3. THE NORWEGIAN CONTEXT
3.2 Results-based management in the aid administration 15
Sendo necessária a submissão desta pesquisa ao Comitê de Ética Institucional, a postura adotada norteadora da pesquisa foi a ética dialógica (SPINL, 1994), que reconhece o outro como o indivíduo com quem estamos em diálogo e com o qual estabelecemos uma relação horizontal.
A pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética em pesquisa, teve seu processo de aprovação registrado pelo número: CAAE: 23543513.70000.5482 – Parecer: 46529 – 28/10/2013
As entrevistas foram precedidas pela leitura e assinatura do Termo de Consentimento Esclarecido informado no anexo 1. Foram esclarecidos os objetivos da pesquisa e a utilização dos dados, sendo enfatizado o caráter voluntário da entrevista e firmado o compromisso de sigilo, respeito e anonimato dos(as) entrevistados(as).
Vieira e Hossne (1998, p. 100), apud Rosa e Arnoldi (2008) afirmam que “poucas pessoas têm competência para entender a lógica da Entrevista. Por isso só o consentimento esclarecido do participante não é suficiente.” Segundo os autores, “a palavra consentimento implica em uma ideia de atitude tomada por livre e espontânea vontade, mas não com pleno conhecimento dos fatos.”
Rosa e Arnoldi (2008) afirmam que muitos pesquisadores insistem, hoje, na necessidade de se obter o “consentimento esclarecido” do participante, para deixar claro que este deve não apenas concordar em participar do experimento, mas também tomar essa atitude plenamente consciente dos fatos, dos questionamentos que lhe serão feitos, dos motivos da Entrevista, dos riscos e dos favorecimentos que os resultados podem ocasionar e da sua liberdade de deixar de ser participante, caso sinta necessidade, por qualquer que seja o motivo.
As autoras ainda chamam a atenção para a expressão “Consentimento Esclarecido” que traduz melhor o significado real do ato do que a expressão “Consentimento pós-informado” já que se refere à ideia de que o consentimento deve ser obtido não apenas após a informação, mas também após o esclarecimento. Afinal, esclarecer é muito mais do que simplesmente informar.
Vieira e Hossne (1998), apud Rosa e Arnaldi (2008) ressalta que é preciso deixar claro que a simples assinatura do participante da Entrevista no rodapé não significa, necessariamente, que ele tenha realmente consentido em participar plenamente dos questionamentos. Afirmam que é no Protocolo de Entrevista que deverá constar, além da descrição e do esclarecimento de como
a entrevista será conduzida, e a forma de como foi ou será efetivada o consentimento.
Rosa e Arnoldi (2008) sugere que:
O formulário de consentimento deverá ser assinado pelo entrevistado, sendo que a verdadeira homologação do aceite deverá ocorrer de maneira muito mais complexa, após os inúmeros esclarecimentos sobre os procedimentos e os resultados esperados para a pesquisa.
4.4.2 Entrevistados
Moradores(as) do bairro Vila Terezinha com idade entre 18 e 54 anos, residentes no bairro de 5 a 51 anos, sendo a maioria adultos de 33 a 54 anos, grande parte com ensino médio completo e em sua maioria solteiro com filhos.
4.4.3 Caracterização dos sujeitos
As entrevistas foram realizadas em dias e horários diferentes de acordo com a possibilidade de cada entrevistado (a). Algumas ocorreram durante a semana e outras no fim de semana. Foram realizadas nos períodos manhã, tarde e noite.
Com o objetivo de garantir o anonimato dos(as) participantes utilizaremos nomes fictícios e não seguiremos nenhuma ordem.
NOME IDADE GRAU DE
INSTRUÇÃO
ESTADO CÍVIL
Tem filhos? TEMPO DE RESIDÊNCIA NO BAIRRO Fernanda 40 Ensino médio
completo
Casada Sim 40 anos
completo Francisca 47 anos Ensino médio
completo
Casada Sim 20 anos
Diego 22 anos Ensino superior incompleto
Solteiro Não 22 anos
Bruno 20 anos Ensino superior incompleto
Solteiro Não 15 anos
Leonardo 21 anos Ensino médio completo
Solteiro Não 6 anos
Sandro 54 anos Ensino fundamental incompleto
Casado Sim 51 anos
Eduardo 21 anos Ensino superior completo
Solteiro Não 21 anos
Marcelo 33 anos Ensino médio completo
Casado Sim 33 anos
Divina 48 anos Ensino fundamental incompleto
Separada Sim 48 anos
Pedro 49 anos Ensino superior completo
Casado Sim 19 anos
Marta 53 anos Ensino médio completo
Divorciada Sim 40 anos
Marília 19 anos Ensino superior incompleto
Solteiro Não 6 meses
Marilda 52 anos Ensino superior incompleto
Casada Sim 20 anos
Paula 44 anos Ensino médio completo
Casada Sim 5 anos
Fernando 18 anos Ensino médio completo
Solteiro Não 5 anos
Manoel 51 anos Ensino médio completo
Casado Sim 40 anos
completo Osvaldo 39 anos Ensino médio
incompleto
Casado Sim 20 anos
Samanta 34 anos Ensino fundamental completo
Solteiro Não 34 anos
Marlene 36 anos Ensino médio completo
Casada Não 36 anos
Ilda 24 anos Ensino médio completo
Solteira Não 24 anos
Carlos 20 anos Ensino superior incompleto
Solteiro Não 19 anos
Beatriz 29 anos Ensino fundamental incompleto
Casada Sim 23 anos
Igor 22 anos Ensino médio completo
Solteiro Não 14 anos
Bernardo 20 anos Ensino superior incompleto
Solteiro Não 20 anos
Roberto 23 anos Ensino fundamental incompleto
União estável Sim 23 anos
Elias 20 anos Ensino médio incompleto
Solteiro Não 20 anos
Júlio 49 anos Ensino médio completo
5 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS
Para realização das análises foi utilizado o método de análise dialógica SPINK (1999) que busca explorar a polissemia do discurso.
Em Psicologia, segundo EDWARDS e POTTER (1992), apud PEDROSA (2003), as pesquisas orientadas para o discurso e sua análise surgem a partir da crítica a conceitos teóricos, perspectivas ou práticas analíticas existentes. Para eles, a “Psicologia discursiva geralmente está relacionada com as práticas das pessoas: comunicação, interação, argumento; e com a organização dessas práticas em diferentes situações.”
Para a autora o termo discurso é usado para se referir a formas de textos e falas, sejam eles textos escritos, conversas naturais do cotidiano ou material de entrevistas.
Segundo IÑIGUES e ANTAKI (1994), apud PEDROSA (2003), um discurso é:
Um conjunto de práticas linguísticas que mantém e promovem certas relações sociais. A análise consiste em estudar como estas práticas atuam no presente mantendo e promovendo essas relações: é trazer à luz o poder da linguagem como uma prática constituinte regulativa.
Para esses autores a análise do discurso não é uma técnica fixa e prescrita, ou seja, não existem receitas, pois é um método flexível e interpretativo.
Seguem os passos da análise a partir das propostas de IÑIGUEZ e ANTAKI (1994), apud PEDROSA (2003):
- Ler o material, trabalhando com ele de forma similar à proposta da análise de conteúdo;
- Verificar como ele pode contribuir para a construção de um fato, ou seja, identificar quais são os seus efeitos latentes;
- Limitar-se àquilo que está presente no discurso, não o extrapolando, ou seja, não ‘ler entre as linhas’, construindo o que não está ali, mas considerar exclusivamente o que está presente;
- Buscar no material que está sendo submetido à análise outros dados que confirmem as proposições/interpretações feitas;
-Utilizar a ferramenta, qualquer que seja ela, na totalidade do material em questão.
Foram construídos mapas dialógicos para os quais foram transcritos na íntegra as entrevistas, mantendo uma ordem a partir do aparecimento dos conteúdos no discurso.
Tais mapas facilitam a visualização da associação das ideias.
Dada a compreensão que a entrevista é uma prática discursiva e cada fala está inserida no contexto de sua produção, a interação entrevistado-entrevistador foi considerada fundamental para a compreensão do jogo de posicionamento que ocorre durante a entrevista. (Aragaki, 2001)
Conhecimento sobre a Lei Maria da Penha
Em quase 9 anos de existência da Lei Maria da Penha, os moradores do bairro Vila Terezinha informaram que apenas ouviram falar, sendo 96,55% alegaram já terem ouvido falar na lei e apenas 3,45% dos moradores entrevistados não sabem nada sobre a lei.
Para os moradores do bairro a Lei Maria da Penha é uma lei que protege a mulher dentro de sua casa, sem ampliar a sua proteção para além do privado, como se a mulher fosse vítima de violência apenas no interior do seu lar.
Os moradores se dividem quanto a efetividade da lei, para alguns a lei é ineficaz para resolver o problema de violência contra a mulher no bairro.
Elias
Já ouvi falar sim, que é uma lei que protege as mulheres que sofre agressão dentro do próprio lar, geralmente pelo marido e pelo que eu soube um pouco dessa lei é que a mulher pode se defender um pouco mais né, contra o agressor, como eu falei, no caso o marido ou um homem que espanca, que agride ela e não conheço muito assim por dentro né, dessa lei, sei que é uma lei que ajuda muito as mulheres hoje em dia.
Divina
Já ouvi falar, mas eu não conheço, eu não conheço, e, até então eu acho assim, essa, essa lei, eu acho essa Lei Maria da Penha, eu acho assim que não resolve tanto, sei lá, pelas coisas que eu ouço, que eu vejo, eu acho que é muito fraca, acho que num sei lá, num, eu não acredito muito nessa lei. Eu queria saber mais sobre ela pra mim vê sabe, conhecer. Por que eu acho que tudo que acontece, que eu ouço, que eu vejo, eu acho que não resolve tanto.
Fátima
Eu conheço e já ouvi falar, mas eu acho que essa lei não funciona não, pro pobre não, funciona mais pra rico se levar um tapa eles tem onde recorrer, o pobre não, pode apanhar, depois de morto ainda é difícil aparecer alguém pra socorrer que eu já tive casos de assistir e ver com meus próprios olhos, ninguém me contou, entendeu? Tem a Roseli, minha irmã, o filho dela, ele tá internado na Cruz Verde todo defeituoso, pelo fato dela ter apanhado na gravidez inteira, inteira, entendeu? Ele nasceu com paralisia cerebral, o corpinho dele todo machucado. Tem também a minha sobrinha que é caso vivo, hoje, ainda hoje a gente, ela chega aqui toda arrebentada. A denuncia é feita, elas vão, sai ele, sai ela, volta acontecer a mesma coisa, tudo novamente. Eu não acredito nessa lei. Lei no Brasil só funciona pra rico, só pra rico.
Ao serem questionados sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal acatando a constitucionalidade dos artigos 1, 33 e 41 da Lei Maria da Penha, mas da metade dos entrevistados relataram desconhecer tal decisão, 65,52% dos moradores relataram não ter ciência dessa decisão e 34,48%.
Ilda
Eu acho bom por que muitas mulheres não tem coragem, sofrem isso a vida inteira por que não tem coragem de denunciar, tem medo, sofrem ameaças, então acho bom por que muitas das vezes já presenciei vizinhas minhas sendo agredida pelo marido e era muito e era muito tempo atrás, eu era até pequena, mas eu lembro e ela nunca teve coragem, ela sempre vivia roxo, olho roxo, machucada, mas nunca teve coragem, só que antes não tinha essa né, não tinha tudo isso que tem hoje, não ajudava antes, ninguém tinha coragem de denunciar, agora, hoje eu acho que tem mais coragem de denunciar, hoje eu acho que tem mais coragem de denunciar o vizinho, ah o vizinho tá agredindo a mulher ali, liga tal.
Relacionamento interpessoal entre os moradores do bairro Vila Terezinha
Nesse momento da entrevista os moradores ao responderem sobre seu relacionamento com seus vizinhos muitos deixaram claro que evitava a aproximação com os outros moradores, que não fizessem parte de sua família, 41,38% relataram não falar com seus vizinhos, 37,93% relataram ser bom, 13,79% relataram ser ótimo e 6,90% relataram ser normal.
Paula
Não, não tenho, não vou dizer assim: tenho um bom, tenho um relacionamento, mesmo por que não conheço os meus vizinhos. É, como eu trabalho é, todos os dias, então eu saio de casa, é, isso, pro trabalho, vou na igreja ou saio pra algum lazer, mas referente a está com os vizinhos conversando ou falando de algo assim. No máximo é um bom dia, se eu encontrar com alguém, mas nem conheço nenhum dos vizinhos praticamente.
Bruno
Ah!, por que meus vizinhos são toda a minha família né, então é bom, os vizinhos que não é minha família eu não converso muito por que são meio assim, fazem parte boca de traficante né, eu nem converso muito.
Os moradores ao serem questionados quanto ao seu conceito de comunidade, 37,93% responderam que comunidade era um grupo de pessoas
que residem no mesmo bairro, 34,48% é a união entre os moradores, 6,90% relataram não saber, 6,90% que é um grupo de pessoas que luta por uma causa justa e 3,45% relataram que comunidade é a igreja.
Francisca
Um grupo de pessoas que moram no mesmo lugar, cada um respeitando o direito do outro e vivendo em comunhão, em união, em harmonia né, não querendo passar por cima do outro, nem destruir o outro, um respeitando o espaço do outro né.
Osvaldo
Um grupo de pessoas né, é um grupo de pessoas que, que fazem parte de um determinado bairro alí né, pessoas carentes né, famílias né, um grupo, umas pessoas, famílias né, famílias carentes, né.
Alice
Comunidade, comunidade, pra mim é quando você vai pra uma igreja né, que eu parti..., participo do grupo de oração, pra mim já uma comunidade, eu e ele as vezes quanto tem tempo participa do Encontro de Casais com Cristo, também é uma comunidade né, e também a comunidade também dentro da casa que é o respeito é a compreensão um com o outro, entendeu?.
Conceito de violência para os moradores
Os moradores do bairro Vila Terezinha ao serem questionados sobre o conceito de violência contra a mulher que eles conheciam, 75,86% conceituaram violência contra mulher tipificando a violência, 17,24% tem noção do que é violência contra a mulher e 6,90% não entende o conceito.
Roberto
Cara, eu acho assim, é o cara forçar a barra, vamos supor a mulher não quer uma relação, a mulher não quer mais conviver com o homem. As vezes assim, cê tem uma filha. As vezes você separa, vem um cara lá estupra sua filha, além de tá pegando sua mulher o cara faz o que quer.
Bernardo
Assim, analisar violência contra a mulher é, não vem só da agressão física né, acho que a agressão física é uma questão bem tensa, por que já, não sei, mas também tem a agressão verbal é, acho que o prender a mulher dentro de casa, ou possuir é meu né, é, não tem direito, tem que fazer o que eu quero né. Acho que violência contra a mulher é tirar todos os direitos dela e os direitos delas está dentro do que o homem pensa que é certo. Então tipo, se eu achar que a mulher tem que vestir saia, bermuda e blusa de frio, então a minha mulher tem que vestir assim, ou colocar uma burca né. Então, acho que a violência contra a mulher é quando o homem né, toma ela como posse e tira todos os direitos dela né, eu acho que é isso.
Olhar sobre a mulher
Ao serem questionados sobre qual o seu olhar sobre a mulher no geral, não apenas a mulher do bairro Vila Terezinha, as respostas foram diversas, 13,79% não souberam informar, 13,79% relataram enxergar a mulher como ser humano, outros 13,79% relataram que a mulher é tudo (pois é mãe, é o centro da família, que cuida do marido, dos filhos, cuida da casa, cuida de tudo), 13,79% enxergam a mulher como guerreira, 10,34% com respeito, 6,90% veem a mulher como um presente de Deus, 6,90% como independente, 3,45% como bela, 3,45 como indefesa e 3,45% como meiga e 3,45% como caridosa.
Pedro
A mulher é, é um presente pro homem, é a coisa mais bela que tem, ou seja, eu, eu tenho a minha já desde, deixa eu vê, desde os 18 anos que eu tô com a minha esposa, assim, entre namoro, é um presente de Deus. Minhas filhas, minhas irmãs, minha mãe, minhas tias, primas. Olha, mulher é uma benção de Deus para a vida do homem né.
Beatriz
Ultimamente a mulher tá mais independente, menos frágil, mais na defensiva.
Marlene
Mulher, eu acho que mulher é a estrutura né, é igual a nossa amiga falou, eu acho que mulher é tudo, ninguém vive sem ela, eu acho que a mulher é a estrutura de tudo.
Samanta
A mulher sou eu né. A mulher, acho que mulher pra mim é a base de tudo, tanto que o homem precisa da mulher, então ela é a base de tudo, da família né, de, eu acho que a mulher, não tenho o que falar da mulher, acho que é isso, mulher é a base de tudo.
Roberto
Cara, eu vejo, dia de hoje, dia de hoje eu vejo a mulhe, né boniteza, não é a roupa que ela veste, ela ser sincera entendeu? Ela ser sincera, ela respeitar e pra ela levar o respeito pra ela poder ser respeitada pelo homem entendeu? Igual a minha esposa, ela gosta de usar a roupa curta dela, mas eu falo assim: Oh, o que vale é o seu respeito, você pode andar pelada, mas o que vale é o seu respeito. O cara chegar perto de você, ele passar a mão, você solta o soco, solta o braço nele, solta o braço, eu falo bem na cara dela, pode soltar o braço e depois eu seguro.
Quanto a responderem como percebiam o olhar dos moradores sobre as mulheres moradoras no bairro Vila Terezinha, muitos relatam que os moradores veem as mulheres como objeto sexual, este olhar é mais direcionado as mulheres jovens e adolescentes, principalmente as que frequentam as festas Funk, festas promovidas nas ruas do bairro, as que usam roupas curtas e que frequentam os bares da região e fazem uso de bebidas alcoólicas. Os moradores dizem que é fica muito clara a separação entre as mulheres do bairro, as que são vista como mulheres vulgares e as mais velhas, casadas são vistas como mulheres direitas, donas de casa. São separadas entre Santas e Profanas.
31,03% dos entrevistados relataram que as mulheres são vistas como objeto sexual, 10,34% sem moral, 6,90% trabalhadoras, 6,90% são vistas como donas de casa, 6,90% como vagabundas, 6,90% como indecentes, 6,90% não souberam informar, 3,45% como igual ao homem, 3,45% com respeito, 3,45% com admiração e 3,45% como piriguete.
Roberto
Cara, aí vem uma resposta que eu vou dá sinceramente pra você de coração cara, eu vejo assim, vizinho olha ali a mulher do outro como se fosse uma escrava, só pra sexo. As vezes o cara olha uma, uma menina, vamos supor ele não sabe a idade, ele olha a menina saindo do portão e olha, nossa que menina bonita, nossa que gata, nossa se eu pudesse eu pegava.
Eduardo
Então, nosso bairro é um bairro muito frequentado, nosso bairro é periferia, então eu acho, acredito que os próprios moradores já veem as mulheres de uma maneira errada, já acham que elas são, só por que é da periferia elas não são descentes e eu acho que as mulheres daqui são vistas dessa maneira, a mulher daqui é como se não tivesse valor.
Marcelo
Ah!, as adolescentes pelo menos né, estão, tão tudo numa, num caminho não certo né, por ser periferia, pelo Funk, por ver muito moleque de moto, de carro e tal, quer sair, quer ser vestir pela idade que é nova também, vejo muita indecência né, mas tem muita, eu vejo muitas mulhers boas, também mais velhas, que trabalha, guerreira, tem muita mulher boa sim, pelo menos as mais velhas né. Tem muita menina nova também que é legal, mas as mais velhas assim, são tudo, eu vejo muitas mulheres boas sim, na comunidade aqui.
Samanta
O que se vê, assim, no dia-a-dia as vezes é dicriminação mesmo de apontar aquela ali, aquela ali não, não presta, aquela ali é desse jeito né, como você vê é cachorra mesmo, só por que a gente, eu tô né, dependendo da maneira que você veste, então é uma visão é, muito assim, a mulher é fácil, principalmente hoje em dia as menininhas que estão crescendo, então assim, a visão de, em cima das mulheres que são novinha, mas são as mulheres, são meninas, são crianças, ainda estão despertando aí, mas são mulheres e a visão é de mulher fácil, hoje em dia, eu acho assim, a mulher aqui é muito desvalorizada, hoje em dia tá muito desvalorizada.
Pedro
Olha no birro Vila Terezinha, assim pelo que reparo é a seguinte, é, tem, como se tivesse duas categorias de, de mulheres né, vamos dizer assim, por que aqui tem muitas, tem muitas igrejas evangélicas, principalmente aqui na rua onde eu moro tem uma 8 igrejas
evangélicas se não, se eu não estou enganado e assim cê vê que tem uma clara divisão das pessoas que frequentam uma igreja né, e das meninas que não frequentam, que aqui tem uns barzinhos ali tal e assim fim de semana essas meninas se reúnem, é usando drogas, ficam com roupas curtíssimas, ou seja, então, você, parece que vê que claramente que tem duas categorias de mulheres, aquelas que você vê que frequenta alguma igreja né, infelizmente eu vejo dessa forma tá e aquelas que não né, então, você vê que, que é, é um, é um assim, um aspecto bem diferente, aquelas que não, questão de vestuário, usar roupas provocativas, você vê que tem um distinção, entendeu? E, infelizmente, essas também que são, vão ser, talvez as próximas vítimas de futuros maridos né, que vão está batendo, que vão está mau tratando, que vão está, de repente só fazendo um filho