Por quê?

Situação 2: Teve como objetivo verificar as opiniões, atitudes e comportamentos das professoras e dos professores entrevistados após confrontá- los a uma situação de preconceito vivida numa aula de Matemática.

Numa escola pública da cidade, vários alunos se reencontram e outros chegam de regiões diversas. É o momento de matar a saudade dos velhos amigos e fazer novas amizades. Na aula de Matemática, do Ensino Fundamental, que foi a primeira do dia, entrou uma colega nova, a Bruna. Carla conhecia a menina desde a época em que estudaram juntas. De repente, Carla fala:

- Ah não, de novo não! Estudei com esta menina deficiente e ela atrapalha a aula o tempo todo... Antes de terminar sua fala, a Professora Catarina a interrompe e diz a ela e aos colegas que...

Se você se colocasse no lugar da Professora Catarina, o que você diria à Carla e aos demais alunos da classe?

Situação 3: Na última história, expomos os entrevistados a uma narrativa que teve como objetivo desvelar os conceitos que os profissionais envolvidos na pesquisa têm sobre o fenômeno da deficiência.

Felipe estuda no Ensino Fundamental. Está empolgado com a Professora e com os novos coleguinhas que acabou de conhecer. Apesar de ainda não compreender bem, notou que na sala dele tem um amiguinho, o Caio, que é diferente. Outro dia, ouviu a Professora dizer que ele é deficiente. Aquilo ficou na cabecinha de Felipe e ele quer saber o que quer dizer isso. Num determinado momento, foi correndo perguntar à Professora o que quer dizer deficiente...

Se você tivesse que explicar ao Felipe o que é deficiência, o que diria a ele?

Os procedimentos adotados durante as entrevistas foram aqueles indicados por Bauer & Gaskell (2000), sendo primordial, durante a entrevista, enfatizar a confidencialidade dos dados coletados e do próprio depoente. Segundo os autores, isso faz com que os participantes deem respostas consistentes, gerando uma relação de confiança entre o entrevistado e o entrevistador. Algumas entrevistas foram gravadas, transcritas como texto, que foi utilizado na análise do DSC. Outras, a pedido dos entrevistados, foram respondidas no próprio inventário proposto pelo pesquisador.

Salientamos, novamente, que a opção pela utilização desse instrumento de coleta de dados, foi garantir a fidedignidade e precisão às respostas obtidas, bem como propiciar condições para a fluidez dos discursos dos indivíduos participantes do estudo. Para tanto, reexaminamos os dados coletados e fizemos anotações pessoais.