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A variável produção de gases totais (PGT) in vitro das pastagens de capim Tanzânia sofreu efeito direto dos diferentes ciclos de pastejo adotados (p<0,10). De forma que o segundo ciclo apresentou PGT (153 mL/g MS) significativamente menor quando comparado com o primeiro (162 mL/g MS) e terceiro (165 mL/g MS) ciclos, que não diferiram entre si (Tabela 2.10). Consequentemente, o mesmo efeito foi observado na variável PGT líquida in vitro, que representa a PGT abatida a produção de gases resultante da presença do inóculo durante o processo de incubação in vitro.

A média da PGT e da PGT líquida do presente trabalho foram de 160 e 116 mL/g MS e variaram de 153 a 167 mL/g MS e 109 a 123 mL/g MS, respectivamente (Tabelas 2.10 e 2.11). Bueno et al. (2005) ao trabalharem com amostras de Panicum maximum Jacq. cv. Tanzânia incubadas in vitro com quatro diferentes inóculos observaram uma PGT média de 181 mL/g MS, com variação de 175 a 184 mL/g MS. Sendo assim, a PGT média do presente trabalho se mostrou cerca de 13,31 % inferior à observado por Bueno et al. (2005). Em contrapartida, a média de PGT se mostrou superior, cerca de 24,54 %, ao valor de PGT in

vitro de 121 mL/g MS observado por Abdalla, Louvandini & Bueno. (2009) ao trabalharem

com a mesma forrageira em condições muito semelhantes ao do presente trabalho.

O ajuste da PGT para PGT líquida naturalmente promoveu redução dessa variável, de forma que no primeiro ciclo de pastejo a PGT passou de 162 mL/g MS para PGT líquida de 118 mL/g MS. No segundo e terceiro ciclos essas PGT de 153 e 165 mL/g MS reduziram para 109 e 121 mL/g MS, respectivamente (Tabela 2.10). De maneira geral, a conversão da PGT para PGT líquida, representou redução média de cerca de 27,5 % no total de gases produzidos, que são referentes ao processo de fermentação de partículas presentes no inóculo utilizado durante o processo de incubação in vitro.

A produção de gases no ambiente ruminal tem sido muito associada à qualidade da dieta consumida pelos animais. De forma que, espera-se maior produção de gases à medida que a fração fibrosa aumenta e a fração solúvel dos carboidratos reduz. Os dados observados no primeiro ciclo de pastejo refletem perfeitamente esta situação, pois neste período ocorreu alta PGT associada à altos teores de FDN e FDA. Entretanto, no segundo e no terceiro ciclos observou-se comportamento exatamente inverso, com associação de altos teores de fibra à baixos teores de PGT e vice versa.

A observação de altas produções de PGT em pastagens com teores reduzidos de fração fibrosa, ocorrida no terceiro ciclo, e baixos teores de PGT em pastagens com elevados teores de fibra, ocorrida no segundo ciclo de pastejo, pode ter como provável justificativa as diferenças observadas na degradabilidade da fração fibrosa, avaliada através da variável DFDN. No terceiro ciclo de pastejo a quantidade de FDN presente na pastagem foi de 707 g/kg MS, das quais 329 g/kg MS (DVFDN) foram efetivamente degradadas durante o período de incubação, o que representou aproximadamente 45,17 % do total de FDN. Já no segundo ciclo de pastejo, a quantidade de FDN presente na pastagem foi maior, cerca de 735 g/kg MS, das quais apenas 263 g/kg de MS (DVFDN) foram efetivamente degradadas, o que representou apenas 35,81 % de todo FDN disponível. Sendo assim, a observação de uma maior quantidade de FDN efetivamente degradada no terceiro ciclo possivelmente promoveu maiores produções de PGT quando comparado com o segundo ciclo de pastejo, no qual ocorreu a situação inversa. Menke et al. (1979), ao trabalharem com produções de gases in

vitro na avaliação de forrageiras observaram alta correlação entre PGT e variáveis

relacionadas à degradabilidade.

Foram verificadas variações significativas (p<0,10) nas PGT e PGT líquida na comparação entre os sistemas de pastejo avaliados (Tabela 2.11). As pastagens utilizadas no sistema SIM, pastejo simultâneo de bovinos e ovinos, apresentaram PGT e PGT líquida de

167 e 123 ml/g MS, respectivamente. Valores esses superiores à todos os demais sistemas, que não diferiram entre si.

Uma provável justificativa para essa variação nos teores de PGT (Tabela 2.11) seja relacionada aos teores de MO das pastagens nos diferentes sistemas. Onde observou-se que as pastagens utilizadas no sistema SIM, apresentaram um dos maiores teores de MO, cerca de 92,55 %.

O fator de partição (FP mg/mL) é uma variável utilizada para relacionar quantos mg de MO degradada in vitro (DVMO) são necessários para produzir 1 mL de gases totais (PGT) durante os processo de incubação in vitro. O FP apresentou diferenças entre os diferentes ciclos de pastejo (p<0,10). De forma que estes foram consideravelmente superiores no segundo (FP 3,97 mg/mL) e no terceiro (FP 4,06 mg/mL) ciclos de pastejo quando comparados com o primeiro (FP 3,53 mg/mL) (Tabela 2.10). Isso significa que, no primeiro ciclo de pastejo foi necessária menor quantidade de MO (3,53 mg) degradada para gerar 1 mL de gases, já no segundo e no terceiro ciclos foi necessário que ocorresse a fermentação de maior quantidade de MO (3,97 e 4,06 mg) para que a mesma quantidade de gases fosse gerada.

A contribuição da fração fibrosa do alimento para a produção de gases totais é grande segundo Getachew, Makkar & Becker (1997). Possivelmente o menor FP no primeiro ciclo de pastejo seja uma consequência dos altos teores de FDN e FDA observado nas pastagens durante este período. Sendo assim, no primeiro ciclo, menores quantidades de MO degradada foram necessárias para produzir a mesma quantidade de gases, pois a MO das pastagens deste período foi composta por uma maior fração fibrosa, o que consequentemente proporcionou uma maior produção de gases.

O valor do FP médio do presente trabalho foi de 3,85 mg/mL, valor este ligeiramente superior ao valor médio de 3,60 mg/mL observado por Abdalla, Louvandini & Bueno (2009) ao avaliar pastagens de Panicum maximum Jacq. cv. Tanzânia submetidas ao pastejo rotacionado durante o período chuvoso do ano. Contudo, o menor FP (3,53 mg/mL) observado durante o primeiro ciclo de pastejo se mostrou mais próximo ao FP observado por Abdalla, Louvandini & Bueno (2009).

Na avaliação do FP entre os diferentes sistemas de pastejo, não ocorreram variações significativas (p>0,10) para esta variável (Tabela 2.11). Sendo o FP para os sistemas SIM, ALT, OVI e BOV de 3,86, 3,75, 3,84 e 3,93 mg/mL, respectivamente.