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Estudos realizados pela pesquisadora Thelma Lúcia Dias, (em sua tese de doutoramento no Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas – Zoologia, da Universidade Federal da Paraíba), mostram que os principais impactos ambientais na área da RDSE – Ponta do Tubarão e seu entorno são da seguinte ordem:

a) existência e expansão de projetos de carcinicultura (criação de crustáceos) – instalados dentro e fora da RDSE – Ponta do Tubarão contaminando as águas subterrâneas da Reserva. Os viveiros de crustáceos, como mecanismo indiscriminado de produção industrial, promovem danos irreparáveis ao meio ambiente, como: destruição direta de mangue para a construção dos tanques; poluição da água do rio devido à descarga de efluentes sem tratamento; contaminação de peixes e outros recursos pesqueiros pelos produtos tóxicos utilizados nos viveiros e devolvidos ao manguezal;

b) acúmulo de lixo no leito e margens de águas da região (fluviais e marítimas) – o lixo doméstico é acumulado em partes das dunas que são utilizadas como lixão. Além disso, alguns moradores despejam lixo no leito do rio. Esse lixo se acumula nas margens ou é levado pela maré, causando: morte do estuário por contaminação; contaminação das águas do rio Tubarão; contaminação do lençol freático (submerso às dunas da região) que viabiliza, de modo orgânico, a sustentação geológica ao ambiente e à vida (vegetal e animal); gestação de focos de insetos e outros organismos causadores de doenças; poluição visual;

c) despejo de esgotos urbanos no rio Tubarão – as comunidades da RDSE – Ponta do Tubarão não possuem saneamento básico. Muitas moradias ainda são de taipa e nem todos os domicílios de alvenaria possuem fossas, por isso grande parte dos esgotos domésticos é despejada no Rio Tubarão. Esses problemas têm como conseqüências: contaminação da água do rio; contaminação de peixes e outros recursos pesqueiros explorados no manguezal; poluição visual; gestação de focos de insetos e outros organismos causadores de doenças; poluição visual; d) assoreamento do manguezal da RDSE – Ponta do Tubarão – em virtude da

deposição natural de areia nos mangues, devido ao avanço do mar e dos fortes ventos, a dinâmica costeira na área marinha da RDSE – Ponta do Tubarão já ocasionou e continua provocando a destruição de mangues pela deposição natural de sedimento nesses ambientes. Este processo é causado pelo avanço do mar que cava algumas áreas e aterra outras. Atualmente este fenômeno está bem evidente em alguns trechos da Reserva. Algumas das conseqüências provocadas por esse fenômeno são: perda de habitat para diversos organismos aquáticos e terrestres; diminuição de alguns recursos naturais disponibilizados pelo manguezal; alteração da paisagem natural do ecossistema;

e) destruição de mangues – a retirada de plantas de mangue para usos diversos na área da Reserva é uma atividade que, de geração para geração, tem se afirmado como um problema ambiental crônico. Os troncos de árvores de mangue, nesta tradição, são utilizados para construção de casas de taipa, ranchos de pescadores, embarcações, como lenha para fogões, entre outros usos domésticos e industriais;

f) destruição de vegetação terrestre nativa – as folhas do mangue são amplamente utilizadas para alimentar caprinos e eqüinos. Entretanto, tem-se observado que a retirada excessiva destas plantas tem afetado a estrutura dos bosques de mangue na RDSE – Ponta do Tubarão, que, em alguns locais, deixa imensos clarões na floresta. Algumas das possíveis conseqüências destas atividades são: perda de habitat para diversos organismos aquáticos e terrestres; diminuição dos recursos naturais disponibilizados pelo manguezal; perda de áreas de reprodução de organismos aquáticos e terrestres; comprometimento da função de proteção da costa;

g) pesca predatória – a pesca artesanal é a principal atividade na área da RDSE – Ponta do Tubarão, mas apesar do caráter artesanal, alguns apetrechos, utilizados em determinadas pescarias, ocasionam a captura de indivíduos muito jovens e a destruição de microhabitats fundamentais à reprodução e desenvolvimento de espécies de peixes, crustáceos, moluscos e outros organismos aquáticos do manguezal e área marinha. Nesta atividade, destacam-se as pescarias que utilizam rede de arrasto, cujas malhas são inadequadas para o tipo de pescado do mangue e para as particularidades desse ecossistema na RDSE – Ponta do Tubarão. Algumas possíveis conseqüências da pesca predatória nesta área são: interrupção do desenvolvimento de espécies jovens e comercialmente

importantes; destruição de habitats subaquáticos; escassez de recursos pesqueiros diversos; diminuição da produção pesqueira; sobrepesca (pesca acima da capacidade da natureza se reproduzir) de determinadas espécies;

h) despejo de vísceras no rio Tubarão – a produção de sardinha da RDSE – Ponta do Tubarão contribui com cerca de 80% da produção de sardinhas, tornando Macau o maior centro produtor deste pescado do Estado do Rio Grande do Norte. Diariamente, cerca de 5.000 toneladas de sardinha são capturadas em alto mar pelos barcos motorizados. As vísceras representam 30% desta produção, mas como esse material não é reaproveitado nem tem um destino certo, é despejado no leito do rio Tubarão e/ou nas dunas adjacentes à comunidade de Diogo Lopes. Alguns fatos verificados e outros possíveis de acontecer devido a essa atividade são: poluição da água do rio Tubarão; excesso de matéria orgânica na água; diminuição do oxigênio dissolvido na água; mau cheiro intenso; atração de organismos que podem causar doenças; poluição visual; contaminação de organismos aquáticos, especialmente os filtradores;

i) construções desordenadas nas margens do rio – a falta de planejamento urbano, por parte do município, o não cumprimento da legislação vigente e o acelerado processo de expansão urbana têm resultado na ocupação desordenada da margem direita do Rio Tubarão, ao lado das comunidades pesqueiras da Reserva. Moradias e casas comerciais são construídas livremente em áreas que correspondem ao próprio rio, ficando inundadas durante a preamar. Há uma necessidade urgente de se ordenar essas construções que podem levar a conseqüências como: interrupção do curso natural do rio; assoreamento do rio; poluição visual; perda de habitats para organismos aquáticos.

Os seres humanos,em busca do desenvolvimento, dedicam-se a atividades que degradam o meio ambiente, comprometendo os recursos naturais, a ponto de tornar a biota no planeta insustentável. Problemas desta ordem exigem que medidas emergenciais sejam tomadas, visto que, os recursos naturais e a vida no planeta correm riscos.

Diante desses problemas, a comunidade despertou para a necessidade de fazer algo por ela mesma, e a criação da RDSE – Ponta do Tubarão foi de suma importância para esta comunidade. Essa importância resulta do esforço conjunto de pensar uma Lei que atendesse as suas necessidades prementes. Aos órgãos ambientais, coube a tarefa de elaboração de uma metodologia para a implantação da RDSE – Ponta do Tubarão e do Plano de Manejo. As Velhas Mulheres da região tiveram uma participação fundamental nesse processo.