8 Thermochemical conversion results
8.3 Results, complete converter
A avaliação bromatológica das amostras de pastejo simulado das pastagens de capim Tanzânia nos três ciclos experimentais e dentro destes, nos diferentes sistemas de pastejo avaliados estão disponíveis na Tabela 2.16.
O teor de MS das amostras de pastejo simulado apresentou pequena variação tanto entre os diferentes sistemas quanto entre os ciclos de pastejo. A média do teor de MS foi de 23,66 %, (Tabela 2.16) valor este semelhante ao teor médio de 23,93 % de MS observado nas amostras representativas da pastagem de capim Tanzânia (Tabela 2.8). Os teores de MM e MO apresentaram comportamento semelhante na comparação entre as médias avaliadas no pastejo simulado e na planta inteira por não apresentarem grandes variações entre os ciclos e entre os sistemas avaliados. Sendo as médias de 8,08 e 91,91 % dos teores de MM e MO das amostras de pastejo simulado (Tabela 2.16), respectivamente. Valores estes semelhantes às médias de 6,99 % de MM e 92,32 % de MO das amostras de planta inteira do capim Tanzânia (Tabela 2.8). Primavesi et al. (2004) observaram em amostras de pastejo simulado coletadas de pastagens de Panicum maximum, teor médio de MO de 89,90 %, valor este ligeiramente inferior ao observado no presente trabalho.
Tabela 2.16 Médias de matéria seca (MS), matéria orgânica (MO), matéria mineral (MM), fibra em detergente neutro (FDN), fibra em detergente ácido (FDA), proteína bruta (PB), extrato etéreo (EE) e nutrientes digestíveis totais (NDT) de amostras de pastejo simulado das pastagens de Panicum maximum Jacq. cv. Tanzânia nos três ciclos de pastejo e nos diferentes sistemas de pastejo avaliados
Ciclo de Pastejo Sistemas de Pastejo MS (%) MM (%) MO (%) PB (%) EE (%) FDN (%) FDA (%) NDT (%) 1 SIM 23,75 6,93 93,07 8,04 1,97 62,97 38,40 52,99 ALT 23,75 6,61 93,39 7,99 1,89 71,69 42,64 47,13 OVI 23,75 7,65 92,35 9,49 2,00 67,71 38,83 50,45 BOV . . . . Média 23,75 7,06 92,94 8,51 1,95 67,46 39,96 50,19 2 SIM 23,57 8,75 91,25 19,76 2,67 67,11 36,92 55,35 ALT 23,53 8,33 91,68 16,43 2,90 64,74 37,22 55,48 OVI 23,43 9,65 90,35 23,15 2,83 61,33 32,47 60,70 BOV 23,57 8,86 91,15 21,27 3,59 62,65 31,88 58,99 Média 23,52 8,90 91,11 20,15 3,00 63,96 34,62 57,63 3 SIM 23,65 8,21 91,79 20,23 2,74 63,43 33,96 58,02 ALT 23,80 8,34 91,76 14,41 2,22 70,98 39,25 50,42 OVI 23,63 8,31 91,69 19,01 2,67 67,16 35,99 54,99 BOV 23,82 8,30 91,51 16,88 2,53 70,52 37,61 51,81 Média 23,72 8,29 91,69 17,63 2,54 68,02 36,70 53,81 Média Total 23,66 8,08 91,91 15,43 2,50 66,48 37,09 53,88
Ciclo de pastejo 1 = período de 07/01 a 04/02. Ciclo de pastejo 2 = período de 04/02 a 04/03. Ciclo de pastejo 3 = período de 04/03 a 31/03. Sistema SIM = Pastejo simultâneo de bovinos e ovinos. Sistema ALT = Pastejo alternado, primeiro bovinos, segundo ovinos. Sistema OVI = Pastejo isolado de ovinos. Sistema BOV = Pastejo isolado de bovinos. Fonte: Santos (2010).
Dentro da avaliação bromatológica das amostras representativas de pastejo simulado do capim Tanzânia, a variável que sofreu grande variação nos seus teores por influência dos diferentes ciclos de pastejo foi a PB. A média de 8,51 % de PB observada no primeiro ciclo de pastejo foi consideravelmente inferior quando comparada com o segundo, 20,15 %, e terceiro (17,63 %) ciclos de pastejo (Tabela 2.16). O mesmo comportamento de variação foi observado na avaliação desta variável nas amostras representativas da pastagem. Entretanto os teores médios observados no pastejo simulado se mostraram proporcionalmente superiores aos valores médios da amostra da pastagem, que foram de 7,69, 12,19 e 13,80 % nos primeiro, segundo e terceiro ciclos, respectivamente (Tabela 2.8). Na média total a pastagem apresentou teor de PB de 11,23 % e o pastejo simulado teor de 15,43 %, o que representou um aumento de cerca de 34,4 % na PB presente na fração ingerida pelo animal. Essa variação ocorre em função principalmente do processo de seleção dos animais durante o
pastejo, uma vez que os mesmos buscam nas pastagens ingerir uma dieta com maior participação da fração de folhas, que apresentam naturalmente melhor valor nutricional.
A média total de 15,43 % de PB (Tabela 2.16) das amostras de pastejo simulado foi igual à média do teor de PB (15,40 %) observada por Primavesi et al. (2004) ao trabalharem com amostras de pastejo simulado provenientes de pastagens de Panicum
maximum pastejadas por bovinos leiteiros. Entretanto, se mostrou superior ao teor médio total
de 12,23 % de PB observado por Balsalobre et al. (2003) ao avaliarem amostras de pastejo simulado de pastagens de Panicum maximum Jacq. cv. Tanzânia no decorrer de 10 ciclos de pastejo, caracterizados por 33 dias de descanso e três dias de ocupação utilizando bovinos da raça Nelore. No presente estudo as médias de PB variaram de 8,51 a 20,15 %, variação esta consideravelmente superior a variação de 11,29 a 14,61 % observada por Balsalobre et al. (2003).
Com relação à fração fibrosa do pastejo simulado os valores médios totais para a FDN e a FDA foram respectivamente de 66,48 e 37,09 % (Tabela 2.16). Teores estes inferiores ao observado nas médias totais das amostras representativas da pastagem, que foram de 73,07 % de FDN e 46,08 % de FDA (Tabela 2.8), fato este justificado pela menor participação dos componentes estruturais na fração de folhas, que representa a maior parte das amostras de pastejo simulado. No presente estudo o teor de FDN apresentou média total de 66,48 %, com variação nos ciclos de pastejo de 63,96 a 68,02 %. Esses dados se mostram similares aos dados observados por Balsalobre et al. (2003), que foram de 65,42 % de FDN para a média total das amostras de pastejo simulado, com variação de 62,79 a 68,33 %. Com relação aos teores de FDA, o comportamento foi ligeiramente diferente, pois o dado médio total de FDA do presente estudo (37,89 %) e a variação (34,62 a 39,96 %) observada entre o maior e o menor valor nos ciclos foram maiores quando comparados aos dados de Balsalobre et al. (2003) de 33,90 % de média total de FDA e variação de 32,55 a 34,89 % de FDA. Já na comparação com os dados publicados por Primavesi et al. (2004) ao trabalharem com a mesma forrageira, os teores de FDN e FDA do presente trabalho se mostraram superiores, cerca de 3,43 % ao teor de FDN (64,20 %) e cerca de 7,77 % com relação ao teor de FDA (34,20 %) observados por estes autores.
A avaliação bromatológica das amostras de pastejo simulado de pastagens de capim Tanzânia permitiram concluir que no primeiro ciclo de pastejo as mesmas se mostraram claramente inferiores quando comparadas aos demais ciclos de pastejo. Fato esse evidenciado pelo baixíssimo teor de PB e os mais elevados teores das frações fibrosas presentes nas amostras. Segundo Jayanegara, Makkar & Becker (2009), o teor de PB contribui
de maneira positiva, entretanto os teores de FDN e FDA tem grande influencia negativa na qualidade das forragens avaliadas. Como exemplo, o mais alto teor de FDA do presente estudo, 42,64 %, foi observado no primeiro ciclo de pastejo. De acordo com Balsalobre et al. (2003), teores dessa variável acima de 40 % são comumente verificados em pastagens com idade fisiológica avançada.
Uma provável justificativa para esse comportamento no primeiro ciclo de pastejo seja o longo período compreendido entre a formação das pastagens e seu uso inicial através do pastejo no primeiro ciclo. Esse longo período consequentemente provocou um avanço da idade fisiológica da pastagem, que é acompanhando por aumento nos teores de componentes estruturais, como FDN e FDA, e consequente redução nos teores do conteúdo celular, dentre eles a PB. Nos ciclos subsequentes, a situação se inverteu, possivelmente em função da capacidade de rebrote das pastagens no período de descanso das mesmas, que associado ao manejo de adubação nitrogenada neste período permitiram que ocorresse o crescimento de novos tecidos, caracterizados por maior participação de compostos solúveis em detrimento dos compostos estruturais.