Um factor importante no estudo do capital humano é perceber como é que os indivíduos adquirem, usam e perdem capital humano. Para este trabalho vamos centrar-nos nos factores que originam capital humano e nos investimentos e retornos obtidos pelos diferentes actores sociais em diversos contextos.
Dada a abrangência, dinâmica e múltiplos aspectos do conceito de capital humano, são diversos os factores que contribuem para a sua criação. No relatório da OCDE sobre investimento em Capital Humano (OCDE, 1998: 12), são apresentadas quatro fontes principais para este tipo de capital. São elas:
• A educação formal, a diferentes níveis (educação pré-primária, escolaridade obrigatória, educação secundária ou profissional, educação superior, educação de adultos, etc.) constitui sem dúvida a principal fonte de capital humano;
• A formação informal no contexto da empresa e a formação no mercado de trabalho; • A experiência adquirida ao longo da vida profissional, em diferentes tipos de
organizações e contextos laborais tais como funções de I&D (o nível de qualificações usadas no trabalho pode ser uma das mais fortes influências na criação de capital humano);
• Para além destas três, também as aprendizagens que ocorrem em ambientes mais informais como, por exemplo, em redes de amigos, no ambiente familiar e no contacto com as comunidades são relevantes na criação de capital social.
Em suma, a aprendizagem e a preparação para ela, que é incentivada e realizada quer na família quer na pré-escola, proporciona uma importante base para a futura aquisição de capital humano, na medida em que pode permitir, por exemplo, o acesso a redes de conhecimentos e informação. Os ambientes informais tornam-se crescentemente importantes à medida que os países vão adoptando formas de aprendizagem mais diversas e individualizadas.
Esta abordagem centra-se no nível micro, isto é, nas características dos indivíduos e nas ofertas educativas existentes; e embora o capital humano seja por natureza individual, é extremamente importante analisar os contextos, na medida em que estes condicionam a formação de capital humano. Nesse sentido é necessário saber as condições económicas, organizacionais e sociais em que o capital humano tem mais hipóteses de ser criado ou perdido. O grau em que diferentes tipos de contextos (e.g. escola, organizações, mercado de trabalho, comunidades, instituições e cultura) condicionam ou encorajam a criação e uso de capital humano depende em larga medida das características especificas de cada país, tais como a forma como a educação e a formação estão organizadas, a procura interna por indivíduos com determinados tipos de formação ou ainda quais os perfis formativos em expansão ou recessão; ou seja, muitos dos factores que influenciam o stock de capital
humano relacionam-se com a estrutura educativa e produtiva de cada país. Outros factores
relevantes incluem a mobilidade dos trabalhadores entre e dentro das empresas e o grau em que as migrações internas e externas criam o influxo ou saída de pessoal qualificado e inovador (OCDE, 1998:15).
Mas que indicadores devemos usar para medir o capital humano? Em termos empíricos é difícil medir o stock de capital humano com precisão existindo uma variedade considerável de indicadores (ver quadro 1, anexo 2). No geral tem-se estimado os stocks de capital humano na população em idade activa usando três abordagens distintas: a primeira mede o nível mais elevado de escolaridade completo, por adulto enquanto proxi do capital humano (o indicador é, por exemplo, a percentagem da população que terminou determinado nível de educação). A segunda abordagem visa medir directamente nos adultos se eles têm certos atributos relevantes para a actividade económica (ex. flexibilidade, capacidade de aprendizagem, conhecimentos gerais, leque de competências). A terceira abordagem centra-se em olhar para as diferenças de vencimentos entre os adultos, factor que parece estar associado com características particulares dos indivíduos, com o objectivo de estimar o valor de mercado desses atributos e por sua vez o valor agregado do stock de capital humano (OCDE, 1998:15). Destas três abordagens, e embora haja críticas a apontar (e.g. a
irrelevância das aptidões e capacidades adquiridas paralelamente à educação formal, bem como o deterioramento de capacidades por falta de uso), a primeira abordagem é a que apresenta melhores resultados e aquela que é empiricamente mais sustentada (OCDE, 1997). Por fim há que dizer, que na medição destas dimensões deve ter-se sempre em conta a distribuição dos valores segundo género, idade, grupo social e contexto socio- económico. Assim, a frequência escolar vai continuar a ser uma medida bastante usada porque, num vasto conjunto de diferentes fontes de informação, continua a ser o indicador disponível mais extenso do stock de capital humano e porque está positivamente relacionado com medidas directas de salários e aptidões. Contudo, há outras medidas mais directas do Capital Humano, em particular o IALS (International Adult Literacy Survey), que fornecem uma medição mais concreta do capital humano em diferentes pontos do ciclo de vida, reflectindo melhor a deterioração ou o reforço das aprendizagens, da formação e das aptidões ao longo da vida. Se tivermos em conta a medição do capital humano no que está para além das características individuais dos actores socais, devemos centrar a atenção em variáveis tangíveis que dependem do contexto em que o capital humano pode ocorrer. De acordo com a literatura da área, uma das variáveis mais usadas é a actividade e o investimento em I&D, ou seja, o número de “produtores de conhecimento” presentes numa dada economia, relativamente a uma dada força de trabalho (OCDE, 1998:29).