11. Conclusions and further work
8.5 Measurements
8.5.4 The results of the RTT measurements
Com relação à inovação, os argumentos dominantes sugerem que as inovações possuem um potencial para gerar retornos para as empresas (KANTER, 1985; SUN, 2011). A literatura aponta que as empresas que colaboram persistentemente com um determinado tipo de parceiro estão mais aptas a colher os benefícios destas parcerias, uma vez que estas empresas são susceptíveis a possuir rotinas organizacionais para a colaboração e ganharam experiência na gestão deste tipo de prática (DAS; TENG, 2000). Colaborações frequentes podem ser atraentes para uma aprendizagem efetiva, pois permitem a acumulação de confiança (GULATI, 1995), apoiando o intercâmbio de informações tácitas e de conhecimento (GILSING; NOOTEBOOM, 2006).
Uma inovação pode não produzir efeitos imediatos no desempenho de uma empresa, pois esta inovação pode necessitar de um certo período incubação para incrementar o desempenho de uma empresa. Esta consideração pode, contudo, ser diferente, dependendo do tipo de parceiro. Projetos com foco em pesquisa básica e aplicada são susceptíveis a períodos mais longos para gerarem retornos, porém projetos para resolver problemas tecnológicos cotidianos podem ter resultados imediatos (BELDERBOS et al., 2015).
Alguns pesquisadores destacam uma relação positiva entre inovação e desempenho empresarial, como nas 184 indústrias analisadas na Turquia (GUNDAY et al., 2011), enquanto outros abordam a falta desta relação, como nos casos das seis indústrias analisadas em Taiwan (SUN, 2011). Existem estudos onde empresas com relacionamento com universidades possuem desempenhos financeiros semelhantes às demais empresas (GEORGE; ZAHRA; WOOD, 2002).
A inovação neste estudo foi mensurada através de variáveis com medidas subjetivas baseadas em auto-relatos e expostos a julgamentos subjetivos de valor dos gestores das empresas, esta forma de medição é adequada para as empresas, já que medidas objetivas tendem a subestimar o grau de inovação (HUGHES, 2001; MADRID-GUIJARRO; GARCIA; VAN AUKEN, 2009). As mensurações de percepção são altamente correlacionadas com medidas de inovação e tem a vantagem de facilitar comparações entre as empresas de diferentes segmentos (FRISHAMMAR; HÖRTE, 2005).
Com base no estudo de Gunday et al. (2011), que solicitou aos gestores para que indicassem se a sua empresa tinha realizado procedimentos relacionados aos quatro tipos de inovação previstos no Manual de Oslo (OECD, 2007) e avaliar o grau de cada atividade inovadora (1-5 escalas de Likert, com 1-nunca; 2-imitado dos mercados nacionais; 3- imitado de mercados internacionais; 4-melhora em produtos existentes e 5-produtos originais implementados), foi realizada uma adaptação para mensurar a inovação nos parques tecnológicos. Os itens a seguir são relacionados ao estudo de Gunday et al. (2011). (1) Inovação de Produto: (a) desenvolvimento de novos produtos com as especificações técnicas e funcionalidades totalmente diferentes das atuais; (b) desenvolvimento de novidades para os produtos atuais com o objetido de melhorar a facilidade de uso para os clientes e melhorar a satisfação dos clientes; (c) desenvolvimento de produtos com novos componentes e materiais totalmente diferentes dos atuais; (d) diminuir custos de produção em componentes e materiais dos produtos atuais; (e) aumentar a qualidade na fabricação de componentes e materiais de produtos atuais
(2) Inovação de processo: (a) determinação e eliminação de atividades sem valor agregado em processos; (b) diminuição de custos em processos de manufatura, técnicas, maquinário ou software; (c) aumento da qualidade de saída em processos de manufatura, técnicas, maquinário ou software; (d) determinação e eliminação de custos em atividades sem valor agregado em processos de entrega; (e) diminuição de custo e/ou aumento na velocidade de entrega em processos logísticos.
(3) Inovação de marketing: (a) renovação do design dos produtos atuais e/ou novos por meio de mudanças, como na aparência, embalagem, forma e volume sem alterar as suas características técnicas e funcionais básicas; (b) renovação dos canais de distribuição, sem alterar os processos logísticos relacionados com a entrega do produto; (c) renovação das técnicas de promoção de produtos utilizados para a promoção dos produtos atuais e / ou novos; (d) renovação das técnicas de precificação dos produtos para a fixação do preço dos produtos atuais e/ou novos; (e) renovação das atividades de gerenciamento de marketing geral.
(4) Inovação organizacional: (a) Renovação das rotinas, procedimentos e processos empregados para executar atividades da empresa de maneira inovadora; (b) renovação do sistema de gestão da cadeia de suprimentos; (c) renovação dos sistemas de gestão de
produção e qualidade; (d) renovação do sistema de gestão de recursos humanos; (e) renovação do sistema de gestão da informação na empresa e o compartilhamento de informações; (f) renovação da estrutura de organização para facilitar o trabalho em equipe; (g) renovação da estrutura de organização para facilitar a coordenação entre diferentes funções, tais como marketing e fabricação; (h) renovação da estrutura de organização para facilitar a organização tipo de projeto; (i) renovação da estrutura organizacional para facilitar parcerias estratégicas e colaborações de negócios de longo prazo.
Nesta pesquisa, o desempenho foi medido de forma subjetiva, pois informações contábeis podem envolver alguns problemas, já que informações contábeis omitem alguns ativos intangíveis que são importantes para medir o sucesso competitivo (KAPLAN; NORTON, 1996; ZAHRA, 1993). Medidas de desempenho objetivas, tais como retorno sobre ativos, retorno sobre as vendas e retorno sobre o patrimônio apresentaram problemas em outros estudos porque seu foco está no curto prazo, não ajustado ao risco e difícil de se relacionar com uma inovação específica (MADRID-GUIJARRO; GARCÍA-PÉREZ-DE- LEMA; VAN AUKEN, 2013). Medidas de contabilidade também são baseadas nos custos históricos e, portanto, podem não refletir com precisão o futuro (KALYANARAM; ROBINSON; URBAN, 1995). Os estudos de inovação e economia visualizam o número de inovações patenteadas ou patenteáveis (novos processos, produtos ou tecnologias) como um fator importante, a fim de mensurar a criatividade e desempenho inovador de uma organização (GOLISH; BESTERFIELD-SACRE; SHUMAN, 2008; HAGEDOORN; CLOODT, 2003). Medidas de desempenho geralmente aceitas em inovação são gastos em P&D, os números de processos patenteados ou patenteáveis e produtos e os anúncios de novos produtos para o mercado (GUNDAY et al., 2011).
Embora o uso de uma medida subjetiva para o desempenho dos negócios pode ser questionada em termos de sua validade, estudos anteriores demonstraram que esta abordagem tem sido mostrada como sendo consistente com o desempenho interno objetivo e até mesmo com dados secundários externos (TAN, 2006; TRACEY; LIM; VONDEREMBSE, 2005) e esta abordagem pode produzir informações úteis.
Neste trabalho, os gestores classificaram a posição competitiva de sua empresa usando cinco itens: retorno sobre ativos (lucro / total do ativo), rentabilidade geral da empresa, retorno sobre as vendas (lucro / vendas totais), fluxo de caixa excluindo
investimentos e vendas totais (GUNDAY et al., 2011), considerando uma escala de Likert de 5 pontos (1 = baixo desempenho durante os três anos anteriores e 5 = alto desempenho durante três anos anteriores). Foi solicitaod a reflexão durante os três anos porque, como abordado anteriormente, muitas inovações precisam de um tempo para que apresentem resultados financeiros.
Embora as inovações possam ou não estarem associadas a um melhor desempenho das empresas, acredita-se que as inovações possuam um impacto positivo nos resultados de desempenho das empresas residentes em parques tecnológicos, já que elas podem apresentar um impacto positivo em outros contextos. A seguir é apresentada a hipótese que relaciona as inovações com o desempenho das empresas.
Hipótese 5 – As inovações influenciam positivamente o desempenho organizacional.
H5a – As inovações de produto influenciam positivamente o desempenho organizacional.
H5b – As inovações de processo influenciam positivamente o desempenho organizacional.
H5c – As inovações de marketing influenciam positivamente o desempenho organizacional.
H5d – As inovações de organizacionais influenciam positivamente o desempenho organizacional.