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O interesse petrolífero internacional em Angola e a influência do petróleo na vida econômica e política externa angolana durante a Guerra Fria – ou durante o período socialista como também é conhecido – tendo em vista o paradoxo foi um fenômeno raro, porém, não monolítico, porque as duas principias forças externas da época (socialismo x capitalismo), influenciaram bastante no jogo das forças políticas, ideológicas e econômica que influenciaram antes e após o processo sangrento da independência nacional.

O clima mundial da época era marcado de várias tensões política, ideológica e econômica: as revoluções tecnológicas do Japão, o renascimento das estruturas econômicas e sociais da Europa pós-Guerra, as tensões na Europa do Leste, a revolução iraniana, a crise do petróleo, o fortalecimento dos movimentos nacionalistas africanos e descolonização africana e o fortalecimento do regime do apartheid na África do Sul foram alguns dos vários fenômenos mundiais que marcavam o período antes e pós independência de Angola. Desses acontecimentos, os que mais influenciaram a corrida internacional pelo petróleo de Angola e pela dependência do governo nesta commodity foi a revolução iraniana, a reconstrução europeia e a expansão do socialismo versus capitalismo.

Em 1973 antes da independência, a produção de petróleo em Angola atingiu o seu maior pico desde o começo de sua extração, em 1956. Mas, até aquele momento, não representava o produto mais exportado e não estava na lista dos cinco que mais contribuíam para entrada de divisas nos cofres do governo português. Sua importância na balança de exportação do país dar-se-á entre 1976 e 1986, após a independência e a intensificação dos conflitos internos e, o no período em que se explode a revolução iraniana, culminando com a crise dos preços do petróleo mundial, que vai impulsionar os países capitalistas à busca de novas fronteiras petrolíferas para responder a demanda do crescimento dos seus países já dependentes da energia vinda dos carbonetos petrolíferos.

Associado a esses fenômenos mundiais, estava em Angola, dois partidos lutando pela legitimidade do poder central, MPLA versus UNITA. Para esse fim, ambas apelaram para forças internacionais. O MPLA contou com ajuda direta da Cuba e URSS (e indiretamente da maioria dos países da linha socialista) e a UNITA contou com ajuda norte americana (além de outros países capitalistas aliados aos EUA e, paradoxalmente, contou com ajuda da China socialista). Estava, assim, montado o quadro que iria definir os resultados de uma política externa paradoxal, materializada pelo “governo do MPLA”.

Após o período de transição, as principais empresas internacionais que atuavam em Angola abandonaram os seus postos de exploração e produção, temendo a guerra civil que se desenhava entre os grupos de libertação nacional. Depois de o MPLA ter proclamado a independência na capital, a UNITA, no Sul, e FNLA (Frente Nacional para Libertação de Angola) com algumas vantagens políticas, sociais e econômicas, o MPLA lidera a governança do país, instaurando o modelo de econômico socialista. Entretanto, o que não se esperava foram algumas ações que foram implementadas a seguir. O governo decidiu chamar de volta as empresas internacionais que atuavam em Angola antes da independência (todas de países capitalistas). Logo se instala em Angola um socialismo com base econômica capitalista, o chamado “paradoxo” angolano.

Do outro lado, como imaginar que empresas norte-americanas aceitassem negociar com um país que era financiado pelos seus inimigos cubanos e soviéticos? Como entender essa tríplice relação? Como vimos, tanto o MPLA quanto os EUA e Europa (seus principais parceiros econômicos no período da Primeira República) não tinham escolha. Todos precisavam dessa troca comercial: de um lado, o governo do MPLA era imaturo e não tinha capacidade, mesmo com ajuda da URSS e Cuba, para pôr em prática um projeto de restruturação social e econômica que lhe permitisse um desenvolvimento acelerado para dar- lhe um suporte econômico capaz de arcar as despesas da guerra civil. Por outro lado, os países capitalistas representados pelos EUA, estavam sem o abastecimento do petróleo oriundo do Irã e a crise do Oriente Médio se agravava com a guerra entre Irã e Iraque começada na década de 1980. Além disso, a OPEP se fortalece e começa a ditar as regras da exploração, produção e dos preços do petróleo no mercado internacional. Contudo, as velhas e pregoadas ideologias de cunho político são deixadas para atrás porque os interesses comerciais se sobrepuseram.

No caso do governo angolano, a outra opção – socialista – não seria o melhor caminho para se fundamentar também uma base de comércio e troca de tecnologias? Essa pergunta é pertinente primeiro porque os países socialistas eram todos abastecidos pelo petróleo da URSS, ou seja, não havia mercado para o petróleo angolano nas arenas dos países socialistas, segundo, a URSS estava mais preocupada em transferir armamentos e ideologia para conter o capitalismo, do que oferecer saídas estruturais na caótica economia angolana. No entanto, olhando por esse ângulo, não foi uma escolha certa dos governantes angolanos implementarem o regime socialista. Nesse sentindo, como entender o que se passava no referido período? Angola era mesmo um país socialista?

Com isso, a política externa angolana, definida pelo MPLA partido dos trabalhadores, era baseada estritamente nos parceiros comerciais (petrolíferos) e o lema de que “o povo é o MPLA e o MPLA é o povo” não passava de uma retórica lendária de um socialismo “utópico” que não se sabia o que realmente era. O MPLA, temendo sua sobrevivência no poder, usou os recursos do petróleo não para o desenvolvimento social do país, mas sim, para se manter no poder, em nome de um modelo desenvolvimentista socialista e de autogestão proletariado que, no cerne, estavam mais preocupados nos interesses estatais do que nos problemas sociais básicos.