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5 - Results and analysis

Bactérias têm adquirido resistência a antibióticos e podem se associar ao biofilme na cavidade oral (LUCCHESE et al., 2012), o que confere uma capacidade protetora contra agentes antimicrobianos (SILVA et al., 2012). Em adição, os antibióticos também podem atuar contra a microbiota residente, favorecendo infecções oportunistas (LUCCHESE et al., 2012). Desta forma, no ambiente de saúde em geral, a resistência microbiana a antibióticos tem se desenvolvido rapidamente e a capacidade de produzir novos fármacos não vem acompanhando este desenvolvimento. Novas biomoléculas vem sendo extensivamente pesquisadas na intenção de inibir o crescimento e desenvolvimento de microrganismos em biofilmes. Tem-se, assim, suporte para a busca por peptídeos que atuem especificamente em agente infecciosos da cavidade bucal (LUCCHESE et al., 2012). Sua baixa concentração, atividade antimicrobiana, baixos índices de resistência devido à mecanismo não específico e capacidade de reparo tecidual potencializam a utilização destes como novas estratégias em terapias antimicrobianas (SILVA et al., 2012).

Peptídeos antimicrobianos (PAMs) consistem de classes de moléculas pertencentes ao sistema de defesa do hospedeiro que atuam precocemente em resposta à infecções (GORR et al., 2011). Este grupo de moléculas heterogêneas oriundas de várias espécies de invertebrados, plantas e animais reduz significativamente as infecções por atividade biocida e bioestática (SILVA

et al., 2012). Participando do sistema de defesa frente a infecções, estes são

variável, estes podem ser constituídos de 12 a 50 aminoácidos. Existem mais de 800 peptídeos isolados e descritos. Os PAMs são representados por conformações estruturais (folha-β, α-hélice, estruturas em laço ou estendidas) e, em sua maioria, são catiônicos ou anfipáticos, o que determina sua atividade antimicrobiana. Estas biomoléculas multifuncionais possuem, além de atividade antimicrobiana, influência na expressão de moléculas de adesão, secreção de íons de cloreto, produção de adrenocorticóide, angiogênese e reparo tecidual (HANCOCK et al., 2000).

Apesar de possuir diversas propriedades, a atividade antimicrobiana de peptídeos é amplamente relatada na literatura. Diversos PAMs apresentam amplo espectro envolvendo bactérias Gram-positivas e negativas, leveduras, fungos, vírus, protozoários e parasitas (LOPEZ-ABARRATEGUI et al., 2012). O mecanismo de ação de peptídeos antimicrobianos ainda não está completamente elucidado em situações fisiológicas. Dentre os modelos de estudo aceitos, é demonstrado que estes podem causar morte celular via interferência extra ou intracelular (SILVA et al., 2012). Os modelos estão relacionados à interferência na estrutura da membrana celular a partir do aumento da permeabilidade, formação de poros, causando perda de função ou extravasamento celular, ou ainda em nível intracelular, induzindo apoptose via interferência nuclear, dentre outros (LOPEZ-ABARRATEGUI et al., 2012).

No âmbito extracelular, interações eletrostáticas medeiam interação entre peptídeo e estruturas da interface celular. A anfipaticidade é uma característica comum à maioria dos PAMs. Por conseguinte, os peptídeos interagem com a membrana citoplasmática após atravessarem os lipopolissacarídeos (Gram-negativas) e ácidos teicóico e lipoteicóico (Gram- positivas) (BROGDEN, 2005). A penetração à membrana pode formar poros com subsequente rompimento e extravasamento de fluido, causando morte celular (LEE et al., 2004).

Existem evidências da permeabilização de PAMs através da membrana de microrganismos por um gradiente eletroquímico. Ao ultrapassar a camada proteoglicana (bactérias Gram-positivas) ou o LPS (Gram-negativas), a estrutura e morfologia da membrana é danificada. Este efeito corrobora para a formação de bolhas, vesículas, fragmentação, agregação celular, liberação de DNA e/ou destruição celular (WIMLEY, 2010).

Os danos na membrana podem ocorrer por organização dos peptídeos em forma de barril (barrel-stave) que permite tal extravasamento mediante interação com canais seletivos de íons (GKEKA et al., 2010). Outro modelo sugere a penetração de peptídeos na camada bilipídica formando um tapete (carpet), desintegrando a membrana (LEE et al., 2010). O modelo de transição de dois estados se assemelha ao modelo carpet, sugerindo ligação externa e desestabilização da membrana (TAMBA et al., 2005). O modelo de poros toroidal, sugere a conexão contínua de monocamadas lipídicas mediante a ação de peptídeos em hélices que interagem com a membrana celular, causando a formação de poros e consequente extravasamento de fluido (BOZELLI et al., 2012). O modelo detergente sugere o colapso da integridade da membrana e o extravasamento de componentes intracelulares na presença de altas concentrações de peptídeos antimicrobianos (HRISTOVA et al., 1997).

A partir da interação com vesículas lipídicas aniônicas, os PAMs podem promover fusão e agregação de vesículas, separação da fase lipídica, solubilização da membrana e movimentação transmembrana de lipídeos (WIMLEY, 2010). Outros mecanismos de ação que não envolvem danos à membrana microbiana podem estar relacionados a atividade dos PAMs. Estudos sugerem translocação relacionado ao extravasamento de componentes intracelulares, mudanças em transcrição gênica e interferências no DNA e chaperonas (WIMLEY, 2010). Tem-se que, intracelularmente, os PAMs podem inibir a síntese de DNA, RNA e proteínas, além de atividade enzimática (GKEKA et al., 2010).

Adicionalmente a sua ação frente a microrganismos, os PAMs apresentam atividades relacionadas à imunidade inata e adaptativa (ação imunomodulatória) como, por exemplo, a indução ou a modulação da produção de citocinas pró inflamatórias e quimiocinas, quimiotaxia, apoptose, transcrição de genes, inibição da resposta inflamatória, recrutamento e estímulo da proliferação de macrófagos, neutrófilos, eosinófilos e linfócitos T (BOWDISH et

al., 2005b) e ativação e diferenciação de células dendríticas (DAVIDSON et al.,

2004). Peptídeos catiônicos podem induzir quimiotaxia, liberação de histamina por mastócitos, promovem angiogênese e modulam a diferenciação de células pré-dendríticas (BOWDISH et al., 2005a).

Logo, as propriedades de cada peptídeo estão associadas a seu mecanismo de ação, a efetividade e especificidade, de acordo com tamanho, sequência de resíduos de aminoácidos, carga, conformação, estrutura, hidrofobicidade e anfipacidade (BROGDEN, 2005). As desvantagens do uso dessas biomoléculas podem incluir alto custo de produção (dependendo do tamanho e dos resíduos), citotoxicidade em alguns casos (GKEKA et al., 2010), pobre penetração tecidual, rápida eliminação pelo organismo e biodisponibilidade oral. No entanto, modificações na sequência de peptídeos podem ser efetuadas para eliminar algumas desvantagens como susceptibilidade a proteases e solubilidade (MASON, 2010).

Uma vez que vários PAMs são encontrados em um mesmo sítio de infecção, estes atuam em conjunto, no combate a infecção. Estes objetivam a manutenção da relação saúde-doença. Na cavidade oral existem, no mínimo, 45 PAMs diferentes, oriundos da saliva e do fluído gengival (GORR et al., 2011), como, por exemplo, β-defensinas, expressas no epitélio gengival, glândulas e ductos salivares. As α-defensinas de neutrófilos estão no fluido crevicular e a LL-37 pertence a neutrófilos, em epitélio inflamado, glândulas submandibulares e saliva. Estes peptídeos possuem atividade sinérgica com outros PAMs e, portanto, a saliva possui uma linha de defesa a partir da coexpressão de LL-37, defensinas, histatinas, proteínas ricas em prolina e calprotectina (DALE et al., 2006). Dessa forma, PAMs orais atuam como um sistema central de defesa oral, o que determina o seu potencial terapêutico (LUCCHESE et al., 2012).

Salienta-se que as diferenças in vivo e in vitro da atuação de PAMs são um enorme desafio no desenvolvimento farmacológico da terapia com peptídeos. A produção de produtos tópicos, que diminuem riscos à saúde de pacientes, tem recebido investimento (GIULIANI et al., 2007). Os peptídeos surgiram no mercado para atuar em inúmeras áreas da saúde. Estudo listou, em 2010, mais de 60 peptídeos sintéticos como produtos com finalidade terapêutica (VLIEGHE et al., 2010). Manson, neste mesmo ano, listou o desenvolvimento de peptídeos e peptídeos miméticos, em diferentes fases de testes: 270 em testes clínicos e 400 em testes pré-clínicos (MASON, 2010). Em 2007, estudo listou produtos à base de peptídeos em processo de desenvolvimento farmacológico, citando Polimixina B-Colistina-Colomicina (RX

Generic drugs) e Daptomicina (Cubist Pharmaceuticals) como produtos já disponíveis do mercado para infecções cutâneas (GIULIANI et al., 2007). Outro estudo listou, em 2013, exemplos de outros produtos já comercializados a base de peptídeos para tratamento de osteoporose, diabetes, HIV, câncer de próstata, mama e de osso, insuficiência cardíaca, esclerose múltipla, tumores neuroendócrinos, angioedema hereditário, dor e púrpura trombocitopênica idiopática. Sendo estes: Teriparatida (Eli Lilly & Co.), Exenatida (Amylin/Lilly), Efuvirtida (Roche/Trimeris), Degarelix (Ferring), Mifamurtida (Takeda), Nesiritida (Johnson & Johnson), Goserelina (AstraZeneca), Glatiramer (Teva Pharmaceuticals), Octreotida/Lanreotida (Novartis Pharmaceuticals/Ipsen), Icatibant (Jerini), Ziconotida (Elan, Azur Pharma), Pramlintida (Amylin) e Romiplostima (Amgen) (CHANDRUDU et al., 2013).

Outro estudo listou, em 2011, produtos na área odontológica, para cuidados bucais a base de peptídeos, já disponíveis no mercado, para combater biofilme microbiano (PEPPERNEY et al., 2011). Em adição a caseína, um fosfopeptídeo, é comercializada como RecaldentTM e como Tooth Mousse™ (goma de mascar) atuando na remineralização do esmalte dentário (CROSS et al., 2007).

Harney e Hancock, em 2013, também listaram peptídeos antimicrobianos que ainda estão em fases de testes clínicos para produtos que também envolvem a área odontológica: Iseganan (IB-367) (Ardea Biosciences) para tratamento de mucosite oral e PAC-113 (Pacgen Biopharmaceuticals) para tratamento de candidíase oral (HANEY et al., 2013).

Neste intuito, agentes antimicrobianos que eliminam efetivamente espécies resistentes em canais radiculares são potenciais beneficiadores do tratamento endodôntico (TURNER et al., 2004). De acordo com a emergência de novas terapias contra diversas infecções, pesquisas com PAMs estão com números crescentes ao longo dos últimos anos. Contra infecções orais (principalmente cárie dentária e doença periodontal), por exemplo, os PAMs oriundos da cavidade bucal vêm sendo extensivamente estudados, representando 63% de pesquisas levantadas, seguido por peptídeos sintéticos (23%) (SILVA et al., 2012). A maioria dos estudos encontrados avaliou a atividade de PAMs contra microrganismos relacionados à cárie (52%) e doença periodontal (28%), incluindo Streptococcus mutans, C. albicans, P. gingivalis e

E. faecalis. Os estudos abordavam a atividade de peptídeos orais (α e β-

defensinas, LL-37, histatina e peptídeo derivado de lactoferrina), neuropeptídios, peptídeos de bactéria, peixe, boi e peptídeos sintéticos. Estudos com bactérias de alta prevalência nas doenças periodontais foram susceptíveis a LL-37, enquanto bactérias de alta prevalência em cárie foram susceptíveis à β-defensina 2. Em adição, bactérias com alta prevalência nas doenças endodônticas foram susceptíveis à nisina e o fungo C. albicans foi susceptível à histatina 5 (SILVA et al., 2012).

Pesquisa demonstrou uma potencial aplicabilidade da nisina na terapia endodôntica (TURNER et al., 2004b). Trata-se de um peptídeo antibiótico oriundo da bactéria Lactococcus lactis, com atividade relatada contra diversas bactérias Gram-positivas. O mecanismo de ação da nisina, ainda em estudo, envolve interação com membrana fosfolipídica e indução de extravasamento celular de bactérias (MONTVILLE et al., 1998). Adicionalmente, nisina possui aplicação na conservação de alimentos na Austrália, Reino Unido e França, aprovada em concentrações ilimitadas (CLEVELAND et al., 2001). Em testes como medicação intracanal, este peptídeo reduziu em 49 e 48% as bactérias S.

gordonii e E. faecalis, respectivamente. Em comparação, o Ca(OH)2 reduziu o

crescimento das mesmas bactérias em 39 e 45%. No entanto, não foram encontradas diferenças significantes entre a nisina e o Ca(OH)2 (TURNER et

al., 2004b).

A β-defensina 3 humana também foi estudada para terapia endodôntica, demonstrando performance antimicrobiana superior ao Ca(OH)2 e clorexidina

(LEE et al., 2013). Este peptídeo possui propriedades antibacterianas (mecanismo de carpet), antiendotoxina e imunomodulatória, além de baixa citotoxicidade (KLUVER et al., 2005). A baixa estabilidade e meia vida desta proteína nativa são dificuldades que podem ser superadas por uma produção sintética (LEE et al., 2013). Em estudo com linhagem celular THP-1 na presença de E. faecalis, este peptídeo inibiu a produção de TNF-α e IL-8 e neutralizou a molécula de adesão ICAM-1 (LEE et al., 2012). Apesar de resultados preliminares promissores, deve-se ressaltar que ainda não se sabe o comportamento destas biomoléculas frente a infecções mistas (LEE et al., 2013).

Avaliou-se também a atividade de 10 peptídeos antimicrobianos comercializados contra isolados do grupo S. milleri com finalidade endodôntica. As amostras de peptídeos incluíram peptídeos de neutrófilo humano 1 e 2, histatinas 5 e 8 (saliva humana), indolicidina (granulócito bovino), cecropinas B e P1 (traça hemolinfa), magainina II (intestino e pele de sapo) e mastoparano (veneno de vespa). Peptídeos de neutrófilos humanos, histatina 8, cecropina P1 e magainina não inibiram nenhuma das cepas testadas. Os demais peptídeos inibiram 10% (histatina 5), 30% (cerpropina B), 91% (indolicina), 95% (magainina amida) e 90% (mastoparano) das cepas bacterianas (BARTIE et al., 2008).

O peptídeo PsVP-10, produzido pela espécie Pseudomonas, foi capaz de inibir diversas bactérias Gram-positivas e negativas além de ser resistente a calor, a enzimas proteolíticas e o pH. Estudo reportou que todas as cepas de isolados clínicos de E. faecalis (coletadas de infecção de trato urinário, tecidos moles e corrente sanguínea) coletadas foram susceptíveis ao peptídeo (PADILLA et al., 2004). Outros peptídeos, psoriasina e ribonuclease 7, expressas por células epiteliais gengivais, apresentaram atividade contra biofilmes orais (EBERHARD et al., 2009).

Adicionalmente, adrenomedulina e β-defensina, peptídeos de origem humana, apresentam potencial terapêutico na doença periodontal (HOSOKAWA et al., 2008). A β-defensina também tem potencial no combate à cárie e aos vírus herpes simples e da imunodeficiência humana e histatina contra gengivite (LUCCHESE et al., 2012). O peptídeo vasoativo intestinal de microambiente linfóide foi associado à diminuição da resposta inflamatória e inibição de reabsorção óssea alveolar em modelo experimental de periodontite (GURKAN et al., 2009).

Em suma, pesquisas demonstram o potencial de peptídeos antimicrobianos na odontologia em geral e contra patógenos que participam de infecções endodônticas (Figura 1G). No entanto, ainda não se tem relatos de produtos em fase de teste clínicos que englobam a utilização de peptídeos antimicrobianos como medicação intracanal (Figura 5).

Figura 5. Relação entre a busca por artigos e patentes na área da endodontia.

2.5.1. Clavaninas

As clavaninas compõem uma família de peptídeos antimicrobianos (classificadas como A, B, C, D e E) isolados de hemócitos (células fagocíticas) do organismo marinho Styela clava (LEE et al., 1997a). Estas estão presentes nos grânulos citoplasmáticos e/ou citoplasma de cinco diferentes tipos de granulócitos e em macrófagos. Possuem 23 resíduos de aminoácido, α-hélice, riqueza em histidinas, glicinas e fenilalaninas, e apresentam características catiônicas e anfipáticas (VAN KAN et al., 2003b).

Uma pesquisa demonstrou presença e aposição dos resíduos de glicina estão relacionadas à sua atividade antimicrobiana. Esta constatação foi possível mediante testes de peptídeos mutantes, substituindo os resíduos de glicina por alanina. Logo, a capacidade de romper a membrana foi dependente de interações hidrofóbicas, envolvendo os resíduos de glicina posicionados estrategicamente que também contribuíam na conformação estrutural do peptídeo (VAN KAN et al., 2001). Em conjunto, os resíduos de fenilalanina

0 100 200 300 400 500 600 0 5000 10000 15000 20000 25000 30000 P at en te s A rt ig os n o P ub M ed

auxiliam nesta finalidade e conferem afinidade às membranas (VAN KAN et al., 2003a).

A carga positiva facilita interações com componentes aniônicos da parede microbiana, como LPS. Este peptídeo, sendo rico em histidina (pKa

6,5), apresenta sua capacidade catiônica aumentada em pH 5,5 e relativamente diminuída em pH 7,4 (VAN KAN et al., 2001). Foi demonstrado que a capacidade de inserção da clavanina na membrana foi inversamente proporcional ao aumento do pH (VAN KAN et al., 2001). Isso se dá devido aos hemócitos possuírem um ambiente ácido em seu vacúolo fagocítico (pH 5,0) que evidencia sua condição ótima de atividade (LEE et al., 1997a). Portanto, estes são ativos em altas concentrações de sal e possuem melhor atividade em pH ácido (LEE et al., 1997a). A presença de histidinas também pode estar relacionada à ligação de cátions, DNA ou RNA (VAN KAN et al., 2001).

A clavanina A possui atuação dependente de pH, podendo interferir na permeabilização da membrana. Estudo demonstrou a atuação desta desestabilizando a bicamada lipídica em pH neutro com um mecanismo de ação que se assemelha ao de carpet, mencionado anteriormente (VAN KAN et

al., 2003b). Em ambiente ácido, esta pode ter atividade relacionada à sua

interação com proteínas envolvidas na translocação de prótons (VAN KAN et

al., 2002) como proteínas de membrana (ATP sintases ou bombas de prótons,

por exemplo). Existem controvérsias com relação ao seu mecanismo de ação (VAN KAN et al., 2002). Dessa maneira, são necessaiors maiores esclarecimentos sobre a atuação das clavaninas.

Clavaninas, em seu amplo espectro, atuam contra bactérias (Gram- positivas e negativas) e fungos (VAN KAN et al., 2003b). A clavanina A possui atividade contra S. aureus, E. coli e K. pneumoniae (SILVA, 2011). Pesquisa demonstrou a atividade de clavanina A contra L. monocytogenes e E. coli em pH 6,5 a 37 oC, constatando que baixas concentrações deste peptídeo são

bactericidas (LEE et al., 1997b).

Adicionalmente, a clavanina A, em concentrações superiores a 400 µM, não apresentou citotoxicidade contra eritrócitos de coelho (VAN KAN et al., 2003a), bem como contra linhagem celular RAW 264.7 (até 190 µM) (SILVA, 2011). Sua atividade hemolítica à células vermelhas de sangue humano foi menor do que 10% em até 50 µM (LOFGREN et al., 2008) ou nula (até 190 µM)

(SILVA, 2011). A clavanina A também estimulou a produção de IL-10 e inibiu a produção de NO, TNF-α e IL-12 em estudo com linhagem celular RAW 264.7 (até 6 µM) (SILVA, 2011). Além disso, a clavanina A possui potencial para tratar pacientes com fibrose cística, já que atua em ambientes ácidos e possui atividade contra S. aureus e P. aeruginosa (LEE et al., 1997a).

Previamente, nosso grupo desenvolveu uma modificação da clavanina A, a clavanina X. Esta modificação consiste na adição de cinco resíduos de aminoácidos apolares na região C-terminal do peptídeo (FLPII). A sequência adicionada foi obtida mediante comparação com peptídeos descritos na literatura com atividade imunomodulatória. Estes resíduos aumentam o grau de hidrofobicidade e, consequentemente, a afinidade à membranas celulares (SILVA, 2011).

Estudos in vitro revelaram semelhanças de resultados de ambas as clavaninas (A e X): atividade antimicrobiana contra E. coli (96 e 79 µM, respectivamente), K. pneumoniae (96 e 40 µM, respectivamente) e S. aureus (192 e 79 µM, respectivamente); ausência de citotoxicidade contra linhagem celular RAW 264.7 (até 190 µM); estímulo para a produção de IL-10; inibição na produção de NO, TNF-α e IL-12 (até 6 µM). No entanto, a clavanina X apresentou comportamento diferente da clavanina A, demonstrando atividade hemolítica de 45% contra hemácias humanas (acima de 40 µM), enquanto que a clavanina A não foi citotóxica para as mesmas células (SILVA, 2011).

Em modelo experimental in vivo de sepse polimicrobiana grave em camundongos, as clavaninas obtiveram resultados semelhantes: estimulação de migração de neutrófilos a cavidade peritoneal após 6 h de tratamento, ausência de efeito genotóxico, redução da carga bacteriana do ferimento e aumento de sobrevida. Estes resultados demonstram o potencial destas biomoléculas na terapia de feridas cirúrgicas e quadros de septicemia (SILVA, 2011).

Com base em tais resultados, a modificação da clavanina A, a clavanina X também é um peptídeo com potencial para a terapia endodôntica, uma vez demonstrada sua eficácia contra infecções mistas e capacidade imunomodulatória. Deve-se, portanto, avaliar o comportamento destas biomoléculas em ambientes semelhantes à infecção endodôntica para avaliar parâmetros de reestabelecimento de saúde no ambiente perirradicular.

2.5.2. LL-37

A catelecidina LL-37 é oriunda da proteína hCAP-18, após sua liberação por neutrófilos e clivagem por proteinase 3. A proteína hCAP-18 tem sua liberação induzida frente à componentes bacterianos e IL-1α (ERDAG et al., 2002). A LL-37 trata-se de um peptídeo catiônico derivado de neutrófilos e pode ser encontrado em epitélio escamoso oral não queratinizado, em células epiteliais secretoras, no fluído gengival, no exsudato de sulco gengival e na saliva humana, a partir de sua liberação homeostática por meio da degranulação de neutrófilos (LUCCHESE et al., 2012). Possuindo 37 aminoácidos, este é liberado de forma ativa e forma poros na membrana bacteriana de microrganismos (LUCCHESE et al., 2012), tendo seus níveis de produção aumentados em condições de infecção e inflamação. A LL-37 se liga a superfície de células epiteliais e é endocitada (BOWDISH et al., 2005a).

Este peptídeo possui atividade microbicida de amplo espectro, atingindo bactérias (Gram-positivas e negativas), fungos e vírus (DURR et al., 2006). Dentre as Gram-positivas, tem-se: espécies de Streptococcus, S. aureus, E.

faecalis, Staphylococcus epidermidis, Listeeria monocytogenes, Enterococcus faecium, Lactobacillus. acidophilus, Bacillus subtilis, Bacillus megaterium.

Dentre as Gram-negativas, pode-se citar: E. coli, P. aeruginosa, A.

actinomycetemcomitans, Salmonella typhimurium, Salmonella minessota, B. cepacia, Capnocytophaga ochracea, Klebsiella pneumoniae, Proteus mirabilis, Stenotrophomonas maltophilia, Proteus vulgaris, Capnocytophaga sputigena, C. gingivalis, S. serovar dublin. Seu efeito abrange ainda espiroquetas

(Leptospira interrogans, Borrelia spp., Treponema pallidum) e o fungo C.

albicans (DURR et al., 2006).

O mecanismo de ação da LL-37 pode envolver permeabilização de membrana ou inibição de crescimento microbiano. Este atua na parede celular e na membrana de C. albicans (LOPEZ-GARCIA et al., 2005). Estudo relatou a ligação de LL-37 a plasmídeos, levando-os ao núcleo celular (SANDGREN et

al., 2004). Ainda assim, outro estudo demonstrou redução em sua atividade na

entanto, sua atividade quimiotática não é afetada na presença de soro (DE et

al., 2000).

Além da atividade microbicida, a LL-37 apresenta importantes funções adicionais na defesa do hospedeiro, incluindo: quimiotaxia e modulação da resposta, induzindo recrutamento de neutrófilos, monócitos, células T e mastócitos (ZANETTI, 2004); liberação de IL-8, um potencial efetor de recrutamento (BOWDISH et al., 2005a), sinal de transdução; aumento na secreção de proteínas e cicatrização de feridas (LUCCHESE et al., 2012) (promovendo re-epitelização, por exemplo). Mediante bloqueio da ligação de LPS à células CD14+, este também atua contra endotoxinas (LUCCHESE et

al., 2012), inibindo a produção de citocinas inflamatórias frente ao estímulo

(SCOTT et al., 1999).

Por conseguinte, a LL-37 atua como molécula anti-inflamatória, protegendo camundongos e ratos após administração de uma dose letal de LPS. Este possui alta afinidade a LPS e neutraliza seu efeito biológico por sua ligação, reduzindo a produção de TNF-α e espécies reativas de oxigênio (ZUGHAIER et al., 2005). Estudo relata sua atividade inibindo a expressão de moléculas pró inflamatórias como TNF-α e IL-6 (MOOKHERJEE et al., 2006). No entanto, também existem relatos que evidenciam o aumento na expressão de LL-37 por ação de IL-1α e IL-6 (ERDAG et al., 2002). Também foi relatada a redução da produção de NO na presença deste (CIORNEI et al., 2003). Desta forma, suas propriedades imunomodulatórias influenciam células epiteliais e monócitos. Pode agir sinergicamente com as citocinas produzidas em sítios inflamatórios (BOWDISH et al., 2005a).

Este peptídeo também induz a proteína quinase ativada por mitógeno (MAPK) (TJABRINGA et al., 2003), que atua na produção de IL-8, MCP-1 e MCP-3 por monócitos derivados de sangue periférico, na função de atrair neutrófilos, monócitos e macrófagos (BOWDISH et al., 2005a). Outro fator importante, o fator estimulador de colônias de macrófagos e granulócitos (GM- CSF), citocina produzida por macrófagos e linfócitos T, promove a sobrevivência, proliferação, diferenciação e ativação de células hematopoiéticas em linhagens de macrófagos e neutrófilos, principalmente. Esta citocina tem a função de aprimorar os processos de apresentação de